Por Marina Sestito

Stoodianos,

A tese é o ponto de vista que você vai defender no seu texto, mas será que basta elaborar uma tese qualquer para que a redação receba a nota máxima no Enem ou em outros vestibulares e concursos?

Não existe um ponto de vista certo e um ponto de vista errado sobre um determinado assunto. O que existem são visões diferentes sobre uma mesma questão, algumas talvez mais facilmente defensáveis do que outras, mas, a princípio, o candidato poderia sustentar a posição que quisesse sobre um determinado tema, desde que fosse capaz de apresentar elementos que comprovem o que está sendo dito.

Tese na redação do Enem

Em alguns casos, como no da redação do Enem, é preciso também que o candidato não faça afirmações que firam os Direitos Humanos, mas, resguardados esses limites, qualquer posicionamento pode ser visto como válido, desde que bem sustentado.

“Mas, então, por que o corretor das minhas redações sempre pede uma maior criticidade na elaboração da tese? O que seria uma tese crítica, problematizada?”

A tese crítica

Uma tese crítica é aquela que propõe uma visão não muito óbvia sobre uma questão. É aquilo que não se limita a apenas repetir o senso comum. Uma tese crítica, problematizada, é um olhar mais consciente, mais “distanciado” para a questão que está sendo abordada , mas sem colocar as coisas como “eu” e “os outros”.

Explico: um posicionamento crítico é aquele que não apenas acusa determinados grupos de adotar as práticas que estão sendo analisadas, mas também se coloca como parte de um contexto que tem como desdobramento a manutenção da situação descrita.

Afirmar que o preconceito étnico é terrível e que os racistas são pessoas horríveis não apresenta nada além daquilo que todos nós já ouvimos ao longo de nossas vidas. Essa seria uma tese, sim, mas seria uma tese consistente, seria um ponto de vista formulado a partir de uma observação minuciosa da realidade? Parece-me que não.

E se, em vez disso, você fizer uma análise atenta da sua realidade e constatar que o racismo é um problema estrutural no Brasil, com raízes históricas e sociais, e perceber que você, que está lendo esse texto nesse momento, também já atravessou a rua e mudou de calçada, talvez até com o coração um pouco acelerado, quando uma pessoa negra vinha em sua direção, à noite, numa rua mal iluminada?

Será que você, uma “pessoa de bem”, também já não cometeu atos racistas, mesmo sem perceber? Será que você, e eu, e todos nós, não fazemos parte de uma sociedade que tem esse tipo de pensamento embasando suas atitudes, e que com isso excluímos, muitas vezes, aqueles que não temos nenhum direito de excluir?

Será que se sustenta essa visão de “eu sou ótimo e o mundo é terrível por ter tais e tais defeitos”, ou será que, se pararmos para pensar por um momento, perceberemos que não existe esse negócio de “a sociedade” como algo do qual não fazemos parte e que, no fundo, todos nós partilhamos um contexto que ultrapassa a simplicidade de uma análise rasa na qual não estamos implicados?

Aprofundando a tese

Antes que vocês achem essa conversa esquisita demais e me abandonem para sempre, vamos ao que pretendi germinar na cabecinha de vocês:

Evitem tratar o problema como se fosse tudo muito simples e como se uma coisa não interferisse na outra. Evitem tratar a sociedade como algo do que você não faz parte. Evite falar que as pessoas são de um jeito ou de outro. Olhe à sua volta. Analise o que vê e não se limite a reproduzir o que ouviu repetidamente. Olhe de novo. E de novo. Assim sua visão vai ganhando criticidade, vai ganhando profundidade, e suas teses vão ficando cada vez mais consistentes e fundamentadas, até sua nota chegar no 10, ou no 1000.

Muitos beijos, boas reflexões e até semana que vem.

 

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Marina Sestito é a Coordenadora de Redação do Stoodi. Formou-se em Filosofia pela FFLCH, na USP – atualmente cursa Licenciatura na FEUSP. Trabalhou em cursinhos pré-vestibulares e hoje comanda a equipe de correção do Stoodi.

 

Laura Loyo

Jornalista, ama uma roda de samba e ficar por dentro de todas as novidades. A Laura faz parte do time de Marketing e Conteúdo, e é conhecida como a Laura do Stoodi! Ela busca ter uma vida mais ativa, ama uma conversa de bar e adora comer comida de boteco. Saiba mais sobre a Laurinha!

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