Veja os principais pontos para você se preparar para as questões de literatura desse vestibular

Foto: Reprodução/Divulgação

Estamos na reta final para a Fuvest: falta apenas uma semana para acontecer o vestibular (dia 21 de novembro). Agora é a hora de fazer as últimas revisões e se preparar de vez para o grande dia. 

Diferente do ENEM, a Fuvest lança logo no começo do ano uma lista com as obras de leitura obrigatória, aquelas que cairão nas questões de literatura da prova. A lista deste ano contou com 9 livros, sendo eles: 

  • Iracema ‐ José de Alencar;
  • Memórias póstumas de Brás Cubas ‐ Machado de Assis;
  • O cortiço ‐ Aluísio Azevedo;
  • A cidade e as serras ‐ Eça de Queirós;
  • Capitães da Areia ‐ Jorge Amado;
  • Vidas secas ‐ Graciliano Ramos;
  • Claro enigma ‐ Carlos Drummond de Andrade;
  • Sagarana ‐ João Guimarães Rosa;
  • Mayombe ‐ Pepetela.

Quem leu, viu que as leituras não são tão fáceis – o vocabulário nem sempre possui termos coloquiais e próximos do nosso dia a dia. Mas não podemos ignorá-las. Essas questões podem nos render muitos pontos na nota final. 

Por isso, fizemos uma pesquisa nas últimas 5 provas e descobrimos exatamente como essas obras são cobradas. Veja o que você deve saber de literatura para mandar bem na Fuvest: 

  • Contexto histórico 
  • Escolas literárias
  • Ideias gerais e valores da obra 
  • Personagens principais 
  • Biografia básica do autor 
     

Isso tudo estará organizado de uma forma bastante peculiar, com aquela “cara de Fuvest”. Na maioria das vezes, a prova vai apresentar partes do texto para você ler e responder as perguntas. 

Mas, atenção: nem sempre todo o conteúdo está lá. Pode ser que ela apresente o texto e peça para você relacionar aquele conteúdo com outras obras que também estão na lista – isso é muito comum. 

Outra coisa que é muito importante você saber é que a Fuvest não vai questionar quem eram os personagens principais da obra ou qual era o enredo, por exemplo – algo bem direto e exato. Ela vai esperar de você uma análise crítica da obra. Ela quer saber se você tem base para entender e relacionar as reflexões que são apresentadas.

Por isso, é de suma importância você conhecer bem as características do período literário. Além do mais, você precisará saber o contexto histórico em que a obra foi produzida e o momento de vida do autor.

 Entenda como são formuladas as perguntas e saiba o que o vestibular está esperando de você a partir desses exemplos:

1. Relacionando obras

A Fuvest pede bastante para você relacionar as obras, como nesta questão:

(FUVEST 2016 – Questão 56) Apesar das diferenças notáveis que existem entre estas obras, um aspecto comum ao texto de Capitães da Areia, considerado no contexto do livro, e Vidas secas, de Graciliano Ramos, é

a) a consideração conjunta e integrada de questões culturais e conflitos de classe.
b) a reprodução fiel da variante oral✄popular da linguagem, como recurso principal na caracterização das personagens.
c) o engajamento nas correntes literárias nacionalistas, que rejeitavam a opção por temas regionais.
d) o emprego do discurso doutrinário, de caráter panfletário e didatizante, próprio do “realismo socialista”.
e) o tratamento enfático e conjugado da mestiçagem racial e da desigualdade social

2. Conhecendo os personagens principais 

Nesse exemplo, você terá que conhecer os personagens principais de cada obra para fazer uma relação entre eles: 

(FUVEST 2016 – Questão 60) Tal como se encontra caracterizado no excerto, o destino alcançado pela personagem Jacinto contrasta de modo mais completo com a maneira pela qual culmina a trajetória de vida da personagem

a) Leonardo (filho), de Memórias de um sargento de milícias.
b) Jão Fera, de Til.
c) Brás Cubas, de Memórias póstumas de Brás Cubas.
d) Jerônimo, de O cortiço.
e) Pedro Bala, de Capitães da Areia.

3. Questionando sobre o contexto histórico

Questões nesse formato aparecem em menor escala, mas pode acontecer de um texto ser usado de base para você responder sobre o contexto histórico:

(FUVEST 2014 – Questão 90) Segundo o crítico e historiador da literatura Antonio Candido de Mello e Souza, justamente na década que presumivelmente corresponde ao período de elaboração do livro a que pertence o poema, o modo de se conceber o Brasil havia sofrido “alteração marcada de perspectivas”.

A leitura do poema de Drummond permite concluir corretamente que, nele, o Brasil não mais era visto como país

a) agrícola (fornecedor de matéria-prima), mas como industrial (produtor de manufaturados).
b) arcaico (retardatário social e economicamente) mas, sim, percebido como moderno (equiparado aos países mais avançados).
c) provinciano (caipira, localista) mas, sim, cosmopolita (aberto aos intercâmbios globais).
d) novo (em potência, por realizar-se), mas como subdesenvolvido (marcado por pobreza e atrofia).
e) rural (sobretudo camponês), mas como suburbano (ainda desprovido de processos de urbanização).

4. Apresentando análises e perguntando as obras 

Nesse exemplo, você não terá que escolher a alternativa que apresenta a melhor análise. Será justamente ao contrário. A questão entrega a reflexão e pede para você relacionar com a obra:

(FUVEST 2013 – Questão 81) Leia o seguinte texto.
O autor pensava estar romanceando o processo brasileiro de guerra e acomodação entre as raças, em conformidade com as teorias racistas da época, mas, na verdade, conduzido pela lógica da ficção, mostrava um processo primitivo de exploração econômica e formação de classes, que se encaminhava de um modo passavelmente bárbaro e desmentia as ilusões do romancista.
Roberto Schwarz. Adaptado.

Esse texto crítico refere-se ao livro
a) Memórias de um sargento de milícias.
b) Til.
c) O cortiço.
d) Vidas secas.
e) Capitães da areia.

5. Ilustrando com elementos linguísticos do próprio texto 

Qual é a frase que exprime melhor a ideia central do texto? Perguntas desse tipo podem aparecer: 

Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati “pra cortar a friagem”.
Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: faziase contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição, para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso, resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros.
E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasileirou-se. (…) E o curioso é que, quanto mais ia ele caindo nos usos e costumes brasileiros, tanto mais os seus sentidos se apuravam, posto que em detrimento das suas forças físicas. Tinha agora o ouvido menos grosseiro para a música, compreendia até as intenções poéticas dos sertanejos, quando cantam à viola os seus amores infelizes; seus olhos, dantes só voltados para a esperança de tornar à terra, agora, como os olhos de um marujo, que se habituaram aos largos horizontes de céu e mar, já se não revoltavam com a turbulenta luz, selvagem e alegre, do Brasil, e abriam-se amplamente
defronte dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço, surge um monarca gigante, que o sol veste de ouro e ricas pedrarias refulgentes e as nuvens toucam de alvos turbantes de cambraia, num luxo oriental de arábicos príncipes voluptuosos. 

(FUVEST 2012 – Questão 46) Destes comentários sobre os trechos sublinhados, o único que está correto é:

a) “tragava dois dedos de parati”: expressão típica da variedade linguística predominante no discurso do narrador.
b) “‘pra cortar a friagem’” essa expressão está entre aspas, no texto, para indicar que se trata do uso do discurso indireto livre.
c) “patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos”: assume o sentido de “registravam oficialmente”.
d) “posto que em detrimento das suas forças físicas”: equivale, quanto ao sentido, a “desde que em favor”.
e) “tornava-se (…) imprevidente” e “resignando-se (…) às imposições do sol”: trata-se do mesmo prefixo, apresentando, portanto, idêntico sentido. 

6. Dominando as figuras de linguagem

As figuras de linguagem dizem muito sobre um texto. Estar por dentro delas é muito importante para quem quer mandar bem em literatura:

(FUVEST 2015 – Questão 30) Ao comentar o bilhete de Virgília, o narrador se vale, principalmente, do seguinte recurso retórico:

a) Hipérbato: transposição ou inversão da ordem natural das palavras de uma oração, para efeito estilístico.
b) Hipérbole: ênfase expressiva resultante do exagero da significação linguística.
c) Preterição: figura pela qual se finge não querer falar de coisas sobre as quais se está, todavia, falando.
d) Sinédoque: figura que consiste em tomar a parte pelo todo, o todo pela parte; o gênero pela espécie, a espécie pelo gênero; o singular pelo plural, o plural pelo singular etc.
e) Eufemismo: palavra, locução ou acepção mais agradável, empregada em lugar de outra menos agradável ou grosseira.
 

Vale lembrar que as perguntas são interpretativas, e é por esse motivo que vale muito a pena você construir o seu próprio resumo. 

Outro detalhe muito importante é que a banca não quer que você decore tudo, mas que você tenha um repertório cultural e criticidade para opinar e relacionar temas. 

Se você for bem organizado e quiser fixar bem o conteúdo, seria bom dividir as obras em movimentos literários (romantismo, realismo e modernismo). Assim, ficará mais fácil entender o contexto e o período em que foi escrito. 

Agora, se você já fez tudo isso, que tal assistir um filme para gravar de vez o conteúdo? 

Luiz Serpa

Jornalista, corredor, amante de futebol americano e integrante do time de Marketing e Conteúdo do Stoodi. Prefere ser chamado de “Serpa” e é apaixonado por cachorros.

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