Descubra como formular a sua proposta de intervenção e escrever um ótimo texto

 

Você sabia que a redação do Enem 2017 vai ser um pouco diferente das edições passadas? O novo edital trouxe uma mudança importante em relação aos temas da prova. 

Até 2016, poderiam cair temas sociais, ambientais ou políticos no Enem. A partir do edital deste ano, não há mais o direcionamento de temas ambientais. 

De acordo com o Inep, agora você pode se preparar para escrever sobre temáticas sociais, políticas e/ou culturais.
 

Formato de redação Enem

Antes de conferir as apostas para o Enem 2017, precisamos entender qual é o formato de redação do exame. 

“Sempre vai ser uma problemática no contexto brasileiro atual em caráter social, cultural e/ou político”, afirma Marina Sestito, coordenadora de redação do Stoodi.

Para te ajudar nessa busca, vamos revelar um truque bem simples. Fique atento a 5 perguntinhas mágicas e descubra se um tema possui a “cara” do Enem:

  • Esse é um problema social, cultural ou político? 
  • É atual?
  • É uma questão nacional? 
  • Afeta grande parcela da sociedade? 
  • Tem como ser resolvido?

Se todas as suas respostas forem “sim”, você encontrou um possível tema de redação do Enem.

Redação Enem
 

Agora que você já entendeu o formato do Enem e sabe o que ele espera de você, chegou a hora de conhecer as grandes apostas da prof. Marina. 

Para definir o que pode cair esse ano, ela mapeou temas que passam tanto por questões políticas, quanto por questões sociais e culturais. 

“É importante a gente pensar que não é palpite, nem chute. As apostas que vamos fazer são baseadas em técnica, a partir das informações que o Enem nos dá”, revela Marina Sestito.

10 temas de redação que podem cair no Enem 2017   

  1. Intolerância à população LGBT brasileira
  2. Mobilidade urbana no Brasil
  3. Acessibilidade no Brasil 
  4. Analfabetismo funcional no Brasil  
  5. Desafios da inclusão digital no Brasil
  6. Desafios da saúde pública no Brasil
  7. Intolerância à diversidade de organização familiar no Brasil
  8. Aumento no índice de sobrepeso no Brasil
  9. Desafios da população refugiada no Brasil
  10. Bullying na sociedade brasileira

1. Intolerância à população LGBT brasileira

Intolerância LGBT
Foto: reprodução/divulgação

A comunidade LGBT é formada por Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros. Para discutir sobre o tema, precisamos entender a situação de violência que vivem os indivíduos desse grupo e sua falta de representatividade. 

O Brasil, por exemplo, é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Em 2016, tivemos 127 mortes, o que representa uma vítima a cada três dias. 

Um importante ponto de partida é buscar de onde vem esse tipo de intolerância. Existem muitos elementos culturais que colocam o homossexual, o bissexual e o transexual como inferior, como o conceito de heteronormatividade, por exemplo. 

Como resolver este problema?

“Quando se trata de intolerância a um determinado grupo, a gente precisa proteger as pessoas que estão sofrendo esse tipo de discriminação”, explica Marina. Além disso, é preciso pensar em formas de captar denúncias e propor medidas afirmativas com o objetivo de dar maior visibilidade à comunidade LGBT. 

2. Mobilidade urbana no Brasil

Mobilidade urbana
Foto: reprodução/divulgação

A mobilidade urbana diz respeito às questões de deslocamento, tanto de pessoas como de veículos de transporte nos centros urbanos. Para se ter uma ideia de como o assunto é sério, a estimativa é de que 65 milhões de brasileiros vivem nas cidades e sofrem diariamente com transportes públicos precários e más políticas de urbanização. 

Como resolver este problema?

“Mais importante do que a gente proibir o uso de transporte privado, é a gente dar muitos incentivos para que a pessoa tenda a escolher o transporte público pelas suas facilidades”, afirma Marina Sestito. 

Podemos pensar, portanto, na ampliação da malha metroviária e linhas de ônibus; em meios alternativos para se locomover, como as vias fluviais; ou pensar em iniciativas de caronas. 
 

3. Acessibilidade no Brasil

Acessibilidade
Foto: reprodução/divulgação

Os problemas de acessibilidade são as dificuldades que pessoas com deficiência, grávidas, idosos e pessoas com limitação motora ou de locomoção enfrentam no Brasil. 

Cerca de 650 milhões de pessoas no mundo têm algum tipo de deficiência e precisam driblar inúmeros obstáculos para acessar lugares públicos e privados despreparados. Será que essas pessoas se sentem parte da sociedade?

Como resolver este problema?

Não basta apenas conscientizar e punir. “A gente resolve os problemas de acessibilidade com medidas práticas”, lembra a prof.ª Marina. 

Para resolver os problemas de acessibilidade, precisamos pensar em transportes adaptados com rampas e sinais (sonoros e luminosos). As escolas precisam oferecer educação para todas as crianças, independente de suas necessidades e as construções civis precisam apresentar meios de locomoção para pessoas com mobilidade reduzida ou cadeirantes. 
 

4. Analfabetismo funcional no Brasil  

Analfabetismo funcional
Foto: reprodução/divulgação

Analfabeto absoluto é aquele que não sabe ler, nem escrever. Já o analfabeto funcional é aquele que lê, mas tem muita dificuldade de extrair as informações do texto e interpretá-las. 

De acordo com o IBGE, um analfabeto funcional tem 15 anos de idade ou mais, com menos de 4 anos de estudo em relação ao total de pessoas na população com a mesma faixa etária.

Uma pesquisa divulgada pelo programa Profissão Repórter, em 2015, informou que os analfabetos funcionais correspondem a 27% da população brasileira. 

Como resolver este problema?

Como estamos falando de analfabetismo funcional (constatado com uma idade mais avançada), não podemos relacionar apenas à falta de escolaridade. 

“Neste caso, as medidas devem vir majoritariamente do Estado”, afirma Marina Sestito. É necessário haver uma mudança cultural para que as pessoas adotem o hábito da leitura, tenham contato com textos escritos e desfrutem da possibilidade de criticidade. 
 

5. Desafios da inclusão digital no Brasil

Inclusão digital
Foto: reprodução/divulgação

Existem lugares no Brasil que não possuem acesso à energia elétrica ou saneamento básico, quanto mais à internet. Porém, não são apenas essas pessoas que estão excluídas digitalmente no país. Esse problema se deve, em grande parte, à má distribuição de renda, que cria ainda mais degraus na sociedade.

Para discutir os desafios da inclusão digital no Brasil, portanto, é preciso levar em consideração a desigualdade social, globalização, novas tecnologias, mercado de trabalho e possibilidades de ascensão social que são barradas àqueles que não estão incluídos no universo digital.

Como resolver este problema?

De acordo com Marina Sestito, é preciso apresentar medidas com investimentos estruturais. 

Podemos pensar em desenvolver centros de acesso à internet, sob responsabilidade das prefeituras e do governo dos Estados, por exemplo. Além disso, é preciso pensar na educação digital, para possibilitar que todos saibam utilizar os meios digitais. 

6. Desafios da saúde pública no Brasil 

Saúde pública no Brasil
Foto: reprodução/divulgação

Os hospitais públicos brasileiros estão frequentemente superlotados e com infraestrutura precária. As filas para tratamentos complexos, como transplantes, só aumentam. Há muita gente morrendo por falta de remédio e, para completar, faltam profissionais para atender nesse setor. 

Com o SUS, nosso sistema público de saúde melhorou muito, mas ainda há muito o que fazer, já que temos um crescimento demográfico constante no país. É importante que se discuta isso na redação.

Como resolver esse problema?

“Nesse caso específico, as principais propostas não viriam de muitas outras esferas a não ser do Estado”, adianta Marina Sestito. 

É preciso ter investimento no setor de saúde pública e ter uma fiscalização eficiente na gestão dos recursos. Além disso, é necessário apresentar uma priorização das medidas adotadas para enfrentar esse problema.

7. Intolerância à diversidade de organização familiar no Brasil

Organização familiar no Brasil
Foto: reprodução/divulgação

Esse tema não diz respeito somente a casais heterossexual e homossexual. Na verdade, existem outras formas de organização familiar, como mãe/pai solteiros (uniparental) ou composta por parentes, como os avós. 

De acordo com dados do IBGE, a formação clássica “casal com filhos” equivale a 49,9% das famílias brasileiras. Isso significa que metade da população é composta por outros tipos de organização familiar. 

Ou seja, praticamente 50% da população brasileira corre o risco de sofrer intolerância à diversidade de organização familiar. 

Como resolver esse problema?

“A gente resolve esse problema tentando mudar culturalmente esse pensamento”, esclarece Marina Sestito. 

A gente deve dar mais visibilidade e mostrar que não é porque uma família não contém a “formação clássica” que ela deixa de ser uma família. Podemos pensar também em algum canal de denúncia para as pessoas que sofrem essa intolerância, como um portal digital na internet ou um número de telefone.

8. Aumento no índice de sobrepeso no Brasil

Sobrepeso no Brasil
Foto: reprodução/divulgação

Antes de começar a discutir sobre esse tema, é preciso lembrar: não tem problema nenhum uma pessoa ter o corpo que ela quiser. O que a gente entende como um problema social, cultural ou político é o aumento no índice de sobrepeso no país inteiro, que acarreta graves problemas de saúde, tornando-se um problema de saúde pública. 

Se uma população inteira apresenta sobrepeso, será que seus hábitos estão adequados? Será que esse aumento de peso pode desenvolver algumas complicações?

Como resolver esse problema? 

Segundo Marina, não basta afirmar que o aumento no índice de sobrepeso é um problema. É preciso apresentar medidas práticas para estruturar o enfrentamento dessa questão. 

É preciso disponibilizar informação nutricional, tanto nos rótulos de alimentos quanto nos atendimentos realizados por nutricionistas. Podem ser criadas leis, pelo Estado, que regulem a quantidade de açúcar e gordura dos alimentos, entre outros. 

9. Desafios da população refugiada no Brasil

Refugiados no Brasil
Foto: reprodução/divulgação

Para discutir esse tema, é preciso conhecer o conceito de refugiado. Temos que nos atentar, também, ao motivo que faz essas pessoas virem para o nosso país. 

Um refugiado é um  indivíduo que se desloca para outro local (país ou outra região), devido a problemas relacionados ao meio ambiente, a perseguições políticas ou situação de guerras e extrema pobreza.

Segundo a Acnur, Agência da ONU para Refugiados, o Brasil reconheceu quase 10 mil refugiados até o final de 2016

Como resolver esse problema?

“A gente precisa de políticas públicas para dar estrutura para os refugiados”, afirma Marina Sestito. Precisamos proporcionar meios dos refugiados terem moradia, formação e acesso ao mercado de trabalho, por exemplo. 

10. Bullying na sociedade brasileira

Bullying na sociedade brasileira
Foto: reprodução/divulgação

Esse tema é muito atual. Primeiramente, é necessário entender o que é o bullying: ato agressivo praticado contra alguém, por um indivíduo ou um grupo de pessoas, com ameaça, intimidação e/ou violência física e verbal.

O grande problema social que envolve o bullying são os impactos causados às vítimas, que muitas vezes podem ser levados para o resto da vida.  

Como resolver esse problema? 

“Como a gente faz para combater o bullying? A gente precisa envolver medidas governamentais e pensar no ambiente onde o bullying acontece”, explica Marina Sestito. 

Para o bullying escolar, por exemplo, a gente precisa criar mecanismos para identificar essa violência. Todas as escolas devem ter um coordenador pedagógico que consiga encaminhar essas crianças para um psicólogo ou, preferencialmente, ter um psicopedagogo no próprio colégio. 

Agora que você já viu temas que podem cair na redação do Enem 2017, que tal escrever redações para praticar? O Stoodi tem um banco de temas cheio de opções para você. 

Quer receber mais dicas para mandar bem nos vestibulares? Cadasatre-se gratuitamente no Stoodi e fique por dentro de tudo!
 

Laura Loyo

Jornalista, ama uma roda de samba e ficar por dentro de todas as novidades. A Laura faz parte do time de Marketing e Conteúdo, e é conhecida como a Laura do Stoodi! Ela busca ter uma vida mais ativa, ama uma conversa de bar e adora comer comida de boteco. Saiba mais sobre a Laurinha!