Se você está entre as pessoas que se perguntam como podem surgir tantos conflitos no Oriente Médio, saiba que tudo tem um motivo. Embora, neste caso, sejam vários motivos, mas com um mesmo ponto de origem.

Praticamente todos os atuais conflitos regionais do Oriente Médio estão relacionados, de alguma forma, aos desenvolvimentos políticos do pós Segunda Guerra Mundial.

Para entender melhor, veremos os seguintes tópicos nesse artigo:

  • Conflitos no Oriente Médio: causas;

  • Quando começaram os conflitos no Oriente Médio;

  • Conflitos Oriente Médio: resumo;

  • Principais conflitos no Oriente Médio  pós-Guerra Fria;

  • Como estão os conflitos no Oriente Médio atualmente.

Pois é, a lista de conflitos é longa, então vamos logo ao que interessa.

Conflitos no Oriente Médio: causas

Em primeiro lugar, vamos falar apenas das causas dos conflitos mais recentes, que são os mais importantes para entender os problemas atuais da região.

Sendo assim, existem três pontos que você precisa ter em mente quando se trata de guerras e conflitos no Oriente Médio:

  • A criação do Estado de Israel, em 1948;

  • A Guerra Fria, ou o embate entre capitalismo e comunismo;

  • A divisão interna do Islã, entre sunitas e xiitas.

Quando a Segunda Guerra Mundial acabou, a Europa tinha milhões de refugiados, muitos deles, judeus perseguidos pelo regime nazista.

Entre as várias ideias da época sobre como resolver o problema do ódio aos judeus, estava a criação de um Estado judeu (Estado de Israel). Isso aconteceu em 1948, com o apoio das Nações Unidas.

Assim, de um lado, os judeus passavam a ter o próprio país , mas de outro, este território seria criado no Oriente Médio.

Isso contribuiu para que muitos árabes e muçulmanos passassem a ver os judeus como invasores e, para piorar, a partir dos anos 1950, Estados Unidos e União Soviética passaram a disputar a hegemonia global.

Este período, conhecido como Guerra Fria, durou até o final dos anos 1980 e também contribuiu para adicionar pitadas de pólvora no Oriente Médio.

As duas potências imperialistas financiavam governos ou grupos rebeldes, dentro de cada país da região, conforme seus interesses particulares.

Além disso, também há uma divisão interna ao Islã, caracterizada por dois entendimentos diferentes da religião (sunitas e xiitas).

Quando começaram os conflitos no Oriente Médio?

Homem orando

 

A fé muçulmana se espalhou pela região a partir do profeta Maomé, que morreu no século VII (anos 600), sem que a comunidade islâmica tivesse um substituto com o qual todos concordassem.

Em função desta discordância, formaram-se duas correntes:

  • Sunitas: muçulmanos ortodoxos que procuravam se guiar pelas ações e palavras de Maomé;

  • Xiitas: muçulmanos que seguiam os descendentes de Maomé, se baseando em interpretações sempre em atualização dos preceitos religiosos.

Resumindo, desde o século VII, o Islã tem uma partição interna, que está representada em praticamente todos os países da região.

Dentro deste ambiente conturbado, a ONU resolveu criar o Estado de Israel e, pouco depois, durante o auge da Guerra Fria, mais lenha foi adicionada à fogueira.

Americanos e soviéticos disputavam a hegemonia política sobre a região, apoiando grupos sunitas ou xiitas em cada país, conforme seus próprios interesses.

Para tentar deixar toda essa história mais clara, vamos mostrar uma linha do tempo, a partir da  criação de Israel, com os principais momentos históricos.

Conflitos Oriente Médio: resumo

1948: A criação do Estado de Israel amplifica os conflitos entre árabes e judeus no Oriente Médio.

1956: O Egito nacionaliza o Canal de Suez (liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho), que era controlado pelos britânicos e proíbe a passagem de navios israelenses. No mesmo ano, é derrotado por britânicos, franceses e israelenses, mas um acordo internacional devolve o Canal de Suez ao Egito, garantindo a passagem de navios de todos os países.

1967: Egito, Síria e Jordânia se juntam para expulsar tropas israelenses do Canal de Suez, na chamada Guerra dos Seis Dias, que foi o tempo que Israel levou para ocupar vários territórios pertencentes a estes países, incluindo a faixa de Gaza, as colinas de Golan e partes de Jerusalém que ainda não controlava.

Crianças em tenda  improvisada

 

1973 a 1978: Vários países do Oriente Médio se unem, através da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), para aumentar os preços do petróleo em escala mundial, como forma de ganhar poder de negociação com o ocidente, o que leva os americanos a proporem acordos de paz na região.

1979: estoura a Revolução Iraniana. Com apoio russo, um grupo Xiita derruba o ditador Sunita, aliado dos americanos. Era o auge da Guerra Fria.

1980: o Iraque, financiado pelos americanos, ataca e invade o Irã, dando início a Guerra Irã x Iraque, que não teve vencedores, mas estabeleceu a dinâmica de golpes, invasões e guerras, com apoio russo ou americano, conforme o interesse de cada um.

Esta situação durou até o começo dos anos 1990, quando a União Soviética desmoronou e os americanos se viram na necessidade de resolver os problemas da região, sem saber exatamente como fazer isso.

Principais conflitos no Oriente Médio após a Guerra Fria

Com a queda da União Soviética, os conflitos no Oriente Médio se tornaram até piores em alguns casos, seja pela interferência americana e europeia, seja pelas próprias divisões internas.

Para resumir, podemos delinear três núcleos de conflitos.

Conflitos do petróleo

A invasão do Kuwait pelo Iraque e, depois, a invasão do próprio Iraque pelos americanos, em 1991 e em 2003, podem ser considerados como conflitos pelo controle de poços de petróleo.

Além disso, a própria Guerra da Síria conta com a participação da Rússia, muito em função dos interesses daquele país em manter seu monopólio de distribuição de gás natural para a Europa.

Conflitos religiosos

Atualmente, os conflitos religiosos no Oriente Médio são devidos, principalmente, a atuação de grupos radicais como a al-Qaeda e o Estado Islâmico.

Mas, os conflitos árabes e israelenses não deixam de ter um fundo religioso como motivação, embora se encaixem melhor no próximo núcleo.

Conflitos regionais

Neste ponto, existem novamente os conflitos políticos internos, entre países dominados pelos Sunitas e identificados com o ocidente, como a Arábia Saudita, contra países dominados por Xiitas, como o Irã, que seguem um caminho próprio.

Mas, Israel continua sendo o principal foco de ódio de muitos países árabes, independente da corrente religiosa no poder.

Como estão os conflitos no Oriente Médio atualmente?

Olhando mapa Mundi Síria

 

Neste momento, de todos os conflitos no Oriente Médio, o único que chama a atenção do ocidente é a Guerra da Síria.

Um conflito que envolve Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia, Irã, Turquia, Israel, outros países e também grupos radicais islâmicos.

De certa forma, é uma amostra de como os conflitos no Oriente Médio são sempre mais complicados do que parecem, envolvendo interesses difíceis de se perceber imediatamente.

Além disso, a situação no Iraque, por exemplo, ainda é caótica após a retirada da maioria das tropas de ocupação americanas. Outros países, como o Líbano, ainda não se recuperaram da turbulência da Primavera Árabe, ocorrida em 2011.

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