Estudar sobre a cultura indígena é uma excelente forma de observar vários povos e grupos étnicos diferentes, bem como as tradições de cada um e suas visões sobre o mundo. Porém, é muito comum que, ao falar sobre os indígenas, eles sejam retratados como um povo único. Entretanto, é importante ressaltar que apenas em território nacional existem aproximadamente 230 tribos distintas.

Por isso, é essencial estudar sobre a cultura indígena no Brasil para compreender como ela ainda influencia nossa vida cotidiana. Desde os tipos de alimentos, palavras incorporadas a nossa língua ou histórias populares, à ação dos povos nativos, essa influência é muito marcante.

Quer saber mais sobre estas culturas e descobrir qual impacto elas exercem em nossa sociedade? Então, leia este post até o fim!

Afinal, o que é a cultura indígena?

A cultura indígena é uma forma resumida para descrever tudo o que foi produzido, pensado e vivido pelos povos indígenas. Assim, é possível entender que estudar o assunto é fazer uma análise sobre diferentes comportamentos, línguas e costumes.

Antes de falar sobre os costumes indígenas, é importante pensar sobre o que é a cultura de forma genérica. Afinal, muito se fala sobre este conceito e, geralmente, ele é utilizado como sinônimo de um tipo de preferência mais elitizado. No entanto, é importante deixar claro que a cultura é um processo complexo que envolve diversos aspectos de uma sociedade.

Dessa forma, cultura, em seu significado mais amplo, é a língua falada e escrita, a religiosidade, as práticas sociais, as artes, os comportamentos dos indivíduos em sociedade, seja no espaço público ou privado. Portanto, pode-se dizer que ela é tudo o que tem significado para determinada sociedade, independentemente da classe social.

Além disso, uma cultura não é estática, ou seja, ela está em constante mudança e recebendo influências a todo o momento. Afinal, podemos percebê-la no carnaval de rua, na literatura, nas artes, nas músicas populares, na música clássica e em diversos outros aspectos.

Cultura indígena no Brasil

Quando os europeus começaram a chegar ao Brasil e se depararam com a população que aqui vivia, logo buscaram formas de explorar a mão de obra, além de terem tido interesse especial nas riquezas da terra. Assim, esses recém-chegados não se preocuparam muito em entender como funcionavam os diferentes grupos étnicos.

Os povos nativos foram chamados de indígenas e criou-se a impressão de que todos compartilhavam de uma mesma cultura. No entanto, existem diferenças fundamentais na forma como eles compreendem o próprio mundo. Uma vez que o Brasil possui uma grande extensão geográfica, consequentemente existiam diversas tribos diferentes entre si.

Povos como os Tupis, Carajás, Ianomâmis e Guaranis são apenas alguns exemplos das maiores tribos que viveram em território nacional. Ainda que esses povos pudessem compartilhar alguns traços sociais, culturais e religiosos, há diferenças fundamentais que os distinguem. Alguns deles são nômades, outros estão ligados a determinado espaço geográfico, ou ainda são seminômades — como é o caso dos Ianomâmis.

Tupi-Guaranis

O Tupi-Guarani é mais do que um povo. Trata-se de um termo, de um tronco linguístico que relaciona os povos que se comunicam por meio da língua que surgiu do Tupinambá e do Guarani. Busca agrupar cerca de dez nações indígenas que falam variações da mesma língua, sendo algumas dessas tribos os Amaio, Guarani, Tupiniquim e Tabajara.

Estas tribos indígenas apresentam algumas características em comum. A maior autoridade da aldeia está na figura do Pajé. É por meio deste líder religioso que seus integrantes sabem o momento certo de plantar e colher o alimento e qual é o período mais apropriado para o nascimento de crianças, para festividades como casamentos ou mesmo para as caçadas.

Carajás

Esta tribo tem uma grande conexão com o rio Araguaia, sendo atribuído a ele tudo o que acontece de bom e de mau. Todos os membros são responsáveis pelo bem-estar comum. Desta forma, há uma divisão do trabalho, sendo que os homens se ocupam da caça, do plantio e da construção das moradias. As mulheres, por sua vez, devem se ocupar da alimentação, dos filhos e dos afazeres domésticos.

Ianomâmis

São seminômades, ou seja, costumam mudar-se de espaço quando verificam que todos os recursos de determinado local já foram utilizados. Sua principal fonte de alimentação é a caça, e compartilham a crença no animismo, ou seja, entendem que cada animal tem um espírito livre que, ao ser liberto do corpo físico, continua por perto protegendo a tribo.

cultura indígena Brasil

Cultura indígena: costumes

Ainda que cada tribo possa manter costumes próprios e diferentes entre si, existem alguns pontos que costumam ser bem parecidos. Com os processos violentos de colonização do país, os povos indígenas foram sendo agrupados, sem que se levasse em consideração as diferenças essenciais de cada tribo.

Desta forma, houve o embate de culturas, o choque de costumes e, por vezes, esses embates eram violentos. Sendo assim, muitas nações indígenas acabaram por sofrer influências mútuas que modificaram profundamente seus costumes. A junção do tronco linguístico Tupi com o Guarani é um exemplo dessa influência.

Estrutura social

A divisão do trabalho é comum e costuma ser feita entre os gêneros. Ou seja, os homens têm um papel voltado para trabalhos como a caça, a construção de abrigos e a defesa da tribo. Por outro lado, as mulheres ficam responsáveis pelo trabalho da casa, de criação dos filhos e da produção de novas vestimentas.

Existem tribos em que a criação das crianças é um serviço dividido entre todos, ou seja, todos os adultos podem se ocupar e participar do desenvolvimento de um novo membro. Assim como existem outras tribos em que os costumes seguem o matriarcado, no qual o poder de decisão está nas mãos de uma mulher.

Arte, música e artesanato

Estes três aspectos da cultura indígena estão profundamente ligados a um sentido prático. Isso quer dizer que, objetos que outras culturas são vistos apenas como arte, para os indígenas podem significar também objetos a serem utilizados em rituais religiosos, ou mesmo de uso cotidiano.

A arte de se arrumar com plumas coloridas, por exemplo, está ligada também a simbologias de guerra e podem indicar a posição social de quem as utiliza. A chamada “arte plumária” é apenas um dos exemplos da diversidade cultural indígena. Da mesma forma, a música também desempenha um papel ritualístico e simbólico, sendo utilizada em cerimônias religiosas.

Influência indígena na cultura brasileira

A influência indígena na cultura brasileira passa por vários espaços, desde os nomes próprios como Jacira, Ubiratan, Tainá ou Jandira, até em relação a alimentos comuns como a mandioca, a tapioca ou o pirão. Na medicina e no trato das ervas medicinais, a influência indígena também se faz presente. Um grande exemplo disso é a utilização da alfavaca para tratar problemas e infecções no trato urinário.

No artesanato, a influência indígena se faz ainda mais aparente, seja pelos cestos trançados vendidos nos centros das cidades, nas bolsas trançadas, nos chapéus, entre outros. Além disso, a cultura indígena também está presente na própria tradição nacionalista do país, seja por meio da história ou da literatura. As heranças culturais indígenas são parte integrante do Brasil e do que constitui o país.

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Renata Celi

Cursando relações internacionais, ama viajar e tomar sol. A Renata faz parte do time de Marketing e Conteúdo do Stoodi e faz trabalho voluntário com crianças nas horas vagas. A Rê adora comida, conhecer gente nova, mas, principalmente, ver filmes repetidos. Conheça mais os textos da Renata!