Há quem diga que música boa é aquela que nos faz pensar, exige uma reflexão e pode ser interpretada de diversas maneiras.

Em toda a nossa história cultural registrada, tivemos várias músicas que contribuíram para o modo que vemos o mundo hoje – principalmente nos períodos de ditadura, opressão e censura.

Para aproveitar esse finalzinho de ano e começo de férias com um “estudo” mais leve, separamos 8 músicas para analisarmos juntos. Recomendamos que você deixe a música de fundo quando for ler a análise da canção.

Antes de ir direto à lista, é importante fazer um resgate histórico.

Se lembrarmos que no período da Ditadura de Vargas (data) nós temos um cenário onde o Estado Brasileiro estava sendo consolidado,  fica fácil entender o porquê as canções ganham um tom mais popular e, de certa forma, positiva.

Neste momento brasileiro, o samba foi usado como referência de nacionalidade. Podemos encontrar tanto canções falando bem, como Ministério da Economia, de Wilson Batista, quanto alfinetando Getúlio, como Está faltando um zero no meu ordenado, de Ary Barroso.

Já no período de Ditadura Militar (data), as coisas mudam um pouco. Nesse novo contexto, as músicas passam a possuir necessariamente um tom crítico de denúncia de descontentação. É justamente nesse momento que e a MPB, a Tropicália e o Rock chegam com tudo trazendo como principal foco o engajamento político.

Vale lembrar que nessa lista também abordaremos momentos políticos como a Segunda Guerra Mundial e até mesmo as recentes manifestações de junho de 2013 – “não é só pelos 20 centavos”.

Então, chega de falar e vamos para essa lista. Confira 8 músicas que falam muito sobre a história política do nosso país e entenda o valor de cada uma delas:

1. Aquarela do Brasil 

Aquarela do Brasil, também de Ary Barroso, foi uma música produzida em 1939 e enviada para Walt Disney. Ela foi música tema do desenho animado “Você já foi à Bahia?”.

De acordo com o professor Eduardo, a canção que enaltece a nossa pátria foi feita na época da Segunda Guerra Mundial com o intuito de aproximar o Brasil com os Estados Unidos.

2. Presidente Bossa Nova 

A música Presidente Bossa Nova, de Juca Chaves, foi composta no final da década de 50 e fala sobre Juscelino Kubitschek. O nome é uma brincadeira, já que a Bossa Nova começa em 58, no mesmo período que JK começa a construir Brasília.

A canção traz com ironia a crítica sobre as viagens que o então presidente fazia e seu gosto por voar. Ela critica também o fato de um parente de JK desfrutar da prestação de serviço público.

3. Apesar de você 

Umas das músicas mais famosas de Chico Buarque de Holanda, Apesar de você foi escrita no meio da ditadura militar e gravada em 1978 quando Chico volta de seu exílio. Ela retrata os “Anos de Chumbo” de Médici.

Apesar de falar de toda a censura e repressão, ele traz um tom otimista (e vingativo no bom sentido) de que aquela situação iria mudar.
 4. Cálice 

Cálice foi outra música lendária que retratou esse nosso momento político de opressão. Composta por Chico Buarque e Gilberto Gil no ano de 1973, a música foi censurada e só pode ser gravada também em 1978.

Ela é uma música hipnotizante, pois traz uma analogia com a Paixão de Cristo e todo o sofrimento vivido pelos brasileiros com a ditadura militar. Só o nome já mostra sua genialidade pelo termo cálice ser ambíguo no sentido que pode ser lido também como o imperativo do verbo calar (cale-se).

Se em escrituras religiosas no cálice era servido o sangue de Cristo, na música é fácil perceber que o sangue é das pessoas que acabavam sendo torturadas e, até mesmo, mortas.
5. Pra não dizer que não falei das flores

Uma das músicas mais lembradas do momento de ditadura militar, Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré, tem todos os motivos para ser lembrada como é hoje. O compositor apresentou a canção  em um festival, no ano de 1968, no meio do regime autoritário.

Geraldo Vandré cantou o refrão olhando para os militares e, como podem imaginar, a música foi logo proibida e ele acabou sendo torturado e exilado pelas autoridades – ela só voltou a ser tocada no ano de 1979.

A sua letra deixa claro o convite para a população se mobilizar contra a ditadura militar.
6. O bêbado e o equilibrista

Interpretado por Elis Regina, O Bêbado e o Equilibrista foi gravado no ano de 1979. A música representa os artistas em época de ditadura que não tinham a liberdade de criar suas canções e se expressar.

Eles sofriam muito, pois precisavam se omitir e ainda fingir que estava tudo bem. Na letra, o bêbado refere-se aos artistas e o equilibrista à esperança de que aquela situação mudaria com a volta da democracia.

A canção frisa que o momento era delicado e incerto, fazendo menção ao contexto da época, já que o país estava em processo de abertura e troca de sistema político.

7. Zé Ninguém

A música do grupo Biquíni Cavadão, lançada em 1991, expressa uma indignação política e faz crítica tanto ao setor judiciário, quanto aos benefícios desfrutados pelos grandes empresários e políticos no Brasil.

Uma das músicas-símbolo dos “Caras-pintadas”, segundo a banda ela foi inspirada e produzida durante o processo de Impeachment do ex-presidente Fernando Collor. A mensagem deixa clara a indignação com a corrupção e favorecimento de poucos diante de toda a sociedade.

8. Livre 

Por fim, A faixa Livre, também da banda Biquíni Cavadão, foi gravada em 2014 e inspirada nas manifestações populares de junho de 2013. Ela expressa a vontade de ir à rua para protestar e pedir por mudanças.

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