Enem: Como o sistema de avaliação TRI funciona?

Veja o que é a Teoria de Resposta ao Item e tire suas dúvidas sobre o método

Foto: Reprodução/Divulgação
 

Praticamente todos os estudantes que prestaram o Enem estão ansiosos pela divulgação do gabarito oficial das provas, previsto para hoje. O que todo mundo quer saber (e adivinhar) é como foram no exame, se acertaram muitas questões e qual uma possível nota para cada caderno. 

Porém, o sistema de avaliação do Enem, chamado de Teoria de Resposta ao Item (TRI), não leva em consideração apenas o número de acertos e pode te surpreender – na verdade, ele é muito mais complexo. 

Entenda exatamente como esse método de avaliações funciona e veja algumas característica e curiosidades. 
 


 

A TRI estabelece um critério de avaliação que analisa suas respostas às questões, também chamadas de itens. Como ela tem por objetivo avaliar suas habilidades e conhecimentos, vai fazer isso a partir do seu padrão de resposta. 

A princípio, o método pode parecer um pouco complicado, mas fique calmo que você vai ver como tudo faz sentido.

A TRI não vai contabilizar apenas o seu número de questões corretas – é por isso que estudantes com o mesmo acertos podem ter notas diferentes. A Teoria de Resposta ao Item vai levar em consideração o número de acertos por nível de dificuldade e vai relacionar a probabilidade de um aluno apresentar determinada resposta. 

Essa análise sobre a resolução dos exercícios só é possível porque cada item (questão) possui muitas particularidades. De acordo com o Inep, existem três principais aspectos que são avaliados em cada pergunta: 

  1. O grau de dificuldade (se a questão é considerada fácil, média ou difícil).
  2. O poder de discriminação de cada pergunta (por meio de cada item, o exame entende se você domina os assuntos abordados e qual a sua real habilidade frente a eles). 
  3. Possibilidade de acerto ao acaso (ele vai analisar cada resposta para ver se você tinha aquele conhecimento ou se você chutou). 

Então, para calcular a sua nota, o sistema de avaliação vai considerar o número de questões respondidas corretamente, o grau de dificuldade dos acertos e a coerência das respostas. 


Foto: Reprodução/Divulgação
 

O Ministério da Educação decidiu implementar esse sistema de avaliação no Enem em 2009 com o intuito de “permitir a comparabilidade dos resultados entre os anos e permitir a aplicação do exame várias vezes”.

A Teoria de Resposta ao Item pode parecer recente, mas esse método de avaliação surgiu em 1964 e foi adotado em diversos países do mundo, como França, Estados Unidos, Holanda, China e Coreia do Sul. 

Uma prova muito famosa que possui o mesmo sistema de avaliação é o TOEFL, por exemplo. Outro exame que podemos citar é o Scholastic Assessment Test – uma avaliação padronizada que serve como critério para admissão nas universidades nos Estados Unidos. 

Para você ter uma ideia de como ele funciona, o SAT é aplicado 7 vezes durante o ano aos estudantes que concluíram o ensino médio no país. 

De acordo com a Organização das Nações Unidas, o sistema de avaliação TRI “prioriza o uso de habilidades reflexivas e analíticas em detrimento da memorização de conteúdos, o que representa um avanço importante em relação aos outros modelos de avaliação”. 
 


 

Agora que você já entendeu o que é o TRI e sabe como ele avalia uma prova tipo Enem, chegou a hora de conhecer algumas de suas particularidades. 

– É impossível tirar zero no exame, mesmo ao entregar o gabarito em branco

De acordo com o Inep, a proficiência (nota) do aluno não varia entre zero e mil. Na verdade, os valores mínimos e máximos de cada prova dependem das característica das perguntas escolhidas para cada edição.  

O Ministério da Educação destaca que é por essa razão que “no caso específico do Enem, o Inep divulga as maiores e menores notas obtidas pela totalidade de participantes”. Em 2011, por exemplo, os valores mínimos foram: 

Ciências Humanas – 252,9
Ciências da Natureza – 269,0
Linguagens (Inglês) – 304,2
Matemática – 321,6


 

– Ao chutar uma resposta certa, você pode não receber essa pontuação 

Se o Enem identificar que você não domina o conteúdo, mesmo acertando uma questão sobre o tema, você pode ter uma pontuação reduzida.

Veja um exemplo: 

Vamos supor que você manda muito bem em Ecologia. Dessa forma, você acerta todas as questões fáceis, todas as médias e algumas difíceis. Nesse caso, todos os acertos são contabilizados. 

Agora, digamos que você não conhece o tema a fundo. Na hora de resolver a prova, você acaba errando as questões fáceis e acertou, no chute, 3 perguntas de nível difícil. Nesse caso, a TRI entende que você não tem conhecimento e acertou as questões por acaso. 

Sabe qual é o resultado? Você não recebe a mesma pontuação que receberia se suas respostas fossem coerentes com os níveis de dificuldade. 
 

 

– Uma pessoa com muitos acertos pode ter nota baixa e outra com poucos acertos pode ter nota alta

O número de acertos não é o único indicativo para uma nota alta. Seguindo a mesma lógica do exemplo apresentado acima, precisamos no atentar à consistência das nossas respostas. 

No Enem, a Teoria de Resposta ao Item quer mensurar o seu conhecimento e habilidades a respeito dos conteúdos do Ensino Médio. Se você errar muitas perguntas fáceis e acertar várias difíceis, a TRI vai analisar suas respostas para conferir se foram “acertos ao acaso” (chute) ou se você tem aquele conhecimento parcial. 
 

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