Guerra do Golfo: o que foi, causas e consequências!

Quando estudamos História e Geografia, um dos temas mais importantes são os conflitos no Oriente Médio, motivados principalmente por razões políticas, religiosas e interesses econômicos.

Entre esses eventos está a Primeira Guerra do Golfo Pérsico, que ocorreu entre 1990 e 1991, e foi considerada um dos maiores conflitos armados naquela região e a maior investida aérea de todos os tempos. Não foi uma guerra mundial, mas mobilizou dezenas países, sobretudo os Estados Unidos, que lideraram os ataques.

Como o Enem e os vestibulares costumam abordar a situação do Oriente Médio e temas como a crise do Petróleo, vale a pena você conferir este post com atenção. Aqui, explicamos o que foi a Guerra do Golfo, os motivos do ataque e quais foram suas consequências para o mundo. Vamos lá!

Guerra do Golfo: resumo

A Primeira Guerra do Golfo Pérsico, ou simplesmente Guerra do Golfo, como ficou conhecida, foi o primeiro grande conflito armado pós-Guerra Fria, com mobilização internacional.

A Guerra do Golfo foi desencadeada pela invasão do Kuwait pelo Iraque, em 2 de agosto de 1990, por ordem do ditador Saddam Hussein, com o objetivo de tomar as grandes reservas de petróleo daquela nação, cancelar uma grande dívida que o Iraque tinha com o Kuwait e expandir o poder iraquiano na região. 

Sabendo disso, no dia seguinte, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu que o Iraque se retirasse do Kuwait. Em 6 de agosto, o conselho impôs uma proibição mundial ao comércio com o Iraque. Subestimando a comunidade internacional, em 8 de agosto o governo iraquiano anexou formalmente o Kuwait ao seu território. 

O conflito com intervenção norte-americana

Como a pressão internacional não foi o suficiente para o líder iraquiano se mover, foi criada uma coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, sob comando do então George H. W Bush (o “pai”) e a premiê britânica Margareth Tatcher, que realizou intensos ataques aéreos no Kwait e no Iraque, degradando substancialmente o poder de combate iraquiano. 

Tida como uma das maiores campanhas armadas da história moderna, tanto em relação aos recursos humanos quanto materiais e financeiros, em um espaço de tempo muito curto, a Guerra do Golfo inseriu sofisticadas tecnologias (na época) no campo de batalha. Isso resultou em uma “guerra cirúrgica”, que atingiu os alvos específicos.

Ao longo de 5 semanas, houve intenso bombardeio aéreo, contrastando com menos de 100 horas de ataques terrestres, que levaram a uma vitória esmagadora dos aliados da coalizão

Os iraquianos, encurralados e com um grande número de mortos entre seus soldados e civis, foram expulsos do Kuwait. Com isso, Bush declarou que os objetivos da guerra tinham sido atingidos e propôs a Saddam Hussein um cessar-fogo em 28 de fevereiro ― que só foi aceito em abril.

Basicamente, a Guerra do Golfo se restringiu ao Iraque, Kuwait e regiões da fonteira saudita. Ainda, em uma tentativa de atrair Israel para o conflito e causar uma cisão entre as potências ocidentais e seus aliados árabes, Saddam Hussein lançou mísseis contra seus territórios, mas isso foi em vão.

Operação Tempestade no Deserto

Tempestade no Deserto foi o apelido dado por George H. W. Bush à operação militar para expulsar as forças de ocupação iraquianas do Kuwait. 

Nela, mais de 900 mil solados enviados por duas dúzias de nações estacionaram-se na região, principalmente na fronteira entre a Arábia Saudita e o Iraque, de onde partiram os mísseis contra alvos de comando e controle iraquianos.

A guerra na TV

A divulgação internacional da Guerra do Golfo também foi facilitada pelas imagens dos ataques, por meio de transmissões ao vivo via satélite. Esse formato jornalístico acabou inspirando o modelo de jornalismo 24 horas, que começou especialmente com a CNN.

Causas da Guerra do Golfo

Para entender a Guerra do Golfo, é preciso voltar uma década, em 1979-1980, quando houve a Revolução Islâmica no Irã e, ao mesmo tempo, a chegada de Sadddam Hussein.

Como reação ao radicalismo no Irã, os Estados Unidos e outras nações do Oriente Médio passaram a usar o Iraque como ferramenta para enfraquecer o país ― manipulação que levou a uma longa guerra entre Irã e Iraque até 1988, da qual não houve vencedores.

Nesse período, o Iraque recebeu incentivos militares de vários países, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido, além de gigantescos empréstimos financeiros da Arábia Saudita e do Kuwait, que o levaram a uma enorme crise financeira e insatisfação popular com o governo.

Como Saddam Hussein estava tentando recuperar rapidamente a economia, viu no Petróleo seu produto mais valioso. Acontece que o preço baixo de venda do barril ― com responsabilidade, em partes, do Kuwait ― prejudicava os interesses do ditador iraquiano. 

Além disso, o Kuwait e a Arábia Saudita estavam vendendo Petróleo em quantidades superiores às estipuladas pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), para forçar que mais países aderissem à organização.

Os problemas entre Iraque e Kuwait aumentaram quando o país começou a cobrar a dívida iraquiana, e Saddam Hussein se recusou a pagar. Além disso, o ditador tinha exigências territoriais sobre duas ilhas kuwaitianas, e acusava o pequeno país de roubar petróleo de reservas iraquianas que ficavam na fronteira.

As relações diplomáticas entre os dois países ficaram abaladas, e a falta de acordo levou o Iraque a mover seu exército para a fronteira com o Kuwait ― o que culminou na invasão do país.

Erro de cálculo

Saddam Hussein supunha que seus companheiros países árabes ficariam de braços cruzados diante da invasão do Kuwait, e não chamariam ajuda externa para impedi-la. Dois terços dos 21 membros da Liga Árabe condenaram o ato de agressão do Iraque, e o rei Fahd da Arábia Saudita, juntamente ao governo do Kuwait no exílio, recorreram aos Estados Unidos e outros membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para apoio.

A invasão do Kuwait e a ameaça potencial que representava para a Arábia Saudita, o maior produtor e exportador de petróleo do mundo, levou os Estados Unidos e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) da Europa Ocidental a enviar tropas para a Arábia Saudita Arábia para impedir um possível ataque. 

O Egito e várias outras nações árabes uniram-se à coalizão anti-Iraque e contribuíram com forças para o aumento militar, conhecido como Operação Escudo do Deserto.

Consequências 

Como em todas as guerras, as primeiras consequências foram morte e destruição, especialmente no Kuwait. Cerca de mil civis perderam a vida e outros 300 mil fugiram do país. 

Além disso, a saída do exército iraquiano não foi pacífica. Enquanto fugiam, os soldados incendiaram mais de 700 poços de Petróleo, queimando o equivalente a 2% das reservas kuwaitianas, derramando petróleo no mar e causando um dos mais tristes episódios de ecoterrorismo da história. Foram necessários mais de 2 anos para recuperar dos danos causados à sua indústria petrolífera kuwaitiana

O Iraque teve quase 4 mil mortos, e o país ficou em ruínas, além de ter recebido inúmeras sanções comerciais e financeiras como pressão internacional para desmantelar sua indústria bélica.

Guerra do Golfo: Enem e outros vestibulares

Neste post, você viu que a Guerra do Golfo foi muito mais do que um conflito pontual. Tanto no Enem quanto em outros vestibulares, a cobrança desse tema acontece dentro dos assuntos de Geopolítica e História Geral, que fazem parte das provas de Ciências Humanas e Suas Tecnologias.

No Enem, especialmente, as questões devem aparecer de maneira contextualizada, relacionando situações como:

  • a disputa entre Estados Unidos e Oriente Médio pelo petróleo;
  • interesses dos Estados Unidos na região do Golfo Pérsico;
  • a relação de Saddam Russein e Oriente Médio;
  • terrorismo e ecoterrorismo;
  • relação entre a Primeira e a Segunda Guerra do Golfo;
  • Saddam Hussein, George W. Bush (“o filho”) e Osama Bin Laden.

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