A dinâmica sempre se repete: quem invade quer impor suas regras, monopólios e lucros. Ao longo da colonização brasileira, inúmeras foram as restrições e injustiças impostas por Portugal, fazendo com que se formassem grupos contrários a tais arbitrariedades.

E foi assim que surgiram as chamadas Revoltas Nativistas, ou seja, quem vivia por aqui se descontentou e partiu para a luta. As rebeliões coloniais marcaram Históriae aconteceram em várias partes do Brasil, muitas demonstrando a insatisfação dos nativos em relação às decisões da Coroa.

De olho em seu entendimento desse assunto de extrema importância histórica, elaboramos este post com informações relevantes. Confira!

O que foram as Revoltas Nativistas?

Como o próprio nome diz, as Revoltas Nativistas foram idealizadas por políticos e pela elite que viviam no Brasil ao longo do período colonial, principalmente nos séculos XVII e XVIII.

Foi uma maneira que encontraram de bater de frente com a Coroa portuguesa para reivindicarem soluções para situações que estavam saindo do controle, como:

  • concessão de terrenos para colonos e aventureiros que aqui chegavam;
  • extração de recursos naturais, como borracha e pau-brasil;
  • tráfico de indígenas.

Ao observarem as injustiças, houve um olhar para o que se chamou na época de contradições da colonização. Dentro dessa premissa, as revoltas foram marcantes.

Elas também foram contrárias aos impostos que eram cobrados pelo que se produzia, inclusive com valores sendo repassados a espanhóis e holandeses.

Assim, muitos nativos discordaram da situação e começaram a mobilizar confrontos e até mesmo tentativas de impor governos paralelos ou em busca da autonomia política. Foram tentativas tímidas, pois o que movia mesmo era a intenção de demonstrar a insatisfação quanto aos mandos da Coroa.

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Contexto histórico

O Brasil Colônia é um momento histórico que vai de 1530, quando houve a missão exploradora de Martim Afonso de Souza, a 1815, data em que o território se torna oficialmente pertencente ao Reino de Portugal.

Trata-se de um período em que aconteceram invasões das terras, disseminando aldeias e índios de várias tribos, como Tamoios, Tupinambás, Tupi-Guarani, entre outras.

Diante das riquezas naturais, como madeira, borracha, minérios e açúcar, os europeus encontraram solo fértil para enriquecerem ainda mais, explorando as terras por meio da força.

No entanto, o poder da Corte Portuguesa já era exercido desde 1530. Quando chegou, exerceu domínio tanto sobre os índios quanto com a posse das terras, impondo regras às atividades econômicas, principalmente na Capitania de Pernambuco e de Minas Gerais.

Dessa maneira, o Brasil foi dividido inicialmente em 14 capitanias, administradas por membros da nobreza de confiança do rei português João III.

No entanto, o modelo não vingou, durando apenas 16 anos. Restaram apenas as capitanias de Pernambuco e de São Vicente, locais onde se iniciou o processo de colonização.

Mas havia uma grande dificuldade de administração por conta justamente das diferenças entre os europeus e os povos daqui. Aliadas às regras impostas, as Revoltas Nativistas acabaram sendo uma consequência natural do choque cultural.

Principais Revoltas Nativistas

Vamos conhecer mais detalhes das principais revoltas?

Aclamação de Amador Bueno

Durante a União Ibérica (1580-1640), o trono português estava sob controle da Espanha e Holanda.Esses povos europeus invadiram o nordeste brasileiro e ainda ocuparam a África, fornecendo escravos para cá.

No entanto, a Capitania de São Vicente sofria com o desabastecimento de escravos africanos. Foi quando os fazendeiros e bandeirantes paulistas transformaram a escravidão indígena em um grande negócio.

Com a restauração do trono português, a Coroa começou a expandir o comércio dos escravos para outras nações, trazendo restrições ao tráfico tanto de negros quanto de índios na colônia.

Dessa maneira, a Capitania de São Paulo se rebelou e elegeu o Capitão-Mor Amador Bueno como rei, em busca do rompimento com Portugal e com a Dinastia de Bragança.

Mas o rico fazendeiro continuou fiel ao rei e à metrópole, sendo inclusive perseguido pelos insurgentes, o que provocou o fim do movimento. Depois da revolta, o controle sobre os índios ficou sob responsabilidade dos padres jesuítas.

Revolta de Beckman

Essa revolta ocorreu em São Luís do Maranhão e teve como liderança a elite agrária comandada pelos irmãos Manoel e Tomás Beckman, em 1684.

Eles reivindicavam a extinção da Companhia de Comércio do Maranhão, que cobrava preços abusivos pelo açúcar e algodão, além de deter o monopólio dos produtos. Também queriam a proibição da preação indígena em missões jesuíticas.

Os irmãos tomaram o poder local, expulsaram os padres e a companhia comercial. Ao ir a Portugal, Tomás foi preso e degredado, enquanto seu irmão foi detido pelas tropas portuguesas, sendo executado.

Guerra dos Mascates

Após a expulsão dos holandeses da Capitania de Pernambuco, em 1654, a situação dos senhores de engenho ficou comprometida, pois se encerraram os financiamentos dos bancos da Holanda.

Assim, a Câmara de Olinda decidiu aumentar os impostos, comprometendo as finanças dos comerciantes, também conhecidos como mascates, o que deu nome à Guerra dos Mascates.

Ao vivenciaram uma crise econômica, acabaram se unindo e iniciaram o protesto que durou um ano, indo de 1710 a 1711.

Guerra dos Emboabas

Ocorrida dois anos antes da dos Mascates, a Guerra dos Emboabas aconteceu na Capitania de Minas Gerais e foi uma batalha entre os estrangeiros e os bandeirantes paulistas.

O termo “emboaba” é referente aos gringos que vinham à procura de metais preciosos. Portanto, a guerra teve como motivo a disputa pelas minas de ouro.

A ideia dos bandeirantes era controlar a exploração do minério, retirando o poder da Coroa Portuguesa. A consequência foi a separação das Capitanias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Revolta de Vila Rica

Também conhecida como Revolta Felipe dos Santos, ela aconteceu na Capitania de Minas Gerais e foi gerada pela revolta de líderes políticos contra a Coroa.

O motivo foi a imposição de alta carga tributária e teve o tropeiro Felipe dos Santos como principal líder. A consequência foi a separação da Capitania de São Paulo e uma maior fiscalização na exploração do ouro, em 1720.

Revoltas Nativistas e Separatistas

Além das Revoltas Nativistas, o Brasil Colônia também teve movimentos separatistas. Entre eles, está a Conjuração Baiana. Ela teve grande participação popular, principalmente de alfaiates, sapateiros, estivadores, escravos e ex-escravos.

Além de defender a independência da Bahia, eles reivindicavam um governo democraticamente eleito, colocando fim ao monopólio comercial dos portugueses e o fim da escravidão.

Outro momento histórico de grande repercussão nos Movimentos Separatistas foi a Inconfidência Mineira. Eles defendiam o ideal: “Liberdade ainda que tardia”, o mesmo que estampa a bandeira de Minas atualmente em latim: “Libertas Quae Sera Tamen”.

A principal luta era exatamente a independência do Brasil do reino de Portugal, tendo grandes líderes que se transformaram em mártires, como Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Consequências das Revoltas Nativistas

Apesar de as Revoltas Nativistas terem conseguido avanços tímidos nos anos em que aconteceram, elas foram preponderantes para demonstrar a insatisfação quanto aos mandos da Coroa portuguesa.

Ao longo dos anos, o poder dos reis foi perdendo força, ou seja, as revoltas foram preponderantes no processo de independência do Brasil, declarada no dia 7 de setembro de 1822 por meio do Grito do Ipiranga.

É o momento em que acontece a separação definitiva do Brasil de Portugal, trazendo autonomia para a condução do território, tendo Dom Pedro I como primeiro rei. No entanto, a influência externa continuou vigorando, resquício que até hoje mantém traços na condução do país.

Diante da importância do assunto nas questões de História, as Revoltas Nativistas devem ser analisadas com atenção em sua preparação. Portanto, não deixe de revisar o tema para se sair bem no Enem e demais vestibulares.

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