Relembre o que são metáforas, antíteses, catacreses, metonímias, hipérboles e outros!

Todo mundo sabe que o Enem possui um formato muito próprio: é um exame recheado de textos que vão pôr em prova a capacidade de interpretação dos alunos.

Conhecer as figuras de linguagem pode ser decisivo não só na prova de Redação e de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, mas também em outros cadernos, envolvendo as matérias de exatas e biológicas.

Para facilitar a sua vida, fizemos uma lista com as figuras de linguagem que mais caem no Enem e vestibulares. Nesse resumo você vai encontrar uma apresentação breve e descobrir a função de cada uma delas. Vamos lá?

O que são figuras de linguagem?

As figuras de linguagem são modos que os poetas utilizam para brincar com o significado, sentido e som de seus textos. Elas servem para enriquecer as poesias.

Podemos dividir as figuras de linguagem em 4 grupos:

  • Figuras de Pensamento;
  • Figuras de Tropos;
  • Figuras de Harmonia, e;
  • Figuras de Construção.

1. Figuras de Pensamento

Vamos começar pelas Figuras de Pensamento – que são as mais presentes no nosso dia a dia e que tem relação com o significado das palavras. Vamos conhecer cada uma das Figuras de Pensamento.

Comparação

É quando temos dois termos que possuem uma certa semelhança, explícitos numa mesma frase. O uso das palavras “como” e “tal qual” ajuda a perceber essa comparação. Observe o exemplo:

“Meu coração é como uma estrela”.

“Ontem o suspeito que passou na TV, agia tal qual um psicopata”.

Metáfora

Trata-se de usar de um vocábulo para representar o significado de outro, ou seja o emprego de palavras que fazem alusão a algo, e é bem parecida com a comparação, porém a conjunção comparativa não é explícita. Veja os exemplos:

“Meu coração é uma estrela”.

Nesse caso o locutor compara o seu coração a uma estrela, isso significa que seu coração é iluminado, brilhante, etc.

“Pelos vales de teus olhos, de claras águas antigas”.

Nesse caso, “vale de teus olhos” pode ser uma alusão à profundidade do olhar e “de claras águas antigas” pode estar se referindo à cor dos olhos.

metáfora tirinha

Antítese

É o emprego de palavras opostas dentro de uma mesma frase ou verso, mas ao mesmo tempo as idéias não se contrapõem. Exemplos de antítese:

“Depois da luz, se segue a noite escura”.

Nesse caso a oposição foi apenas dos termos “luz” e “escura”, a ideia continua com sentido.

“Ela está na UTI entre a vida e a morte.”

Nesse caso a oposição das palavras ajuda a enfatizar a mensagem da frase.

Paradoxo

É o uso de palavras opostas dentro de uma mesma frase que causam contradição – e geralmente são colocadas lado a lado. Exemplos de paradoxo:

“Não tenha medo de fazer uma tatuagem. É uma dor deliciosa”.

“Algumas pessoas não acordam para a realidade, vivem sonhando acordadas”.

Nesse caso a oposição está nas palavras “sonhando” e “acordadas”, se analisar pelo ponto de vista lógico a frase está errada, pois é impossível sonhar acordado, mas ela foi usada para expressar que as pessoas têm objetivos muito distantes, então é um paradoxo .

Ironia

É quando falamos algo querendo dizer o inverso. Essa figura de linguagem depende do contexto para ser identificada – se a pessoa não souber o que está acontecendo quando aquilo foi dito ou escrito, não conseguirá identificar a presença desse recurso. Exemplo de ironia:

Imaginem que passou alguém bem feio na rua. Aí logo dizem: “Meu Deus, que pessoa linda! ”. Só que não, né?

Nesse caso a mensagem passada foi que a pessoa que passou é feia.

ironia tirinha

Apóstrofe

A apóstrofe nada mais é que uma invocação feita com muita ênfase:

“Dizei-me vós, Senhor Deus!”

Nessa frase estamos invocando “Senhor Deus”, mas poderia ser qualquer outra pessoa ou sentimentos.

Hipérbole

É quando cometemos um exagero para expressar algo. Essas figuras de linguagem são bem presentes em falas do dia a dia. Exemplo de hipérbole:

“Eu estou morrendo de fome”.

Nesse caso usamos essa frase não para falar que estamos literalmente morrendo, mas para mostrar que estamos com muita fome.

Eufemismo

O eufemismo é uma figura de linguagem usada para suavizar a mensagem ou o sentido das palavras. Exemplo de eufemismo:

“Meu vizinho partiu desta para uma melhor”.

Nessa frase, usamos “partiu desta para uma melhor” para evitar a palavra “morte”, que costuma causar um certo choque nas pessoas.

Gradação

A gradação ocorre todas as vezes que apresentamos uma sequência de fatos, gradativos ou degradativos, em uma frase. Exemplos de Gradação:

  • Gradativa

“ Em menos de 6 meses o rapaz evoluiu de estagiário a chefe”.

  • Degradativa

“Converta essa beleza em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada”.

Prosopopeia

É a atribuição de características humanas a um animal ou um ser inanimado. Em outras palavras é quando fazemos uma personificação. Exemplos de Prosopopeia:

“Eu amo esses olhos que falam de amores”.

Os olhos não falam, por isso a personificação.

2. Figuras de Tropos

Agora vamos conhecer as principais Figuras de Tropos. Os tropos são desvios de sentido em que, quando falamos de uma figura de estilo dentro da categoria de tropos, ela será referente à mudança de sentido de uma palavra ou expressão.

Catacrese

É quando usamos uma analogia a algo para enfatizar aquilo que queremos dizer. Ou seja, utilizamos uma palavra imprópria, mas que traz a ideia que queremos transmitir. Exemplos de catacrese:

“Desde então procuro descascar os fatos”.

Descascar não tem sentido literal nessa frase. Quando o autor usa a palavra “descascar”, ele quer dizer que chegou ao íntimo de um fato, que explorou com profundidade.

Além disso, pode ser usado quando não há uma palavra específica para determinado contexto e acabamos pegando um termo emprestado.

“Vamos embarcar num avião espaçoso”.

O termo embarcar é referente a barcos, mas como não temos uma palavra específica para aviões, acabamos usando esse mesmo termo.

Alegoria

É uma sucessão de metáforas. veja o exemplo:

“A felicidade é um estribo para o gênio, uma piscina para o cristão, um tesouro para o homem hábil, um abismo para os fracos”.

São usadas várias metáforas para repassar a mensagem do texto de uma maneira mais impactante.

Perífrase

É quando há a substituição de um nome por um conjunto de elementos que faz uma alusão a ele. Exemplo de perífrase:

“De minha amarga descontente vida,

Sem que nesta carreira tão comprida

Um sincero prazer tenha gostado”.

Neste caso, a expressão “carreira tão comprida” se refere ao termo “vida”.

Temos como exemplo, também, chamar a Margaret Thatcher de “Dama de Ferro” ou Jesus Cristo dizendo apenas “Filho de Maria”.

Metonímia

É quando há a substituição de um termo por outro que lhe faça referência, ou quando se substitui a marca pelo produto ou a parcela pelo todo. Exemplos de metonímia:

“Preciso comprar Gillettes novas para fazer a minha barba”.

No lugar de dizer lâminas de barbear, nós acabamos usando o nome da marca. O mesmo acontece com Danone, Cândida, Maisena e outros.

3. Figuras de Harmonia

As Figuras de Harmonia são referentes ao ritmo do texto. Confira as Figuras de Harmonia mais usadas:

Onomatopeia

É quando fazemos a imitação de um som. Essas figuras de linguagem são muito comuns em gibis e quadrinhos. Exemplos de onomatopeia:

“O Tic Tac do relógio” – que é o som que o ponteiro faz.

“Ao amanhecer o galo cantou: có-có-ricó”

Aliteração

É quando fazemos a repetição de consoantes ao longo do texto e é muito usada para criar trava-línguas e dar ênfase ao texto. Exemplos de aliteração:

“Levou seu retrato, seu trapo, seu prato”.

“Três pratos de trigo para três tigres tristes”.

Assonância

É quando fazemos a repetição de vogais ao longo do texto e é muito usada para compor rimas. Exemplos de assonância:

“Um urubu pousou na minha sorte”.

 “A vida como sempre sofrida, mas enfim tem de ser vivida”

Nesse caso usa da repetição do “i” para gerar uma assonância.

Paronomásia

É o uso de palavras iguais ou parecidas com sentidos diferentes. Exemplo de paronomásia:

“Não vês que a última estrela

no céu nublado se vela?

Colhe a vela

Ó, pescador! ”.

A palavra “vela” é usada em contextos diferentes. A primeira tem o sentido de desaparecer e a segunda é a vela do barco.

4. Figuras de Construção

Por fim, vamos conhecer as Figuras de Construção. Elas tratam justamente da parte visual do texto.

Anáfora

É a repetição de palavras ou expressões no início das frases ou versos. Exemplo de anáfora

“Um rio longo,

Um passo em falso,

Um prato fundo!”

Anacoluto

É a quebra de uma sequência lógica que gera uma desconexão entre as expressões antecedentes e posteriores. Exemplo de anacoluto:

“Eles, seu único desejo era exterminar-nos”.

Polissíndeto

É quando há a repetição dos conectivos numa determinada sequência. Exemplo:

“Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua”.

Pleonasmo

Quando falamos de figuras de linguagem, o pleonasmo que ocorre na poesia é diferente do pleonasmo que condenamos na gramática. Na poesia é uma redundância de palavra ou expressão para dar ênfase.

Exemplo de pleonasmo na poesia:

“Sete anos de pastor, Jacob servia.

Tabão, pai de Raquel, serrana bela.

Mas não servia ao pai, servia a ela”.

Já na gramática é um vício de linguagem. Exemplo de pleonasmo na gramática:

“Subir a subida”.

“Entrar para dentro”.

Elipse

É a omissão de uma palavra subentendida. Exemplos de elipse:

“Iluminam-se os andares,

E os cafés, as tendas, os estancos”.

Aqui há a palavra “prédio” subentendida através da palavra “andares”.

Zeugma

É a omissão de uma palavra subentendida já dita anteriormente. Veja o exemplo:

”A felicidade para alguns é o dinheiro, para outros o amor”

Nessa frase, a palavra “felicidade” está subentendida e logo não precisa ser repetida após a vírgula.

Hipérbato

Acontece quando há uma inversão na ordem direta da frase. Exemplo de hipérbato:

“Morreu o presidente” = verbo + sujeito.

Sendo que geralmente escrevemos “O presidente morreu”, ou seja, sujeito + verbo.

Quiasmo

Encerrando a nossa lista das figuras de linguagem que mais caem no vestibular, o Quiasmo é quando ocorre o cruzamento de palavras ou expressões num poema. Exemplos:

 “Ultimamente eu só estudo e durmo, durmo e estudo”

As palavras “estudo” e “durmo” estão se cruzando na frase.

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Exercícios de Figura de Linguagem

(FUVEST) A catacrese, figura que se observa na frase “Montou o cavalo no burro bravo”, ocorre em:

a) Os tempos mudaram, no devagar depressa do tempo.
b) Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor e sepultura.
c) Apressadamente, todos embarcaram no trem.
d) Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal.
e) Amanheceu, a luz tem cheiro.

Resposta: C

(Mackenzie) Nos versos abaixo, uma figura se ergue graças ao conflito de duas visões antagônicas:

“Saio do hotel com quatro olhos,
– Dois do presente,
– Dois do passado.”

Esta figura de linguagem recebe o nome de:

a) metonímia
b) catacrese
c) hipérbole
d) antítese
e) hipérbato

Resposta: D

(ENEM-2004)

Cidade grande

Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.

(Carlos Drummond de Andrade)

Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a

a) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem.
b) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.
c) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica.
d) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo.
e) prosopopeia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida.

Resposta: C

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