Imaginamos que você seja um apreciador de boa Literatura, mas acreditamos, também, que seu interesse neste artigo é devido à prova da Fuvest, certo? Ela está cada vez mais perto e uma das leituras obrigatórias da instituição — que oferece vagas para a Universidade de São Paulo, uma das mais tradicionais do país — é Claro enigma, do mestre Drummond.

Essa obra marca uma fase em que o grande poeta brasileiro estava desolado com o mundo à sua volta e, ao mesmo tempo, impressionado por ele. Isso gera uma série de reflexões no autor, que constrói uma obra profunda e cheia de nuances.

Gostaria de saber mais sobre esse livro? Então, vem com a gente! A seguir, faremos uma análise detalhada sobre a obra para que você possa gabaritar as questões de Literatura na próxima prova da Fuvest. Boa leitura!

Análise da obra Claro enigma

A obra de Carlos Drummond de Andrade é uma das mais ricas, vastas e complexas da Literatura brasileira. Ele tem tamanha importância em nossa História que seu trabalho foi dividido em fases distintas:

  • fase gauche (eu > que o mundo): marcada por humor, ironia e individualismo;
  • fase social (eu < que o mundo): marcada pelo engajamento político e social e pela preocupação com a situação em que a sociedade se encontrava;
  • fase do “não” (eu = ao mundo): marcada pelo desencanto com a política e com as questões sociais e uma forte reflexão sobre as razões da vida;
  • fase da memória: marcada pela nostalgia, valorização das raízes e saudades do passado.

Claro enigma pertence à “fase do não”. A obra, publicada em 1951, está inserida em um contexto histórico bastante particular, o do pós-Segunda Guerra Mundial. Isso faz com que ele seja um livro diferente de tudo o que Drummond havia feito antes, marcado pela introspecção e pela longa reflexão sobre as razões pelas quais estamos aqui.

Claro enigma: resumo

Resumir uma obra de poesias é um tanto quanto complicado. Isso acontece porque não há uma linearidade, como na prosa, entre os diferentes capítulos — ou, no caso, poemas. Por isso, este resumo será dedicado a explicar algumas das características dessa obra!

Em primeiro lugar, precisamos ressaltar que Claro enigma é um retorno do autor às suas raízes clássicas. Sabemos que o Modernismo foi muito pautado em “chutar o balde” e revolucionar a escrita. Aqui, no entanto, Drummond volta a fazer uso de métricas regulares, além de rimas bem padronizadas. Sua forma de ousar é voltar para o passado.

Em segundo lugar, devemos falar sobre a estrutura do livro. Ele é dividido em seis partes:

  • Entre lobo e cão;
  • Notícias amorosas;
  • O menino e os homens;
  • Selo de Minas;
  • Os lábios cerrados;
  • A máquina do mundo.

Outro ponto de atenção está na linguagem da obra. Ela é repleta de polissemias, ou seja, a possibilidade que uma palavra tem de ter vários significados simultaneamente. Muitas vezes, essa é a chave para a interpretação de uma passagem dos poemas. Fique ligado!

Além disso, temos a presença marcante da citação de outras obras. Drummond mostra a que veio e nos presenteia com todo o seu repertório cultural, fazendo menção a obras como Os lusíadas, mitos greco-romanos e até mesmo aos ditados populares que fazem parte de nosso cotidiano.

Por fim, outra característica marcante desse livro é a dualidade. Em algumas passagens, o autor parece preocupado com o que o permeia, enquanto outras nos mostram um homem completamente desconectado do que está ao seu redor, entediado e frustrado.

Por isso, é preciso ler esses poemas com a mente aberta e saber que eles são desconexos entre si, ao contrário do que era visto em Sentimento do mundo, obra anteriormente cobrada pela Fuvest e pertencente à fase social do autor.

Contexto histórico

A escrita de Claro enigma se deu no fim dos anos 40. Esse período foi marcado pela transição de um mundo que estava em guerra para uma “paz armada”, com a Guerra Fria. A própria dualidade percebida no título e na leitura da obra é vista, também, no mundo: havia uma polarização entre dois blocos, o capitalista e o socialista, em voga em todo o planeta.

Personagens da obra

Em Claro enigma, os personagens são abstratos. Há menção a várias pessoas que fizeram parte da vida de Drummond, mas, por vezes, o eu-lírico se refere a lugares e até mesmo ideias que assumem, ao longo da obra, o papel de personagens.

O grande personagem, no entanto, é o próprio autor. É ele quem narra a própria história e exprime seus sentimentos a cada verso. Essa é, portanto, uma leitura subjetiva e intuitiva, sem qualquer linearidade. São características marcantes do estilo literário de Drummond e de toda a poesia.

Foco narrativo

O foco narrativo dessa obra é o eu-lírico do autor. A maioria dos poemas de Drummond é escrita em primeira pessoa e marcada pela subjetividade dos sentimentos do próprio autor.

Sobre Carlos Drummond de Andrade

Drummond nasceu em Itabira, uma cidade do interior de Minas Gerais que viria a ser cenário de muitos de seus poemas. Passou a infância estudando em colégios internos e acabou se formando em Farmácia aos 23 anos.

Foi um dos grandes nomes do Modernismo Brasileiro, conhecido por suas obras reflexivas e cheias de significado. Enquanto firmava sua carreira na Literatura, atuou também no setor público, como no Ministério da Educação.

Faleceu em 1987, no Rio de Janeiro, aos 84 anos, vítima de problemas no coração. Logo ele, que sempre foi a base de toda a obra drummondiana!

Gostou de saber mais sobre Claro enigma? Aproveite e conheça também nosso Banco de Exercícios sobre a 3ª Fase do Modernismo no Brasil. Não se esqueça de que essa obra faz parte dessa etapa do grande movimento artístico que marcou toda uma geração. Até a próxima!

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