O conjunto de obras de um país, época, gênero ou outra característica marcante é tema recorrente dos mais diversos vestibulares. Pensando nisso, selecionamos um deles para abordar neste post: a Literatura contemporânea.

Ela é uma das escolas literárias brasileiras, e por isso não deve ficar de fora da sua rotina de estudos. Tem dúvidas sobre essa matéria? Então, fique tranquilo porque vamos ajudar você! Continue a leitura para conferir o material. Vamos lá?

O que é literatura contemporânea?

A literatura contemporânea é a que vivenciamos atualmente. Começou após o encerramento do pós-modernismo, por volta da metade do século XX.

A transição de uma escola literária para outra se dá por meio de mudanças no cotidiano de determinada época. Acontecimentos que envolvem a sociedade em geral, e até mesmo a política, fazem com que os movimentos artísticos mudem, com aspectos característicos de cada período.

Sendo assim, podemos afirmar que a literatura contemporânea brasileira é um reflexo dos acontecimentos do momento: o desenvolvimento industrial e tecnológico acentuado e a crise nos meios político e social.

Contexto histórico

Para compreender melhor o que é a literatura contemporânea, é interessante entender o contexto histórico da época. Muitas características dessa escola, que veremos quais são no próximo tópico, são explicadas pela sucessão de fatos transcorridos.

Nos anos 60, sob o governo populista de Juscelino Kubitscheck, a população brasileira foi tomada por uma euforia política e econômica. Isso refletiu na cultura em diversos movimentos artísticos, como Bossa Nova, Cinema Novo, Vanguarda, teatro de Arena e a chegada da televisão. Então, com o golpe militar, que derrubou João Goulart, a euforia teve fim.

O clima de censura e o medo se instauraram no país. Com o fechamento do congresso, jornais, revistas, filmes, músicas e peças de teatro censurados, o exílio de intelectuais, políticos e artistas que se opunham à ditadura militar, foi necessário usar disfarces na cultura.

Os movimentos artísticos precisaram encontrar formas diferentes para se expressarem ou até mesmo acontecerem por “debaixo dos panos”. O tricampeonato da seleção brasileira de futebol foi usado como motivo nacionalista para silenciar o povo.

No final dos anos 70, o então presidente Figueiredo sancionou a Lei da Anistia, que permitiu o retorno dos exilados para o Brasil. Assim, o clima de otimismo voltou para os descontentes com a ditadura militar que, por sua vez, acabou em 1985 com movimento Diretas Já! Em 1898, foi eleito para presidente Fernando Collor de Mello, sendo deposto 2 anos depois.

Características da literatura contemporânea

Nas últimas décadas, a multiplicidade é um ponto marcante da cultura brasileira. Podemos dizer, que a literatura contemporânea brasileira é um apanhado de diversas escolas literárias anteriores. Sendo assim, as características dela são:

  • quebra do limite entre a arte erudita e a popular;
  • intertextualidade: quando há o diálogo com outras obras que o autor presume que sejam conhecidas;
  • ecletismo: mistura de estilos, contemplando gostos diversificados;
  • vários modos de narrativas;
  • preocupação com o presente, sem planejamento para o futuro;
  • temas do cotidiano;
  • engajamento social;
  • técnicas novas de arte e escrita;
  • elaboração de contos e crônicas;
  • obras reduzidas (minicontos, mini crônicas, etc).

Tendências contemporâneas da literatura brasileira

Antes de expor quais são as tendências contemporâneas da literatura brasileira, é preciso conceituá-la. Tendências ou estilos literários são padrões de escrita, ou outra manifestação de arte, que caracterizam uma escola.

As tendências contemporâneas da literatura brasileira são divididas em duas linhas. A primeira é a tradicional, que conta com autores e características pós-modernistas reformuladas. Como exemplo temos as vertentes do romantismo:

  • regionalista;
  • intimista;
  • urbano-social;
  • político;
  • memorialista;
  • experimentais e metalinguísticos.

A segunda é a alternativa, com autores que, de fato, queriam romper com o tradicional, lançando novas maneiras e estilos de expressar a sua arte. O destaque fica para a poesia, em que os sentimentos oprimidos pela ditadura ganham espaço.

prateleira com livros literatura contemporânea

Concretismo

É um tipo de poesia que não tem forma, nem versos definidos, diferentemente do lirismo. Ele pode ser lido de qualquer direção. Embora tenha surgido antes, ganhou visibilidade após a Exposição Nacional da Arte Concreta de São Paulo.

Poema processo

Em 1964, dois autores — Décio Pignatari e o Luiz Ângelo Pinto — criaram o poema semiótico ou código, dando início a esse estilo, que geralmente é visual. O Poema Processo tem semelhança com o dadaísmo — movimento artístico e literário considerado o mais radical da Vanguarda Europeia.

Poesia social

Os versos da Poesia Social saem do padrão da concreta e da lírica, impondo temas de interesse social, como a Guerra Fria e o Neocapitalismo. Após o golpe militar, ela é considerada um estilo de resistência, junto com outras expressões culturais.

Poesia marginal

A poesia marginal vai na contramão da cultura do Brasil na época da ditadura militar. Ela tinha o objetivo de expressar toda a violência diária sofrida pelos opositores ao regime, e ir contra o conservadorismo da sociedade. Suas características marcantes são a ironia, o sarcasmo, as gírias e o humor.

Autores da literatura contemporânea

Bom, agora que você já sabe o que é a literatura contemporânea brasileira, que tal descobrir quais são os autores que fazem parte dessa escola literária? Confira a seguir os grandes nomes e algumas de suas respectivas obras de sucesso:

  • Ariano Suassuna (1927-2014): escreveu “Auto da Compadecida” (1955) e “O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”;
  • Antônio Callado (1917-1997): escritor de “A Madona de Cedro” (1957), “Quarup” (1967) e “O Tesouro de Chica da Silva” (1962);
  • Caio Fernando Abreu (1948-1996): autor de “Morangos Mofados” (1982) e “Onde Andará Dulce Veiga?” (1990);
  • Cora Coralina (1889-1985): autora de “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais” (1965) e “Estórias da Casa Velha da Ponte” (1985);
  • Ferreira Gullar (1930-2016): escritor de “Poema Sujo” (1976) e “Em Alguma Parte Alguma” (2010).

Como vimos, literatura contemporânea é marcada por uma mistura de estilos literários, como um reflexo dos acontecimentos de sua época. Ela perdura até hoje com grandes obras e autores reconhecidos internacionalmente.

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