O mundo está mudando, não é mesmo? Ainda que as alterações sociais sejam bem lentas e que, por vezes, pensemos que tudo está parado, isso não é bem verdade. Uma das maiores evidências disso é a maneira como os vestibulares estão se adequando às novas realidades de nossa sociedade. As provas da Fuvest dos últimos anos são um bom exemplo disso.

Por muito tempo, a lista de leituras obrigatórias desse vestibular — um dos mais tradicionais do Brasil — foi composta majoritariamente por autores do sexo masculino. Agora, isso mudou: a edição de 2021 da Fuvest traz um dos maiores nomes femininos da Literatura brasileira: Cecília Meireles e seu Romanceiro da Inconfidência.

Nunca ouviu falar sobre esse livro e gostaria de saber mais sobre ele antes de começar a leitura? Já leu a obra, mas quer se lembrar de alguns detalhes? Então, continue com a gente! Nos próximos minutos, faremos uma análise sobre o Romanceiro e terminaremos com um exercício para você testar seus conhecimentos. Vamos lá!

Análise da obra Romanceiro da Inconfidência

Uma das melhores facetas da Literatura é a possibilidade de estudarmos, com ela, uma série de outras disciplinas. Com os livros, é possível aprender mais sobre Matemática, Biologia e, claro, História. Esse é o caso de Romanceiro da Inconfidência, que nos leva à época da Inconfidência Mineira e de Tiradentes por meio de poesias líricas.

Mas o que significa romanceiro? Seria esse um personagem? Na verdade, não. Aqui, Meireles viajou para a Idade Média, período do Trovadorismo. Nele, “romanceiro” era o nome dado a uma narrativa linear, ou seja, uma história, contada por meio de poemas. Legal, né?

Romanceiro da Inconfidência é uma obra pertencente à Segunda Geração do Modernismo Brasileiro. No entanto, classificar essa autora em uma só escola literária é uma tarefa árdua e que divide muitos especialistas no assunto até os dias de hoje. Por isso, estude bastante sobre suas características e particularidades!

Romanceiro da Inconfidência: resumo

Na primeira parte da obra, Cecília se propõe a refletir sobre o ouro e sua trajetória na História brasileira. No poema, ela traça uma relação de ambiguidade entre as consequências diversas que ele trouxe para a nossa nação: ao mesmo tempo em que causou riqueza, também gerou destruição. Felicidade, tristeza. Conquistas, derrotas. E assim por diante!

Já na segunda parte, o foco narrativo é a própria Inconfidência Mineira. Nessa divisão do livro, Meireles viaja pelo processo de construção dessa história, além de traçar paralelos entre ela e a Revolução Francesa. Não podemos esquecer que ambos os movimentos foram fortemente influenciados pelo Iluminismo e trazem grandes semelhanças em sua essência.

Seguindo, conheceremos, agora, outros personagens importantes dessa narrativa. Tiradentes foi o foco da parte anterior e, nessa, o grande protagonista é Tomás Antônio Gonzaga, escritor do Arcadismo, famoso por sua musa Marília de Dirceu e que também teve importante participação nesse período histórico.

E, por fim, não podemos deixar de mencionar a “moral da história” proposta por Cecília Meireles nessa obra. Ao fim do livro, ela trava uma reflexão sobre qual lugar gostaríamos de ocupar na história. Um deles leva ao esquecimento devido às atitudes erradas, enquanto o outro, ao enaltecimento e ao legado graças à justiça das ações escolhidas. Complexo, não é mesmo?

Contexto histórico

O contexto histórico da narrativa é a Inconfidência Mineira, que aconteceu no século XVIII. A obra não é completamente linear, mas conta uma história que realmente ocorreu ao longo da trajetória brasileira.

Boa parte do texto se passa em Minas Gerais. No entanto, há menções esporádicas sobre outros espaços, especialmente quando o foco da narração está em personagens que vieram de outros lugares para participar desse contexto histórico.

Personagens da obra

Agora, relembraremos alguns dos personagens mais importantes dessa obra:

  • Chico Rei:“príncipe” africano que descobriu, a partir de uma visão religiosa, onde estava uma boa porção de ouro em Minas Gerais;
  • Chica da Silva:escrava nacionalmente famosa que conquista o coração do homem que a “possuía”;
  • Tiradentes: herói da Inconfidência, retratado, aqui, por um viés humano;
  • Cláudio Manuel da Costa:poeta brasileiro que participou do contexto da Inconfidência;
  • Tomás Antônio Gonzaga: outro famoso autor brasileiro, cuja história também se cruzou com a dos inconfidentes.
romanceiro da inconfidência

Foco narrativo

A ideia para a construção da obra Romanceiro da Inconfidência surgiu a partir de uma viagem de Cecília Meireles a Ouro Preto, um dos berços do contexto histórico mencionado logo acima. Nessa ocasião, a autora relatou que sentia como se a cidade falasse com ela conforme ela passava por suas ruas, contando uma história.

O foco narrativo é, portanto, o de um narrador lírico que conta, assim como fizeram as ruas de Ouro Preto à autora, uma história sobre o Brasil.

Sobre Cecília Meireles

Conhecida como uma das mais importantes poetisas neo-simbolistas (que traz muita musicalidade, introspecção e dramaticidade em suas obras), Cecília Meireles ousou com a publicação de Romanceiro da Inconfidência, um livro que vai na contramão de tudo o que ela havia escrito antes.

No entanto, Cecília ousou ao longo de toda a sua vida. Nascida no Rio de Janeiro em 1901, essa professora de formação mudou a história da Literatura Brasileira por ser uma mulher de destaque em um período no qual o público feminino não era comumente reconhecido pelo seu talento na escrita.

Publicou diversos poemas caracterizados por forte simbolismo, com alta carga dramática e muitas reflexões psicológicas, algumas de suas marcas registradas.

Faleceu em 1964, vítima de um câncer na região do estômago.

Romanceiro da Inconfidência: exercícios

Agora, veremos um exemplo de como essa obra literária pode dar as caras no vestibular da Fuvest, do Enem ou de qualquer outra instituição. Vamos lá?

(Enem 2012)

Ai, palavras, ai, palavras

que estranha potência a vossa!

Todo o sentido da vida

principia a vossa porta:

o mel do amor cristaliza

seu perfume em vossa rosa;

sois o sonho e sois a audácia,

calúnia, fúria, derrota…

A liberdade das almas,

ai! Com letras se elabora…

E dos venenos humanos

sois a mais fina retorta:

frágil, frágil, como o vidro

e mais que o aço poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,

pelo vosso impulso rodam…

MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985 (fragmento).

O fragmento destacado foi transcrito do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Centralizada no episódio histórico da Inconfidência Mineira, a obra, no entanto, elabora uma reflexão mais ampla sobre a seguinte relação entre o homem e a linguagem:

a)     a força e a resistência humanas superam os danos provocados pelo poder corrosivo das palavras.

b)     as relações humanas, em suas múltiplas esferas, têm seu equilíbrio vinculado ao significado das palavras.

c)     o significado dos nomes não expressa de forma justa e completa a grandeza da luta do homem pela vida.

d)    renovando o significado das palavras, o tempo permite às gerações perpetuar seus valores e suas crenças.

e)     como produto da criatividade humana, a linguagem tem seu alcance limitado pelas intenções e gestos.

Resposta: B

Gostou de saber mais sobre Cecília Meireles e uma de suas obras mais importantes, Romanceiro da Inconfidência? Agora é com você! Chegou a hora de se dedicar aos estudos e contar com toda a ajuda que puder obter. Por isso, que tal conferir o Plano de Estudos Stoodi? Com ele, você fica muito mais perto de sua tão sonhada e merecida vaga na faculdade!

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