Por Marina Sestito 

Stoodianos,

Antes de começarmos a coluna de hoje, quero deixar uma questão na cabecinha de vocês: quantos livros de Filosofia você já leu de cabo a rabo? E quantos filmes, quantas músicas e quantos livros você já leu, já ouviu e já assistiu do começo ao fim?

Ao construir uma dissertação argumentativa, é necessário sustentar os nossos posicionamentos a partir da apresentação de conteúdos que dialoguem com o tema que estiver sendo desenvolvido na redação. Até aí tudo bem. Você mostra pro seu leitor aonde quer chegar com aquele texto e comprova que seu ponto de vista é bastante digno de atenção. Nenhuma novidade até aqui.

Como vimos na semana passada, é importante tomar a coletânea como norteadora da abordagem que a gente vai adotar no texto, sem ficar apenas discutindo as ideias que já foram apresentadas nos textos motivadores. Afinal, se o corretor quisesse saber o que está dito nos textos motivadores, ele leria a coletânea em vez de ler a sua redação, não é mesmo?

Mas que tipo de referências você deve trazer para a sua redação? Que tipo de conteúdo deve aparecer no texto? É importante fazer referência a conteúdos externos à coletânea para sustentar a argumentação, mas esses conteúdos não precisam necessariamente passar por aquilo que a gente considera “erudito”.

Para sustentar sua análise, você pode fazer referência a conteúdos de História, de Sociologia, de Filosofia, de Geografia e a tudo que aprendeu na escola. Afinal, pra quem presta o ENEM, é importante lembrar que estamos falando do Exame Nacional do Ensino Médio e o foco dessa avaliação é justamente o que vocês aprendem nesse período da formação escolar.

Mas e quem presta outros vestibulares ou concursos? E quem presta Enem mas não quer utilizar essas referências?

Você pode, também, recorrer a outros conteúdos para embasar a sua argumentação: pode citar filmes, livros, músicas e tudo que fizer parte do seu repertório cultural. O mais importante – como eu já disse algumas vezes e vou continuar repetindo até grudar no cérebro de vocês – não é exatamente a referência que você menciona, mas como trabalha com ela no seu texto; como justifica a presença dela na sua redação.

Quer citar funk? Fique à vontade, desde que você justifique a necessidade daquela citação na sua redação. Quer citar um filósofo que você não leu e que acha que não tem muito a ver com o tema, mas cita mesmo assim pra mostrar pro corretor o seu vasto conhecimento em Filosofia? Sugiro que pense duas vezes antes de fazer isso. Uma letra de funk BEM COLOCADA tem, eu garanto, mais poder argumentativo do que mil citações descontextualizadas de filósofos.

Isso tudo pra dizer: cite o que quiser, mas sustente o que citar. O importante não é o que você cita, mas como você o faz. Não vamos sair por aí citando qualquer coisa de qualquer jeito só porque a Marina Sestito falou que pode citar o que quiser, mas vamos entender uma coisa: tudo que você for citar, precisa estar muito bem relacionado à discussão desenvolvida, seja uma frase de um filósofo, seja um filme húngaro que quase ninguém conhece, seja um conteúdo de História que você viu na aula da semana passada, seja uma letra de funk.

Estamos conversados?

Citou, explica a citação e mostra a relação com o tema. Sempre.

Muitos beijos e até semana que vem!

Você sabia que o Stoodi tem Correção de Redação? Conheça

Marina Sestito é a Coordenadora de Redação do Stoodi. Formou-se em Filosofia pela FFLCH, na USP – atualmente cursa Licenciatura na FEUSP. Trabalhou em cursinhos pré-vestibulares e hoje comanda a equipe de correção do Stoodi. ​

Você pode gostar também
Passo a passo para acertar na redação
Leia mais

Passo a passo para acertar na redação

Assim como toda boa história, uma redação também deve ter começo, meio e fim. Pensar na redação do vestibular de forma estruturada contribui para a síntese das ideias e facilita a construção dos parágrafos. Para contribuir com o seu desenvolvimento, a equipe responsável pelas aulas de Português do Stoodi elaborou...