Por Marina Sestito

Stoodianos,

Há algumas semanas, tratamos de fuga total e de fuga parcial, e isso nos coloca uma outra questão: para saber se estou ou não fugindo do tema que deveria abordar, preciso antes saber qual a discussão proposta – mas como identificar a respeito do que a banca avaliadora espera que eu escreva?

Em redações de vestibular – e de concursos – é comum receber uma coletânea de textos motivadores que tenham como objetivo direcionar a elaboração da redação. A leitura desse material ajuda a compreender qual a discussão que está sendo apresentada, mas é a partir do direcionamento da proposta que entendemos qual o recorte temático que deverá ser adotado na hora de escrever.

“Ué, mas eu tenho que seguir os textos motivadores ou a frasezinha com o direcionamento da proposta?”

Os dois. A partir de uma coletânea de textos motivadores, é apresentada uma base teórica ao candidato, que vai compreender, a partir da leitura desses textos, qual o contexto que será abordado na redação. Os textos motivadores servem como um estímulo conceitual; servem como base teórica.

O recorte temático, isto é, o viés a partir do qual você vai precisar se posicionar em relação à base teórica estabelecida pelos textos motivadores, é o que a gente chama de proposta de redação. É aquela frase do final – ou do começo – da página que aponta qual é o tema.  A proposta é que vai indicar o que deverá, efetivamente, ser tratado no texto.

E se a proposta estiver, em alguma medida, desvinculada dos textos motivadores? Qual direcionamento eu devo seguir?

O da proposta, sempre. É sempre aquele direcionamento final que vai condicionar o tema da redação, e é a ele que você vai recorrer sempre que ficar em dúvida sobre qual caminho seguir na hora de elaborar a tese e desenvolver a argumentação.

“Adorei um dos textos motivadores e quero seguir aquela linha. Posso?”

Depende. Muitas vezes, os textos motivadores apresentam diferentes aspectos do tema que será discutido e, ao adotar as ideias apresentadas em apenas um texto motivador você corre o risco de tangenciar a discussão proposta e incorrer em fuga parcial. Pra evitar esse tipo de problema, prefira ler todos os textos motivadores, entender a questão que está sendo colocada ali e discutir aquela questão, dialogando com a ideia central da coletânea, com aquela discussão que todos os textos têm em comum, sem se ater a um texto específico.

Muito complicado? Então vamos dar um exemplo.

Se o tema da redação for “Trabalho na construção da dignidade humana” e a coletânea tiver um texto motivador tratando de escravidão e outro falando que o trabalho tem sofrido muitas alterações ao longo do tempo, a gente vai falar sobre a relação entre o trabalho e a dignidade humana ou vai ficar o texto todo falando sobre escravidão, ou então sobre como o trabalho mudou com o passar dos anos?

Pensem sobre essa questão, pratiquem bastante e me contem como tem sido o processo de escrita de vocês. Estou muito curiosa sobre o que têm achado dessas nossas conversas!

Muitos beijos e até semana que vem.

 

Você sabia que o Stoodi tem Correção de Redação? Conheça

Marina Sestito é a Coordenadora de Redação do Stoodi. Formou-se em Filosofia pela FFLCH, na USP – atualmente cursa Licenciatura na FEUSP. Trabalhou em cursinhos pré-vestibulares e hoje comanda a equipe de correção do Stoodi. 

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