Fuga total e fuga parcial

Campanha Pesquisa de Carreiras

Por Marina Sestito

Stoodianos,

Essa semana vamos falar sobre um aspecto muito importante dos critérios de avaliação das redações de vestibular e de concursos em geral, mas que não entra necessariamente na discussão sobre estruturação do texto: hoje vamos discutir em que casos pode acontecer a fuga total ou a fuga parcial do tema da redação.

Nós já vimos, nas semanas anteriores, que no texto dissertativo argumentativo é preciso apresentar o tema que será discutido, enunciar a tese que será defendida e sustentar o posicionamento adotado através da apresentação de argumentos consistentes, corroborados por exemplos concretos, dados estatísticos e casos divulgados pela mídia – fechando tudo isso com uma conclusão que retome a tese à luz dos argumentos apresentados.

O que acontece se você fizer tudo isso, mas não tratar do que a proposta de redação pediu? O que acontece se você precisar discutir “Desenvolvimento Científico”, por exemplo, e achar mais interessante e mais útil dedicar seu texto a uma discussão sobre “Democracia”?

Ué, seu texto vai ser zerado.

Se alguém te pedir pra falar sobre uma coisa e você falar sobre outra, por mais bem construída que esteja a sua redação, ela receberá nota zero. Necessariamente, sem negociação.

Isso é o que a gente chama de fuga total do tema da redação, mas o que seria essa tal de fuga parcial?

A fuga parcial, ou “tangenciamento do recorte temático”, é quando você até chegou perto de acertar sobre o que tinha que falar, mas acabou tomando outros rumos e não chegou exatamente na discussão que a proposta de redação colocou pra você.

Se você precisar falar sobre “Intolerância religiosa no Brasil” e falar sobre “Intolerância”, de maneira mais ampla, ou até mesmo sobre “Intolerância religiosa”, sem tratar especificamente do Brasil, seu texto será penalizado por fuga parcial e receberá uma nota muito mais baixa por isso.

“Então não posso falar de nada que não seja o tema da redação?”

Claro que pode. Você deve recorrer a conteúdos externos à discussão, especialmente para fazer a contextualização do tema que está sendo desenvolvido, mas em seguida precisa conectá-los ao que está sendo discutido. Além disso, é importante evitar se estender, no decorrer do texto, numa questão que não seja central nessa discussão.

Você pode falar sobre “Escravidão” quando for tratar de “Trabalho na construção da dignidade humana” – tema do Enem recordista em fuga total e em fuga parcial aqui no Stoodi – desde que volte pro tema depois e utilize a referência como um exemplo, apenas, e não como o foco principal do seu texto. Com  “Democracia”, “Revolução Industrial” e “Desenvolvimento Científico” é a mesma coisa. Mencione, mostre a ligação com o tema e volte para a discussão central que tiver sido colocada pela proposta de redação.

Não pode empolgar e mudar de tema no meio do texto, tudo bem? Por favor.

Portanto, não se esqueça: você pode escrever uma redação muito bem estruturada e com argumentos consistentemente embasados em dados concretos, mas ela só receberá uma boa nota se tiver tratado exatamente do que a proposta de redação solicitou que você tratasse. Por isso, não deixe de ler os textos motivadores da proposta de redação várias vezes e prestar muita atenção no que, exatamente, está sendo solicitado.

Muitos beijos e até semana que vem!

Você sabia que o Stoodi tem Correção de Redação? Conheça

Marina Sestito é a Coordenadora de Redação do Stoodi. Formou-se em Filosofia pela FFLCH, na USP – atualmente cursa Licenciatura na FEUSP. Trabalhou em cursinhos pré-vestibulares e hoje comanda a equipe de correção do Stoodi. ​

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