O que te faz escrever textão no Facebook?

Por Marina Sestito 

Stoodianos,

Ontem foi criada, no Youtube, a segunda aula temática do Stoodi, que acontecerá no dia 08/08 e terá como tema Homofobia e Transfobia. Em poucos minutos, a aula recebeu likes e dislikes. A aula que ainda não aconteceu. A aula que nem existe ainda, mas que já tem quem tenha gostado e quem não tenha gostado de seu futuro conteúdo.

Fiquei com uma dúvida. Como pode alguém gostar ou desgostar de algo que nem foi dito ainda? Como pode ser possível alguém achar que um ponto de vista nada tem a acrescentar de útil ou de interessante a qualquer discussão que seja, sem que esse ponto de vista tenha sido efetivamente colocado?

Foi dessa minha perplexidade que veio a resposta para um pergunta que me fazem com frequência: “Professora, como construir um bom texto e apresentar uma argumentação consistente? Como elaborar um ponto de vista crítico, com marcas de autoria?” 

O exercício de argumentação pressupõe um exercício anterior: o exercício de escuta, o exercício de observação do mundo. Para escrever bem, é preciso tomar contato com as questões que nos afetam direta ou indiretamente. É preciso compreender em que medida estamos implicados no mundo, em que medida participamos da construção desse negócio bonito e complicado que chamamos de sociedade.

Se alguém não se interessa nem em ouvir o outro, como vai conseguir compreender e desconstruir os argumentos dos quais discorda, de antemão, sem nem saber quais são? Se alguém se blinda, de antemão, de qualquer discussão que seja, será que o espírito crítico de compreender e de buscar as motivações do discurso alheio está sendo posto em prática? Será que rejeitar a posição de alguém por ela ser diferente da nossa indica que estejamos muito bem preparados para entender uma realidade e formular hipóteses sobre o que fundamenta sua manutenção?

Estamos muito acostumados a escrever textões no Facebook, a buscar apoio de quem pensa como a gente, a nos cercarmos dos nossos iguais. Queremos ter por perto quem concorda, não quem discorda das nossas ideias. Isso é ótimo. Isso passa uma sensação de acolhimento e pertencimento, mas será que nos forma para construir com criticidade uma argumentação?

Para escrever um bom texto, sugiro que escute o coleguinha. Sugiro que tente entender o que motiva a posição de quem pensa diferente de você. Se conseguir fazer isso, já tem metade do caminho andado para alcançar a tão almejada criticidade na redação.

Muitos beijos, vejo vocês na aula temática e até semana que vem!

Você sabia que o Stoodi tem Correção de Redação? Conheça

Marina Sestito é a Coordenadora de Redação do Stoodi. Formou-se em Filosofia pela FFLCH, na USP – atualmente cursa Licenciatura na FEUSP. Trabalhou em cursinhos pré-vestibulares e hoje comanda a equipe de correção do Stoodi.

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