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FCMMG 2009

Nem mesmo um escafandro pode deter a imaginação.

 

O Escafandro e a Borboleta é um título que inspira sensibilidade, assim como sua história. História, aliás, adaptada das memórias de um jornalista francês chamado Jean-Dominique Bauby, e lançado na França em 1997. E por que as memórias de Bauby, a quem os mais próximos chamavam JeanDo, parecem tão instigantes? É isso que Julian Schnabel tenta mostrar.

 

Schnabel assina também a direção da cinebiografia mais famosa de Basquiat (Basquiat, 1996), e nessa sua mais nova empreitada pôs a prova muito de sensibilidade, pois numa adaptação como essa - que envolve personagens reais e um universo de sentimentos e situações reais - além da sagacidade do roteirista, é necessária também uma carga extra de feeling por parte do diretor. No filme, vemos o mundo - quase o tempo todo - através dos olhos de
Jean-Dominique (interpretado por Mathieu Amalric). Na verdade, através de seu olho esquerdo. Jean-Dominique Bauby ficou famoso por ser editor chefe da revista Elle francesa, por suas belas namoradas e por suas companhias famosas. Um belo dia (sempre um belo e comum dia) JeanDo resolve levar seu filho mais velho ao teatro. No meio do caminho, alguma coisa começa a sair errado: ele sofre uma espécie de derrame...

 

O filme começa exatamente no momento em que ele consegue acordar. Vemos toda a ação através dos olhos confusos de JeanDo, que ainda está atordoado demais para se dar conta do que aconteceu. Entendemos o que se passa através do que dizem os médicos ao redor dele, das terapeutas que lhe são apresentadas. E o diagnóstico não é dos melhores: JeanDo passou a sofrer de uma síndrome rara chamada locked-in. Acordar, depois de vinte dias de coma, e saber-se imóvel da cintura para baixo, com movimentos restritos da cabeça e apenas um dos olhos em bom funcionamento é uma tragédia pessoal.

 

A partir daí acompanhamos o novo dia-a-dia de Jean-Dominique, que, trancado dentro de si mesmo, recebe visitas, passa por exercícios, é abandonado em frente à TV ligada num canal que ele não gosta por cerca de quatro horas, e precisa reaprender a se comunicar. Tudo isso estando completamente lúcido. E preso dentro de seu próprio corpo.

 

Logo de cara é difícil não lembrar do personagem Ramón Sampedro de Mar Adentro (interpretado por Javier Bardem e dirigido por Alejandro Amenábar) e sua luta por querer morrer. No entanto, o caso de JeanDo é contado por outro prisma... Apesar de eventualmente se chatear com sua nova condição e de ter certo pudor em aparecer novamente para os conhecidos (principalmente seus filhos), a narrativa de Bauby é mais leve. No momento em que ele descobre que sua principal arma contra o tédio de sua nova vida nesse escafandro metafórico só pode ser rompida através da imaginação, o personagem passa a esforçar-se.

 

E sua terapeuta, que dá o melhor de si por ser aquele caso - o mais complexo que ela já teve em mãos -, o convida a experimentar um método de comunicação criado por ela: repetir as letras do alfabeto, uma a uma, numa ordem que vai das letras mais usadas até as menos usadas, e esperar que ele pisque uma vez para cada letra que quiser usar e assim montar palavras e frases.

 

De início até os espectadores concordam com JeanDo, que acha aquele método enfadonho. Mas o tempo e a persistência da terapeuta fazem com que o método vá se aprimorando, assim como a capacidade de todos ao
redor do personagem que reaprendem a comunicar-se com ele através da cartela de letras.

 

Com sua imaginação em pleno funcionamento e com o método de comunicação mais desenvolvido, Bauby procura um editor que havia lhe prometido publicar uma adaptação que ele estava escrevendo para O Conde de Monte Cristo(aliás, várias analogias entre a situação de Bauby são comparadas a situações deste clássico da literatura) e lhe propõe um novo negócio: publicar suas memórias! A única coisa que ele pede é uma assistente de confiança com paciência para tomar suas anotações. Negociação concluída e intermediada pela própria terapeuta, Jean-Dominique começa a escrever! A partir daí vemos em flashback várias situações de sua vida e o arrependimento latente de pequenas coisas não ditas.

 

Uma das passagens sem dúvida mais emocionantes é quando, no hospital, Bauby recebe um telefonema de seu pai, o senhor Papinou (Max Von Sydow). 

 

Com uma fotografia interessante, alternando ângulos restritos (tentando reproduzir a visão de Bauby) e vastas paisagens, O Escafandro e a Borboleta merece aplausos pelas interpretações e também pela mensagem, pois nos mostra que o melhor de um homem são o amor e sua imaginação.

 

EUZEBIO, Geohttp://www.cineplayers.com/critica.php?id=1360. Acessado em 3/07/2008.

 

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