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Exercícios de Gêneros Literários

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  1. 61. UPF 2014
    Só se espiaram realmente quando as malas foram dispostas no trem, depois de trocados os beijos: a cabeça da mãe apareceu na janela. Catarina viu então que sua mãe estava envelhecida e tinha os olhos brilhantes. O trem não partia e ambas esperavam sem ter o que dizer. A mãe tirou o espelho da bolsa e examinou-se no seu chapéu novo, comprado no mesmo chapeleiro da filha. Olhava-se compondo um ar excessivamente severo onde não faltava alguma admiração por si mesma. A filha observava divertida. Ninguém mais pode te amar senão eu, pensou a mulher rindo pelos olhos; e o peso da responsabilidade deu-lhe à boca um gosto de sangue. Como se “mãe e filha” fosse vida e repugnância. Não, não se podia dizer que amava sua mãe. Sua mãe lhe doía, era isso. A velha guardara o espelho na bolsa, e fitava-a sorrindo. O rosto usado e ainda bem esperto parecia esforçar-se por dar aos outros alguma impressão da qual o chapéu faria parte. A campainha da Estação tocou de súbito, houve um movimento geral de ansiedade, várias pessoas correram pensando que o trem já partia: mamãe! disse a mulher. Catarina! disse a velha. Ambas se olhavam espantadas, a mala na cabeça de um carregador interrompeu-lhes a visão e um rapaz correndo segurou de passagem o braço de Catarina, deslocandolhe a gola do vestido. Quando puderam ver-se de novo, Catarina estava sob a iminência de lhe perguntar se não esquecera de nada... – ...Não esqueci de nada? perguntou a mãe. CLARICE LISPECTOR – Laços de família   No texto acima, a autora:
  2. 62. UPF 2014
    Leia as seguintes afirmações sobre a obra Incidente em Antares de Érico Veríssimo e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas: (___) Em uma pequena comunidade do interior do Rio Grande do Sul, verifica-se a presença de preconceitos e arbitrariedades decorrentes de uma ordem social injusta e conservadora. (___) Visando condenar as posições conservadoras ou as atitudes hipócritas, a voz escolhida é a dos rebeldes e dos liberais. (___) A opção do autor pela denúncia das contradições da sociedade está mais presente no relato do narrador onisciente do que na expressão das personagens. (___) Na obra, a personagem Coronel Tibério Vacariano demonstra desprezo pela atividade letrada.   A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
  3. 63. UFV 2002
    Atente para o que diz Júlio C. Guimarães sobre o poeta Murilo Mendes: Na forte presença de elementos ligados à visualidade na obra poética de Murilo Mendes, é possível estabelecer algumas distinções que se verificam fundamentais para o exame desta questão tal como aqui é proposto. De um lado, estão elementos puramente visuais, que naturalmente ocorrem de várias formas. De outro lado, está a visualidade configurada como linguagem, isto é, como artes visuais, ou artes plásticas, cuja presença se dá como referência, em diferentes graus, seja a determinada obra de arte, seja a determinado artista. GUIMARÃES, Júlio Castañon. Territórios / conjunções: poesia e prosa críticas de Murilo Mendes. Rio de Janeiro: Imago, 1993. p. 63. Em todas as alternativas que se seguem são citados fragmentos da obra de Murilo Mendes que expressam essa tendência à visualidade a que se refere o crítico, expressiva da poesia crítica do poeta, EXCETO em:
  4. 64. UFV 2002
    Leia com atenção o seguinte fragmento do "Poema Dialético", de Murilo Mendes, para responder a esta questão: Todas as formas ainda se encontram em esboço, Tudo vive em transformação: Mas o universo marcha Para a arquitetura perfeita. Retiremos das árvores profanas A vasta lira antiga: Sua secreta música Pertence ao ouvido e ao coração de todos. Cada novo poeta que nasce Acrescenta-lhe uma corda. MENDES, Murilo. O menino experimental: antologia. Org. Affonso Romano de Sant'Anna. São Paulo: Summus, 1979. p. 103.   Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma possível leitura do poema:
  5. 65. UNISINOS 2016
    Essa negra Fulô  Jorge de Lima Ora, se deu que chegou (isso já faz muito tempo)  no banguê dum meu avô  uma negra bonitinha,  chamada negra Fulô.  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  Ó Fulô! Ó Fulô!  (Era a fala da Sinhá)  – Vai forrar a minha cama  pentear os meus cabelos,  vem ajudar a tirar  a minha roupa, Fulô!  Essa negra Fulô!  Essa negrinha Fulô!  ficou logo pra mucama  pra vigiar a Sinhá,  pra engomar pro Sinhô!  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  Ó Fulô! Ó Fulô!  (Era a fala da Sinhá)  vem me ajudar, ó Fulô,  vem abanar o meu corpo  que eu estou suada, Fulô!  vem coçar minha coceira,  vem me catar cafuné,  vem balançar minha rede,  vem me contar uma história,  que eu estou com sono, Fulô!  Essa negra Fulô!  “Era um dia uma princesa que vivia num castelo  que possuía um vestido  com os peixinhos do mar.  Entrou na perna dum pato  saiu na perna dum pinto  o Rei-Sinhô me mandou  que vos contasse mais cinco”.  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  Ó Fulô! Ó Fulô!  Vai botar para dormir  esses meninos, Fulô!  “minha mãe me penteou  minha madrasta me enterrou  pelos figos da figueira  que o Sabiá beliscou”.  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  Ó Fulô! Ó Fulô!  (Era a fala da Sinhá  Chamando a negra Fulô!)  Cadê meu frasco de cheiro  Que teu Sinhô me mandou?  – Ah! Foi você que roubou!  Ah! Foi você que roubou!  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  O Sinhô foi ver a negra  levar couro do feitor.  A negra tirou a roupa,  O Sinhô disse: Fulô! (A vista se escureceu  que nem a negra Fulô).  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô! Ó Fulô! Ó Fulô!  Cadê meu lenço de rendas,  Cadê meu cinto, meu broche,  Cadê o meu terço de ouro  que teu Sinhô me mandou?  Ah! foi você que roubou!  Ah! foi você que roubou!  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  O Sinhô foi açoitar  sozinho a negra Fulô.  A negra tirou a saia  e tirou o cabeção,  de dentro dêle pulou  nuinha a negra Fulô.  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  Ó Fulô! Ó Fulô!  Cadê, cadê teu Sinhô  que Nosso Senhor me mandou?  Ah! Foi você que roubou,  foi você, negra Fulô?  Essa negra Fulô! Disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br. Acesso em 30 set. 2015.   Das alternativas abaixo, escolha aquela que apresenta duas características do modernismo brasileiro, observadas no texto de Jorge de Lima.
  6. 66. UEFS 2016
    Abaixo, segue um fragmento do poema “O Operário em Construção”, de Vinícius de Moraes. Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão. Como um pássaro sem asas Ele subia com as casas Que lhe brotavam da mão. Mas tudo desconhecia De sua grande missão: Não sabia, por exemplo, Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão. De fato como podia Um operário em construção Compreender porque um tijolo Valia mais do que um pão? Tijolos ele empilhava Com pá, cimento e esquadria Quanto ao pão, ele o comia Mas fosse comer tijolo! E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja, à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria Não fosse eventualmente Um operário em construção. Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. De forma que, certo dia, À mesa, ao cortar o pão, O operário foi tomado De uma súbita emoção Ao constatar assombrado Que tudo naquela mesa – Garrafa, prato, facão, Era ele quem fazia Ele, um humilde operário, Um operário em construção. [...] MORAES, Vinícius. O Operário em Construção. Rio de Janeiro, 1959. Disponível em: http://www.viniciusdemoraes.com.br. Acesso em: 18 jan. 2016. Adaptado.   Sobre o fragmento do poema de Vinícius de Moraes, é incorreto afirmar que o operário, a quem o eu poético se refere,
  7. 67. UFRGS 2007
    Considere os fragmentos a seguir, respectivamente, da canção "Amor Maior", da banda Jota Quest, e do "Soneto do Maior Amor", de Vinícius de Moraes. AMOR MAIOR Eu quero ficar só Mas comigo só Eu não consigo [...] É preciso amar direito Um amor de qualquer jeito Ser amor a qualquer hora Ser amor de corpo inteiro Amor de dentro pra fora Amor que eu desconheço Quero um amor maior... Um amor maior que eu [...]   SONETO DO MAIOR AMOR Maior amor nem mais estranho existe Que o meu, que não sossega a coisa amada E quando a sente alegre, fica triste E se a vê descontente, dá risada.   Sobre os fragmentos anteriores, são feitas as seguintes afirmações. I - Os dois poetas exaltam um sentimento amoroso intenso, mas não correspondido pela amada. II - Tanto a canção do grupo Jota Quest quanto os versos do soneto de Vinícius apresentam uma rigidez formal típica da poesia contemporânea. III - Os versos de Vinícius manifestam sentimentos contraditórios em relação à amada, enquanto os de Flausino evidenciam um desejo de um amor completo, totalizante. Quais estão corretas?  
  8. 68. EPCAR 2017
    RETRATO Eu não tinha este rosto de hoje, Assim calmo, assim triste, assim magro, Nem estes olhos tão vazios, Nem o lábio amargo Eu não tinha estas mãos sem força, Tão paradas e frias e mortas; Eu não tinha este coração Que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, Tão simples, tão certa, tão fácil: — em que espelho ficou perdida a minha face? MEIRELES, Cecília. Obra Poética de Cecília Meireles. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958.  Sobre os versos do poema Retrato, de Cecília Meireles, é correto afirmar que
  9. 69. PUC-RS 2010
    Leia o texto que segue, de Cecília Meireles. “Grande é a diferença entre o turista e o viajante. O primeiro é uma criatura feliz, que parte por este mundo com a sua máquina fotográfica a tiracolo, o guia no bolso, um sucinto vocabulário entre os dentes [...] O viajante é criatura menos feliz, de movimentos mais vagarosos, todo enredado em afetos, querendo morar em cada coisa, descer à origem de tudo, amar loucamente cada aspecto do caminho, desde as pedras mais toscas às mais sublimadas almas do passado, do presente e até do futuro — um futuro que ele nem conhecerá.” Sobre o turista e o viajante, é correto afirmar que
  10. 70. UFSCAR 2008
    Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz. Houve um tempo em que minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz. [...] Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim. (Cecília Meireles, A arte de ser feliz. Em "Escolha seu sonho", p. 24.) A alternativa que sintetiza mais adequadamente o conteúdo do texto de Cecília Meireles é:
  11. 71. UFSM 2007
    Leia com atenção. MONTANHAS DE OURO PRETO A Lourival Gomes Machado Desdobram-se as montanhas de Ouro Preto Na perfurada luz, em plano austero. Montes contempladores, circunscritos Entre cinza e castanho, o olhar domado Recolhe vosso espectro permanente. Por igual pascentais a luz difusa Que se reajusta ao corpo das igrejas, E volve o pensamento à descoberta De uma luta antiquíssima com o caos, De uma reinvenção dos elementos Pela força de um culto ora perdido, Relíquias de dureza e de doutrina, Rude apetite dessa cousa eterna Retida na estrutura de Ouro Preto. Murilo Mendes É correto afirmar: I. No poema, o último verso de uma estrofe invade o intervalo que o separa da estrofe seguinte, tanto sintática quanto semanticamente. II. O verbo "Desdobram-se" (v. 1) estabelece um modo de ver o espaço, o que implica a experiência de olhar. III. A luta antiga com o caos remete à cinza como única relíquia que a luz difusa desdobra nas montanhas de Ouro Preto. Está(ão) correta(s)
  12. 72. FMP 2016
    Somos todos poetas Assisto em mim a um desdobrar de planos. as mãos veem, os olhos ouvem, o cérebro se move, A luz desce das origens através dos tempos E caminha desde já Na frente dos meus sucessores. Companheiro, Eu sou tu, sou membro do teu corpo e adubo da tua alma. Sou todos e sou um, Sou responsável pela lepra do leproso e pela órbita vazia do cego, Pelos gritos isolados que não entraram no coro. Sou responsável pelas auroras que não se levantam E pela angústia que cresce dia a dia. MENDES, M. A poesia em pânico. Rio de Janeiro: Cooperativa Cultural Guanabara, 1938 O texto exemplifica a seguinte afirmativa a respeito da obra de Murilo Mendes:
  13. 73. UEL 2011
    A música brasileira das décadas de 1920 e 1930 buscava uma identidade nacional. Heitor Villa-Lobos se firmou como o mais representativo criador daquele período. Sobre Villa-Lobos, considere as afirmativas a seguir. I. Acreditava que o canto coletivo nas escolas seria o ponto inicial para a formação de uma consciência musical brasileira. II. Sua participação na Semana de 1922 foi aclamada pelo público presente no Teatro Municipal de São Paulo. III. Participou das excursões artísticas em caravana com diversos músicos pelo interior do país. IV. Suas composições identificavam-se com as mais diversas manifestações da música nacionalista norte-americana.   Assinale a alternativa correta.
  14. 74. UEL 2003
    Nas primeiras décadas do século XX, as disputas políticas davam-se entre positivistas, liberais e anarquistas; no plano artístico, os embates ocorriam entre neoclássicos, acadêmicos e modernistas. No contexto desse período, que acontecimento, nas artes, marcou o início do Movimento Modernista Brasileiro?
  15. 75. UEL 2003
    Leia o trecho do discurso de Graça Aranha na abertura da Semana de Arte Moderna de 1922. “Para muitos de vós a curiosa e sugestiva exposição que gloriosamente inauguramos hoje é um aglomerado de ‘horrores’. Aquele Gênio supliciado, aquele homem amarelo, aquele carnaval alucinante, aquela paisagem invertida, se não são jogos de fantasia de artistas zombeteiros, são seguramente desvairadas interpretações da natureza e da vida. Não está terminado o vosso espanto. Outros ‘horrores’ vos esperam. Daqui a pouco, juntando-se a esta coleção de disparates, uma poesia liberta, uma música extravagante, mas transcendente, virão revoltar aqueles que reagem movidos pelas forças do passado. Para estes retardatários a Arte ainda é o Belo. Nenhum preconceito é mais perturbador à concepção da Arte do que o da beleza.” Com base nesse discurso, é correto afirmar:
  16. 76. UEL 2003
    Em fevereiro de 1922, realizou-se na cidade de São Paulo a Semana de Arte Moderna. Foram três dias de manifestações artísticas com propostas inovadoras, exposições de arte, concertos musicais, conferências, dança e recitais de poesia que mudaram os rumos da arte brasileira. Sobre a Semana de Arte Moderna, é correto afirmar:
  17. 77. UESPI 2012
    Muitas são as formas fixas que foram cultivadas por Camões. Muitas dessas formas também foram praticadas por outros poetas do Quinhentismo português, a exemplo de Sá de Miranda e Antônio Ferreira. Assim, dentre as formas literárias que compõem a poética de Camões, quais não podemos assinalar como cultivadas pelo poeta?
  18. 78. UCS 2014
    Sabendo que o gênero lírico se caracteriza pela expressão subjetiva, representando a interioridade do sujeito poético, enquanto o gênero épico é objetivo, expressando predominantemente, sob forma narrativa, um episódio heroico, pode-se dizer que são épicas as seguintes obras do Arcadismo no Brasil:
  19. 79. FUVEST 1989
    Na LÍRICA de Camões,
  20. 80. UFU 2016
    Texto I Logo descobriu que não podia absolutamente mais se mexer. Não se admirou com esse fato, pareceu-lhe antes um pouco natural que até agora tivesse conseguido se movimentar com aquelas perninhas finas. No restante sentia-se relativamente confortável. Na realidade tinha dores no corpo, mas para ele era como se elas fossem ficar cada vez mais fracas e finalmente desaparecer por completo. A maçã apodrecida nas suas costas e a região inflamada em volta, inteiramente cobertas por uma poeira mole, quase não o incomodavam. Recordava-se da família com emoção e amor. Sua opinião de que precisava desaparecer era, se possível, ainda mais decidida que a da irmã. Permaneceu nesse estado de meditação vazia e pacífica até que o relógio da torre bateu a terceira hora da manhã. Ele vivenciou o início do clarear geral do dia lá do lado de fora da janela. Depois, sem intervenção da sua vontade, a cabeça afundou completamente e das suas ventas fluiu fraco o último fôlego. KAFKA, Franz. A metamorfose. Trad. Modesto Carone. São Paulo: Cia das Letras, 1997. p. 78. Texto II  Saciada, espantada, continuou a passear com os olhos mais abertos, em atenção às voltas violentas que a água pesada dava no estômago, acordando pequenos reflexos pelo resto do corpo como luzes. A estrada subia muito. A estrada era mais bonita que o Rio de Janeiro, e subia muito. Mocinha sentou-se numa pedra que havia junto de uma árvore, para poder apreciar. O céu estava altíssimo, sem nenhuma nuvem. E tinha muito passarinho que voava do abismo para a estrada. A estrada branca de sol estendia sobre um abismo verde. Então, como estava cansada, a velha encostou a cabeça no tronco da árvore e morreu. LISPECTOR, Clarice. O grande passeio. In: Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 37-38 Embora de épocas e nacionalidades distintas, os protagonistas de A metamorfose e do conto “O grande passeio” têm em comum a 
  21. 81. UFRGS 2012
    O personagem narrador de O Filho Eterno, de Cristovão Tezza,
  22. 82. UFMG 2000
    Todas as alternativas apresentam características de Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector, EXCETO
  23. 83. CEFET-MG 2010
    “[...] E a mesma dança na sala No Canecão na TV  E quem não dança não fala  Assiste a tudo e se cala Não vê no meio da sala As relíquias do Brasil:   Doce mulata malvada Um elepê de Sinatra Maracujá mês de abril Santo barroco baiano Superpoder de paisano Formiplac e céu de anil Três destaques da Portela Carne-seca na janela Alguém que chora por mim Um carnaval de verdade Hospitaleira amizade Brutalidade jardim   Ê bumba iê, iê, boi Ano que vem mês que foi Ê bumba iê, iê, i É a mesma dança, meu boi [...]” NETO, Torquato. Geleia Geral (1968). In Destino: poesia, p. 109.   No fragmento do poema acima, observam-se as seguintes características do Tropicalismo, EXCETO:
  24. 84. UNIFESP 2008
    É por causa do meu engraxate que ando agora em plena desolação. Meu engraxate me deixou. Passei duas vezes pela porta onde ele trabalhava e nada. Então me inquietei, não sei que doenças mortíferas, que mudança pra outras portas se passaram em mim, resolvi perguntar ao menino que trabalhava na outra cadeira. O menino é um retalho de hungarês, cara de infeliz, não dá simpatia alguma. E tímido, o que torna instintivamente a gente muito combinado com o universo no propósito de desgraçar esses desgraçados de nascença. “Está vendendo bilhete de loteria”, respondeu antipático, me deixando numa perplexidade penosíssima: pronto! Estava sem engraxate! Os olhos do menino chispeavam ávidos, porque sou um dos que ficam fregueses e dão gorjeta. Levei seguramente um minuto pra definir que tinha de continuar engraxando sapatos toda a vida minha e ali estava um menino que, a gente ensinando, podia ficar engraxate bom. (Mário de Andrade, Os Filhos da Candinha.)   A timidez do engraxate despertava no narrador um sentimento de  
  25. 85. PUC-RS 2012
    1. Não tive acesso ao conteúdo do livro “Por uma 2. vida melhor”, apenas a pequenos trechos. Portanto, 3. falo com base em informações e opiniões de terceiros. 4. Nessa perspectiva, vejo como positivo o debate que 5. a abordagem pouco ortodoxa dos autores desen- 6. cadeou, pondo fogo a um tema em geral tido como 7. irrelevante: a língua materna em uso. Entretanto, 8. um trecho da obra me preocupou, e destaco: “Posso 9. falar ‘os livro’?” “Claro que pode, mas dependendo 10. da situação, a pessoa pode ser vítima de preconceito 11. linguístico”. 12. Para começar, pedir licença para falar de um de- 13. terminado jeito é um tiro no pé da tese defendida em 14. “Por uma vida melhor”. Porque pedir licença, neste 15. contexto, é reconhecer o poder do outro sobre nós – 16. o que parece ser exatamente o contrário do que os 17. autores pregam. Além disso, a resposta “Claro que 18. pode” é inócua: o aluno tanto sabe que pode que usa 19. essa concordância rotineiramente. 20. O problema maior, bem mais sutil e muito mais 21. complicado, porém, está na segunda parte da fala. 22. Agir livre de preconceito, o oposto de fazer alguém 23. “vítima de preconceito”, implica não só aceitar as 24. pessoas como são, mas também acreditar que todos 25. sejam capazes de evoluir por méritos próprios. Ao 26. afirmar que a modalidade “permitida” pode vitimizar 27. quem a utiliza – pela ação do “outro ameaçador” –, os  28. autores estão  deslocando  o  foco  da  importância  29. de   construir   conhecimento   de   modo   autônomo  30. e  reflexivo  e  enfatizando  o  julgamento  alheio, 31. novamente reforçando o preconceito. Ora, aula de lín- 32. gua materna é aula de cidadania, e ninguém se torna 33. cidadão por receio do “outro ameaçador”. O aluno deve 34. ter oportunidade de conhecer e desenvolver múltiplas 35. linguagens porque assim ele poderá expressar ideias 36. e sentimentos com mais autonomia. E, talvez, com 37. menos preconceito. 38. Tudo isso pode parecer muito sutil, mas a lingua- 39. gem é feita de sutilezas, para o bem ou para o mal Se a passagem “um trecho da obra me preocupou, e destaco” (linha 08) fosse transposta para a fala indireta, a forma correta resultante poderia ser: “A autora afirmou que um trecho da obra
  26. 86. UFSM
    A famosa “Carta de achamento do Brasil”, mais conhecida como “A carta de Pero Vaz de Caminha”, foi o primeiro manuscrito que teve como objeto a terra recém-descoberta. Nela encontramos o primeiro registro de nosso país, feito pelo escrivão do rei de Portugal, Pero Vaz de Caminha.    Podemos inferir, então, a seguinte intenção dos portugueses:
  27. 87. FGV-RJ 2013
    BOCAGE NO FUTEBOL Quando eu tinha meus cinco, meus seis anos, morava, ao lado de minha casa, um garoto que era tido e havido como o anticristo da rua. Sua idade regulava com a minha. E justiça se lhe faça: — não havia palavrão que ele não praticasse. Eu, na minha candura pânica, vivia cercado de conselhos, por todos os lados: — “Não brinca com Fulano, que ele diz nome feio!”. E o Fulano assumia, aos meus olhos, as proporções feéricas de um Drácula, de um Nero de fita de cinema.   Mas o tempo passou. E acabei descobrindo que, afinal de contas, o anjo de boca suja estava com a razão. Sim, amigos: — cada nome feio que a vida extrai de nós é um estímulo vital irresistível. Por exemplo: — os nautas camonianos. Sem uma sólida, potente e jucunda pornografia, um Vasco da Gama, um Colombo, um Pedro Álvares Cabral não teriam sido almirantes nem de barca da Cantareira. O que os virilizava era o bom, o cálido, o inefável palavrão.   Mas, se nas relações humanas em geral, o nome feio produz esse impacto criador e libertário, que dizer do futebol? Eis a verdade: — retire-se a pornografia do futebol e nenhum jogo será possível. Como jogar ou como torcer se não podemos xingar ninguém? O craque ou o torcedor é um Bocage. Não o Bocage fidedigno, que nunca existiu. Para mim, o verdadeiro Bocage é o falso, isto é, o Bocage de anedota. Pois bem: — está para nascer um jogador ou um torcedor que não seja bocagiano. O craque brasileiro não sabe ganhar partidas sem o incentivo constante dos rijos e imortais palavrões da língua. Nós, de longe, vemos os 22 homens correndo em campo, matando-se, agonizando, rilhando os dentes. Parecem dopados e realmente o estão: — o chamado nome feio é o seu excitante eficaz, o seu afrodisíaco insuperável. Nélson Rodrigues, À sombra das chuteiras imortais. São Paulo: Cia. das Letras, 1993.   Leia também este texto, para responder à questão. Quando Bauer, o de pés ligeiros, se apoderou da cobiçada esfera, logo o suspeitoso Naranjo lhe partiu ao encalço, mas já Brandãozinho, semelhante à chama, lhe cortou a avançada. A tarde de olhos radiosos se fez mais clara para contemplar aquele combate, enquanto os agudos gritos e imprecações em redor animavam os contendores. A uma investida de Cárdenas, o de fera catadura, o couro inquieto quase se foi depositar no arco de Castilho, que com torva face o repeliu. Eis que Djalma, de aladas plantas, rompe entre os adversários atônitos, e conduz sua presa até o solerte Julinho, que a transfere ao valoroso Didi, e este por sua vez a comunica ao belicoso Pinga. (...)   Assim gostaria eu de ouvir a descrição do jogo entre brasileiros e mexicanos, e a de todos os jogos: à maneira de Homero. Mas o estilo atual é outro, e o sentimento dramático se orna de termos técnicos. Carlos Drummond de Andrade, Quando é dia de futebol. Rio: Record, 2002.   Ambos os textos – o de Nélson Rodrigues e o de Drummond – pertencem à modalidade textual conhecida como
  28. 88. UFAM 2009
    Dois perdidos numa noite suja, Eles não usam black-tie e O Beijo no asfalto são peças de teatro escritas, respectivamente, por:
  29. 89. PUC-RJ 2008
    Recordação Agora, o cheiro áspero das flores Leva-me os olhos por dentro de suas pétalas. Eram assim teus cabelos; Tuas pestanas eram assim, finas e curvas. As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo, tinham a mesma exalação de água secreta, de talos molhados, de pólen, de sepulcro e de ressurreição. E as borboletas sem voz dançavam assim veludosamente. Restitui-te na minha memória, por dentro das flores! Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix, tua boca de malmequer orvalhado, e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios, com suas estrelas e cruzes, e muitas coisas tão estranhamente escritas nas suas nervuras nítidas de folha, – e incompreensíveis, incompreensíveis. Fonte: MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1972, p.154   O poema de Cecília Meireles caracteriza-se pela visão intimista do mundo, a presença de associações sensoriais e a aproximação do humano com a natureza. A memória é a fonte de inspiração do eu poético. A partir dessas afirmações, a identificação adequada do gênero literário predominante do texto, com a justificativa pertinente a essa classificação, está na proposição:
  30. 90. UFRGS 2014
    Considere as seguintes afirmações sobre os poemas de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.     I - No poema em que “vê” Jesus (Num meio-dia de fim de primavera/ tive um sonho como uma fotografia./ Vi Jesus Cristo descer à terra.), o eu-lírico saúda Jesus na condição de menino travesso, mas obediente, que cuida das cabras do rebanho e convive carinhosamente com a Virgem Maria.   II - No poema cujos primeiros versos são O meu olhar azul como o céu/ É calmo como a água ao sol./ É assim, azul e calmo,/ Porque não interroga nem se espanta..., a expressão direta, muito ritmada mas sem rimas nem métrica fixa, está a serviço da enunciação da natureza imanente e das sensações também diretas que ela desperta no poeta.   III- No poema cujos primeiros versos são O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, o poeta estabelece o contraste entre a fama e a história do rio Tejo e a irrelevância do rio provinciano, que é amado, no entanto, por ter às suas margens a aldeia medieval habitada há gerações pela família de Caeiro.     Quais estão corretas?
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