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Exercícios de Literatura Contemporânea

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  1. 1. UERJ 2015
    BEM NO FUNDO 1no fundo, no fundo, bem lá no fundo, 2a gente gostaria de ver 3nossos problemas resolvidos por decreto a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela - silêncio perpétuo extinto por lei todo o remorso, maldito seja quem olhar pra trás, lá pra trás não há nada, e nada mais mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2013. no fundo, no fundo, bem lá no fundo, (ref. 1) Nesses versos iniciais do poema, a repetição de palavras e o emprego do vocábulo "bem" produzem um efeito de:
  2. 2. ENEM 2004
    O poema a seguir pertence à poesia concreta brasileira. O termo latino de seu título significa "epitalâmio", poema ou canto em homenagem aos que se casam. Considerando que símbolos e sinais são utilizados geralmente para demonstrações objetivas, ao serem Incorporados no poema "Epithalamium - II",
  3. 3. UERJ 2015
    Medo e vergonha 3O medo é um evento poderoso que toma o nosso corpo, nos põe em xeque, paralisa alguns e atiça a criatividade de outros. Uma pessoa em estado de pavor é dona de uma energia extra paz de feitos incríveis. Um amigo nosso, quando era adolescente, aproveitou a viagem dos pais da namorada para ficar na casa dela. Os pais voltaram mais cedo e, pego em flagrante, nosso Romeu teve a brilhante ideia de pular, pelado, do segundo andar. Está vivo. Tem hoje essa incrível história pra contar, mas deve se lembrar muito bem da vergonha. 4Me lembrei dessa história por conta de outra completamente diferente, mas na qual também vi meu medo me deixar em maus lençóis. Estava caminhando pelo bairro quando resolvi explorar umas ruas mais desertas. 5De repente, vejo um menino encostado num muro. Parecia um menino de ma, tinha seus 15, 16 anos e, quando me viu, fixou o olhar e apertou o passo na minha direção. Não pestanejei. Saí correndo. Correndo mesmo, na mais alta performance de minhas pernas. No meio da corrida, comecei a pensar se ele iria mesmo me assaltar. Uma onda de vergonha foi me invadindo. O rapaz estava me vendo correr. E se eu tivesse me enganado? E se ele não fosse fazer nada? Mesmo que fosse. Ter sido flagrada no meu medo e preconceito daquela forma já me deixava numa desvantagem fulminante. Não sou uma pessoa medrosa por excelência, mas, naquele dia, o olhar, o gesto, alguma coisa no rapaz acionou imediatamente o motor de minhas pernas e, quando me dei conta, já estava em disparada. Fui chegando ofegante a uma esquina, os motoristas de um ponto de táxi me perguntaram o que tinha acontecido e eu, um tanto constrangida, disse que tinha ficado com medo. Me contaram que ele vivia por ali, tomando conta dos carros. Fervi de vergonha. O menino passou do outro lado da rua e, percebendo que eu olhava, imitou minha corridinha, fazendo um gesto de desprezo. Tive vontade de sentar na 1guia e chorar. Ele só tinha me olhado, e o resto tinha sido produto legítimo do meu preconceito. Fui atrás dele. Não consegui carregar tamanha 2bigorna pra casa. 'Ei!' Ele demorou a virar. Se eu pensava que ele assaltava, 6ele também não podia imaginar que eu pedisse desculpas. Insisti: "Desculpa!" Ele virou. 7Seu olhar agora não era mais de ladrão, e sim de professor. Me perdoou com um sinal de positivo ainda cheio de desprezo. Fui pra casa pelada, igual ao Romeu suicida. Denise Fraga folha.uol.com.br, 08/01/2013 1 guia - meio-fio da calçada 2 bigorna - bloco de ferro para confecção de instrumentos Na última frase da crônica, a autora correlaciona dois episódios. Em ambos, aparece o atributo 'pelado(a)'. No entanto, esse atributo tem significado diferente em cada um dos episódios. No texto, o significado de cada termo se caracteriza por ser, respectivamente:
  4. 4. UERJ 2014
    O tempo em que o mundo tinha a nossa idade 5Nesse entretempo, ele nos chamava para escutarmos seus imprevistos improvisos. 1As estórias dele faziam o nosso lugarzinho crescer até ficar maior que o mundo. Nenhuma narração tinha fim, o sono lhe apagava a boca antes do desfecho. 9Éramos nós que recolhíamos seu corpo dorminhoso. 6Não lhe deitávamos dentro da casa: ele sempre recusara cama feita. 10Seu conceito era que a morte nos apanha deitados sobre a moleza de uma esteira. Leito dele era o puro chão, lugar onde a chuva também gosta de deitar. Nós simplesmente lhe encostávamos na parede da casa. Ali ficava até de manhã. Lhe encontrávamos coberto de formigas. Parece que os insectos gostavam do suor docicado do velho Taímo. 7Ele nem sentia o corrupio do formigueiro em sua pele. − Chiças: transpiro mais que palmeira! Proferia tontices enquanto ia acordando. 8Nós lhe sacudíamos os infatigáveis bichos. Taímo nos sacudia a nós, incomodado por lhe dedicarmos cuidados. 2Meu pai sofria de sonhos, saía pela noite de olhos transabertos. Como dormia fora, nem dávamos conta. Minha mãe, manhã seguinte, é que nos convocava: − Venham: papá teve um sonho! 3E nos juntávamos, todos completos, para escutar as verdades que lhe tinham sido reveladas. Taímo recebia notícia do futuro por via dos antepassados. Dizia tantas previsões que nem havia tempo de provar nenhuma. Eu me perguntava sobre a verdade daquelas visões do velho, estorinhador como ele era. − Nem duvidem, avisava mamã, suspeitando-nos. E assim seguia nossa criancice, tempos afora. 4Nesses anos ainda tudo tinha sentido: a razão deste mundo estava num outro mundo inexplicável. 11Os mais velhos faziam a ponte entre esses dois mundos. (...) Mia Couto Terra sonâmbula. São Paulo, Cia das Letras, 2007. Um elemento importante na organização do texto é o uso de algumas personificações. Uma dessas personificações encontra-se em:
  5. 5. ENEM 2012
    Logia e mitologia Meu coração de mil e novecentos e setenta e dois já não palpita fagueiro sabe que há morcegos de pesadas olheiras que há cabras malignas que há cardumes de hienas infiltradas no vão da unha na alma um porco belicoso de radar e que sangra e ri e que sangra e ri a vida anoitece provisória centuriões sentinelas do Oiapoque ao Chuí. CACASO. Lero-lero. Rio de Janeiro: 7Letras; São Paulo: Cosac & Naify, 2002. O título do poema explora a expressividade de termos que representam o conflito do momento histórico vivido pelo poeta na década de 1970. Nesse contexto, é correto afirmar que  
  6. 6. UFRGS 1998
    Considere as seguintes afirmações sobre o Concretismo. I - Buscou na visualidade um dos suportes para atingir rupturas radicais com a ordem discursiva da língua portuguesa. II - Teve como integrantes fundamentais Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari. III - Foi um projeto de renovação formal e estética da poesia brasileira, cuja importância fica restrita à década de 1950. Quais estão corretas?
  7. 7. UFRGS 2006
    Leia o poema a seguir, de Décio Pignatari, e considere as aflrmações que seguem. I - Trata-se de um exemplo de poesia concreta, vanguarda do século XX que alterou radicalmente os recursos materiais da construção poética, valendo-se inclusive, de técnicas da publicidade. II - No poema, o uso do imperativo e o jogo lúdico das aliterações contribuem para denunciar a forma persuasiva e sedutora da mensagem publicitária que induz ao consumo. III - O último verso é a síntese da intenção satírica do poema, que desqualifica o produto anunciado e, por extensão, a sociedade de consumo que ele representa. Quais estão corretas?
  8. 8. ENEM 2015
    Aquarela O corpo no cavalete é um pássaro que agoniza exausto do próprio grito. As vísceras vasculhadas principiam a contagem regressiva. No assoalho o sangue se decompõe em matizes que a brisa beija e balança: o verde – de nossas matas o amarelo – de nosso ouro o azul – de nosso céu o branco o negro o negro CACASO. In: HOLLANDA, H. B (Org.). 26 poetas hoje. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2007. Situado na vigência do Regime Militar que governou o Brasil, na década de 1970, o poema de Cacaso edifica uma forma de resistência e protesto a esse período, metaforizando
  9. 9. INSPER 2012
    Dois e dois: quatro Como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena embora o pão seja caro e a liberdade pequena. Como teus olhos são claros e a tua pele, morena como é azul o oceano e a lagoa, serena como um tempo de alegria por trás do terror me acena e a noite carrega o dia no seu colo de açucena - sei que dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena. (Ferreira Gullar) Assinale a alternativa em que se analisa corretamente o sentido dos versos de Ferreira Gullar.
  10. 10. ENEM 2012
    Capa do LP Os Mutantes, 1968. Disponível em: http://mutantes.com. Acesso em: 28 fev. 2012 A capa do LP Os Mutantes, de 1968, ilustra o movimento da contracultura. O desafio à tradição nessa criação musical é caracterizado por
  11. 11. ENEM 2013
    Mesmo tendo a trajetória do movimento interrompida com a prisão de seus dois líderes, o tropicalismo não deixou de cumprir seu papel de vanguarda na música popular brasileira. A partir da década de 70 do século passado, em lugar do produto musical de exportação de nível internacional prometido pelos baianos com a “retomada da linha evolutória”, instituiu-se nos meios de comunicação e na indústria do lazer uma nova era musical. TINHORÃO, J. R. Pequena história da música popular: da modinha ao tropicalismo. São Paulo: Art, 1986 (adaptado). A nova era musical mencionada no texto evidencia um gênero que incorporou a cultura de massa e se adequou à realidade brasileira. Esse gênero está representado pela obra cujo trecho da letra é:
  12. 12. CFTMG 2006
    No Concretismo, vertente da poesia contemporânea surgida a partir dos anos 50, a característica essencial é a (o)
  13. 13. ITA 2011
    Considere o poema abaixo, "A cantiga", de Adélia Prado: "Ai cigana, ciganinha, ciganinha, meu amor". Quando escutei essa cantiga era hora do almoço, há muitos anos. A voz da mulher cantando vinha de uma cozinha, ai ciganinha, a voz de bambu rachado continua tinindo, esganiçada, linda, viaja pra dentro de mim, o meu ouvido cada vez melhor. Canta, canta, mulher, vai polindo o cristal, canta mais, canta que eu acho minha mãe, meu vestido estampado, meu pai tirando boia da panela, canta que eu acho minha vida. (Em: Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.) Acerca desse poema, é incorreto afirmar que
  14. 14. CESGRANRIO 1994
    MEU POVO, MEU POEMA Meu povo e meu poema crescem juntos como cresce no fruto a árvore nova No povo meu poema vai nascendo como no canavial nasce verde o açúcar No povo meu poema está maduro como o sol na garganta do futuro Meu povo em meu poema se reflete como a espiga se funde em terra fértil Ao povo seu poema aqui devolvo menos como quem canta do que planta (Ferreira Gullar) Muitas vezes, em um mesmo poema. encontram-se traços que se repetem em outras estéticas literárias, como se percebe no texto, de Ferreira Gullar. Assinale o que NÃO se encontra nesse texto.
  15. 15. UFRGS 2006
    Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir sobre o movimento tropicalista. (   )Constituiu um movimento contracultural do final dos anos 60, liderado pelos músicos Caetano Veloso e Gilberto Gil. (   ) A sua estética compreendia o estilhaçamento da linguagem discursiva, a miscigenação de sons, ritmos e instrumentos diferenciados, a valorização do corpo e o tom parodístico das composições. (   ) Em 1968, a apresentação da canção "É Proibido Proibir", por Caetano Veloso, no Festival Internacional da Canção, foi a primeira manifestação desse movimento e teve uma recepção calorosa por parte do público e da crítica. (   ) As canções tropicalistas afinavam-se e davam continuidade a chamada "canção de protesto", da década de 60, por priorizarem o conteúdo sociopolítico. (   ) Além das obras musicais, são consideradas manifestações do tropicalismo no Brasil a encenação da peça 'O Rei da Vela', de Oswald de Andrade, pelo dramaturgo Celso Martinez Corrêa, e os filmes de Glauber Rocha. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
  16. 16. ENEM 2015
    Casa dos Contos & em cada conto te cont o & em cada enquanto me enca nto & em cada arco te a barco & em cada porta m e perco & em cada lanço t e alcanço & em cada escad a me escapo & em cada pe dra te prendo & em cada g rade me escravo & em ca da sótão te sonho & em cada esconso me affonso & em cada claúdio te canto & e m cada fosso me enforco & ÁVILA, A. Discurso da difamação do poeta. São Paulo: Summus, 1978. O contexto histórico e literário do período barroco- árcade fundamenta o poema Casa dos Contos, de 1975. A restauração de elementos daquele contexto por uma poética contemporânea revela que
  17. 17. UNIFESP 2011
    De tudo que é nego torto Do mangue e do cais do porto Ela já foi namorada O seu corpo é dos errantes Dos cegos, dos retirantes E de quem não tem mais nada Dá-se assim desde menina Na garagem, na cantina Atra's do tanque, no mato É a rainha dos detentos Das loucas, dos lazarentos Dos moleques do internato E também vai amiúde Co'os velhinhos sem saúde E as viúvas sem porvir Ela é um poço de bondade E é por isso que a cidade Vive sempre a repetir Joga pedra na Geni Joga pedra na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni (Chico Buarque. Geni e o zepelim.) A partir do início do fragmento selecionado, uma série de versos consecutivos vai caracterizando a personagem Geni numa mesma direção semântica e segundo uma mesma lógica, até que um determinado verso provoca uma ruptura significativa nessa trajetória, criando uma intensa oposição de sentido no poema. Esse verso está transcrito em
  18. 18. ENEM 2014
    O objeto escultórico produzido por Lygia Clark, representante do Neoconcretismo, exemplifica o início de uma vertente importante na arte contemporânea, que amplia as funções da arte. Tendo como referência a obra Bicho de bolso, identifica-se essa vertente pelo(a)
  19. 19. UFES 2000
    "Como atitude, o tropicalismo está presente em outras produções culturais da época, como a encenação de 'O Rei da Vela'; de Oswald de Andrade, pelo Grupo Oficina; ou no filme 'Terra em transe', de Glauber Rocha; ou nas experiências de artes plásticas de Hélio Oiticica. O tropicalismo é a expressão de uma crise, uma opção estética que inclui um projeto de vida, em que o comportamento passa a ser elemento crítico, subvertendo a ordem mesma do cotidiano e marcando os traços que vão influenciar de maneira decisiva as tendências literárias marginais. O tropicalismo revaloriza a necessidade de revolucionar o corpo e o comportamento. Será inclusive por esse aspecto da crítica comportamental que Caetano Veloso e Gilberto Gil serão exilados pelo regime militar. As preocupações com o corpo, o erotismo, as drogas, a subversão de valores apareciam como demonstrações da insatisfação com um momento em que a permanência do regime de restrição promovia a inquietação, a dúvida e a crise da intelectualidade"  Com base no trecho acima - retirado do estudo "Literatura marginal e o comportamento desviante", de 1979, de autoria de Ana Cristina Cesar -, assinale a opção CORRETA
  20. 20. UEMA 2015
    O texto a seguir faz parte do conto Verde Lagarto Amarelo, de Lygia Fagundes Telles. O episódio abaixo reproduz o diálogo entre dois irmãos, Rodolfo e Eduardo. Leia-o, com atenção, a fim de responder à questão.     Ele entrou no seu passo macio, sem ruído, não chegava a ser felino: apenas um andar discreto. Polido.     ― Rodolfo! Onde está você?... Dormindo? — perguntou quando me viu levantar da poltrona e vestir a camisa. Baixou o tom de voz. – Está sozinho?     Ele sabe muito bem que estou sozinho, ele sabe que sempre estou sozinho.     ― Estava lendo.     ― Dostoiévski?     Fechei o livro e não pude deixar de sorrir. Nada lhe escapava.     ― Queria lembrar uma certa passagem... Só que está quente demais, acho que este é o dia mais quente desde que começou o verão.     Ele deixou a pasta na cadeira e abriu o pacote de uvas roxas.     ― Estavam tão maduras, olha só que beleza – disse tirando um cacho e balançando-o no ar como um pêndulo. – Prova! Uma delícia.     (...)     ― Vou fazer um café – anunciei.     ― Só se for para você, tomei há pouco na esquina. Era mentira. O bar da esquina era imundo e para ele o café fazia parte de um ritual nobre, limpo. (...) Fonte: TELLES, Lygia Fagundes. Melhores contos de Lygia Fagundes Telles / Seleção de Eduardo Portella. 12. ed. Coleção melhores contos. São Paulo: Global, 2003. No fragmento a seguir, há ocorrência de um recurso linguístico que aproxima sensações de planos sensoriais diferentes, conhecido como sinestesia.     “Ele entrou no seu passo macio, sem ruído, não chegava a ser felino: apenas um andar discreto. Polido.     ¯ Rodolfo! Onde está você?... Dormindo? — perguntou quando me viu levantar da poltrona e vestir a camisa. Baixou o tom de voz. – Está sozinho?” O trecho que apresenta recurso sinestésico, a exemplo do fragmento anterior, é
  21. 21. ENEM 2018
    A Casa de Vidro Houve protestos. Deram uma bola a cada criança e tempo para brincar. Elas aprenderam malabarismos incríveis e algumas viajavam pelo mundo exibindo sua alegre habilidade. (O problema é que muitos, a maioria, não tinham jeito e eram feios de noite, assustadores. Seria melhor prender essa gente – havia quem dissesse.) Houve protestos. Aumentaram o preço da carne, liberaram os preços dos cereais e abriram crédito a juros baixos para o agricultor. O dinheiro que sobrasse, bem, digamos, ora o dinheiro que sobrasse! Houve protestos. Diminuíram os salários (infelizmente aumentou o número de assaltos) porque precisamos combater a inflação e, como se sabe, quando os salários estão acima do índice de produtividade eles se tornam altamente inflacionários, de modo que. Houve protestos. Proibiram os protestos. E no lugar dos protestos nasceu o ódio. Então surgiu a Casa de Vidro, para acabar com aquele ódio. ÂNGELO, I. A casa de vidro. São Paulo: Círculo do Livro, 1985.   Publicado em 1979, o texto compartilha com outras obras da literatura brasileira escritas no período as marcas  o contexto em que foi produzido, como a
  22. 22. FCMMG 2006
    VOCAÇÕES Todos diziam que a Leninha, quando crescesse, ia ser médica. Passava horas brincando de médico com as bonecas. Só que, ao contrário de outras crianças, quando largou as bonecas não perdeu a mania. A primeira vez que tocou no rosto do namorado foi para ver se estava com febre. Só na segunda é que foi carinho. Ia porque ia ser médica. Só tinha uma coisa. Não podia ver sangue. − Mas, Leninha, como é que... − Deixa que eu me arranjo. Não é que ela tivesse nojo de sangue. Desmaiava. Não podia ver carne mal passada. Ou ketchup. Um arranhãozinho era o bastante para derrubá-la. Se o arranhão fosse em outra pessoa ela corria para socorrê-la − era o instinto médico −, mas botava o curativo com o rosto virado. − Acertei? Acertei? − Acertou o joelho. Só que é na outra perna. Mas fez o vestibular para medicina, passou e preparou-se para começar o curso. − E as aulas de anatomia, Leninha? Os cadáveres? − Deixa que eu me arranjo. Fez um trato com a Olga, colega desde o secundário. Quando abrissem um cadáver, fecharia os olhos. A Olga descreveria tudo para ela. − Agora estão tirando o fígado. Tem uma cor meio... − Por favor, sem detalhes. Conseguiu fazer todo o curso de medicina sem ver uma gota de sangue. Houve momentos em que precisou explicar os olhos fechados. − É concentração, professor. Mas se formou. Hoje é médica, de sucesso. Não na cirurgia, claro. Se bem que chegou a pensar em convidar a Olga para fazerem uma dupla cirúrgica, ela operando com o rosto virado e a Olga dando as coordenadas. − Mais para a esquerda...Aí. Agora corta! Está feliz. Inclusive se casou, pois encontrou uma alma gêmea. Foi num aeroporto. No bar onde foi tomar um cafezinho enquanto esperava a chamada para o embarque puxou conversa com um homem que parecia muito nervoso. − Algum problema? − perguntou, pronta para medicá-lo. − Não − tentou sorrir o homem. − É o avião... − Você tem medo de voar? − Pavor. Sempre tive. − Então por que voa? − Na minha profissão, é preciso. − Qual é a sua profissão? − Piloto. Casaram-se uma semana depois. (VERISSIMO, Luis Fernando. A mãe de Freud. São Paulo: Círculo do Livro, 1985)   O texto apresenta os expedientes abaixo, EXCETO:
  23. 23. UEMG 2015
    Luz em resistência     Estou sentada em minha cama, em semiobscuridade e me percebo com a cabeça entre as mãos, tenho a compulsão de me ajoelhar e prostrar-me, é dramático o que faço. Me sento de novo e de novo ponho a cabeça entre as mãos. Será possível que estou representando e representando pra Deus? Quero ficar natural, estou sozinha, não dá pra enganar ninguém, mas tenho um corpo e de algum modo ele se coloca no espaço, impossível não perceber a importância essencial do corpo, preciso da língua pra falar. Mas não é porque estou sozinha que vou dizer olha eu aqui, Deus, baratear o texto. Falo assim: eis-me aqui, dá um jeito do Franz aparecer em nossa casa, enquanto o Miguel estiver viajando. Percebo — ai que nojo, percebo demais — que disse ‘eis-me’ e depois ‘dá’ no lugar de dai, mas não é desrespeito, é fluxo de sentimento que não tolera preocupação com a gramática e — percebo de novo — faço isso desde o primário, se corrigir tira a seiva da coisa. Gosto de pérola barroca e cerâmica torta, só não gosto de ter tomado consciência de meus lapsos gramaticais. “A língua fala dos tesouros do coração?”. Então este é o meu tesouro desejo, vou falar com força e pausadamente: Deus faz eu ficar com o Franz sozinha, por uma hora inteira — uma hora só, não, passa muito depressa —, duas horas, só conversando, só isso que eu quero, me dá esta graça, meu Pai. Acho que hoje escandalizei a Ester, não acontecerá mais. Não sei o que fazer com a Sabina que nos interroga como se fôssemos culpadas das estranhezas da Bíblia. Ninguém sabe que o Franz está em Riachinho e desta vez não é pra fazer ponte nenhuma, veio só pra me ver, eu sei, veio por minha causa, o bacana. Quando as duas chegarem na segundafeira, informo assim bem casual: amigo nosso passou por aqui, etc. e etc., não saberão do que se trata. Ao fim do rosário faço o agradecimento pela enormíssima graça recebida que é esta — sei que falo como se o Senhor fosse se esquecer, mas sou humana — a graça, dada pelo Senhor, de ter tido duas horas inteiras para ficar com o Franz. Mãe de Deus, pede por mim. Perhaps Love, gravar uma fita só com esta música começando e acabando e começando de novo e acabando e começando. Julinha me surpreendeu decorando e falou: tadinha. E eu sei que não foi por causa do meu inglês deficitário, ficou com pena é da minha menopausa em flor. Em qual dos dois espelhos acredito, no que me põe melhor ou no que me dá vontade de nunca mais sair de casa? Mãe de Deus, minha saudade do Franz é no corpo mas é ilocalizável. Ah, estou com saudade dele é na alma, Franz Bota, até o apelido dele é precioso, quero o precioso, meu deus, me ajuda a ver aquele homem. Se isso fosse teatro, acabava com Perhaps Love. PRADO, 2011, 2014, p. 17-19.     Julgue as seguintes afirmações:     I - A pontuação do trecho Estou sentada em minha cama, em semiobscuridade e me percebo com a cabeça entre as mãos, tenho a compulsão de me ajoelhar e prostrar-me, é dramático o que faço está em perfeito acordo com as regras da norma padrão da língua portuguesa.   II - Quanto ao aspecto linguístico formal, a construção constituída da expressão eis-me, seguida da conjugação dá, no lugar de dai, assemelha-se, metaforicamente, às pérolas barrocas, que são pérolas de formato irregular, não totalmente esférico.   III - Na oração Deus faz eu ficar com o Franz sozinha, falta uma vírgula para isolar o vocativo.   IV - Na expressão tesouros do coração, a palavra tesouros designa um objeto simbólico, ao passo que, em o meu tesouro desejo, tesouro é um elemento qualificador.   V - No trecho Mãe de Deus, pede por mim. “Perhaps Love”, gravar uma fita só com esta música começando e acabando e começando de novo e acabando e começando, o recurso sintático que consiste na repetição da conjunção e produz efeito estilístico de ênfase na ação descrita.     Estão CORRETAS apenas
  24. 24. UNESP 2013
    A questão toma por base um fragmento de uma peça do teatrólogo Guilherme Figueiredo (1915-1997).     A raposa e as uvas   (Casa de Xantós, em Samos. Entradas à D., E., e F. Um gongo. Uma mesa. Cadeiras. Um “clismos*”. Pelo pórtico, ao fundo, vê-se o jardim. Estão em cena Cleia, esposa de Xantós, e Melita, escrava. Melita penteia os cabelos de Cleia.)   MELITA: — (Penteando os cabelos de Cleia.) Então Rodópis contou que Crisipo reuniu os discípulos na praça, apontou para o teu marido e exclamou: “Tens o que não perdeste”. Xantós respondeu: “É certo”. Crisipo continuou: “Não perdeste chifres”. Xantós concordou: “Sim”. Crisipo finalizou: “Tens o que não perdeste; não perdeste chifres, logo os tens”. (Cleia ri.) Todos riram a valer.   CLEIA: — É engenhoso. É o que eles chamam sofisma. Meu marido vai à praça para ser insultado pelos outros filó- sofos?   MELITA: — Não; Xantós é extraordinariamente inteligente... No meio do riso geral, disse a Crisipo: “Crisipo, tua mulher te engana, e no entanto não tens chifres: o que perdeste foi a vergonha!” E aí os discípulos de Crisipo e os de Xantós atiraram-se uns contra os outros...   CLEIA: — Brigaram? (Assentimento de Melita.) Como é que Rodópis soube disto?   MELITA: — Ela estava na praça. CLEIA: — Vocês, escravas, sabem mais do que se passa em Samos do que nós, mulheres livres...   MELITA: — As mulheres livres ficam em casa. De certo modo são mais escravas do que nós.   CLEIA: — É verdade. Gostarias de ser livre?   MELITA: — Não, Cleia. Tenho conforto aqui, e todos me consideram. É bom ser escrava de um homem ilustre como teu marido. Eu poderia ter sido comprada por algum mercador, ou algum soldado, e no entanto tive a sorte de vir a pertencer a Xantós.   CLEIA: — Achas isto um consolo?   MELITA: — Uma honra. Um filósofo, Cleia!   CLEIA: — Eu preferia que ele fosse menos filósofo e mais marido. Para mim os filósofos são pessoas que se encarregam de aumentar o número dos substantivos abstratos.   MELITA: — Xantós inventa muitos?   CLEIA: — Nem ao menos isto. E aí é que está o trágico: é um filósofo que não aumenta o vocabulário das controvérsias. Já terminaste?   MELITA: — Quase. É bom pentear teus cabelos: meus dedos adquirem o som e a luz que eles têm. Xantós beija os teus cabelos? (Muxoxo de Cleia.) Eu admiro teu marido.   CLEIA: — Por que não dizes logo que o amas? Gostarias bastante se ele me repudiasse, te tornasse livre e se casasse contigo...   MELITA: — Não digas isto... Além do mais, Xantós te ama...   CLEIA: — À sua maneira. Faço parte dos bens dele, como tu, as outras escravas, esta casa...   MELITA: — Sempre que viaja te traz presentes.   CLEIA: — Não é o amor que leva os homens a dar presentes às esposas: é a vaidade; ou o remorso.   MELITA: — Xantós é um homem ilustre.   CLEIA: — É o filósofo da propriedade: “Os homens são desiguais: a cada um toca uma dádiva ou um castigo”. É isto democracia grega... É o direito que o povo tem de escolher o seu tirano: é o direito que o tirano tem de determinar: deixo-te pobre; faço-te rico; deixo-te livre; faço-te escravo. É o direito que todos têm de ouvir Xantós dizer que a injustiça é justa, que o sofrimento é alegria, e que este mundo foi organizado de modo a que ele possa beber bom vinho, ter uma bela casa, amar uma bela mulher. Já terminaste?   MELITA: — Um pouco mais, e ainda estarás mais bela para o teu filósofo.   CLEIA: — O meu filósofo... Os filósofos são sempre criaturas cheias demais de palavras... (*) Espécie de cama para recostar-se. (Guilherme Figueiredo. Um deus dormiu lá em casa, 1964.)     Entre as frases extraídas do texto, aponte a que consiste num raciocínio fundamentado na percepção de uma contradição:
  25. 25. UEL 2015
    Momento   Enquanto eu fiquei alegre, permaneceram um bule azul com um descascado no bico, uma garrafa de pimenta pelo meio, um latido e um céu limpidíssimo com recém-feitas estrelas. Resistiram nos seus lugares, em seus ofícios, constituindo o mundo pra mim, anteparo para o que foi um acometimento: súbito é bom ter um corpo pra rir e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo alegre do que triste. Melhor é ser. (PRADO, A. Bagagem. 31.ed. Rio de Janeiro: Record, 2011. p.46.)     Sobre os versos “Resistiram nos seus lugares, em seus ofícios, / constituindo o mundo pra mim, anteparo / para o que foi um acometimento:”, considere as afirmativas a seguir.   I. O trecho “Resistiram nos seus lugares” tem como referentes “bule”, “garrafa”, “latido” e “céu”.   II. Em “o mundo pra mim”, o eu lírico expressa a sua confiança na sensação de conforto que lhe dão as coisas simples.   III. O trecho “para o que foi um acometimento” se refere à tristeza como coisa passageira.   IV. A palavra “anteparo” é metáfora para a vida parada e sem graça experimentada pelo eu lírico todo o tempo.   Assinale a alternativa correta.
  26. 26. PUC-RS 2004
    O canteiro de palavras Qual é o seu ofício - me pergunta com certa formalidade o simpático velhinho da fila do banco, depois do cumprimento habitual e do comentário sobre o tempo, rotinas que servem para quebrar o gelo (no nosso clima, literalmente) entre desconhecidos circunstancialmente íntimos pela espera compartilhada. Quase digo que sou 2jornalista, mas me policio porque conheço o poder inibidor da minha profissão. - Vivo de escrever! - respondo no mesmo tom evasivo, tentando decifrar o efeito da resposta no seu olhar enrugado. Lembro de um escritor que falou coisa semelhante para uma empregada de poucas luzes e recebeu de volta um comentário um tanto surrealista, provavelmente buscado nos anúncios de empregos dos jornais: - Ah, o senhor tem redação própria? Mas o meu interlocutor momentâneo não manifesta qualquer curiosidade sobre o gênero dos meus escritos, se preencho notas fiscais ou elaboro poemas parnasianos. Está mais interessado em mostrar suas duas mãos, dois conjuntos desarmônicos de calos e cicatrizes. - Eu sou cortador de pedras - me diz com indisfarçável orgulho de quem detém um dote raro. Antes que a fila ande, tenho tempo ainda para ouvir algumas explicações sobre a arte de tirar paralelepípedos da rocha bruta, sobre as ferramentas que usa e sobre a quantidade de peças que produz. Ouço em silêncio para não perturbar a narrativa, mas seu trabalho não me é estranho. Perto de minha casa há uma pedreira. Conheço a faina dos homens empoeirados que lá labutam. De vez em quando fico ouvindo a distância o martelar dos 1canteiros e pensando na célebre fábula sobre ________, escrita por Jacob Riis, que tem como personagem exatamente um cortador de pedras. Diz mais ou menos o seguinte: "Quando nada parece dar certo, eu observo o homem que corta pedras. Ele martela uma, duas, centenas de vezes, sem que uma só rachadura apareça. Porém, na centésima primeira martelada, a pedra se abre em duas. E eu sei que não foi aquela pancada que operou o milagre, mas todas as que vieram antes". Pois 3escrever, me dou conta enquanto preencho o 4cheque, não deixa de ser um processo 5semelhante. A gente martela centenas de vezes até que brote do cérebro (ou do dicionário) a palavra adequada, talvez a única capaz de servir à construção literária 6planejada. Nem sempre se consegue. A não ser que o canteiro de letras tenha o talento daquele escultor de estátuas equestres que explicava com simplicidade como conseguia tal perfeição: - Eu tiro da pedra tudo o que não seja cavalo. Nilson de Souza Zero Hora, 17 de julho de 1996   Sobre o título do texto, é correto afirmar que:   I. a palavra "canteiro" é polissêmica, e o leitor que se detiver apenas no título corre o risco de fazer uma inferência incorreta sobre o conteúdo do texto. II. o título expressa a analogia que o autor faz entre a atividade do cortador de pedras e a do escritor. III. se o leitor desconhecer o sentido da palavra "canteiro", pode observar a ocorrência desse vocábulo (ref. 1) e inferir seu significado recorrendo ao que ficou dito antes e ao que vem escrito depois, sem precisar consultar o dicionário. IV. a ambiguidade do título é reforçada pelo emprego da preposição "de", que tanto pode indicar, neste caso, uma relação entre possuidor e objeto possuído, quanto a ideia de meio.   Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas
  27. 27. UEFS 2015
    TEXTO: A Grécia clássica, a que deu certo e ficou como berço da civilização ocidental, foi feita por povos? Ou foi feita por grandes homens? Os veios subterrâneos da sociedade se expressam por meio dos heróis, tanto nas 5 artes como na política. Ninguém mais alheio à República do que o Marechal Deodoro (1827-1892). Mas o instinto nacional precisou de um alienado metido a herói que invadisse o quartel-general, sustentáculo do Império, ordenando: “Abram isso! Abram 10 isso!”, e depusesse o amigo e imperador. O verdadeiro herói, o herói de Carlyle (1795-1881), é um Frankenstein, feito de pedaços. É preciso juntar vários cadáveres do pensamento e do ideal humano para formar um Frankenstein 15 articulado. Mas é ele que na hora exata amedronta a força contrária, aparece no quartel-general e grita: “Abram isso!”. Frankenstein colado com pedaços de Benjamim Constant (1837-1891), de Quintino Bocaiúva (1836-1912), Joaquim Nabuco (1849-1910) e outros republicanos. 20 Estou citando Ezra Pound (1885-1972), quando fala em “punti luminosi”, pontos luminosos. Na massa amorfa, inerte, de repente alguma coisa brilha, cintila. É comum na obra de arte, numa sinfonia, num romance, num quadro, cheio de pontos mortos, de 25 clichês, surgir inesperadamente aquele brilho que salta, que se destaca, que interfere na obra inteira e a marca. O herói é um ponto luminoso que se destaca, é o jogador que fica parado em campo e, em meio minuto, arma ou finaliza uma jogada de gênio e decide a partida. 30 No plano da história, o herói é também inesperado. Veja o caso da Inconfidência Mineira. Os Inconfidentes eram intelectuais, padres, poetas, mas o herói foi mesmo Tiradentes (1746-1792), que aguentou a barra até o fim. E terminou na forca. CONNY, Carlos Heitor. Heróis. Folha de S. Paulo. Disponível em: 074-herois.shtml>. Acesso em: 5 nov. 2014.   O fragmento que evidencia um conceito metafórico de herói, na perspectiva de Carlos Heitor Cony, está presente em
  28. 28. UFES 2009
    Na seção “Desarranjos florais”, de Distraídos venceremos, há vários haicais de Paulo Leminski, que abordam múltiplas questões do ser. A opção cujo comentário NÃO condiz com o poema em pauta é:
  29. 29. UFRGS 2016
    Assinale a alternativa correta sobre O amor de Pedro por João, de Tabajara Ruas.
  30. 30. UFRGS 2016
    Leia os trechos abaixo, retirados do capítulo Ana Terra, de O continente, da trilogia O tempo e o vento, de Erico Verissimo. Maneco Terra era um homem que falava pouco e trabalhava demais. Severo e sério, exigia dos outros muito respeito e obediência, e não admitia que ninguém em casa discutisse com ele. (...) D. Henriqueta respeitava o marido, nunca ousava contrariá-lo. A verdade era que, afora aquela coisa de terem vindo para o Rio Grande e umas certas casmurrices, não tinha queixa dele. Maneco era um homem direito, um homem de bem, e nunca a tratara com brutalidade. (...) Mas havia épocas em que não aparecia ninguém. E Ana só via a seu redor quatro pessoas: o pai, a mãe e os irmãos. Quanto ao resto, eram sempre aqueles coxilhões a perder de vista, a solidão e o vento. Não havia outro remédio — achava ela — senão trabalhar para esquecer o medo, a tristeza, a aflição... Acordava e pulava da cama, mal raiava o dia. Ia aquentar a água para o chimarrão dos homens, depois começava a faina diária: ajudar a mãe na cozinha, fazer pão, cuidar dos bichos do quintal, lavar a roupa. Por ocasião das colheitas ia com o resto da família para a lavoura e lá ficava mourejando de sol a sol.   Comparando os trechos acima com o conto "Dois guaxos", de Sergio Faraco, considere as seguintes afirmações.   I - Há confluências entre os dois textos, como as condições precárias de vida em um rancho isolado no interior do Rio Grande do Sul, o nome da irmã de Maninho e seu envolvimento com um agregado da família. II - Há semelhanças nas considerações sobre os maridos, feitas pela mãe de Maninho e por D. Henriqueta, mãe de Ana Terra. III- Há o contraste em relação à estrutura familiar: no romance, pai, mãe e filhos; no conto, uma família marcada pela ausência da mãe e pela figura paterna degradada. Quais estão corretas?  
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