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Exercícios de Modernismo no Brasil - 2ª Fase

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Quer colocar o estudo em prática? O Stoodi tem exercícios de Modernismo no Brasil - 2ª Fase dos maiores vestibulares do Brasil.

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  1. 1. UCS 2012
    A seca é metáfora recorrente na literatura, especialmente no segundo período modernista. Assinale a alternativa correta em relação as obras que apresentam cenas que caracterizam a brutal realidade dos retirantes nordestinos.
  2. 2. FUVEST 2012
    Como não expressa visão populista nem elitista, o livro não idealiza os pobres e rústicos, isto é, não oculta o dano causado pela privação, nem os representa como seres desprovidos de vida interior; ao contrário, o livro trata de realçar, na mente dos desvalidos, o enlace estreito e dramático de limitação intelectual e esforço reflexivo. Essas afirmações aplicam-se ao modo como, na obra
  3. 3. ENEM 2012
    Aquele bêbado — Juro nunca mais beber — e fez o sinal da cruz com os indicadores. Acrescentou: — Álcool. O mais ele achou que podia beber. Bebia paisagens, músicas de Tom Jobim, versos de Mário Quintana. Tomou um pileque de Segall. Nos fins de semana, embebedava- se de Índia Reclinada, de Celso Antônio. — Curou-se 100% do vício — comentavam os amigos. Só ele sabia que andava mais bêbado que um gambá. Morreu de etilismo abstrato, no meio de uma carraspana de pôr do sol no Leblon, e seu féretro ostentava inúmeras coroas de ex-alcoólatras anônimos. ANDRADE, C. D. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record, 1991. A causa mortis do personagem, expressa no último parágrafo, adquire um efeito irônico no texto porque, ao longo da narrativa, ocorre uma
  4. 4. UECE 2014
    PORTÃO O portão fica bocejando, aberto para os alunos retardatários. Não há pressa em viver nem nas ladeiras duras de subir, 1quanto mais para estudar a insípida cartilha. Mas se o pai do menino é da oposição, à 2ilustríssima autoridade municipal, prima por sua vez da 3sacratíssima autoridade nacional, 4ah, isso não: o vagabundo ficará mofando lá fora e leva no boletim uma galáxia de zeros. A gente aprende muito no portão fechado. ANDRADE. Carlos Drummond de. In: Canos Drummond de Andrade: Poesia e Prosa. Editora Nova Aguilan 1988. p. 506-507. Os dois superlativos (ref. 2 e 3) emprestam ao poema um tom de
  5. 5. UESPI 2012
    Dentre os romances de 30, São Bernardo não é a única obra a tratar do nordeste pastoril. Outras obras também falaram do sertão e do agreste brasileiros. Entre as obras elencadas abaixo, quais trataram do semiárido nordestino?
  6. 6. FUVEST 2010
    Por caminhos diferentes, tanto Pedro Bala (de Capitães de areia, de Jorge Amado) quanto o operário (do conhecido poema "O operário em construção", de Vinícius de Moraes) passam por processos de "aquisição de uma consciência política" (expressão do próprio Vinícius). O contexto dessas obras indica também que essa conscientização leva ambos a
  7. 7. ENEM 2016
    Anoitecer A Dolores É a hora em que o sino toca, mas aqui não há sinos; há somente buzinas, sirenes roucas, apitos aflitos, pungentes, trágicos, uivando escuro segredo desta hora tenho medo. [...] É a hora do descanso, mas o descanso vem tarde, o corpo não pede sono, depois de tanto rodar; pede paz – morte – mergulho no poço mais ermo e quedo; desta hora tenho medo. Hora de delicadeza, agasalho, sombra, silêncio. Haverá disso no mundo? É antes a hora dos corvos, bicando em mim, meu passado, meu futuro, meu degredo desta hora, sim, tenho medo. ANDRADE, C. D. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 2005 (fragmento).   Com base no contexto da Segunda Guerra Mundial, o livro A rosa do povo revela desdobramentos da visão poética. No fragmento, a expressividade lírica demonstra um(a)
  8. 8. ITA 2011
    Sobre o romance Capitães de areia, de Jorge Amado, é incorreto afirmar que
  9. 9. ENEM 2015
    Carta ao Tom 74 Rua Nascimento Silva, cento e sete Você ensinando pra Elizete As canções de canção do amor demais Lembra que tempo feliz Ah, que saudade, Ipanema era só felicidade Era como se o amor doesse em paz Nossa famosa garota nem sabia A que ponto a cidade turvaria Esse Rio de amor que se perdeu Mesmo a tristeza da gente era mais bela E além disso se via da janela Um cantinho de céu e o Redentor É, meu amigo, só resta uma certeza, É preciso acabar com essa tristeza É preciso inventar de novo o amor MORAES, V.; TOQUINHO. Bossa Nova, sua história, sua gente. São Paulo: Universal; Philips,1975 (fragmento). O trecho da canção de Toquinho e Vinícius de Moraes apresenta marcas do gênero textual carta, possibilitando que o eu poético e o interlocutor
  10. 10. CEFET-MG 2013
    POÉTICA (Il) Com as lágrimas do tempo E a cai do meu dia Eu fiz o cimento Da minha poesia E na perspectiva Da vida futura Ergui em carne viva Sua arquitetura. Não sei bem se é casa Se é torre ou se é templo (Um templo sem Deus.) Mas é grande e clara Pertence ao seu tempo - Entrai, irmãos meus! Rio, 1960 Nesse poema, Vinícius de Moraes NÃO caracteriza sua poética como
  11. 11. PUC-SP 2009
    Alguns dias antes estava sossegado, preparando látegos, consertando cercas. De repente, um risco no céu, outros riscos, milhares de riscosjuntos, nuvens, o medonho rumor de asas a anunciar destruição. Ele já andava meio desconfiado vendo as fontes minguarem. E olhava com desgosto a brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes. O crítico Álvaro Lins, referindo-se a "Vidas Secas", obra de Graciliano Ramos, da qual se extraiu o trecho anterior, afirma que, além de ser o mais humano e comovente dos livros do autor, é "o que contém maior sentimento da terra nordestina, daquela parte que é áspera, dura e cruel, sem deixar de ser amada pelos que a ela estão ligados teluricamente". Por outro lado, merece destaque, dentre os elementos constitutivos dessa obra, a paisagem, a linguagem e o problema social. Assim, a respeito da linguagem de "Vidas Secas", é CORRETO afirmar-se que:
  12. 12. ENEM 2017
    A obra de Rubem Valentim apresenta emblema que, baseando-se em signos de religiões afro-brasileiras, se transformam em produção artística. A obra Emblema 78 relaciona-se com o Modernismo em virtude da
  13. 13. UFPR 2008
    Sobre o Iivro "O romanceiro da inconfidência", de Cecília Meireles, considere as afirmativas a seguir 1. Os documentos históricos ligados a posteridade não esclarecem de fato certos episódios relacionados à Inconfidência Mineira. Em face dessa situação, Cecília Meireles optou por apresentar os acontecimentos e as personagens a partir de uma perspectiva lírica que prescinde de nitidez e definição. 2. O poema contém partes de elaboração clássica, metrificadas em versos longos, e outras, mais próximas das composições populares, em versos curtos. 3. Além das personagens diretamente envolvidas no movimento sedicioso do título, o poema também trata de outras, como Chica da Silva, que embora não estejam diretamente envolvidas, ajudam a compor o ambiente histórico do texto. 4. Tiradentes, o alferes que a história transformou em herói, é apresentado na obra como indivíduo ambíguo e de moral discutível, numa clara contraposição literária à imagem apresentada pelos historiadores mais conservadores. Assinale a alternativa correta.
  14. 14. UFPR 2012
    "A duzentos anos de distância, embora ainda velados muitos pormenores desse fantástico enredo, sente-se a imprescindibilidade daqueles encontros, de raças e homens; do nascimento do ouro; da grandeza e decadência das Minas; desses gráficos tão bem traçados de ambição que cresce e da humanidade que declina; a imprescindibilidade das lágrimas e exíIios, da humilhação do abandono amargo, da morte afrontosa - a imprescindibilidade das vítimas, para a definitiva execração dos tiranos." (Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência) O fragmento transcrito faz parte da conferência "Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência", proferida por Cecília Meireles em 1955. Com base na leitura do Romanceiro e nos conhecimentos sobre a literatura do período, assinale a alternativa correta.
  15. 15. INSPER 2013
    POÇAS D’ÁGUA As poças d´água são um mundo mágico Um céu quebrado no chão Onde em vez de tristes estrelas Brilham os letreiros de gás Néon. (Mario Quintana, Preparativos de viagem, São Paulo, Globo, 1994.) Levando-se em conta o texto como um todo, é correto afirmar que a metáfora presente no primeiro verso se justifica porque as poças
  16. 16. FCMMG 2006
    A analogia ocorre nas passagens de Um certo capitão Rodrigo, de Erico Verissimo, EXCETO em:
  17. 17. UERJ 2011
    De repente voltou-me a ideia de construir o livro. (...)   Desde então procuro descascar fatos, aqui sentado à mesa da sala de jantar (...).   Às vezes, entro pela noite, passo tempo sem fim acordando lembranças. Outras vezes não me ajeito com esta ocupação nova.   Anteontem e ontem, por exemplo, foram dias perdidos. Tentei debalde canalizar para termo razoável esta prosa que se derrama como a chuva da serra, e o que me apareceu foi um grande desgosto. Desgosto e a vaga compreensão de muitas coisas que sinto.   Sou um homem arrasado. Doença? Não. Gozo perfeita saúde. (...) Não tenho doença nenhuma.   O que estou é velho. Cinquenta anos pelo S. Pedro. Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta casca espessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada.   Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber para quê! Comer e dormir como um porco! Como um porco! Levantar-se cedo todas as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez! (...)   Coloquei-me acima da minha classe, creio que me elevei bastante. Como lhes disse, fui guia de cego, vendedor de doce e trabalhador alugado. Estou convencido de que nenhum desses ofícios me daria os recursos intelectuais necessários para engendrar esta narrativa. Magra, de acordo, mas em momentos de otimismo suponho que há nela pedaços melhores que a literatura do Gondim. Sou, pois, superior a mestre Caetano e a outros semelhantes. Considerando, porém, que os enfeites do meu espírito se reduzem a farrapos de conhecimentos apanhados sem escolha e mal cosidos, devo confessar que a superioridade que me envaidece é bem mesquinha.   (...)   Quanto às vantagens restantes – casas, terras, móveis, semoventes, consideração de políticos, etc. – é preciso convir em que tudo está fora de mim.   Julgo que me desnorteei numa errada. GRACILIANO RAMOS São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2004.     Na sentença destacada, o processo metafórico se concentra no verbo “descascar”.   No contexto, a metáfora expressa em “descascar” tem o seguinte significado:
  18. 18. CESGRANRIO 1995
    Pátria Minha A minha pátria é como se não fosse, é íntima Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo É minha pátria. Por isso, no exílio Assistindo dormir meu filho Choro de saudades de minha pátria.   Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi: Não sei. De fato, não sei (...) Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água Que elaboram e liquefazem a minha mágoa Em longas lágrimas amargas.   Vontade de beijar os olhos de minha pátria De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos... Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias   De minha pátria, de minha pátria sem sapatos E sem meias, pátria minha Tão pobrinha!   Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho Pátria, eu semente que nasci do vento Eu que não vou e não venho, eu que permaneço Em contato com a dor do tempo (...)   Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa Que brinca em teus cabelos e te alisa Pátria minha, e perfuma o teu chão... Que vontade me vem de adormecer-me Entre teus doces montes, pátria minha Atento à fome em tuas entranhas E ao batuque em teu coração.   Teu nome é pátria amada, é patriazinha Não rima com mãe gentil Vives em mim como uma filha, que és Uma ilha de ternura: a Ilha Brasil, talvez. Vinicius de Moraes - Trechos     1 - Vontade de beijar os olhos de minha pátria De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos".   2 - "Pátria, eu semente que nasci do vento Eu que não vou e não venho, eu que permaneço".   A partir dos exemplos 1 e 2, indique as respectivas figuras de linguagem:
  19. 19. MACKENZIE 1996
    I - O vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio. (Cecília Meireles)   II - Do relâmpago a cabeleira ruiva Vem açoitar o rosto meu. (Alphonsus de Guimaraens)   III - A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças. (Monteiro Lobato)   IV - Nunca se afizera ao regime novo - essa indecência de negro igual a branco e qualquer coisinha: a polícia! "Qualquer coisinha": Uma mucama assada no forno porque se engraçou dela o senhor; uma novena de relho porque disse: "Como é ruim, a sinhá"... (Monteiro Lobato)   Assinale a alternativa que indica corretamente o ponto comum entre os respectivos trechos:
  20. 20. UNISINOS 2016
    Essa negra Fulô  Jorge de Lima Ora, se deu que chegou (isso já faz muito tempo)  no banguê dum meu avô  uma negra bonitinha,  chamada negra Fulô.  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  Ó Fulô! Ó Fulô!  (Era a fala da Sinhá)  – Vai forrar a minha cama  pentear os meus cabelos,  vem ajudar a tirar  a minha roupa, Fulô!  Essa negra Fulô!  Essa negrinha Fulô!  ficou logo pra mucama  pra vigiar a Sinhá,  pra engomar pro Sinhô!  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  Ó Fulô! Ó Fulô!  (Era a fala da Sinhá)  vem me ajudar, ó Fulô,  vem abanar o meu corpo  que eu estou suada, Fulô!  vem coçar minha coceira,  vem me catar cafuné,  vem balançar minha rede,  vem me contar uma história,  que eu estou com sono, Fulô!  Essa negra Fulô!  “Era um dia uma princesa que vivia num castelo  que possuía um vestido  com os peixinhos do mar.  Entrou na perna dum pato  saiu na perna dum pinto  o Rei-Sinhô me mandou  que vos contasse mais cinco”.  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  Ó Fulô! Ó Fulô!  Vai botar para dormir  esses meninos, Fulô!  “minha mãe me penteou  minha madrasta me enterrou  pelos figos da figueira  que o Sabiá beliscou”.  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  Ó Fulô! Ó Fulô!  (Era a fala da Sinhá  Chamando a negra Fulô!)  Cadê meu frasco de cheiro  Que teu Sinhô me mandou?  – Ah! Foi você que roubou!  Ah! Foi você que roubou!  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  O Sinhô foi ver a negra  levar couro do feitor.  A negra tirou a roupa,  O Sinhô disse: Fulô! (A vista se escureceu  que nem a negra Fulô).  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô! Ó Fulô! Ó Fulô!  Cadê meu lenço de rendas,  Cadê meu cinto, meu broche,  Cadê o meu terço de ouro  que teu Sinhô me mandou?  Ah! foi você que roubou!  Ah! foi você que roubou!  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  O Sinhô foi açoitar  sozinho a negra Fulô.  A negra tirou a saia  e tirou o cabeção,  de dentro dêle pulou  nuinha a negra Fulô.  Essa negra Fulô!  Essa negra Fulô!  Ó Fulô! Ó Fulô!  Cadê, cadê teu Sinhô  que Nosso Senhor me mandou?  Ah! Foi você que roubou,  foi você, negra Fulô?  Essa negra Fulô! Disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br. Acesso em 30 set. 2015.   No que se refere à sonoridade do poema, assinale a alternativa que melhor apresenta o ideário modernista, reafirmado por Jorge de Lima.
  21. 21. IFPE 2012
    Mulher proletária Jorge de Lima Mulher proletária — única fábrica que o operário tem, (fabrica filhos) tu na tua superprodução de máquina humana forneces anjos para o Senhor Jesus, forneces braços para o senhor burguês. Mulher proletária, o operário, teu proprietário há de ver, há de ver: a tua produção, a tua superprodução, ao contrário das máquinas burguesas salvar o teu proprietário. In: Poesia completa. 2.ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980. v.1   Jorge de Lima é um poeta representativo da segunda geração modernista. Analise as proposições abaixo acerca dos recursos expressivos que constroem a imagem da “mulher proletária”. I. As metáforas “fábrica” e “máquina humana” são, de certo modo, desveladas pela construção parentética “fabrica filhos”. II. Os dois últimos versos na primeira estrofe constituem eufemismos das ideias de mortalidade e de trabalho infantil. III. O trocadilho entre “prole” e “proletária” assinala a função social da mulher no contexto do poema. IV. A gradação na segunda estrofe aponta para a submissão da mulher e para a salvação do homem operário. V. Os últimos versos do poema sugerem que o trabalho da mulher pode levar sua família à ascensão social. Estão corretas, apenas:
  22. 22. INSPER 2014
    Sempre desconfiei   Sempre desconfiei de narrativas de sonhos. Se já nos é difícil recordar o que vimos despertos e de olhos bem abertos, imagine-se o que não será das coisas que vimos dormindo e de olhos fechados... Com esse pouco que nos resta, fazemos reconstituições suspeitamente lógicas e pomos enredo, sem querer, nas ocasionais variações de um calidoscópio. Me lembro de que, quando menino, minha gente acusava-me de inventar os sonhos. O que me deixava indignado. Hoje creio que ambas as partes tínhamos razão. Por outro lado, o que mais espantoso há nos sonhos é que não nos espantamos de nada. Sonhas, por exemplo, que estás a conversar com o tio Juca. De repente, te lembras de que ele já morreu. E daí? A conversa continua. Com toda a naturalidade. Já imaginaste que bom se pudesses manter essa imperturbável serenidade na vida propriamente dita?   (Mario Quintana, A vaca e o hipogrifo. São Paulo: Globo,1995)   Em “Hoje creio que ambas as partes tínhamos razão”, o autor recorre a uma figura de construção, que está corretamente explicada em 
  23. 23. FCMMG 2015
    I Sai, Câncer  Desaparece, parte, sai do mundo  Volta à galáxia onde fermentam  Os íncubos da vida, de que és  A forma inversa. Vai, foge do mundo  Monstruosa tarântula, hediondo  Caranguejo incolor, fétida anêmona  Carnívora! Sai, Câncer.  Furbo anão de unhas sujas e roídas  Monstrengo sub-reptício, glabro homúnculo  Que empestas as brancas madrugadas  Com teu suave mau cheiro de necrose  Enquanto largas sob as portas  Teus sebentos volantes genocidas  Sai, get out, va-t-en, henaus  Tu e tua capa de matéria plástica  Tu e tuas galochas  Tu e tua gravata carcomida  E torna, abjeto, ao Trópico  Cujo nome roubaste. Deixa os homens em sossego  Odioso mascate; fecha o zíper  De tua gorda pasta que amontoa  Caranguejos, baratas, sapos, lesmas  Movendo-se em seu visgo, em meio a amostras  De óleo, graxas, corantes, germicidas,  Sai, Câncer  Fecha a tenaz e diz adeus à Terra  Em saudação fascista; galga, aranha,  Contra o teu próprio fio  E vai morrer de tua própria síntese  Na poeira atômica que se acumula na cúpula do mundo.  Adeus  Grumo louco, multiplicador incalculável, tu  De quem nenhum Cérebro Eletrônico poderá jamais seguir a matemática. Parte, poneta ahuera, andate via  Glauco espectro, gosmento camelô  Da morte anterior à eternidade.  Não és mais forte do que o homem - rua!  Grasso e gomalinado camelô, que prescreves  A dívida humana sem aviso prévio, ignóbil  Meirinho, Câncer, vil tristeza ..  Amada, fecha a porta, corta os fios,  Não preste nunca ouvidos ao que o mercador contar!     II Cordis sinistra  - Ora pro nobis Tabis dorsalis - Ora pro nobis Marasmus phthisis - Ora pro nobis Delirium tremens -    Ora pro nobis Fluxus cruentum -    Ora pro nobis Apoplexia parva -    Ora pro nobis Lues venérea -    Ora pro nobis Entesia tetan us -    Ora pro nobis Saltus viti -    Ora pro nobis Astralis sideratus -    Ora pro nobis Morbus attonitus -    Ora pro nobis Mama universalis -    Ora pro nobis Cholera morbus -    Ora pro nobis Vom itus cruentus -    Ora pro nobis Empresma carditis -    Ora pro nobis Fellis suffusio - Ora pro nobis Phallorrhoea virulenta - Ora pro nobis G utta serena - Ora pro nobis Angina canina - Ora pro nobis Lepra leontina - Ora pro nobis Lupus vorax - Ora pro nobis Tônus trismus - Ora pro nobis Angina pectoria - Ora pro nobis - Ora pro nobis Et libera nobis omnia Câncer -  Amém.   IlI Há 1 célula em mim que quer respirar e não pode Há 2 células em mim que querem respirar e não podem Há 4 células em mim que querem respirar e não podem Há 16 células em mim que querem respirar e não podem Há 256 células em mim que querem respirar e não podem Há 65.536 células em mim que querem respirar e não podem Há 4.294.967.296 células em mim que querem respirar e não podem Há 18.446.744.073.709.551.616 células em mim que querem respirar e não podem Há 340.282.366.920.938.463.374.607.431.768.211.456 células em mim que querem respirar e não podem.   IV -  Minha senhora, lamento muito, mas é meu dever informá-la de que seu marido é portador de um tumor maligno no fígado -  Meu caro senhor, tenho que comunicar-lhe que sua esposa terá que operar-se de uma neoplastia do útero .. -  É, infelizmente a biopsia revela um osteo-sarcoma no menino. É impossível prever .. -  É a dura realidade, meu amigo. Sua mãe .. -  Seu pai ainda é um homem forte, vai aguentar bem a intervenção ..  -  Sua avó está muito velhinha, mas nós faremos o possível.. -  Veja você ... E é cancerologista .. -  Coitado, não tinha onde cair morto. E logo câncer .. -  Há muito operário que morre de câncer. Mas câncer de pobre não tem vez .. -  Era nosso melhor piloto. Mas o câncer de intestino não perdoa .. -  Qual o que, meu caro, não se assuste prematuramente. Câncer não dá em deputado .. -  Parece que o General está com câncer .. -  Tão boa atriz ... E depois, tão linda .. -  Que coisa! O Governador parecia tão bem disposto ..  -  Se for câncer, o Presidente não termina o mandato ..  -  Não me diga? O Rei ..  -  Mentira ... O Papa? .. -  E atenção para a última notícia. Estamos ligados com a lnterplat 666 .. -  DEUS ESTÁ COM CÂNCER. (MORAES, Vinicius de. http:l/200.147.99.156/#/letras-e-musicas/vinicius-de-moraes/sob-o-tropico-de­cancer/1853703. Acesso em 21/07/2014.)    A segunda e terceira partes do poema são caracterizadas, respectivamente, por:
  24. 24. PUC-RJ 2008
    Recordação Agora, o cheiro áspero das flores Leva-me os olhos por dentro de suas pétalas. Eram assim teus cabelos; Tuas pestanas eram assim, finas e curvas. As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo, tinham a mesma exalação de água secreta, de talos molhados, de pólen, de sepulcro e de ressurreição. E as borboletas sem voz dançavam assim veludosamente. Restitui-te na minha memória, por dentro das flores! Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix, tua boca de malmequer orvalhado, e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios, com suas estrelas e cruzes, e muitas coisas tão estranhamente escritas nas suas nervuras nítidas de folha, – e incompreensíveis, incompreensíveis. Fonte: MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1972, p.154   As figuras de linguagem são utilizadas como recurso expressivo.  No poema de Cecília Meireles, constituem exemplo de Prosopopeia e de Sinestesia, respectivamente, as seguintes passagens:    
  25. 25. USF 2011
    Considere as afirmações a seguir sobre Vinícius de Moraes e sua poesia.   (  ) Sua vertente social fica explícita em poesias como A Rosa de Hiroxima, em que as atrocidades causadas pela guerra tornam-se objeto de reflexão sobre a própria existência e sobrevivência do homem. ( ) Em Soneto da Separação, as antíteses marcam a oscilação das relações amorosas, que em determinado momentos são eternas, mas logo se tornam fugidias e acabam por, não mais que de repente, terminar. (  ) A alegoria e o rebuscamento estilístico marcam acentuadamente algumas de suas poesias, como em Soneto da Fidelidade, em que o poeta coloca-se em uma posição paradoxal: embora cante a fidelidade, tem certeza de que o amor é efêmero. (  ) Em Poética, o autor enfatiza o momento em que as situações acontecem, não as situações por si mesmas. Nos versos “Nasço amanhã / Ando onde há espaço: / — Meu tempo é quando.”, essa disposição simboliza uma maior importância ao momento presente, que deve ser vivido em toda a sua essência. Assinale a opção que apresenta o correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo. 
  26. 26. EPCAR 2016
    FAVELÁRIO NACIONAL   Carlos Drummond de Andrade     Quem sou eu para te cantar, favela, Que cantas em mim e para ninguém a noite inteira de sexta-feira e a noite inteira de sábado E nos desconheces, como igualmente não te conhecemos? Sei apenas do teu mau cheiro: Baixou em mim na viração, direto, rápido, telegrama nasal anunciando morte... melhor, tua vida. ... Aqui só vive gente, bicho nenhum tem essa coragem. ... Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer, Medo só de te sentir, encravada Favela, erisipela, mal-do-monte Na coxa flava do Rio de Janeiro.   Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver nem de tua manha nem de teu olhar. Medo de que sintas como sou culpado e culpados somos de pouca ou nenhuma irmandade. Custa ser irmão, custa abandonar nossos privilégios e traçar a planta da justa igualdade. Somos desiguais e queremos ser sempre desiguais. E queremos ser bonzinhos benévolos comedidamente sociologicamente mui bem comportados. Mas, favela, ciao, que este nosso papo está ficando tão desagradável. vês que perdi o tom e a empáfia do começo? ... (ANDRADE, Carlos Drummond de, Corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984)     Nos versos abaixo, percebe-se que foram utilizadas figuras de linguagem, enfatizando o sentimento do eu-lírico. Porém, há uma opção em que não se verifica esse fato. Assinale-a.
  27. 27. PUC-GO 2016
    O acendedor de lampiões Lá vem o acendedor de lampiões da rua! Este mesmo que vem infatigavelmente, Parodiar o sol e associar-se à lua Quando a sombra da noite enegrece o poente! Um, dois, três lampiões, acende e continua Outros mais a acender imperturbavelmente, À medida que a noite aos poucos se acentua E a palidez da lua apenas se pressente. Triste ironia atroz que o senso humano irrita: — Ele que doura a noite e ilumina a cidade, Talvez não tenha luz na choupana em que habita. Tanta gente também nos outros insinua Crenças, religiões, amor, felicidade, Como este acendedor de lampiões da rua! (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. 3. ed. São Paulo: Global, 2006. p. 25) No primeiro terceto do poema apresentado no texto, “O acendedor de lampiões”, em que consiste a “triste ironia” a que o enunciador se refere? Assinale a alternativa correta:
  28. 28. UNAMA 2007
    Morte do leiteiro   Há pouco leite no país, é preciso entregá-lo cedo. Há muita sede no país, é preciso entregá-lo cedo. Há no país uma legenda, que ladrão se mata com tiro. (Rosa do povo – Carlos Drummond de Andrade )   Nesse excerto, a dramaticidade da realidade social denunciada pelo poeta é evidenciada por meio da seguinte figura de linguagem: 
  29. 29. UPE 2013
    Fragmento 3 Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta Lábaro não; a minha pátria é desolação De caminhos, a minha pátria é terra sedenta E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular Que bebe nuvem, come terra E urina mar. Fragmento 4 Atrás de portas fechadas, à luz de velas acesas, entre sigilo e espionagem, acontece a Inconfidência. E diz o Vigário ao Poeta: “Escreva-me aquela letra do versinho de Virgílio...” E dá-lhe o papel e a pena. E diz o Poeta ao Vigário, com dramática prudência: “Tenha meus dedos cortados antes que tal verso escrevam...” LIBERDADE, AINDA QUE TARDE, ouve-se em redor da mesa.    Sobre os autores Vinícius de Moraes e Cecília Meireles e sobre a obra de ambos, analise as seguintes afirmativas:   I. Autor da peça teatral “Orfeu da Conceição”, juntamente com Tom Jobim, compositor da música “Garota de Ipanema”, uma das mais tocadas do mundo, o poeta é um dos fundadores da Bossa Nova. Dentre as suas peculiaridades, estão a preocupação religiosa e um misticismo neossimbolista, que marcaram a primeira fase de sua produção poética, em oposição, talvez, às liberdades formais da primeira fase do Modernismo brasileiro.   II. Autor de poemas tradicionais, como “Soneto de separação” e “Soneto do amor total”, o poeta também usa versos longos com uma linguagem abstrata, alegórica, como a que se percebe em “No sangue e na lama/O corpo sem vida tombou./Mas nos olhos do homem caído/Havia ainda a luz do sacrifício que redime/E no grande Espírito que adejava o mar e o monte/Mil vozes clamavam que a vitória do homem forte tombado na luta/Era o novo Evangelho para o homem da paz que lavra no campo”.   III. Os temas desse poeta lírico estão ligados, por excelência, ao cotidiano; nesse sentido, ele canta a mulher, o amor, o dia a dia e a valorização do momento e, ao mesmo tempo em que busca algo mais perene, faz sua obra se deslocar para a intimidade dos afetos e para um sensualismo erótico, o que revela maturidade e aproveitamento de temáticas de inspiração mais pessoais.   IV. Pertencente à geração poética do autor de “Soneto da fidelidade”, Cecília tem, em seu lirismo, uma linguagem que enfatiza os símbolos, os apelos sensoriais e a musicalidade, o que também a aproxima do neossimbolismo modernista. Em vários de seus poemas, existe a preocupação com a transitoriedade do tempo, e, além desse aspecto, ela dedicou-se a pesquisas históricas das quais resultou o Romanceiro da Inconfidência, de 1953, texto que trata do episódio da Inconfidência Mineira.   V. No Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, tem-se como referência principal a frustrada rebelião na Vila Rica do século XVIII. Mas se deve reconhecer que a matéria histórica utilizada pela autora sofre alterações significativas no poema em questão, o que confere ao texto o tom épico perceptível nos sonetos de Vinícius de Moraes e o tom essencialmente reflexivo do texto lírico, a exemplo das epopeias.   Está CORRETO o que se afirma em
  30. 30. INSPER 2014
    Sempre desconfiei Sempre desconfiei de narrativas de sonhos. Se já nos é difícil recordar o que vimos despertos e de olhos bem abertos, imagine-se o que não será das coisas que vimos dormindo e de olhos fechados... Com esse pouco que nos resta, fazemos reconstituições suspeitamente lógicas e pomos enredo, sem querer, nas ocasionais variações de um caleidoscópio. Me lembro de que, quando menino, minha gente acusava-me de inventar os sonhos. O que me deixava indignado. Hoje creio que ambas as partes tínhamos razão. Por outro lado, o que mais espantoso há nos sonhos é que não nos espantamos de nada. Sonhas, por exemplo, que estás a conversar com o tio Juca. De repente, te lembras de que ele já morreu. E daí? A conversa continua. Com toda a naturalidade. Já imaginaste que bom se pudesses manter essa imperturbável serenidade na vida propriamente dita? (Mario Quintana, A vaca e o hipogrifo. São Paulo: Globo,1995) Em “Hoje creio que ambas as partes tínhamos razão”, o autor recorre a uma figura de construção, que está corretamente explicada em
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