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Exercícios de Modernismo no Brasil - 3ª Fase

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  1. 31. FCMMG 2006
    O crítico Augusto de Campos observa que Guimarães Rosa utiliza-se de uma sintaxe telegráfica, praticando uma espécie de estenografia literária. Os trechos, de Grande sertão: veredas, confirmam isso, EXCETO:
  2. 32. UNB 2011
    Texto I E assim se passaram pelo menos seis ou seis anos e meio, direitinho deste jeito, sem tirar nem pôr, sem mentira nenhuma, porque esta aqui é uma estória inventada, e não é um caso acontecido, não senhor. Guimarães Rosa. A hora e a vez de Augusto Matraga. In: Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 359.   Texto II Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração, pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. Clarice Lispector. Felicidade clandestina. In: Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 11-2.   Os dois fragmentos de texto apresentam em comum a ideia de que as palavras
  3. 33. ENEM - 3 APLICACAO 2014
    Pecados, vagância de pecados. Mas, a gente estava com Deus? Jagunço podia? Jagunço – criatura paga para crimes, impondo o sofrer no quieto arruado dos outros, matando e roupilhando. Que podia? Esmo disso, disso, queri, por pura toleima; que sensata resposta podia me assentar o Jõe, broreiro peludo do Riachão do Jequitinhonha? Que podia? A gente, nós, assim jagunços, se estava em permissão de fé para esperar de Deus perdão de proteção? Perguntei, quente. — “Uai? Nós vive... — foi o respondido que ele me deu. ROSA, G. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001 (fragmento).            Guimarães Rosa destaca-se pela inovação da linguagem com marcas dos falares populares e regionais. Constrói seu vocabulário a partir de arcaísmos e da intervenção nos campos sintático-semânticos. Em Grande sertão: veredas, seu livro mais marcante, faz o enredo girar em torno de Riobaldo, que tece a história de sua vida e sua interlocução com o mundo-sertão.   No fragmento em referência, o narrador faz uso da linguagem para revelar 
  4. 34. UFPR 2008
    "As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tentam e me modificam, e se não tomo cuidado será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito. Ou, pelo menos, não era apenas isso. Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios que não posso me resignar a seguir um fio só; meu enredamento vem de que uma história é feita de muitas histórias." (de Os desastres de Sofia)   "(...) Na verdade era uma vida de sonho. Às vezes, quando falavam de alguém excêntrico, diziam com a benevolência que uma classe tem por outra: "Ah, esse leva uma vida de poeta". Pode-se talvez dizer, aproveitando as poucas palavras que se conheceram do casal, pode-se dizer que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida de mau poeta: vida de sonho. Não, não era verdade. Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara. Mas de irrealidade. (de Os obedientes)   Com base nos fragmentos acima transcritos, extraídos de contos do livro "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector, considere as seguintes afirmativas: 1. Narrar ou deixar de narrar, avaliar de diferentes maneiras um mesmo fato narrado são hesitações frequentes dos narradores de Clarice Lispector. Como nos fragmentos acima, também em outros contos prioriza-se a abordagem da vida interior, própria ou alheia, revelando sutis alternâncias de percepção da realidade. 2. O aspecto metalinguístico do primeiro fragmento não está presente em todos os contos, mas é fundamental para algumas narrativas, dentre as quais "Os desastres de Sofia", que trata da complexa relação entre uma menina e o professor que a ajudou a perceber a força da palavra escrita. 3. Como em "Os obedientes", também nas outras narrativas de "Felicidade clandestina" homens e mulheres passam por idênticas angústias. Na ficção de Clarice Lispector, as diferenças entre a percepção masculina e a feminina não são tematizadas, pois o ser humano está sempre condenado a viver num mundo incompreensível. 4. O desfecho surpreendente do conto "Os obedientes", com o suicídio da esposa, reforça a visão crítica dos narradores de Clarice Lispector sobre a rotina da vida doméstica, nunca observada como uma "vida de sonho". 5. Na ficção de Clarice Lispector, apenas as personagens adultas têm consciência de seus processos interiores. As crianças e adolescentes sofrem o impacto de novas descobertas, mas sua inocência os afasta de qualquer comportamento perverso e os protege dos riscos de viver mais intensamente.   Assinale a alternativa correta.
  5. 35. UFRGS 2016
    Leia o trecho do romance Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, abaixo.   Essas coisas todas se passaram tempos depois. Talhei de avanço, em minha história. O senhor tolere minhas más devassas no contar. É ignorância. Eu não converso com ninguém de fora, quase. Não sei contar direito. Aprendi um pouco foi com o compadre meu Quelemém; mas ele quer saber tudo diverso: quer não é o caso inteirado em si, mas a sobre-coisa, a outra-coisa. Agora, neste dia nosso, com o senhor mesmo – me escutando com devoção assim – é que aos poucos vou indo aprendendo a contar corrigido. E para o dito volto. Como eu estava, com o senhor, no meio dos hermógenes.   Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre o trecho.   ( ) Riobaldo, narrador da história, tem consciência de que sua narrativa obedece ao fluxo da memória e não à cronologia dos fatos. ( ) A ignorância de Riobaldo é expressa pelos erros gramaticais e pela inabilidade em contar sua história, que carece de ordenação. ( ) “A sobre-coisa, a outra-coisa”, que o compadre Quelemém quer, é a interpretação da própria vivência e não o simples relato dos acontecimentos. ( ) O ouvinte exerce um papel importante, pois obriga Riobaldo a organizar a narrativa e a dar significado ao narrado.
  6. 36. UFU 2016
    Havia em Recife inúmeras ruas, as ruas dos ricos, ladeadas por palacetes que ficavam no centro de grandes jardins. Eu e uma amiguinha brincávamos muito de decidir a quem pertenciam os palacetes. “Aquele branco é meu.” “Não, eu já disse que os brancos são meus.” “Mas esse não é totalmente branco, tem janelas verdes.” Parávamos às vezes longo tempo, a cara imprensada nas grades, olhando. [...] Numa das brincadeiras de “essa casa é minha”, paramos diante de uma que parecia um pequeno castelo. No fundo via-se o imenso pomar. E, à frente, em canteiros bem ajardinados, estavam plantadas as flores. LISPECTOR, Clarice. Cem anos de perdão. Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 60. A narrativa de ficção joga com sentidos duplos e figurados e explora as variadas possibilidades da linguagem. Na obra de Clarice Lispector, para atingir uma maior expressividade na construção do texto, destaca-se ainda a epifania. Considerando-se o conceito de epifania na obra dessa autora, pode-se ler o conto “Cem anos de perdão” como 
  7. 37. MACKENZIE 2011
    01. Na cabeceira da mesa, a toalha manchada de coca-cola, o bolo 02. desabado, ela era a mãe. A aniversariante piscou. 03. Eles se mexiam agitados, rindo, a sua família. E ela era a mãe 04. de todos. E se de repente não se ergueu, como um morto se levanta 05. devagar e obriga mudez e terror aos vivos, a aniversariante ficou 06. mais dura na cadeira, e mais alta. Ela era a mãe de todos. E como a 07. presilha a sufocasse, ela era a mãe de todos e, impotente à cadeira, 08. desprezava-os. Todos aqueles seus filhos e netos e bisnetos que 09. não passavam de carne de seu joelho, pensou de repente como se 10. cuspisse. Rodrigo, o neto de sete anos, era o único a ser a carne de 11. seu coração, Rodrigo, com aquela carinha dura, viril e despenteada. 12. Cadê Rodrigo? Rodrigo com olhar sonolento e intumescido naquela 13. cabecinha ardente, confusa. Aquele seria um homem. Mas, piscando, 14. ela olhava os outros, a aniversariante. Oh o desprezo pela vida que 15. falhava. Clarice Lispector, “Feliz aniversário”. In: Laços de família   Considere as seguintes afirmações:   I. No excerto transcrito, a descrição inicial (linhas 01 e 02) não só caracteriza o ambiente da narrativa como também aponta, conotativamente, para a ideia de desconstrução de um modelo familiar. II. A frase "E como a presilha a sufocasse" (linhas 06 e 07), no contexto em que está inserida aponta, denotativamente, para o incômodo provocado pelo traje de festa e, conotativamente, para a angústia existencial da personagem. III. É índice da contemporaneidade de Clarice Lispector a visão idealizada das relações familiares, inscrita, por exemplo, no sentido do título do conto (“Feliz aniversário”) e da coletânea (Laços de família).   Pode-se inferir que
  8. 38. UPE 2012
    Texto 1 Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar — o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mascava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir — como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio. Mas continuava a olhá-lo, cada vez mais inclinada — o bonde deu uma arrancada súbita, jogando-a desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão — Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava — o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. LISPECTOR, Clarice. “Amor” In Laços de Família. Rio de Janeiro, Editora Rocco, 2000.   Texto 2  Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!... E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.” ROSA, João Guimarães. “A terceira margem do rio” In Primeiras Estórias. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1988.   Considerando os textos 1 e 2, analise as afirmativas a seguir: I. A linguagem utilizada por Lispector anuncia uma narrativa cuja principal característica é, por meio dos desvarios das personagens centrais e secundárias, promover e possibilitar denúncias sociais e históricas. II. Guimarães Rosa procura, por meio de uma linguagem sofisticada, trazer à tona as inquietudes e as angústias de um homem sertanejo cansado de sua família e que decidiu ir à procura de novas aventuras amorosas para a sua vida. III. O encontro com o cego que masca chiclete provoca em Ana um sentimento de inquietação. Ana vivencia uma espécie de epifania, ocorrência, por sinal, comum também em outras narrativas de Lispector. IV. No texto 1, o narrador discorda daqueles que têm seu pai como louco. Na sua narrativa, Guimarães Rosa põe o leitor para refletir sobre desejos humanos, como a necessidade de tomar atitudes não previsíveis. V. Lispector e Guimarães Rosa, cada um ao seu modo, por meio dos textos “Amor” e “A terceira margem do rio”, fazem notar ao leitor que a vida humana, mesmo quando parece ordeira, pode, de um momento para o outro, sofrer modificações.   Está CORRETO o que se afirma em
  9. 39. UNB 2013
    Esfriou o tempo, antes do anoitecer. As dores melhoraram. E, aí, Nhô Augusto se lembrou da mulher e da filha. Sem raiva, sem sofrimento, mesmo, só com uma falta de ar enorme, sufocando. Respirava aos arrancos, e teve até medo, porque não podia ter tento nessa desordem toda, e era como se o corpo não fosse mais seu. Até que pôde chorar, e chorou muito, um choro solto, sem vergonha nenhuma, de menino ao abandono. E, sem saber e sem poder, chamou alto soluçando:   — Mãe... Mãe...   (...)   Agora, parado o pranto, a tristeza tomou conta de Nhô Augusto. Uma tristeza mansa, com muita saudade da mulher e da filha, e com um dó imenso de si mesmo. Tudo perdido! O resto, ainda podia... Mas, ter a sua família, direito, outra vez, nunca. Nem a filha... Para sempre... E era como se tivesse caído num fundo de abismo, em outro mundo distante.   E ele teve uma vontade virgem, uma precisão de contar a sua desgraça, de repassar as misérias da sua vida. Mas mordeu a fala e não desabafou. Também não rezou. Porém a luzinha da candeia era o pavio, a tremer, com brilhos bonitos no poço de azeite, contando histórias da infância de Nhô Augusto, histórias mal lembradas, mas todas de bom e bonito final. Fechou os olhos. Suas mãos, uma na outra, estavam frias. Deu-se ao cansaço. Dormiu. Guimarães Rosa. A hora e vez de Augusto Matraga. In: Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 354-5.     Com base na análise semântico-sintática do período sublinhado, e considerando que o texto apresentado é literário, caracterizado pelo emprego da linguagem conotativa, assinale a opção correta.
  10. 40. PUC-CAMPINAS 2016
    A década de 1950 foi marcada pelo anseio de modernização do país, cujos reflexos se fazem sentir também no plano da cultura. É de se notar o amadurecimento da poesia de João Cabral, poeta que se rebelou contra o que considerava nosso sentimentalismo, nosso “tradicional lirismo lusitano”, bem como o surgimento de novas tendências experimentalistas, observáveis na linguagem renovadora de Ferreira Gullar e na radicalização dos poetas do Concretismo. As linhas geométricas da arquitetura de Brasília e o apego ao construtivismo que marca a criação poética parecem, de fato, tendências próximas e interligadas. (MOUTINHO, Felipe, inédito)   O anseio pela renovação da linguagem poética ao longo da década de 50, presente tanto na poesia de Ferreira Gullar como na dos poetas concretos, manifestou-se sobretudo como um empenho em
  11. 41. FGV 2015
    Catar Feijão   Catar feijão se limita com escrever: joga-se os grãos na água do alguidar e as palavras na folha de papel; e depois, joga-se fora o que boiar. Certo, toda palavra boiará no papel, água congelada, por chumbo seu verbo: pois para catar esse feijão, soprar nele, e jogar fora o leve e oco, palha e eco.   Ora, nesse catar feijão entra um risco: o de que entre os grãos pesados entre um grão qualquer, pedra ou indigesto, um grão imastigável, de quebrar dente. Certo não, quando ao catar palavras: a pedra dá à frase seu grão mais vivo: obstrui a leitura fluviante, flutual, açula a atenção, isca-a como o risco. João Cabral de Melo Neto, A educação pela pedra.   Entre os recursos estilísticos de que lança mão o poeta na composição do poema, só NÃO se encontra
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