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Exercícios de Romantismo

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  1. 1. UNIFESP 2012
    Leia o poema de Almeida Garrett. Seus olhos Seus olhos - se eu sei pintar O que os meus olhos cegou - Não tinham luz de brilhar, Era chama de queimar; E o fogo que a ateou Vivaz, elemo, divino, Como facho do Destino. Divino, eterno! - e suave Ao mesmo tempo: mas grave E de tão fatal poder, Que, um só momento que a vi, Queimar toda alma senti... Nem ficou mais de meu ser, Senão a cinza em que ardi. Da leitura do poema, depreende-se que se trata de obra do
  2. 2. UFTM 2011
    Leia o poema de Tobias Barreto. A Escravidão Se é Deus quem deixa o mundo Sob o peso que o oprime, Se ele consente esse crime, Que se chama escravidão, Para fazer homens livres, Para arrancá-los do abismo, Existe um patriotismo Maior que a religião. Se não lhe importa o escravo Que a seus pés queixas deponha, Cobrindo assim de vergonha A face dos anjos seus, Em delírio inefável, Praticando a caridade, Nesta hora a mocidade Corrige o erro de Deus! Considerando a temática abordada no poema, é correto afirmar que ele se enquadra no movimento romântico
  3. 3. UFRGS 2012
    A protagonista de Lucíola, romance de José de Alencar,
  4. 4. UCS 2012
    José de Alencar, um dos mais importantes flccionistas brasileiros do século XIX, escreveu romances históricos, regionais, urbanos e indianistas. Leia o fragmento do romance O Guarani, de José de Alencar.    Caía a tarde.    No pequeno jardim da casa do Paquequer, uma linda moça se embalançava indolentemente numa rede de palha presa aos ramos de uma acácia silvestre [...]    Os grandes olhos azuis, meio cerrados, às vezes se abriam languidamente como para se embeberem de luz [...].    Os lábios vermelhos e úmidos pareciam uma flor da gardênia dos nossos campos, orvalhada pelo sereno da noite [...].    Os longos cabelos louros, enrolados negligentemente em ricas tranças, descobriam a fronte alva, e caíam em volta do pescoço presos por uma rendinha ñníssima de fios de palha cor de ouro. [...]    Esta moça era Cecília.    (ALENCAR, José de. O guarani. 25. ed. São Paulo: Ática, 2001. p. 32.) Em relação a obra O Guarani, ou ao fragmento acima descrito, assinale a alternativa correta.
  5. 5. UESPI 2012
    O Romantismo brasileiro encerra determinadas características próprias. Seja porque ele nasce quase conjugado com a nossa Independência política e a criação do Estado-Nação, seja porque recaiu sobre os escritores pátrios a missão de construir parte da nossa identidade nacional e cultural. Ainda sobre o Romantismo no Brasil e a obra de José de Alencar, assinale a alternativa correta.
  6. 6. UPE 2011
    No romance Senhora, de José de Alencar, as características que faz de Fernando Seixas um herói romântico são: I. a preocupação com a família, quando esta lhe solicitou o dinheiro que lhe foi confiado para poupança e ele havia gastado em seu próprio benefício. Martirizou-se por saber que a irmã dependia desse dinheiro para se casar. Não tendo outra saída, sentiu-se obrigado a aceitar a proposta de Aurélia para se casar com ela peIo dote de cem contos de réis, sem nada Ihe revelar. II. a elegância excessiva de Fernando Seixas que o caracteriza como personagem idealizada. III. o fato de trair Aurélia devido a um casamento que Ihe oferecia mais vantagens. IV. a importância dada por Fernando Seixas aos prazeres e às futilidades da época. V. o desfrute da riqueza oferecida por Aurélia sem nenhuma preocupação. Somente está correto o que se afirma em
  7. 7. UDESC 2012
    Capítulo 48 Conclusão feliz [...] Passado o tempo indispensável do luto, o Leonardo, em uniforme de Sargento de Milícias, recebeu-se na Sé com Luisinha, assistindo à cerimônia a familia em peso. Daqui em diante aparece o reverso da medalha. Seguiu-se a morte de Dona Maria, a do Leonardo-Pataca, e uma enfiada de acontecimentos tristes que pouparemos aos leitores, fazendo aqui o ponto final. ALMEIDA, Manuel Antonio de. Memórias de um Sargento de Milícias. Rio de Janeiro: Ediouro, p. 121. Analise as proposições, tendo como base a obra Memórias de um Sargento de Milícias e o texto. I. No romance, Leonardo-Pataca é o pai de Leonardo. Embora no decorrer de toda a obra o filho se envolva com engodos e trapaças, no final este acaba recebendo o cargo de Sargento de Milícias e se casando com Luisinha. II. Da leitura da obra. infere-se que o luto ao qual o texto se refere fora motivado pelo falecimento da mãe de Leonardo, Dona Maria-da-Hortaliça. III. Se o "reverso da medalha" é o desfecho relativo à Dona Maria e a Leonardo-Pataca. o lado principal da medalha. por inferência, é o desfecho relativo ao personagem principal, Leonardo. IV. Permeia em todo o romance um espírito de comicidade e, por meio da sátira, vai relatando os costumes da sociedade no tempo do rei. Assinale a alternativa correta.
  8. 8. FUVEST 2011
    Leia o trecho de Machado de Assis sobre Iracema, de José de Alencar, e responda ao que se pede. "........ e o ciúme e o valor marcial; ........ a austera sabedoria dos anos; iracema o amor. No meio destes caracteres distintos e animados, a amizade é simbolizada em ......... . Entre os indígenas a amizade não era este sentimento, que à força de civilizar-se, tomou-se raro; nascia da simpatia das almas, avivava-se com o perigo, repousava na abnegaçao recíproca; ........ e ......... são os dois amigos da fenda, votados a mútua estima e ao mútuo sacrifício". Machado de Assis, Critica. No trecho, os espaços pontilhados serão corretamente preenchidos, respectivamente, pelos nomes das seguintes personagens de Iracema:
  9. 9. UFG 2013
    Leia o fragmento do poema apresentado a seguir. SPLEEN E CHARUTOS I SOLIDÃO [...] As árvores prateiam-se na praia, Qual de uma fada os mágicos retiros... Ó lua, as doces brisas que sussurram Coam dos lábios teus como suspiros! Falando ao coração que nota aérea Deste céu, destas águas se desata? Canta assim algum gênio adormecido Das ondas moças no lençol de prata? Minh'alma tenebrosa se entristece, E muda como sala mortuária... Deito-me só e triste, sem ter fome Vejo na mesa a ceia solitária. Ó lua, ó lua bela dos amores, Se tu és moça e tens um peito amigo, Não me deixes assim dormir solteiro, A meia-noite vem cear comigo! AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: Obra completa. Organização de AIexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 232. Fenômeno recorrente na estética romântica, o processo de adjetivação permite ao eu lírico, no poema transcrito,
  10. 10. ENEM 2010
    Soneto Já da morte o palor me cobre o rosto, Nos lábios meus o alento desfalece, Surda agonia o coração fenece, E devora meu ser mortal desgosto! Do leito embaide no macio encosto Tento o sono reter!... já esmorece O corpo exausto que o repouso esquece... Eis o estado em que a mágoa me tem posto! O adeus, o teu adeus, minha saudade, Fazem que insano do viver me prive E tenha os olhos meus na escuridade. Dá-me a esperança com que o ser mantive! Volve ao amante os olhos por piedade, Olhos por quem viveu quem já não vive! AZEVEDO. A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para alem desse momento especifico. O fundamento desse lirismo é
  11. 11. UEG 2004
    Com base na leitura das obras indicadas para o vestibular 2004/1, analise as proposições a seguir.     I. A obra Manuelzão e Miguilim apresenta uma temática que se volta para a religiosidade, para o conflito interior entre o bem e o mal e para as inquietações a respeito da vida e da morte. Relativamente à linguagem, percebe-se que ela passa por um processo de revitalização que leva o leitor a ir além das estruturas cristalizadas da língua. É o caso, por exemplo, do uso de neologismos, dos jogos sonoros e da recorrência de metáforas. II. A temática da dualidade entre a vida e a morte está presente, também, nos contos de Lygia Fagundes Telles, na tragédia carioca O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues e nos poemas de Álvares de Azevedo. Nos três casos, a morte ultrapassa o plano metafísico, transcendental e é retratada em seu aspecto físico, material. III. Os desfechos dos contos de Lygia Fagundes Telles, em Pomba enamorada ou Uma história de amor e outros contos escolhidos são marcados pela ambiguidade. É o que se pode comprovar  em “Tigrela”, “O jardim selvagem” e “A caçada”. IV. Em Um jeito torto de vir ao mundo, Adelice da Silveira Barros apresenta uma narrativa que, como nos contos de Lygia Fagundes Telles e de Machado de Assis, embora gire em torno dos conflitos interiores e familiares da personagem-protagonista, assume um tom universal, ao retratar dramas que fazem parte da vida de qualquer pessoa da classe média urbana, especialmente das grandes cidades.        Assinale a alternativa CORRETA:    
  12. 12. UNICENTRO 2005
    Sobre o romance Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, é correto afirmar:
  13. 13. UNEMAT 2008
    “O que há de mais digno de admiração, diria o Tempo (Die Zeit), em toda a imensa coleção trazida pelo Dr. Meyer das suas viagens, é sem contestação uma borboleta, gênero completamente novo e de esplendor acima de qualquer concepção. É a Papilio Innocentia ... (Seguia-se uma descrição de minuciosidade perfeitamente germânica). O nome, acrescentava a folha, dado pelo eminente naturalista àquele soberbo espécimen, foi graciosa homenagem à beleza de uma donzela (Mädchen) dos desertos da província de Mato Grosso (Brasil), criatura, segundo conta o Dr. Meyer, de fascinadora formosura. Vê-se, pois, que também os sábios possuem coração tangível e podem, por vezes, usar da ciência como meio de demonstrar impressões sentimentais que muitos lhes querem recusar...” (TAUNAY, Visconde de. Inocência, p. 181). De acordo com o fragmento acima, analise as afirmações. I – Faz parte do Epílogo do romance Inocência, em que os destinos da borboleta e da moça Inocência se associam. II – A homenagem do cientista alemão à moça sertaneja é decorrente das impressões e sensações vivenciadas durante a viagem. III – A personagem feminina transforma-se em natureza e é imortalizada no nome de uma espécie rara da flora brasileira. Assinale a alternativa CORRETA.
  14. 14. UNEMAT 2010
    Inocência, de Visconde de Taunay, é um romance representativo da literatura brasileira produzida no século XIX. Sobre esta obra é correto afirmar. I. A passagem a seguir é fala de Meyer, na qual ele manifesta sua indignação com o comportamento de Cirino: “ – Olhe, doutor; veja só isto! Que lhe dizia eu? [...]. Graças a Maria Santíssima, tem ainda pais com braço forte e muito sangue nas veias para defendê- la dos garimpeiros e cruzadores de estrada... ele que não brinque com Manecão [...]”. II. Por se restringir ao registro das manifestações linguísticas típicas do sertanejo, o romancista torna sua narrativa inverossímil. III. O final trágico (morte de Cirino e Inocência sem ser possível a união dos amantes) é uma das características dos romances da época: o sacrifício das personagens em prol da preservação da nobreza dos sentimentos. IV. A descrição precisa da paisagem do sertão, bem como a caracterização fiel do sertanejo, sua linguagem e valores culturais integram a obra no regionalismo brasileiro sem, contudo, reduzir a sua qualidade estética. V. A incapacidade do autor em captar os tipos e a paisagem do interior brasileiro faz do romance um acúmulo de descrições que nada acrescentam à literatura do período. Assinale a alternativa correta.
  15. 15. UNEMAT 2011
    Leia o diálogo entre Pereira e Cirino, no momento em que este deve adentrar-se ao quarto de Inocência para examiná-la. “Antes de sair da sala, deteve Pereira o hóspede com ar de quem precisava tocar em assunto de gravidade e ao mesmo tempo de difícil explicação. Afinal começou meio hesitante: - Sr. Cirino, eu cá sou homem muito bom de gênio, muito amigo de todos, muito acomodado e que tenho o coração perto da boca como vosmecê deve ter visto... - Por certo – concordou o outro. - Pois bem, mas... tenho um grande defeito: sou muito desconfiado. Vai o doutor entrar no interior da minha casa e... deve portar-se como... - Oh, Sr. Pereira! – atalhou Cirino com animação, mas sem grande estranheza, pois conhecia o zelo com que os homens do sertão guardam da vista dos profanos os seus aposentos domésticos – posso gabar-me de ter sido recebido no seio de muita família honesta e sei proceder como devo”. (TAUNAY, 1994, p. 39). Com relação à postura do narrador diante dos costumes que caracterizam o sertanejo brasileiro na obra citada, assinale a alternativa correta.
  16. 16. UPF 2012
    Leia as seguintes afirmações sobre Lucíola e classifique com V as verdadeiras e com F as falsas. (__) A narrativa é apresentada ao leitor como o resultado da iniciativa de uma senhora, que teria decidido reunir e publicar as cartas enviadas a ela por Paulo. (__) O registro dos costumes burgueses, que é uma característica de outros livros de José de Alencar, não se faz presente nesse romance. (__) Na obra, o autor aborda o tema da prostituição. (__) Nas últimas páginas do livro, Lúcia conta a Paulo a história de seu passado e manifesta o desejo de voltar a ser chamada pelo seu nome de batismo, Maria. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
  17. 17. FGV-SP 2012
    Leia o seguinte texto sobre a ópera O Guarani, de Carlos Gomes:   Desde a chegada à Europa, Carlos Gomes idealizava o projeto de uma obra de maior vulto, que precisaria ser enviada ao Brasil como contrapartida pela bolsa recebida do governo. A essa altura, seus biógrafos relatam que, com saudades do Brasil, Gomes passeava sozinho pela Piazza del Duomo, quando ouviu o anúncio de um vendedor ambulante: “Il Guarany, Storia del Selvaggi del Brasile”. Tomado de susto pela coincidência, conta-se que comprou ali mesmo a tradução do livro de Alencar, certo de que aquele era um sinal: sua nova obra deveria se voltar às origens. A narrativa serve bem à construção dos mitos em torno do compositor, mas o fato é que não há registro oficial algum do episódio, pelo contrário: cartas e documentos mostram que, ao partir para a Itália, Carlos Gomes já pensava em “O Guarani” como tema para uma nova obra. Se ele comprou uma versão italiana do romance foi apenas para facilitar o trabalho do libretista Antonio Scalvini. O romance de José de Alencar tinha todos os ingredientes de um bom libreto: o triângulo amoroso, a luta entre o bem e o mal e cenas dramáticas e visualmente fortes. No dia 2 de dezembro de 1870, o escritor José de Alencar caminhou pelas ruas do Rio de Janeiro até o Teatro Lírico a fim de acompanhar a estreia brasileira da ópera baseada em seu romance mais famoso, publicado em 1857. Ao fim do espetáculo, a intensa  ovação não foi suficiente para fazer o escritor esquecer algumas restrições com relação à adaptação. Anos depois, em suas memórias, ele se resignaria: “Desculpo-lhe, porém, por tudo, porque daqui a tempos, talvez por causa das suas espontâneas e inspiradas melodias, não poucos hão de ler esse livro, senão relê-lo – e maior favor não pode merecer um autor”. Alencar não estava errado. A ópera não apenas ajudou a manter viva a fama do romance como se tornou símbolo máximo da obra de seu compositor. Coleção Folha Grandes Óperas. São Paulo: Moderna, 2011. Adaptado   O mencionado triângulo amoroso de O Guarani, de José de Alencar, é composto pelas personagens:
  18. 18. UP 2015
    Lucíola, de José de Alencar, é um romance representativo do Romantismo, mas se aproxima do que viria a ser a estética do Realismo. Assinale a alternativa correta no que diz respeito à identificação adequada de traços realistas em Lucíola.   
  19. 19. UEMS 2008
    Para o crítico Fábio Lucas, a obra Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, pode ser considerada tanto uma “coletânea de sete contos”, quanto uma “novela de sete episódios”.   Assinale a alternativa que justifica essa diferente possibilidade de classificação:
  20. 20. UFRR 2013
    José de Nicola, para explicar o Realismo, usa uma citação de Fidelino de Figueiredo, que esclarece sobre esse Estilo de época: “É de todos os tempos o realismo como é a arte. Ele existiu sempre, porque a imaginação tem necessariamente por bases a observação e a experiência, e porque a arte tem sempre por objeto as realidades da vida”. FIGUEIREDO, Fidelino de. apud NICOLA, José de. Literatura Brasileira – das origens aos nossos dias. São Paulo; Scipione, 2007. p. 284. Diferente de outras manifestações artísticas, a Literatura trabalha com linguagem verbal como matéria prima. Os Movimentos/Estilos literários são produtos de sociedades e épocas que se distinguem peculiarmente. Com base nesta informação, analise as proposições a seguir: I. o Realismo foi um movimento artístico e cultural que se desenvolveu na segunda metade do século XIX, sua principal característica foi a abordagem de temas sociais e a objetividade da  realidade e do ser humano; II. o Romantismo possuía um forte caráter ideológico e foi marcado por uma linguagem política, de denúncia dos problemas sociais como a miséria, pobreza, exploração, corrupção entre outros; III. os artistas e escritores realistas iam diretamente ao foco da questão, reagindo ao subjetivismo do Romantismo; IV. uma das correntes do Realismo foi o Naturalismo, cuja objetividade estava presente, sem o conteúdo ideológico; V. os autores românticos romperam com as tradições árcades, apresentaram novas concepções literárias, expressavam suas emoções, desabafos sentimentais, e buscaram a idealização do índio como herói nacional, e suas obras tematizavam o amor, a saudade e a subjetividade. Podemos considerar como historicamente coerentes as afirmações feitas em:
  21. 21. PUC-CAMPINAS 2015
    Teoricamente, o nacionalismo independe do Romantismo, embora tenha encontrado nele o aliado decisivo. Há na literatura do período uma aspiração nacional, definida claramente a partir da Independência e precedendo o movimento romântico. (...) Nem é de espantar que assim fosse, pois além da busca das tradições nacionais e o culto da história, o que se chamou em toda a Europa “despertar das nacionalidades”, em seguida ao empuxe napoleônico, encontrou expressão no Romantismo. Sobretudo nos países novos como o nosso o nacionalismo foi manifestação de vida, exaltação afetiva, tomada de consciência, afirmação do próprio contra o imposto. (Adaptado de: CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. São Paulo: Martins, 1971. 2 v. pp. 14-15)     Consolidada a Independência, e abraçando novas causas libertárias, escritores brasileiros trilharam o caminho
  22. 22. PUC-CAMPINAS 2016
    Costuma-se reconhecer que o Indianismo, na nossa literatura, é marcado por idealizações que emprestam uma espécie de glória artificial ao nosso passado como Colônia. Tais idealizações   I. consistem, basicamente, em atribuir aos nossos silvícolas atitudes e valores herdados da aristocracia medieval, caros ao ideário romântico. II. processam-se com base em fidedignos documentos históricos, nos quais há registro detalhado dos usos e costumes das várias nações indígenas. III. ocorreram como reação às tendências nacionalistas do nosso Romantismo, que valorizavam sobretudo a vida urbana e os valores burgueses.   Atende ao enunciado o que está em
  23. 23. PUC-GO 2016
    VI   Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta contar-te como morreu minha avó.   — Como foi?   — Senta-te.   Rubião obedeceu, dando ao rosto o maior interesse possível, enquanto Quincas Borba continuava a andar.   — Foi no Rio de Janeiro, começou ele, defronte da Capela Imperial, que era então Real, em dia de grande festa; minha avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do Paço. Gente como formiga. O povo queria ver entrar as grandes senhoras nas suas ricas traquitanas. No momento em que minha avó saía do adro para ir à cadeirinha, um pouco distante, aconteceu espantar- -se uma das bestas de uma sege; a besta disparou, a outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas como a sege passaram-lhe por cima. Foi levada em braços para uma botica da Rua Direita, veio um sangrador, mas era tarde; tinha a cabeça rachada, uma perna e o ombro partidos, era toda sangue; expirou minutos depois.   — Foi realmente uma desgraça, disse Rubião.   — Não.   — Não?   — Ouve o resto. Aqui está como se tinha passado o caso. O dono da sege estava no adro, e tinha fome, muita fome, porque era tarde, e almoçara cedo e pouco. Dali pôde fazer sinal ao cocheiro; este fustigou as mulas para ir buscar o patrão. A sege no meio do caminho achou um obstáculo e derribou-o; esse obstáculo era minha avó. O primeiro ato dessa série de atos foi um movimento de conservação: Humanitas tinha fome. Se em vez de minha avó, fosse um rato ou um cão, é certo que minha avó não morreria, mas o fato era o mesmo; Humanitas precisa comer. Se em vez de um rato ou de um cão, fosse um poeta, Byron ou Gonçalves Dias diferia o caso no sentido de dar matéria a muitos necrológios; mas o fundo subsistia. O universo ainda não parou por lhe faltarem alguns poemas mortos em flor na cabeça de um varão ilustre ou obscuro; mas Humanitas (e isto importa, antes de tudo) Humanitas precisa comer.   Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de entender; mas não dava pela necessidade a que o amigo atribuía a morte da avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que chegasse à casa, não morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para sempre. Explicou-lhe, como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe:   — E que Humanitas é esse?   — Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não és capaz de entender isto, meu caro Rubião; falemos de outra coisa.   — Diga sempre. Quincas Borba, que não deixara de andar, parou alguns instantes.   — Queres ser meu discípulo?   — Quero.   — Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no dia em que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse dia terás o maior prazer da vida, porque não há vinho que embriague como a verdade. Crê-me, o Humanitismo é o remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é ele, é Humanitas...   — Mas que Humanitas é esse?   — Humanitas é o principio. Há nas coisas todas certa substância recôndita e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem do grande Camões:   Uma verdade que nas coisas anda,   Que mora no visíbil e invisíbil.   Pois essa sustância ou verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo é o homem. Vais entendendo?   — Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...   — Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o carácter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar- -se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.   — Mas a opinião do exterminado?   — Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias.   — Bem; a opinião da bolha...   — Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É Dom Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra, que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e supradivino. (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 18. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 26-28.)     Com relação à narrativa Quincas Borba, de Machado de Assis, de que faz parte o texto, muitos críticos já afirmaram e continuam afirmando tratar-se de um dos romances mais significativos das décadas finais do século XIX. Seu prestígio se estendeu por todo o século XX e o texto persiste como obra de grande importância até nossos dias.   Dessa forma, podemos afirmar que o êxito alcançado por esse romance se deve principalmente ao fato de (analise os itens que se seguem):     I-o romance apresentar uma linguagem madura, livre dos adereços verborrágicos do Romantismo, ao qual se contrapõe, e discutir com refinada ironia as questões fundamentais inerentes ao ser humano em sua existência terrena.   II-o romance apresentar uma linguagem dotada de resquícios das idealizações românticas, e discutir, de forma direta, questões relativas ao ser humano em suas relações com os animais.   III-A obra machadiana em debate alcançou tanta popularidade, principalmente devido a sua linguagem acessível, mas profunda, que chama a atenção do leitor, por abordar um tema de elevado cunho filosófico ao atribuir características humanas a um animal, o cachorro Quincas Borba.   IV-A obra machadiana em debate alcançou tamanho êxito, principalmente devido a sua linguagem, em que cada detalhe deve ser levado em conta, porque guarda sentidos múltiplos que conduzem o leitor a reflexões profundas sobre si mesmo e sobre o mundo.     Marque, abaixo, a alternativa correta:
  24. 24. UPE 2016
    Há textos literários que se aproximam pelos conteúdos tratados, tal como ocorre com o tema da distância da pátria, cujo início remonta Canção do Exílio, do poeta Gonçalves Dias. Contudo, nem sempre um ratifica, de modo claro, a ideia do outro. Muitas vezes, a retomada se realiza de maneira irônica, em que o texto mais recente assume uma dimensão crítica inovadora, em relação ao texto anterior. Outras vezes, dá-se a retomada por uma paráfrase, pois se mantém o sentido do texto original.   Considerando o exposto, analise os poemas a seguir:   Poema 1 Canção do Exílio   Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.   Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.   Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.     Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar – sozinho, à noite – Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.   Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá. (Gonçalves Dias)     Poema 2 Canto de regresso à pátria   Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá   Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra   Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá   Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que veja a Rua 15 E o progresso de São Paulo (Oswald de Andrade)     Poema 3 Canção do Exílio   Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista, os sargentos do exército são monistas, cubistas, os filósofos são polacos vendendo a prestações. A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos. Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda. Eu morro sufocado em terra estrangeira. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia.   Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade! (Murilo Mendes)   Poema 4 Minha terra   Minha terra não tem terremotos... nem ciclones... nem vulcões... As suas aragens são mansas e as suas chuvas esperadas: chuvas de janeiro... chuvas de caju... chuvas-de-santa-luzia...   Que viço mulato na luz do seu dia! Que amena poesia, de noite, no céu:   – Lá vai São Jorge esquipando em seu cavalo na lua! – Olha o Carreiro-de-São-Tiago! – Eu vou cortar a minha língua na Papa-Ceia!   O homem de minha terra, para viver, basta pescar! e se estiver enfarado de peixe, arma o mondé e vai dormir e sonhar... que pela manhã tem paca louçã, tatu-verdadeiro ou jurupará... pra assá-lo no espeto e depois comê-lo com farinha de mandioca ou com fubá.   [...]   O homem de minha terra tem um deus de carne e osso! – Um deus verdadeiro, que tudo pode, tudo manda e tudo quer... E pode mesmo de verdade. Sabe disso o mundo inteiro:   – Meu Padinho Pade Ciço do Joazero!   [...]   Os guerreiros de minha terra já nascem feitos. Não aprenderam esgrima nem tiveram instrução... Brigar é do seu destino: – Cabeleira! – Conselheiro – Tempestade! – Lampião!   Os guerreiros de minha terra já nascem feitos: – Cabeleira! – Conselheiro – Tempestade! – Lampião! (Ascenso Ferreira)   Analise as afirmativas a seguir e coloque V nas Verdadeiras e F nas Falsas.   (     ) A Canção do Exílio, escrita por Gonçalves Dias, poema do período romântico, exalta a natureza brasileira. Possui versos em que o eu poético, ausente da pátria, traça as diferenças existentes entre o lugar onde se encontra, denominando-o de cá, e a pátria, da qual está distante, de lá, criando assim uma relação antitética e metonímica. (     ) Os três outros poemas pertencem à primeira e à segunda fase do Modernismo. Caracterizam-se por um discurso irônico, que se contrapõe ao tom de exaltação presente no poema 1, contrariando uma máxima da geração de 1922, cuja retomada do passado ocorre sempre de modo ratificador. (     ) O poema 4, ao contrário do 1, pertence à geração de 1922 e resgata temas que integram a cultura brasileira quando traz à tona aspectos do folclore do Nordeste. Além disso, por meio de expressões negativas, tais como: “Não tem terremotos... nem ciclones... nem vulcões..”./ exalta a pátria, mas o faz respeitando a linguagem oral nordestina, aspecto comum na primeira fase do Modernismo Brasileiro. (     ) Os poemas 2 e 3 apresentam pontos em comum quanto à linguagem, pois, em ambos, predomina a crítica ao derramamento sentimental do Romantismo. Isso se justifica porque eles trazem uma imagem crítica da sociedade brasileira bem diferente daquela contida no poema 1. Desse modo, eles se relacionam como retomada intertextual e parodística. (     ) Os quatro poemas integram a literatura da terceira fase do Modernismo Brasileiro, pois obedecem à métrica rígida e apresentam uma secura de linguagem que se aproxima daquela utilizada por Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Ambos, em sua produção poética, se aproximam do antilirismo.   Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA.
  25. 25. UNAMA 2007
    Texto 1   Era um sonho dantesco... o tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho. Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar... Negras mulheres, suspendendo às tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs! [...] Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia? Silêncio. Musa... chora, e chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto!... Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra E as promessas divinas da esperança... Tu que, da liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!... Fatalidade atroz que a mente esmaga! Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu nas vagas, Como um íris no pélago profundo! Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! Andrada! arranca esse pendão dos ares! Colombo! fecha a porta dos teus mares! “Navio Negreiro”, 1868.   Texto 2   [...] Sudorâncias bunduns mesclam-se intoxicantes no fartum dos suarentos corpos lisos lustrosos. Ventres empinam-se no arrojo da umbigada, as palmas batem o compasso da toada. [...] Ó princesa Izabel! Patrocínio! Nabuco! Visconde do Rio Branco! Euzébio de Queiroz! E o batuque batendo e a cantiga cantando lembram na noite morna a tragédia da raça! Mãe Preta deu sangue branco a muito "Sinhô moço"... Publicado no livro Batuque: poemas (1939).   Embora separados pelo tempo, o poema de Bruno de Menezes se assemelha ao de Castro Alves, principalmente no que se refere a um dos aspectos do Romantismo que é o (a):
  26. 26. UFJF 2016
    Texto I Navio negreiro-fragmentos (Castro Alves) Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus?! Ó mar, por que não apagas Co'a esponja de tuas vagas De teu manto este borrão?... Astros! noites! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão! Quem são estes desgraçados Que não encontram em vós Mais que o rir calmo da turba Que excita a fúria do algoz? Quem são? Se a estrela se cala, Se a vaga à pressa resvala Como um cúmplice fugaz, Perante a noite confusa... Dize-o tu, severa Musa, Musa libérrima, audaz!... São os filhos do deserto, Onde a terra esposa a luz. Onde vive em campo aberto A tribo dos homens nus... São os guerreiros ousados Que com os tigres mosqueados Combatem na solidão. Ontem simples, fortes, bravos. Hoje míseros escravos, Sem luz, sem ar, sem razão. . . (...) VI Existe um povo que a bandeira empresta P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia? Silêncio. Musa... chora, e chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto! ... Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra E as promessas divinas da esperança... Tu que, da liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!... (ALVES, Castro. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1960. pp. 281-283)   O texto I é um fragmento do poema “Navio negreiro”, de 1868, sobre o tráfico de escravos no Brasil. Por meio desse poema, o autor faz uma crítica à sociedade brasileira e à política do Império, responsáveis pela manutenção de um regime escravista. A figura que sustenta metaforicamente essa crítica é:
  27. 27. UFJF 2016
    Texto I Navio negreiro-fragmentos (Castro Alves) Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus?! Ó mar, por que não apagas Co'a esponja de tuas vagas De teu manto este borrão?... Astros! noites! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão! Quem são estes desgraçados Que não encontram em vós Mais que o rir calmo da turba Que excita a fúria do algoz? Quem são? Se a estrela se cala, Se a vaga à pressa resvala Como um cúmplice fugaz, Perante a noite confusa... Dize-o tu, severa Musa, Musa libérrima, audaz!... São os filhos do deserto, Onde a terra esposa a luz. Onde vive em campo aberto A tribo dos homens nus... São os guerreiros ousados Que com os tigres mosqueados Combatem na solidão. Ontem simples, fortes, bravos. Hoje míseros escravos, Sem luz, sem ar, sem razão. . . (...) VI Existe um povo que a bandeira empresta P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia? Silêncio. Musa... chora, e chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto! ... Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra E as promessas divinas da esperança... Tu que, da liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!... (ALVES, Castro. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1960. pp. 281-283)   Texto II A morte do leiteiro (Carlos Drummond de Andrade) Há pouco leite no país, é preciso entregá-lo cedo. Há muita sede no país, é preciso entregá-lo cedo. Há no país uma legenda, que ladrão se mata com tiro. Então o moço que é leiteiro de madrugada com sua lata sai correndo e distribuindo leite bom para gente ruim. Sua lata, suas garrafas e seus sapatos de borracha vão dizendo aos homens no sono que alguém acordou cedinho e veio do último subúrbio trazer o leite mais frio e mais alvo da melhor vaca para todos criarem força na luta brava da cidade. Na mão a garrafa branca não tem tempo de dizer as coisas que lhe atribuo nem o moço leiteiro ignaro. morador na Rua Namur, empregado no entreposto Com 21 anos de idade, sabe lá o que seja impulso de humana compreensão. E já que tem pressa, o corpo vai deixando à beira das casas uma apenas mercadoria. E como a porta dos fundos também escondesse gente que aspira ao pouco de leite disponível em nosso tempo, avancemos por esse beco, peguemos o corredor, depositemos o litro… Sem fazer barulho, é claro, que barulho nada resolve. Meu leiteiro tão sutil de passo maneiro e leve, antes desliza que marcha. É certo que algum rumor sempre se faz: passo errado, vaso de flor no caminho, cão latindo por princípio, ou um gato quizilento. E há sempre um senhor que acorda, resmunga e torna a dormir. Mas este entrou em pânico (ladrões infestam o bairro), não quis saber de mais nada. O revólver da gaveta saltou para sua mão. Ladrão? se pega com tiro. Os tiros na madrugada liquidaram meu leiteiro. Se era noivo, se era virgem, se era alegre, se era bom, não sei, é tarde para saber.   Mas o homem perdeu o sono de todo, e foge pra rua. Meu Deus, matei um inocente. Bala que mata gatuno também serve pra furtar a vida de nosso irmão. Quem quiser que chame médico, polícia não bota a mão neste filho de meu pai. Está salva a propriedade. A noite geral prossegue, a manhã custa a chegar, mas o leiteiro estatelado, ao relento, perdeu a pressa que tinha. Da garrafa estilhaçada. no ladrilho já sereno escorre uma coisa espessa que é leite, sangue… não sei Por entre objetos confusos, mal redimidos da noite, duas cores se procuram, suavemente se tocam, amorosamente se enlaçam, formando um terceiro tom a que chamamos aurora. ANDRADE, Carlos Drummond. Poesia 1930-62.São Paulo: Cosac Naif , 2012, pp. 407-411   Tanto o poema de Castro Alves (Texto I) quanto o de Carlos Drummond de Andrade (Texto II) apresentam personagens que, seja na época do Romantismo ou na do Modernismo, estão em posição subalterna na sociedade brasileira. O elemento que estabelece identidade entre esses personagens em séculos diferentes é:
  28. 28. PUC-CAMPINAS 1999
    E fui... e fui... ergui-me no infinito, Lá onde o voo d'águia não se eleva... Abaixo - via a terra - abismo em treva! Acima - o firmamento - abismo em luz!   Os versos anteriores pertencem aos poemas "O voo do gênio", do livro ESPUMAS FLUTUANTES. Esses versos ilustram a seguinte característica da poética de Castro Alves:
  29. 29. UFV 2010
    Leia as duas estrofes abaixo, extraídas do poema “Boa-Noite”, do poeta romântico Castro Alves:   BOA-NOITE, Maria! Eu vou-me embora. A lua nas janelas bate em cheio. Boa-noite, Maria! É tarde... é tarde... Não me apertes assim contra teu seio.   Boa-noite!... E tu dizes – Boa-noite. Mas não digas assim por entre beijos... Mas não mo digas descobrindo o peito, – Mar de amor onde vagam meus desejos.   (ALVES, Castro. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004, p. 122.)   Nas estrofes acima, a visão que o eu lírico deixa transparecer do amor que sente é repleta de:
  30. 30. UFV 2010
    As mudanças contínuas dos Estilos Literários se caracterizam pela oposição ideológica e formal entre eles. Considerando tal afirmação, relacione a 1a coluna com as características apresentadas na 2a coluna.   1 – Arcadismo 2 – Romantismo   ( ) Intuição e subjetivismo. ( ) Atração pela noite e pelo mistério. ( ) Imitação da cultura clássica greco-latina. ( ) Objetivismo e racionalismo. ( ) Respeito às formas fixas na criação poética.   A sequência CORRETA é:
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