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PUC-RJ 2008

Recordação

Agora, o cheiro áspero das flores
Leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.

Eram assim teus cabelos;
Tuas pestanas eram assim, finas e curvas.

As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exalação de água secreta,
de talos molhados, de pólen,
de sepulcro e de ressurreição.

E as borboletas sem voz
dançavam assim veludosamente.

Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
– e incompreensíveis, incompreensíveis.

Fonte: MEIRELES, Cecília.Obra poética. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1972, p.154

 

As figuras de linguagem são utilizadas como recurso expressivo. 

No poema de Cecília Meireles, constituem exemplo de Prosopopeia e de Sinestesia, respectivamente, as seguintes passagens:
 

 

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