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UEFS 2015

Paisagem noturna


A sombra imensa, a noite infinita enche o vale ...
E lá do fundo vem a voz
Humilde e lamentosa
Dos pássaros da treva. Em nós,
5 — Em noss’alma criminosa,
O pavor se insinua ...
Um carneiro bale.
Ouvem-se pios funerais.
Um como grande e doloroso arquejo
10 Corta a amplidão que a amplidão continua . . .
E cadentes, metálicos, pontuais,
Os tanoeiros do brejo,
Os vigias da noite silenciosa,
Malham nos aguaçais.
15 Pouco a pouco, porém, a muralha de treva
Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça
Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva
A sombria massa
Das serranias. [...]
BANDEIRA, Manuel. Paisagem noturna.

Disponível em:. Acesso em: 9 nov.2014.

Embora Manuel Bandeira seja o autor da primeira geração
modernista, propondo uma poética libertadora e transgressora,
muitas vezes, retoma perfis poéticos de outras tradições
literárias, como ocorre em relação ao

 

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