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UEG 2004

Leia atentamente o trecho abaixo.

 

A pedra grande é meu ninho. Nele teço sonhos, tramo ideais. Com os olhos fechados, acompanho a música das águas. Na orquestra dos pássaros, isolo o canto eterno da juriti. A maciez da minha pele vai, aos poucos, fundindo-se à rigidez da matéria condensada. Eu, líquida, derretida em emoções, caldeirão de sentimentos redemoinhando águas – eternas águas presentes e passadas – vou explorando a solidez de corpos petrificados. De outros corpos. Ontem: gente, flores, peixes, folhas, flores, borboletas, baratas. Matéria. Tudo isso e mais, muito mais, outras vidas aprisionadas na inocência da rocha. Cristalizada na eternidade da pedra. Cedo ou tarde acabamos todos. Não posso ser simplesmente isso, ainda não: um ser desassisado, descerebrado de vontade, engastado na concha de preceitos de um povo. Livre-líquida, desejo navegar profundezas de águas, mares abertos, voar ondas, outros céus. Sólida nunca.

BARROS, Adelice da Silveira. Um jeito torto de vir ao mundo. Goiânia: Kelps, 2003. p. 105.

 

Com base no fragmento acima, marque a alternativa INCORRETA:

Escolha uma das alternativas.