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UFES 2006

ENERGIA, SOCIEDADE E CULTURA

TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO

 

            Nas discussões sobre a questão da transposição de águas do São Francisco para o setor norte do Nordeste seco, existem alguns argumentos tão fantasiosos e mentirosos que merecem ser corrigidos em primeiro lugar. Referimo-nos ao fato de que a transposição das águas resolveria os grandes problemas sociais existentes na região semi-árida do Brasil. Trata-se de um argumento completamente infeliz. O Nordeste seco abrange um espaço da ordem de 750.000 km2, enquanto a área que pretensamente receberá grandes benefícios abrange dois projetos lineares que somam apenas alguns milhares de quilômetros.

            O risco final é que, atravessando acidentes geográficos consideráveis, como a elevação da escarpa sul da chapada do Araripe, com grande gasto de energia, a transposição acabe por significar apenas um canal tímido de água, de duvidosa validade econômica e interesse social e de grande custo, o que acabaria por movimentar o mercado especulativo da terra e da política. No fim, tudo apareceria como um movimento de transformar todo o espaço em mercadoria.

(AB' SABER, Aziz Nacib. Sobre a transposição do São Francisco: As águas do rio não são a panaceia para os problemas do semiárido. "Scientific American Brazil". 2005. Adaptado.)

 

            O São Francisco já está com suas águas comprometidas na geração de energia e irrigação. A explicação é a seguinte: a vazão média do rio é de 2.800 m3/seg. Para gerar energia, são necessários cerca de 2.100 m3/seg. Portanto restam 700 m3/seg. O potencial das áreas irrigáveis do São Francisco é de 3.000.000 de ha. Se considerarmos 0,5 litro/seg/ha como um número razoável para fins de cálculo da irrigação, seriam necessários 1.500 m3/seg para irrigar aquela área potencial. Ocorre que não temos esse volume disponível no rio. Temos apenas  700 m3/seg que permitem irrigar somente cerca de 1.400.000 ha. Certamente, não vamos ter água suficiente para gerar energia, irrigar e abastecer as cidades do semiárido nordestino, conforme se está pretendendo. Se já é triste morrer de sede, mais triste ainda é morrer de sede no escuro.

(SUASSUNA, João. "Transposição: impactos na bacia do rio São Francisco". Disponível em:. Acesso em: 27 jul. 2005. Modificado.)

 

Sobre a implantação do projeto de transposição das águas do rio São Francisco, É CORRETO afirmar que:

 

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