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UNEMAT 2010

O poema abaixo foi extraído da obra Livro das ignorãças, de Manoel de Barros (p.89).

Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas leituras não era a beleza das frases, mas a doença delas.

Comuniquei ao padre Ezequiel, um meu Preceptor, esse gosto esquisito.

Eu pensava que fosse um sujeito escaleno. 

– Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável, o Padre me disse.

Ele fez um limpamento em meus receios.

O Padre falou ainda: – Manoel, isso não é doença, pode muito que você carregue para o resto da vida um certo gosto por nadas...

E se riu.

Você não é de bugre? – ele continuou.

Que sim, eu respondi.

Veja que bugre só pega por desvios, não anda em estradas

Pois é nos desvios que encontra melhores surpresas e os ariticuns maduros.

Há que apenas saber errar bem o seu idioma.

Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de agramática.

Observe que, brincando com a forma, o poeta faz uma reflexão sobre o ato de poetar.

 

Assinale a alternativa que está em desacordo com o jogo proposto no poema. 

Escolha uma das alternativas.