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UNEMAT 2015

Meninos Carvoeiros

Os meninos carvoeiros

Passam a caminho da cidade.
- Eh, carvoeiro!

E vão tocando os animais com um relho enorme.

 

Os burros são magrinhos e velhos.

Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.

A aniagem é toda remendada.

Os carvões caem.

 

(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)

 

- Eh, carvoeiro! Só mesmo estas crianças raquíticas.

Vão bem com estes burrinhos descadeirados.

A madrugada ingênua parece feita para eles...

Pequenina, ingênua miséria!

Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!

- Eh, carvoeiro!

Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado.

Encarapitados nas alimárias,

Apostando corrida,

Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados!

(BANDEIRA, Manuel. Antologia Poética. 10ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1978)

O poema aborda um grave problema social, que é o trabalho infantil. A gravidade do tema está coerente com um dos versos cuja conjugação verbal destoa da aparente descontração dos meninos. Assinale-o.

Escolha uma das alternativas.