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Exercícios de Formação de Palavras e Análise Morfológica

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Estude Gramática com esses e mais de 30000 que caíram no ENEM, Fuvest, Unicamp, UFRJ, UNESP e muitos outros vestibulares!

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  1. 31. ENEM PPL 2012
    Devemos dar apoio emocional específico, trabalhando o sentimento de culpa que as mães têm de infectar o filho. O principal problema que vivenciamos é quanto ao aleitamento materno. Além do sentimento muito forte manifestado pelas gestantes de amamentar seus filhos, existem as cobranças da família, que exige explicações pela recusa em amamentar, sem falar nas companheiras na maternidade que estão amamentando. Esses conflitos constituem nosso maior desafio. Assim, criamos a técnica de mamadeirar. O que é isso? É substituir o seio materno por amor, oferecendo a mamadeira, e não o peito! PADOIN, S. M. M. et al. (Org.) Experiências interdisciplinares em Aids: interfaces de uma epidemia. Santa Maria: UFSM, 2006 (adaptado).   O texto é o relato de uma enfermeira no cuidado de gestantes e mães soropositivas. Nesse relato, em meio ao drama de mães que não devem amamentar seus recém-nascidos, observa-se um recurso da língua portuguesa, presente no uso da palavra “mamadeirar”, que consiste
  2. 32. ENEM - 3 APLICACAO 2014
    Retrato do artista quando coisa   A menina apareceu grávida de um gavião. Veio falou para a mãe: o gavião me desmoçou. A mãe disse: Você vai parir uma árvore para a gente comer goiaba nela. E comeram goiaba. Naquele tempo de dantes não havia limites para ser. Se a gente encostava em ser ave ganhava o poder de alçar. Se a gente falasse a partir de um córrego a gente pegava murmúrios. Não havia comportamento de estar. Urubus conversavam sobre auroras. Pessoas viravam árvore. Pedras viravam rouxinóis.  Depois veio a ordem das coisas e as pedras têm que rolar seu destino de pedra para o resto dos tempos. Só as palavras não foram castigadas com  a ordem natural das coisas. As palavras continuam com seus deslimites. BARROS,  M. Retrato do Artista Quando Coisa Rio de Janeiro: Record, 1998.  No poema, observam-se os itens lexicais desmoçou e deslimites. O mecanismo linguístico que os originou corresponde ao processo de 
  3. 33. Espcex (Aman) 2014
    Ao se alistar, não imaginava que o combate pudesse se realizar em tão curto prazo, embora o ribombar dos canhões já se fizesse ouvir ao longe. O processo de formação das palavras sublinhadas, é, respectivamente, 
  4. 34. UFPR
    A formação do vocábulo sublinhado na expressão "o canto das sereias" é: 
  5. 35. UFAM 2009
    Assinale a opção em que todas as palavras são compostas por aglutinação:
  6. 36. UFAM 2009
    Assinale a opção em que todos os vocábulos são parassintéticos:
  7. 37. FGV-RJ 2012
    Tapera de arraial. Ali, na beira do rio Pará, deixaram largado um povoado inteiro: casas, sobradinho, capela; três vendinhas, o chalé e o cemitério; e a rua, sozinha e comprida, que agora nem mais é uma estrada, de tanto que o mato a entupiu. Ao redor, bons pastos, boa gente, terra boa para o arroz. E o lugar já esteve nos mapas, muito antes da malária chegar. (...) É de-tardinha, quando as mutucas convidam as muriçocas de volta para casa, e quando o carapanã rajado mais o mossorongo cinzento se recolhem, que ele aparece, o pernilongo pampa, de pés de prata e asas de xadrez. Guimarães Rosa.  Dos recursos expressivos frequentes no estilo de Guimarães Rosa, o único que NÃO ocorre no fragmento acima é:  
  8. 38. FGV-SP 2011
    A ideia de que as letras se destinam, exclusivamente, à motivação de fatos emocionais ou ao prazer lúdico do homem domina o juízo comum a respeito. No entanto, isso é um grande erro. As letras enriquecem o conhecimento com a mesma força, ainda que sob ângulos diversos, com que se apresentam os recursos científicos e os aperfeiçoamentos tecnológicos. Hoje, o estudo das letras se coloca na mesma posição intelectual que faz a justa glória dos pesquisadores e professores da área científica.   Afrânio Coutinho Constitui exemplo de parassíntese – adição simultânea de prefixo e sufixo a um dado radical – a seguinte palavra do texto:
  9. 39. FGV-SP 2012
    Sua excelência [O ministro] vinha absorvido e tangido por uma chusma de sentimentos atinentes a si mesmo que quase lhe falavam a um tempo na consciência: orgulho, força, valor, satisfação própria etc. etc. Não havia um negativo, não havia nele uma dúvida; todo ele estava embriagado de certeza de  seu valor intrínseco, das  suas qualidades extraordinárias e excepcionais de condutor dos povos. A respeitosa atitude de todos e a deferência universal que o cercavam, reafirmadas tão eloquentemente naquele banquete, eram nada mais, nada menos que o sinal da convicção dos povos de ser ele o resumo do país, vendo nele o solucionador das suas dificuldades presentes e o agente eficaz do seu futuro e constante progresso.   Na sua ação repousavam as pequenas esperanças dos humildes e as desmarcadas ambições dos ricos. Era tal o seu inebriamento que chegou a esquecer as coisas feias do seu ofício... Ele se julgava, e só o que lhe parecia grande entrava nesse julgamento.   As obscuras determinações das coisas, acertadamente, haviam-no erguido até ali, e mais alto levá-lo-iam, visto que, só ele, ele só e unicamente, seria capaz de fazer o país chegar ao destino que os antecedentes dele impunham. Lima Barreto. Os bruzundangas. Porto Alegre: L&PM, 1998, pp. 15-6.   A palavra que apresenta, em sua formação, um prefixo e um sufixo formador de adjetivo é
  10. 40. FUVEST 2001
    Só os roçados da morte compensam aqui cultivar, e cultivá-los é fácil: simples questão de plantar; não se precisa de limpa, de adubar nem de regar; as estiagens e as pragas fazem-nos mais prosperar; e dão lucro imediato; nem é preciso esperar pela colheita: recebe-se na hora mesma de semear. NETO, João Cabral de Melo. Morte e vida severina.   Observa-se mesmo processo de formação da palavra sublinhada em
  11. 41. UFSM 2015
    A lenda da mandioca (lenda dos índios Tupi)   Nasceu uma indiazinha linda, e a mãe e o pai tupis espantaram-se: – Como é 7branquinha 1esta criança! E era mesmo. Perto dos outros curumins da taba, parecia um raiozinho de lua. Chamaram-na Mani. Mani era 2linda, 8silenciosa e 3quieta. Comia 4pouco e pouco bebia. Os pais preocupavam-se. – Vá brincar, Mani, dizia o pai. – Coma um 5pouco mais, dizia a mãe. Mas a menina continuava quieta, cheia de sonhos na cabecinha. Mani parecia esconder um mistério. Uma bela manhã, não se levantou da rede. O pajé foi chamado. Deu ervas e bebidas a menina. Mas não atinava com o que tinha Mani. Toda a tribo andava triste. Mas, deitada em sua rede, Mani sorria, sem doença e sem dor. E sorrindo, Mani morreu. Os pais a enterraram dentro da própria oca. E regavam sua cova todos os dias, como era costume entre os índios Tupis. Regavam com lágrimas de saudade. Um dia perceberam que do túmulo de Mani rompia uma plantinha verde e viçosa. – Que planta será esta? Perguntaram, admirados. Ninguém a conhecia. – É melhor deixá-la crescer, resolveram os índios. E continuaram a regar o 9brotinho mimoso. A planta desconhecida crescia depressa. 6Poucas luas se passaram, e ela estava altinha, com um caule forte, que até fazia a terra se rachar em torno. – A terra parece fendida, comentou a mãe de Mani. – Vamos cavar? E foi o que fizeram. Cavaram pouco e, à flor da terra, viram umas raízes grossas e morenas, quase da cor dos curumins, nome que dão aos meninos índios. Mas, sob a casquinha marrom, lá estava a polpa branquinha, quase da cor de Mani. Da oca de terra de Mani surgia uma nova planta! – Vamos chamá-la 10Mani-oca, resolveram os índios. – E, para não deixar que se perca, vamos transformar a planta em alimento! Assim fizeram! Depois, fincando outros ramos no chão, fizeram a primeira plantação de mandioca. Até hoje entre os índios do Norte e Centro do Brasil é este um alimento muito importante. E, em todo Brasil, quem não gosta da plantinha misteriosa que surgiu na casa de Mani? Fonte: GIACOMO, Maria T. C. de. Lendas brasileiras, n. 7, 2. ed. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1977. (adaptado)   Assinale V na(s) afirmativa(s) verdadeira(s) e F na(s) falsa(s).   (     ) O texto se estrutura em estágios típicos da narrativa, dentre os quais está a complicação, iniciada no momento em que Mani não se levantou da rede. (     ) No estágio de orientação da narrativa, a personagem principal é representada por meio de um nome próprio e adjetivos que descrevem sua aparência, como “linda” (ref. 2) e “branquinha” (ref. 7), e seu comportamento, como “silenciosa” (ref. 8) e “quieta” (ref. 3). (     ) Palavras como “brotinho” (ref. 9) e “branquinha” (ref. 7) contribuem para estabelecer semelhanças entre a planta então desconhecida e Mani, ao mesmo tempo em que o emprego dos sufixos indicadores de diminutivo corroboram a representação de delicadeza e sensibilidade. (     ) Ao nomearem a nova planta de “Mani-oca” (ref. 10), os índios utilizaram o processo de formação de palavras por derivação prefixal.   A sequência correta é
  12. 42. UNIFESP 2015
    Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook?   Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio que muitos poderão considerar impossível: ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social.   O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença neste caso é que o teste é completamente voluntário. Ironicamente, para poder participar, o usuário deve trocar a foto do perfil no Facebook e postar um contador na rede social.   Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos participantes no 33.º dia, no 66.º e no último dia da abstinência.   Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em média 17 minutos por dia na rede social. Em 99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a mais de 28 horas, que poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”. (http://codigofonte.uol.com.br. Adaptado.)     Considere os enunciados a seguir para responder à questão   • [...] ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. (1.º parágrafo) • [...] que poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”. (4.º parágrafo)     Analisando-se o emprego e a estrutura das palavras “olhadinha” e “emocionalmente”, é correto afirmar que os sufixos nelas presentes indicam, respectivamente, sentido de
  13. 43. UNICAMP 2014
    A sobrevivência dos meios de comunicação tradicionais demanda foco absoluto na qualidade de seu conteúdo. A internet é um fenômeno de desintermediação. E que futuro aguardam os meios de comunicação, assim como os partidos políticos e os sindicatos, num mundo desintermediado? Só nos resta uma saída: produzir informação de alta qualidade técnica e ética. Ou fazemos jornalismo de verdade, fiel à verdade dos fatos, verdadeiramente fiscalizador dos poderes públicos e com excelência na prestação de serviços, ou seremos descartados por um consumidor cada vez mais fascinado pelo aparente autocontrole da informação na plataforma virtual. FRANCO, Carlos Alberto di. Democracia demanda jornalismo independente. O Estado de São Paulo, São Paulo, 14 out. 2013, p. A2. A palavra desintermediação é formada pelo(s) processo(s) de:
  14. 44. UEL 2012
    A DILMA NÃO É LULODEPENDENTE “Vinde a mim vós todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” Cristão de boa cepa – já quis até ser padre –, o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, continua com o hábito de escolher, matinalmente, o versículo do dia. O da quarta-feira, 27 de julho, era este de Mateus 11, 28-30. Oprimido ele não está, mas o cansaço não dá para esconder. “Isso aqui não para”, disse logo depois de voltar de mais uma reunião “com a Dilma”. É como ele a trata, alternando com o “presidenta” quando acha mais adequado. “Eu chamo mais ela de Dilma que chamava o Lula de Lula. O Lula gostava muito que a gente o chamasse de presidente”. Aos 60 anos, o ex-seminarista, ex-sindicalista e ex-dirigente do PT quer ser ex-ministro no fim deste mandato, “se a presidenta quiser que eu fique até lá”.   Com relação aos recursos linguísticos utilizados no texto, considere as afirmativas a seguir. I. A frase “oprimido ele não está, mas o cansaço não dá para esconder” mantém uma relação de intertextualidade com o versículo que inicia o texto. II. Tanto no trecho “o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência,” quanto no trecho “continua com o hábito de escolher, matinalmente, o versículo do dia”, as vírgulas separam o sujeito do aposto. III. Em “aos 60 anos, o ex-seminarista, ex-sindicalista e ex-dirigente do PT quer ser ex-ministro no fim deste mandato”, o autor utiliza vírgulas, pois se trata de uma enumeração. IV. A expressão “lulodependente”, do título do texto, é um neologismo.   Assinale a alternativa correta.  
  15. 45. UEL 2011
    A questão refere-se ao romance O outro pé da sereia, de Mia Couto. A crítica literária tem aproximado o moçambicano Mia Couto do brasileiro Guimarães Rosa, em particular pelo fato de ambos empregarem neologismos em suas obras. No trecho “as mãos calosas, de enxadachim”, extraído do conto “Fatalidade”, de autoria do autor brasileiro, o neologismo “enxadachim” é construído pelo mesmo processo de formação de palavras utilizado pelo autor moçambicano para a criação de
  16. 46. UEMA 2016
    Leia o texto a seguir e analise a linguagem utilizada por Guimarães Rosa, escritor da terceira fase do Modernismo brasileiro. “A gente via Brejeirinha: primeiro, os cabelos, compridos, lisos, louro-cobre; e, no meio deles, coisicas diminutas: a carinha não-comprida, o perfilzinho agudo, um narizinho que-carícia. Aos tantos, não parava, andorinhava, espiava agora – o xixixi e o empapar-se da paisagem – as pestanas til-til. Porém, disse-se-dizia ela, pouco se vê, pelos entrefios: - “Tanto chove, que me gela!” Aí, esticou-se para cima, dando com os pés em diversos objetos. – “Ui, ui-te!”” ROSA, Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1967. A recriação da própria linguagem e de neologismos, no texto de Guimarães Rosa, também está presente em outros autores, conforme exemplificam os versos:
  17. 47. UNIFESP 2014
    O nada que é     Um canavial tem a extensão ante a qual todo metro é vão.   Tem o escancarado do mar que existe para desafiar   que números e seus afins possam prendê-lo nos seus sins.   Ante um canavial a medida métrica é de todo esquecida,   porque embora todo povoado povoa-o o pleno anonimato   que dá esse efeito singular: de um nada prenhe como o mar. (João Cabral de Melo Neto. Museu de tudo e depois, 1988.)     No título do poema – O nada que é –, ocorre a substantivação do pronome nada. Esse processo de formação de palavras também se verifica em:
  18. 48. UERJ 2013
    Nós, escravocratas Há exatos cem anos, saía da vida para a história um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o pernambucano Joaquim Nabuco. Político que ousou pensar, intelectual que não se omitiu em agir, pensador e ativista com causa, principal artífice da abolição do regime escravocrata no Brasil. Apesar da vitória conquistada, Joaquim Nabuco reconhecia: “Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravidão”, como lembrou na semana passada Marcos Vinicios Vilaça, em solenidade na Academia Brasileira de Letras. Mas a obra da escravidão continua viva, sob a forma da exclusão social: pobres, especialmente negros, sem terra, sem emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, muitos ainda sem comida; sobretudo sem acesso à educação de qualidade. Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra da escravidão se mantém e continuamos escravocratas. Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança, quanto eram diferenciadas as vidas na Casa Grande ou na Senzala. Somos escravocratas porque, até hoje, não fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade nos dias atuais. Somos escravocratas porque todos nós, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo-nos da exclusão dos que não estudaram. Como antes, os brasileiros livres se beneficiavam do trabalho dos escravos. Somos escravocratas ao jogarmos, sobre os analfabetos, a culpa por não saberem ler, em vez de assumirmos nossa própria culpa pelas decisões tomadas ao longo de décadas. Privilegiamos investimentos econômicos no lugar de escolas e professores. Somos escravocratas, porque construímos universidades para nossos filhos, mas negamos a mesma chance aos jovens que foram deserdados do Ensino Médio completo com qualidade. Somos escravocratas de um novo tipo: a negação da educação é parte da obra deixada pelos séculos de escravidão. A exclusão da educação substituiu o sequestro na África, o transporte até o Brasil, a prisão e o trabalho forçado. Somos escravocratas que não pagamos para ter escravos: nossa escravidão ficou mais barata, e o dinheiro para comprar os escravos pode ser usado em benefício dos novos escravocratas. Como na escravidão, o trabalho braçal fica reservado para os novos escravos: os sem educação. Negamo-nos a eliminar a obra da escravidão. Somos escravocratas porque ainda achamos naturais as novas formas de escravidão; e nossos intelectuais e economistas comemoram minúscula distribuição de renda, como antes os senhores se vangloriavam da melhoria na alimentação de seus escravos, nos anos de alta no preço do açúcar. Continuamos escravocratas, comemorando gestos parciais. Antes, com a proibição do tráfico, a lei do ventre livre, a alforria dos sexagenários. Agora, com o bolsa família, o voto do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da abolição plena. Somos escravocratas porque, como no século XIX, não percebemos a estupidez de não abolirmos a escravidão. Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a revolução educacional que poderia completar a quase-abolição de 1888. Não ousamos romper as amarras que envergonham e impedem nosso salto para uma sociedade civilizada, como, por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e amarrava nosso avanço. Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra criada pela escravidão continua, porque continuamos escravocratas. E, ao continuarmos escravocratas, não libertamos os escravos condenados à falta de educação. CRISTOVAM BUARQUE Adaptado de http://oglobo.globo.com, 30/01/2000.   Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a revolução educacional que poderia completar a quase-abolição de 1888. (l. 39-40) A criação da palavra composta, quase-abolição, cumpre principalmente a função de:  
  19. 49. UEFS 2015
    O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito — por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 449.   Analisando-se a linguagem utilizada no texto de Guimarães Rosa, verifica-se que
  20. 50. PUC-RS 2007
    Pelo fim da “showblicidade” de cerveja     1. Em julho de 1990 pude visitar algumas cidades 2. do Leste europeu que estavam saindo da ditadura 3. socialista e entrando na economia de mercado. 4. Permaneci  um  mês  entre  Praga,  Bratislava  e 5. Budapeste.  Em  Praga  e  Bratislava  não  havia 6. publicidade de coisa nenhuma. Tudo era estatal e de 7. escassa qualidade. Senti saudades do trabalho dos 8. publicitários, das informações e dos atrativos de 9. nossos produtos. Digo isso para deixar bem claro 10. que não sou contra a publicidade comercial. 11. Porém, há muito que no Brasil a publicidade – 12. sobretudo  a  telepublicidade  –  deixou  de  ser 13. informativa para se tornar persuasiva e voraz. Perdeu 14. aquela certa ingenuidade de ovelha que a tornava 15. até simpática. Adotou estilo lobo voraz, mesmo com 16. roupa de carneiro. 17. A publicidade não trabalha mais apenas com o 18. desejo  de  informar  e  de  competir  mostrando  a 19. qualidade do produto. Ela quer vender a qualquer 20. custo, servindo-se de mecanismos psicológicos de 21. indução ao consumo. Apoderou-se de várias festas 22. populares, como o Dia da Criança e o Dia das Mães, 23. impondo a elas apenas sentido comercial. Cria e 24. descria diariamente VIPs (very important person), 25. cuja finalidade é vender qualquer coisa – de revistas 26. de fofocas a CDs de duvidoso valor cultural – aos 27. NIPs (no important person). 28. A publicidade comercial televisiva está criando 29. até um ser humano diferente, cada dia menos homo 30. sapiens e mais homo bobo consumista, mostrando 31. um mundo sempre bonitinho, onde nada dá errado. 32. E é com tal mecanismo maquiador da realidade que 33. ela faz também publicidade de cerveja, ou melhor, 34. “showblicidade” de cerveja: criou uma “cultura da 35. obrigatoriedade do álcool” em festas de qualquer tipo, 36. como  se  fosse  ingrediente  capaz  de  promover 37. felicidade. Todas as publicidades de cerveja que 38. existem  no  Brasil  mostram  pessoas  felizes, 39. realizadas porque bebem esta ou aquela marca. Mas 40. a verdade é outra: de cerveja se morre.     INSTRUÇÃO: Responder à questão preenchendo os parênteses com V para verdadeiro e F para falso.     (   ) “telepublicidade” (linha 12) é composta por dois elementos significativos. (   ) “ovelha”  está  para  “desejo  de  informar  e  de competir”  assim  como  “lobo  voraz”  está  para “vender a qualquer custo” (linhas 14 a 21). (   ) é possível compreender a palavra “descria” (linha 24), não registrada no dicionário, observando seus elementos constituintes e o contexto. (   ) “homo sapiens” e “homo bobo” (linhas 29 e 30) atribuem características opostas ao ser humano. (   ) na  formação  de  “showblicidade”  (linha  34), ocorre  perda  de  parte  de  um  dos  elementos significativos.   O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é  
  21. 51. UEMS 2010
    Considere os fragmentos da obra “Livro sobre nada”, para responder à questão.     I "...As coisas tinham para nós uma desutilidade poética. Nos fundos do quintal era riquíssimo o nosso dessaber. A gente inventou um truque para fabricar brinquedos com palavras..."     II   “o pai morava no fim de um lugar. Aqui é lacuna de gente _ ele falou: Só quase que tem bicho andorinha e árvore. Quem aperta o botão do amanhecer é o arãquã. Um dia apareceu por lá um doutor formado: cheio de suspensórios e ademanes. Na beira dos brejos gaviões-caranguejeiros comiam caranguejos. E era mesma distância entre as rãs e a relva. A gente brincava com terra. O doutor apareceu. Disse: Precisam de tomar anquilostomina. Perto de nós sempre havia uma espera de rolinhas. O doutor espantou as rolinhas.”       Em referência aos fragmentos apresentados, pode-se afirmar que   I. apresentam exercícios poéticos “descoisificando” o mundo, buscando uma nova forma de organizá-lo. Nos versos, ocorrem neologismos e combinações de palavras que invertem os significados com sentido novo e “desútil”. II. mostram o poeta com postura de uma criança que percebe o mundo grandiosamente, fato que não ocorre com o personagem “doutor”, que perde a noção desse mundo. III. apresentam perfeita conformidade com os modelos poéticos vigentes no Modernismo de 22, especialmente no que se refere ao aspecto nacionalista.  
  22. 52. UFRGS 2014
    O que havia de tão revolucionário na Revolução Francesa? Soberania popular, liberdade civil, igualdade perante a lei – as palavras hoje são ditas com tanta facilidade que somos incapazes de imaginar seu caráter explosivo em 1789. Para os franceses do Antigo Regime, os homens eram desiguais, e a desigualdade era uma boa coisa, adequada à ordem hierárquica que fora posta na natureza pela própria obra de Deus. A liberdade significava privilégio – isto é, literalmente, “lei privada”, uma prerrogativa especial para fazer algo negado a outras pessoas. O rei, como fonte de toda a lei, distribuía privilégios, pois havia sido ungido como o agente de Deus na terra.   Durante todo o século XVIII, os filósofos do Iluminismo questionaram esses pressupostos, e os panfletistas profissionais conseguiram empanar a aura sagrada da coroa. Contudo, a desmontagem do quadro mental do Antigo Regime demandou violência iconoclasta, destruidora do mundo, revolucionária.   Seria ótimo se pudéssemos associar a Revolução exclusivamente à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mas ela nasceu na violência e imprimiu seus princípios em um mundo violento. Os conquistadores da Bastilha não se limitaram a destruir um símbolo do despotismo real. Entre eles, 150 foram mortos ou feridos no assalto à prisão e, quando os sobreviventes apanharam o diretor, cortaram sua cabeça e desfilaram-na por Paris na ponta de uma lança.   Como podemos captar esses momentos de loucura, quando tudo parecia possível e o mundo se afigurava como uma tábula rasa, apagada por uma onda de comoção popular e pronta para ser redesenhada? Parece incrível que um povo inteiro fosse capaz de se levantar e transformar as condições da vida cotidiana. Duzentos anos de experiências com admiráveis mundos novos tornaram-nos céticos quanto ao planejamento social. Retrospectivamente, a Revolução pode parecer um prelúdio ao totalitarismo.   Pode ser. Mas um excesso de visão histórica retrospectiva pode distorcer o panorama de 1789. Os revolucionários franceses não eram nossos contemporâneos. E eram um conjunto de pessoas não excepcionais em circunstâncias excepcionais. Quando as coisas se desintegraram, eles reagiram a uma necessidade imperiosa de dar-lhes sentido, ordenando a sociedade segundo novos princípios. Esses princípios ainda permanecem como uma denúncia da tirania e da injustiça. Afinal, em que estava empenhada a Revolução Francesa? Liberdade, igualdade, fraternidade. Adaptado de: DARNTON, Robert. O beijo de Lamourette. In: ____. O beijo de Lamourette: mídia, cultura e revolução. São Paulo: Cia. das Letras, 2010. p. 30-39.     Ao referir-se à ideia de “lei privada” como uma explicação literal de privilégio, o autor está fazendo referência à origem latina dessa palavra, relacionada a algumas das formas que tomava, naquela língua, a palavra equivalente a lei – por exemplo, legis.   Considere as seguintes palavras do português.     1 - legal   2 - legião   3 - legítimo   4 - legível     Quais têm também relação semântica com a palavra lei, revelando, por sua forma, a origem latina?
  23. 53. UEFS 2015
    Prática cotidiana da intimidação Não faz muito tempo, vi dois meninos sendo interpelados abruptamente pela polícia, não nas avenidas movimentadas que trazem e levam a população trabalhadora que mora nas periferias. Ao contrário, estava sentada numa praça situada num elegante bairro dos Jardins, e a cena, a despeito de ir se tornando corriqueira, causou enorme incômodo. Gritos, pequenos empurrões, o uso ostensivo de lanternas (em plena luz do dia) em busca de um suposto objeto atirado na grama, a obrigatoriedade de baixar os olhos… enfim, toda uma engenharia da humilhação foi montada e bem ao lado de gangorras e balanças. Para concluir o espetáculo, três viaturas da polícia apareceram, com suas sirenes a toda, e trataram de “liberar o local”. Diante dessas situações-limite é difícil reagir frente à precariedade da cidadania de certos grupos ou da segregação internalizada que nossos bairros mais centrais carregam, silenciosamente. É nesses momentos, quando a regra democrática é suspensa, que nos sentimos, de alguma maneira, inconfortáveis diante do que mais parece uma aberta demonstração de cumplicidade. Sim, pois por mais que o ritual fosse claramente violento, a saída de todos nós que ali estávamos foi de um profundo e constrangedor silêncio, inclusive desta que aqui escreve. A violência do outro dói, mas dói também o reconhecimento da impotência e da aceitação desse tipo de ato, que já se transformou em “natural”. O sentimento de culpa e de impotência nos assola e levaria a uma reação caso não fôssemos pessoas acostumadas, a longa data, a esse tipo de socialização. Construir sociedades plurais no lugar de defender a homogeneidade; valorizar os espaços públicos em vez de gradeá-los; ampliar espaços de encontro das diferenças, em vez de inibi-los, são motivações que fazem parte de uma agenda cidadã e republicana. Não se constrói cidadania entre muros, com a disseminação de políticas de medo e abrindo mão de responsabilidades públicas. Assumir o lugar de atores sociais é, de alguma maneira, opor-se a saídas teleológicas, que definem o futuro como um lugar sempre redentor. Os desafios estão no presente, o que implica propor alternativas, pressionar o Estado e agir coletivamente. SCHWARCZ, Lilia Katri Moritz. Prática cotidiana da intimidação. Disponível em: http://interessenacional.uol.com.br/index.php/edicoesrevista/a-culpa-e-sempre-dos-outros. Acesso em: 5 nov. 2014.   Quanto à análise linguística dos elementos presentes na tessitura do texto, é correto afirmar:
  24. 54. PUC-RS 2009
    TEXTO 1   1. Geoficção é um passatempo ou hobby que com- 2. siste na criação de lugares imaginários, como paí- 3. ses, cidades, bairros, ruas, prédios ou até mesmo 4. planetas e galáxias. Adeptos da geoficção comumente 5. imaginam  o  lugar  que  criam  num  alto  nível  de 6. detalhamento, com cada minúcia e particularidade que 7. desejam. Em geral, escrevem descrições que com- 8. têm nomes, características geográficas, culturais, so- 9. ciais, políticas, econômicas, históricas. 10. Deve-se diferenciar lugares históricos de lugares 11. fictícios, pois enquanto os primeiros podem ser sim- 12. plesmente imaginados para quaisquer fins, estes úl- 13. timos são criados necessariamente para obras de fic- 14. ção ou arte, como livros, filmes, poesias, quadrinhos, 15. etc. A criação de países e universos como suporte, 16. contexto e cenário para uma obra de ficção (como a 17. galáxia de Star Wars, por George Lucas, ou a Terra 18. Média, por J. R. R. Tolkien) costuma ser considerada 19. um ramo derivado da geoficção, já que esta abarca 20. também a invenção de lugares por puro deleite pes- 21. soal, sem aplicação determinada.   TEXTO 2   1. Quando  eu  estava  no  Curso  Colegial,  meu 2. professor de inglês fez uma pequena marca de giz 3. no quadro-negro, e perguntou à turma o que era aqui- 4. lo. Passados alguns segundos, alguém disse: ‘É uma 5. marca de giz no quadro-negro!’ 6. O resto da classe suspirou de alívio, porque o 7. óbvio havia sido dito, e ninguém tinha mais nada a 8. dizer. ‘Vocês me surpreendem’, falou o professor. ‘Fiz 9. o mesmo exercício ontem, com uma turma do Jar- 10. dim de Infância, e eles pensaram em umas cinqüen- 11. ta coisas diferentes: o olho de uma coruja, um inseto 12. esmagado, e assim por diante. Eles estavam com a 13. imaginação a todo vapor’. 14. Nos dez anos que vão do Jardim ao Colegial, ha- 15. víamos aprendido a encontrar a resposta certa, mas 16. havíamos perdido a capacidade de procurar outras 17. respostas certas, e também perdido muito em capa- 18. cidade imaginativa.   INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o que está sendo solicitado e as afirmativas, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) e F (falso). Em  relação  a  certas  expressões  dos  textos  1  e  2, afirma-se: (   ) A palavra “Geoficção” (texto 1, linha 01) resulta da aglutinação de três elementos significativos: “geo”, “fixo” e “ação”. (   ) “lugares imaginários” (texto 1, linha 02) é qualificado por cinco palavras dispostas por gradação, do mais específico para o mais geral. (   ) no texto 1, “lugares históricos” (linha 10) está para “quaisquer  fins”  (linha  12)  assim  como  “lugares fictícios”  (linhas  10  e  11)  está  para  “obras de ficção ou arte” (linhas 13 e 14). (   ) “alguém”  (texto  2,  linha  04)  corresponde,  pela lógica, a “um dos alunos”. (   ) “mesmo”  (texto  1,  linha  03)  e  “mesmo”  (texto 2, linha 09) têm valores semânticos distintos. O preenchimento correto dos parênteses, de cima para baixo, é
  25. 55. Espcex (Aman) 2014
    Assinale a alternativa que contém um grupo de palavras cujos prefixos possuem o mesmo significado.
  26. 56. UFAM 2015
    Há muito tempo, o homem sonha construir máquinas que possam livrá-lo das tarefas entediantes do dia a dia. Durante todo o século XX, os escritores de ficção científica estavam preocupados em criar histórias sobre robôs que serviam seus mestres em tudo, sem reclamar e sem se cansar. Essa era uma visão tentadora, mas, do ponto de vista tecnológico, até o final do século XX continuava a ser um sonho remoto, simplesmente porque não houve meios de construir essas máquinas. Que atrasados ainda somos! E, apesar da rejeição de muitos, essa perspectiva tem um quê de atraente.   Alguns pesquisadores dos Estados Unidos, da Europa e do Japão continuam a perseguir, incansavelmente, o sonho de criar servidores robóticos multifuncionais, que possam fazer o trabalho pesado. A busca tem sido difícil e os progressos, lentos. No entanto, a partir do ano 2000, vêm sendo desenvolvidos robôs experimentais com considerável sofisticação. Muitos cientistas já se convenceram de que essa tecnologia não é apenas possível, mas inevitável. Hoje em dia, a “era dos robôs” continua situada em algum lugar do futuro, mas está cada dia mais próxima. Sendo assim, daqui a alguns anos, não pegaremos numa vassoura que não seja através de um robô.    Como dizia o escritor Oscar Wilde, a civilização precisa de escravos. Que os escravos sejam, então, as máquinas. Por isso, esses robôs têm que ser construídos, para que tenhamos um novo amanhecer em nossa vida, com um enlace entre homens e máquinas. (BALCH, Tucher. “As Maravilhosas máquinas inteligentes do futuro”. Texto adaptado.)   Assinale a alternativa em que aquilo que se afirma de palavra tirada do texto NÃO está correto:
  27. 57. UEL 2010
    VESTIBULAR Vestibular, aquilo que o Ministério da Educação estuda agora extinguir, é um brasileirismo para algo que em Portugal costuma ser chamado de exame de acesso à universidade. Trata-se de um adjetivo que se substantivou, num processo semelhante ao que ocorreu com celular, qualificativo de telefone, que tenta – e na maioria das vezes consegue – expulsar a palavra principal de cena sob uma pertinente alegação de redundância, tomando para si o lugar de substantivo. Pois o exame vestibular, de tão consagrado no vocabulário de gerações e gerações de estudantes brasileiros que perderam o sono por causa dele, acabou conhecido como vestibular só. E qualquer associação remota com a palavra que está em sua origem – vestíbulo – se perdeu nesse processo.          Quando ainda era claramente um adjetivo, ficava mais fácil perceber a metáfora que, com certa dose de pernosticismo, levou a palavra vestibular a ser escolhida para qualificar o processo de seleção de candidatos ao ensino superior. Vestíbulo (do latim vestibulum) é, na origem, um termo de arquitetura que significa pórtico, alpendre ou pátio externo, mas que pode ser usado também, em sentido mais amplo, para designar um átrio, uma antessala, qualquer cômodo ou ambiente de passagem entre a porta de entrada e o corpo principal de uma casa, apartamento, palácio ou prédio público. Para quem prefere uma solução anglófona, estamos falando de hall ou lobby.   Como é um ambiente de transição entre o lado de fora e o lado de dentro, vestíbulo ganhou ainda por extensão, em anatomia, o sentido de “cavidade que dá acesso a um órgão oco” (Houaiss). Antes de ser admitido no vocabulário da educação, “sistema vestibular” já tinha aplicação na linguagem médica como nome dos pequenos órgãos situados na entrada do ouvido interno, responsáveis por nosso equilíbrio. Adaptado de: RODRIGUES, S. Vestibular. Disponível em: http://revistadasemana.abril.uol.com.br/edicoes/81/palavradasemana/materia_palavradasemana_431845.shtml>. Acesso em: 6 jun. 2009.   Com base no texto, considere as afirmativas a seguir:   I. Ao afirmar que vestibular é um brasileirismo, o autor se posiciona contrariamente à sua extinção pelo Ministério da Educação. II. O autor não condena o uso do estrangeirismo “lobby” no lugar do brasileirismo “vestibular”. III. O adjetivo “vestibular” que, devido ao uso, acabou sendo substantivado, é derivado da palavra “vestíbulo”. IV. O autor considera pertinente a alegação de redundância para explicar o processo de substantivação do termo “celular”.   Assinale a alternativa correta.
  28. 58. UNAMA 2007
    A estrutura do vocábulo erudito antropofagia revela o seguinte processo de formação vocabular:
  29. 59. PUC-RJ
    Marque a opção que indica os processos de formação, presentes nas palavras abaixo, pela ordem em que aparecem.   bebidinha - indevassável - banheiro - adormecer.
  30. 60. UPE 2015
    Em agosto de 2005, a Revista Língua fez uma entrevista com Millôr Fernandes, o escritor escolhido para ser o homenageado da FLIP 2014. Eis, aqui, alguns trechos dessa entrevista.   Língua – Fazer humor é levar a sério as palavras ou brincar com elas? Millôr – Humor, você tem ou não tem. Pode ser do tipo mais profundo, mais popular, mas tem de ter. 1Você vai fazendo e, sem querer, a coisa sai engraçada. Dá para perceber quando a construção é forçada. Tenho uma capacidade muito natural de perceber bobagem e destruir a coisa. Língua – Com que língua você mais gosta de trabalhar? Millôr – Não aprendi línguas até hoje (risos). 3Gosto de trabalhar com o português, embora inglês seja a que eu mais leio. Nunca tive temor de nada. Deve-se julgar as obras pelo que elas têm de qualidade, não por serem de fulano ou beltrano. Shakespeare fez muita besteira, mas tem três ou quatro obras perfeitas, e Macbeth é uma delas. Língua – Na sua opinião, quais vantagens o português possui em comparação a outras línguas que você conhece? Millôr – A principal vantagem é a de ser a minha língua. Ninguém fala duas línguas. Essa ideia de um espião que fala múltiplas línguas não passa de mentira. Vai lá no meio do jogo dizer “salame minguê, um sorvete colorê...” ou “velho guerreiro”. Os modismos da língua, as coisas ocasionais, não são acessíveis a quem não é nativo. Toda pessoa tem habilidade só no seu idioma. Você pode aprender uma, dez, sei lá quantas expressões de outra língua, mas ainda existirão outras mil – 4como é que se vai fazer? A língua portuguesa tem suas particularidades. Como outras também. Aprendi desde cedo a ter o cuidado de não rimar ao escrever uma frase. Sobretudo em “-ão”. Língua – Quais as normas mais loucas ou mais despropositadas da língua portuguesa? Millôr – Toda pesquisa de linguagem é perigosa porque tem o caráter de induzir o sentido. Não tenho nenhum carinho especial por gramáticos. Na minha vida inteira sempre fui violento [no ataque às regras do idioma], porque a língua é a falada, a outra é apenas uma forma de você registrar a fala. Se todo mundo erra na crase é a regra da crase que está errada, como aliás está. Se você vai a Portugal, pode até encontrar uma reverberação que indica a crase. Não aqui. Aqui, no Brasil, a crase não existe. Língua – Mas a fala brasileira é mutante e díspar, cada região tem sua peculiaridade. Como romper regras da língua sem cair no vale-tudo? Millôr – 5Se não houver norma, não há como transgredir. A língua tem variantes, mas temos de ensinar a escrever o padrão. Quem transgride tem nome ou peito, que o faça e arque com as consequências. Mas insisto que a escrita é apenas o registro da língua falada. De Machado de Assis pra cá, tudo mudou. A língua alemã fez reforma ortográfica há 50 anos, correta. Aqui, na minha geração, já foram três reformas do gênero, uma mais maluca que a outra. 6Botaram acento em “boemia”, escreveram “xeque” quando toda língua busca lembrar o árabe shaik, insistiram que o certo é “veado” quando o Brasil inteiro pronuncia “viado”. Como chegaram a tais conclusões? Essas coisas são idiotas e cabe a você aceitar ou não. Veja o caso da crase. A crase, na prática, não existe no português do Brasil. Já vi tábuas de mármore com crase errada. Se todo mundo erra, a crase é quem está errada. Se vamos atribuir crase ao masculino “dar àquele”, por que não fazer o mesmo com “dar alguém”? 2Não podemos. Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br/textos/97/millor-fernandeso-senhor-das-palavras-247893-1.asp. Acesso em: 13/06/2014. Adaptado.   Quanto aos aspectos semânticos e efeitos de sentido alcançados pelo vocabulário utilizado no texto, assinale a alternativa CORRETA.
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