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ITA 2011

 São Paulo – Não é preciso muito para imaginar o dia em que a moça da rádio nos anunciará, do helicóptero, o 

colapso final: “A CET1 já não registra a extensão do congestionamento urbano. Podemos ver daqui que todos 

os carros em todas as ruas estão imobilizados. Ninguém anda, para frente ou para trás. A cidade, enfim, parou. 

As autoridades pedem calma, muita calma”. 

“A autoestrada do Sul” é um conto extraordinário de Julio Cortázar2. Está em Todos os fogos o fogo, de 

1966 (a Civilização Brasileira traduziu). Narra, com monotonia infernal, um congestionamento entre 

Fontainebleau e Paris. É a história que inspirou Weekend à francesa (1967), de Godard3.

O que no início parece um transtorno corriqueiro vai assumindo contornos absurdos. Os personagens 

passam horas, mais horas, dias inteiros entalados na estrada.

Quando, sem explicações, o nó desata, os motoristas aceleram “sem que já se soubesse para que tanta 

pressa, por que essa correria na noite entre automóveis desconhecidos onde ninguém sabia nada sobre os 

outros, onde todos olhavam para a frente, exclusivamente para a frente”.

Não serve de consolo, mas faz pensar. Seguimos às cegas em frente há quanto tempo? De Prestes 

Maia aos túneis e viadutos de Maluf, a cidade foi induzida a andar de carro. Nossa urbanização se fez contra o

transporte público. O símbolo modernizador da era JK é o pesadelo de agora, mas o fetiche da lata sobre rodas 

jamais se abalou.

Será ocasional que os carrões dos endinheirados – essas peruas high-tech – se pareçam com tanques 

de guerra? As pessoas saem de casa dentro de bunkers, literalmente armadas. E, como um dos tipos do conto 

de Cortázar, veem no engarrafamento uma “afronta pessoal”.

Alguém acredita em soluções sem que haja antes um colapso? Ontem era a crise aérea, amanhã será 

outra qualquer. A classe média necessita reciclar suas aflições. E sempre haverá algo a lembrá-la –coisa mais 

chata – de que ainda vivemos no Brasil. (SILVA, Fernando de Barros. Folha de S.Paulo, 17 mar. 2008.)

 

(1) CET - Companhia de Engenharia de Tráfego. (2) Julio Cortázar (1914-1984), escritor argentino. (3) Jean-Luc Godard, cineasta francês, nascido em 1930.

 

O autor do texto 

 

 

I. manifesta sua visão pessimista quanto ao futuro do trânsito em São Paulo. 

II. aponta que, no Brasil, o que seria sinônimo de progresso torna-se um retrocesso, como é o caso das políticas de JK. 

III. critica a preferência dos mais ricos por carros grandes.

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