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  1. 301

    UNB 2013

    Dom Casmurro: o ciúme e a dúvida póstuma 1 Na literatura brasileira, poucos personagens têm a força de Capitu. Continuamos naufragando em seus “olhos de ressaca”. A questão em aparência inevitável é: Capitu traiu 4 Bento Santiago? Reconheço que essa é uma leitura válida do romance. Trata-se, porém, de leitura fácil, demasiadamente fácil, que 7 deixa escapar a malícia do texto. Ora, o tema central de Dom Casmurro não é a infidelidade, mas o ciúme. E não um ciúme qualquer, mas o de um escritor malogrado. O ciumento, ensina 10 o Houaiss, define-se pelo “receio de que o ente amado dedique seu afeto a outrem”, é “o medo de perder alguma coisa”. O ciúme tem uma dimensão muito mais inquietante, 13 que, se o dicionário ignora, a literatura revela. O ciumento nunca dispõe de prova definitiva da infidelidade. O ciumento é um possessivo dotado de poderosa imaginação, é um escritor 16 malogrado, que, em lugar de livros, produz fantasias de adultério. Os grandes clássicos sempre destacaram esse aspecto. Em Hipólito, de Eurípedes, Teseu acusa o filho com 19 base em falsa evidência. Em Otelo, uma prova fraudulenta, arquitetada por Iago, leva o mouro a assassinar Desdêmona. O próprio Bentinho revelou a natureza do problema: 22 “Cheguei a ter ciúmes de tudo e de todos. Um vizinho, um par de valsa, qualquer homem, moço ou maduro, me enchia de terror ou desconfiança.” Tal sentimento associado a uma 25 fantasia indomável produz um resultado previsível: “a minha imaginação era uma grande égua ibera; a menor brisa lhe dava um potro, que saía logo a cavalo de Alexandre.” 28 A literatura também não dispõe de “provas”, não expõe “evidências”; como o ciúme, a literatura é um discurso que se alimenta da dúvida, da impossibilidade de conhecer a 31 “verdade” última do mundo. Dom Casmurro é um dos mais poderosos elogios à força da ficção, à ideia da literatura como uma máquina de produzir perguntas inovadoras. Por isso, não 34 há como saber se Capitu traiu Bentinho: nessa lição de Dom Casmurro, reside a superioridade da literatura de Machado de Assis. João Cezar de Castro Rocha. Jornal do Brasil, 10/6/2006 (com adaptações).   Assinale a opção em que a afirmativa está de acordo com o descrito na norma gramatical da língua padrão.

  2. 302

    PUC-CAMPINAS 1995

    A frase que mantém o padrão culto da linguagem é:

  3. 303

    UEMA 2016

    “Professores, acordem! Caros professores: vocês se meteram em uma enrascada. Há décadas, as lideranças de vocês vêm construindo um discurso de vitimização. A imagem que vocês vendem não é de profissionais competentes, mas a de coitadinhos, estropiados e maltratados. E vocês venceram: a população brasileira está do seu lado, comprou essa imagem (nada seduz mais a alma brasileira do que um coitado, afinal).” IOSCHPE, G. Revista Veja. 2014. Para sustentar a argumentação são utilizados variados recursos. A seleção léxico-semântica utilizada pelo autor para sustentar a argumentação marca o emprego de uma imagem crítica, com um tom

  4. 304

    UNIFESP 2006

    Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra idéia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que... Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. (Machado de Assis, Dom Casmurro.)   O trecho "Só me perguntava o que era, se nunca os vira..."  transposto para discurso direto, em norma padrão, assume a seguinte forma:   Só me perguntava:

  5. 305

    FUVEST

    Assinale a alternativa gramaticalmente correta:

  6. 306

    UNICENTRO 2011

    A ideia de se poder definir o gênero homo atribuindo-lhe a qualidade de sapiens, ou seja, de um ser racional e sábio, é sem dúvida uma ideia pouco racional e sábia. Ser Homo implica ser igualmente demens: em manifestar uma afetividade extrema, convulsiva, com paixões, cóleras, gritos, mudanças brutais de humor; em carregar consigo uma fonte permanente de delírio; em crer na virtude de sacrifícios sanguinolentos, e dar corpo, existência e poder a mitos e deuses de sua imaginação. Há no ser humano um foco permanente de Ubris, a desmesura dos gregos.   A loucura humana é fonte de ódio, crueldade, barbárie, cegueira. Mas sem as desordens da afetividade e as irrupções do imaginário, e sem a loucura do impossível, não haveria élan, criação, invenção, amor, poesia. O ser humano é um animal insuficiente, não apenas na razão, mas é também dotado de desrazão.   Temos, entretanto, necessidade de controlar o homo demens para exercer um pensamento racional, argumentado, crítico, complexo. Temos necessidade de inibir em nós o que o demens tem de homicida, malvado, imbecil. Temos necessidade de sabedoria, o que nos requer prudência, temperança, comedimento, desprendimento.   O mundo em que vivemos talvez seja um mundo de aparências, a espuma de uma realidade mais profunda que escapa ao tempo, ao espaço, a nossos sentidos e a nosso entendimento. Mas nosso mundo da separação, da dispersão, da finitude significa também o mundo da atração, do reencontro, da exaltação. E estamos plenamente imersos nesse mundo que é o de nossos sofrimentos, felicidades e amores. Não experimentá-lo é evitar o sofrimento, mas também não haverá o gozo. Quanto mais estamos aptos à felicidade, mais nos aproximamos da infelicidade. [...] Se a sabedoria nos incita ao desapego do mundo, da vida, será que ela está sendo verdadeiramente sábia? Se aspiramos à plenitude do amor, isso significa que somos verdadeiramente loucos?    O amor faz parte da poesia da vida. A poesia faz parte do amor da vida. Amor e poesia engendram-se mutuamente e podem identificar-se um com o outro.   Se o amor expressa o ápice supremo da sabedoria e da loucura, é preciso assumir o amor.   O excesso de sabedoria pode transformar-se em loucura, mas a sabedoria só a impede, misturando-se à loucura da poesia e do amor.   Nosso cotidiano vive sempre em busca do sentido. Mas o sentido não é originário, não provém da exterioridade de nossos seres. Emerge da participação, da fraternização, do amor. O sentido do amor e da poesia é o sentido da qualidade suprema da vida. Amor e poesia, quando concebidos como fins e meios do viver, dão plenitude de sentido ao “viver por viver”.    A partir daí, podemos assumir, mas com plena consciência, o destino antropológico do homo sapiens-demens, que implica nunca cessar de fazer dialogar em nós mesmos sabedoria e loucura, ousadia e prudência, economia e gasto, temperança e “consumação”,desprendimento e apego. MORIN, Edgar. Amor, poesia, sabedoria. São Paulo: Bertrand Brasil, 2003, Prefácio. Adaptado. Não paginado.   Os termos “desmesura” e “temperança” sugerem, respectivamente, ideias de

  7. 307

    PUC-RS 2015

    Entre o espaço público e o privado               12Excluídos da sociedade, os moradores de rua 26ressignificam o único espaço 13que lhes foi permitido ocupar, o espaço público, transformando-o em seu “lugar”, um espaço privado. 11Espalhados pelos ambientes coletivos da cidade, 1fazendo comida no asfalto, arrumando suas camas, limpando as calçadas como se estivessem dentro de uma casa: 17assim vivem os moradores de rua. Ao andar pelas ruas de São Paulo, vemos essas pessoas 3dormindo nas 28calçadas, 4passando por situações constrangedoras, 5pedindo esmolas para sobreviver. Essa é a realidade das pessoas que 2fazem da rua sua casa e nela constroem sua 35intimidade. 18Assim, a ideia de 33individualização que está nas 31casas, na 34separação das coisas por 30cômodos e quartos que servem para proteger a intimidade do indivíduo, 14ganha outro sentido. O 6viver nas 29ruas, um lugar 19aparentemente 36inabitável, tem sua própria lógica de funcionamento, que vai além das possibilidades.             A relação que o homem 8estabelece com o espaço que ocupa é uma das mais importantes para sua sobrevivência. As mudanças de comportamento social 15foram 21sempre precedidas de 22mudanças físicas de local. Por 23mais que a rua não seja um local para 7viver, já que se trata de um ambiente público, de passagem e não de permanência, ela acaba sendo, 25senão única, a 24mais viável opção. Alguns pensadores já apontam que a habitação 9é um ponto base e 10adquire uma importância para harmonizar a vida. O pensador Norberto Elias comenta que “o quarto de dormir tornou-se uma das áreas mais privadas e íntimas da vida humana. Suas paredes visíveis e 37invisíveis vedam os aspectos mais ‘privados’, ‘íntimos’, irrepreensivelmente ‘animais’ da nossa existência à vista de outras pessoas”.             O modo como essas pessoas 27constituem o único espaço que lhes foi permitido indica que conseguiram transformá-lo em “seu 20lugar”, que aproximaram, cada um à sua maneira, 16dois mundos nos quais estamos 32inseridos: o público e o privado. RODRIGUES, Robson. Moradores de uma terra sem dono. (fragmento adaptado) In: http://sociologiacienciaevida.uol.com.br/ESSO/edicoes/32/artigo194186-4.asp. Acesso em 21/8/2014.   Analise as afirmações sobre o sentido e a formação das palavras no texto.   I. Há uma relação de sinonímia entre “ressignificam” (ref. 26) e “constituem” (ref. 27). II. “calçadas” (ref. 28) está para “ruas” (ref. 29) assim como “cômodos” (ref. 30) está para “casas” (ref. 31). III. A relação entre “Excluídos” (ref. 12) e “inseridos” (ref. 32) é a mesma que se estabelece entre “individualização” (ref. 33) e “separação” (ref. 34). IV. As palavras “intimidade” (ref. 35), “inabitável” (ref. 36) e “invisíveis” (ref. 37) têm o mesmo prefixo.   Estão corretas apenas as afirmativas

  8. 308

    PUC-CAMPINAS 2015

    Ideias do canário   Um homem dado a estudos de ornitologia, por nome Macedo, referiu a alguns amigos um caso tão extraordinário que ninguém lhe deu crédito. Alguns chegam a supor que Macedo virou o juízo. Eis aqui o resumo da narração.   No princípio do mês passado, − disse ele −, indo por uma rua, sucedeu que um tílburi, à disparada, quase me atirou ao chão. Escapei saltando para dentro de uma loja de belchior. Nem o estrépito do cavalo e do veículo, nem a minha entrada fez levantar o dono do negócio, que cochilava ao fundo, sentado numa cadeira de abrir. Era um frangalho de homem, barba cor de palha suja, a cabeça enfiada em um gorro esfarrapado, que provavelmente não achara comprador. Não se adivinhava nele nenhuma história, como podiam ter alguns objetos que vendia, nem se lhe sentia a tristeza austera e desenganada das vidas que foram vidas.   A loja era escura, atulhada das cousas velhas, tortas, rotas, enxovalhadas, enferrujadas que de ordinário se acham em tais casas, tudo naquela meia desordem própria do negócio. Essa mistura, posto que banal, era interessante. [...]   Ia a sair, quando vi uma gaiola pendurada na porta. [...] Não estava vazia. Dentro pulava um canário.   Obs.: tílburi = carro de duas rodas e dois assentos, com capota e sem lugar para o cocheiro, puxado por um só animal. belchior = negociante de roupas e objetos usados. (ASSIS, Machado de. In: A linguagem dos animais: contos e crônicas sobre bichos. 1 ed. São Paulo: Boa Companhia, 2012. p. 47-48)     É correto afirmar:

  9. 309

    UFABC 2007

    A frase que apresenta os verbos empregados de acordo com a norma padrão é:

  10. 310

    FGV-SP 2011

    10ª Festa a Fantasia Advogados viram gângsteres. Empresários viram vampiros. Médicas viram feiticeiras. Professoras viram bruxas. Deixa o preconceito de lado e escolha quem você quer ser. Uma noite onde ninguém é o que parece ser. Texto adaptado de um folheto de propaganda. Destes comentários sobre aspectos linguísticos do texto, o único correto é:

  11. 311

    ACAFE 2014

    Santa Catarina tem bons indicadores sociais, mas ainda está distante do alto nível de desenvolvimento humano, aponta estudo.   Santa Catarina é o estado brasileiro que mais tem reduzido proporcionalmente o combate à pobreza. O índice caiu de 19% da população em 1990 para 11% em 2009. Contudo, ainda há cerca de 800 mil pessoas nessa condição, e destas, 102 mil têm renda inferior a R$ 70 mensais. Estas e outras constatações estão presentes no estudo "Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – Santa Catarina", lançado em dezembro de 2011 pelo Movimento Nós Podemos Santa Catarina (MNPSC), que reúne diversas entidades públicas, empresas, organizações da sociedade civil, universidades e prefeituras. A proposta da publicação é mobilizar a sociedade catarinense para que as Metas do Milênio – também conhecidas como "Oito Jeitos de Mudar o Mundo" – sejam atingidas até 2015, conforme preconiza a Organização das Nações Unidas (ONU). Oito grandes temas são abordados com recorte por regiões e por segmentos sociais: acabar com a fome; melhorar a educação; promover a igualdade entre os sexos; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna; combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental, e estabelecer uma parceria mundial para garantir as condições de desenvolvimento. O estudo aponta que Santa Catarina tem bons indicadores sociais, mas está longe de ser a "Europa brasileira". Um dos capítulos trata especificamente disso. Quando o estado é comparado aos países da OCDE – Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico, que reúne 34 países com economias de alta renda –, está em boa situação quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), escolaridade e mortalidade infantil. Mas não está bem em termos de emprego para as mulheres, saneamento e acesso à internet. Em resumo, há conquistas importantes, mas muito a avançar. No ODM 2, Educação, o estado atingiu a meta de acesso ao ensino fundamental, entretanto 25% dos jovens não o concluem. Existe igualdade entre sexos nas escolas, o que atende parcialmente ao ODM 3, mas as mulheres, mesmo com mais escolaridade, recebem menores salários do que os homens. Santa Catarina precisará de grande esforço da sociedade para atingir o ODM 4, cuja meta é chegar a 2015 com 7,5 óbitos por mil nascidos. Também será preciso investir na redução da mortalidade materna e na reversão da tendência de crescimento da Aids, principalmente entre jovens. A situação do acesso à água é muito positiva, próxima à universalização, mas o saneamento tratado é um dos piores do Brasil. O estudo faz diversas recomendações ao governo do estado, empresas, prefeituras e outras instituições para uma ampla mobilização social que contribua para a melhoria das condições de vida da população. Disponível em: http://www.nospodemos.org.br/noticias_detalhe/290/santacatarina-tem-bons-indicadores-sociais-mas-ainda-estadistante-do-alto-nivel-de-desenvolvimento-humano-apontaestudo. Acesso em: 17 abr. 2014 (adaptado).   Assinale a alternativa em que a substituição do termo sublinhado pelo termo sugerido entre parênteses não modifica o sentido da frase no texto.

  12. 312

    PUC-MG 2015

    Eufemismos Sírio Possenti 1º § Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. 2º § Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características; ‘pinheiro’ refere-se a um tipo de árvore com determinadas características; ‘este pinheiro’ refere-se a um indivíduo particular (que, possivelmente, está no campo de visão do locutor e do interlocutor). 3º § ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.   4º § Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes).   5º § Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância. De fato, é um dos mais relevantes, se se quer conhecer uma língua de forma a incluir o sentido, que, afinal, talvez seja o que mais importa.   6º § Considerem-se, como exemplos facilmente aceitos, a famosa novilíngua do romance1984, de George Orwell, ou os fatos descritos em LTI, a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer. Provavelmente, o consenso entre os falantes sobre o que uma palavra refere ou uma proposição afirma se restringe aos campos em que não há disputa.   7º § Até mesmo os regionalismos, que têm pouca ou nenhuma carga ideológica, testemunham as discrepâncias no interior das línguas, de forma que a tese de uma língua comum, em um país, não passa de fato de uma fórmula ideológica, com evidente peso político.    Uma coisa pela outra   8º § Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo.   9º § O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva.   10º § Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.   11º § Se, em vez de ‘empregada doméstica’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (estas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS).   12º § Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. 13º § São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.   14º § A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem ‘este é meu homem’) e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]   15º § Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. Mera questão semântica?   16º § As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis.   17º § Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.   18º § Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem.   19º § Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.   20º § Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção.   21º § Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua. Disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2015.   I. As escolhas que são feitas quando na utilização da linguagem refletem os pontos de vista de quem a utiliza. II. O recurso de eufemismo serve apenas para disfarçar a realidade, “maquiando” seus aspectos mais desagradáveis. III. A pretensa neutralidade na linguagem é particularmente afetada por situações que envolvem conflitos.   Tendo em conta as afirmativas acima, são CORRETAS:

  13. 313

    UNB 2013

    A música eletrônica redefiniu um valor da experiência humana, daquilo que é estar diante da música. Tudo é reduzido, neste novo mundo digital, ao presente do fluxo e do prazer constante, autoerotismo social e tecnicamente produzido, talvez turbulento, mas contínuo. No novo corpo pulsante que se desconhece, velhas coisas humanas como dormir, acordar, sonhar ou viver estão em suspensão. Isso os jovens brasileiros chamaram de fritar na noite, metáfora bem concreta.   Com relação a aspectos gramaticais do texto acima, assinale a opção correta.

  14. 314

    UERJ 2014

    Superman: 75 anos   Não era um pássaro nem um avião. O verdadeiro Superman era um pacato contador passando férias num resort ao norte de Nova York. Joe Shuster, um dos criadores do personagem, junto com Jerry Siegel, descansava na colônia de férias quando encontrou Stanley Weiss, jovem de rosto quadrado e porte atlético, que ele julgou ser a encarnação do herói. Lá mesmo, pediu para desenhar o moço que serviria de modelo para os quadrinhos dali em diante. Só neste ano, esses desenhos estão vindo à tona nos E.U.A., como parte das atividades comemorativas dos 75 anos do personagem. Embora tenha mantido a aparência de rapagão musculoso, Superman não foi o mesmo ao longo dos anos. Nos gibis, oscilou entre mais e menos sarado. Na TV, já foi mais rechonchudo, até reencarnar como o púbere Tom Welling, da série de TV “Smallville”. “Desde pequeno eu sabia que Superman não existia. Mas também sabia que meu pai era o verdadeiro Superman”, brincou David Weiss, filho do modelo do herói, em entrevista à Folha de São Paulo. Weiss cresceu comparando o rosto do pai ao desenho pendurado na sala de casa. Mas logo Joe Shuster, que foi seu principal desenhista, acabaria cedendo espaço para novos cartunistas, que adaptaram a figura aos fatos correntes. “Essa mudança é o segredo do Superman. Cada época precisa de um herói só seu, e ele sempre pareceu ser o cara certo”, diz Larry Tye, considerado o maior estudioso do personagem. “Nos anos 1930, ele tiraria a América da Grande Depressão. Nos anos 1940, era duro com os nazistas. Nos anos 1950, lutou contra a onda vermelha do comunismo.”E foi mudando de cara de acordo com a função. Invenção dos judeus Jerry Siegel e Joe Shuster, Superman também é visto como um paralelo da história de Moisés, a criança exilada que cresce numa terra estrangeira e depois se apresenta como um salvador. A aparência é um misto do também personagem bíblico Sansão, do deus grego Hércules e de acrobatas de circo. Mas há quem atribua, até hoje, a dualidade do personagem, que se alterna entre o nerd indefeso, tímido e de vista fraca (como Joe Shuster) e um super-herói possante, à origem judaica dos seus criadores. “É o estereótipo judeu do homem fraco, tímido e intelectual que depois se revela um grande herói”, diz Harry Brod, autor do e-book Superman Is Jewish? (Superman é judeu?), lançado nos E.U.A. em novembro passado. “Ele é a versão moderna de Moisés: um bebê de Krypton enviado à Terra, que desenvolve superpoderes para salvar o seu povo.” Segundo Brod, a analogia é tão nítida que os nazistas chegaram a discutir a suposta relação em revistas de circulação interna do regime. Mas, para ele, Hollywood e o tempo suavizaram o paralelo, transformando Superman numa releitura de Jesus Cristo. “Sua figura foi se tornando mais cristã com o tempo”, diz Brod. ”Não importa a religião. A ideia de um fracote que se torna um herói não deixa de ser uma fantasia universal.”  Silas Martí Adaptado de folha.uol.com.br, 03/03/2013   Ao longo da reportagem, observa-se o uso de uma linguagem informal, registro que estaria mais próximo do usado pelo leitor.   Um claro exemplo desse registro informal da linguagem está em:

  15. 315

    PUC-CAMPINAS 2016

    Por vezes barateamos o sentido do tempo, tornando-o uma espécie de vazio a preencher: é quando fazemos algo para “passar o tempo”, e apelamos para um jogo, uma brincadeira, um “passatempo” como as palavras cruzadas. Em compensação, nas horas de grande expectativa, queixamo-nos de que “o tempo não passa”. (Péricles Alcântara, inédito)   No trecho acima transcrito,

  16. 316

    FGV-SP 2011

    O físico britânico Stephen Hawking (…) já não duvida que aliens existem. (Planeta, julho de 2010.) O que se imagina que circula no nosso Congresso agora se torna um fato: deputados assinam projetos sem saber do que se tratam. Depois de desmascarados, nossos representantes cometem, ainda, a ousadia de mostrarem-se dispostos a cercear o direito de a sociedade se manifestar na “casa do povo”. (IstoÉ, 14.07.2010.)   Examinando os trechos não duvida que aliens existem (revista Planeta) e sem saber do que se tratam (revista IstoÉ), em face da norma-padrão da língua, pode-se afirmar que  

  17. 317

    UFABC 2006

    A frase que apresenta regência verbal de acordo com a norma padrão é:

  18. 318

    FGV-RJ 2012

    Lixo industrial na sua casa A obsolescência programada dos produtos já ultrapassou todos os limites. Você compra uma geladeira, um fogão, uma máquina de lavar hoje e daqui a três ou quatro meses consulta a lista de assistência técnica. Chato, não? Vem a assistência técnica autorizada, conserta, ou melhor, dá um jeito por um mês ou dois. E o produto quase novo, já reparado, está novamente estragado. Irritante, não? Pois é, falamos, discutimos, escrevemos, lemos e vemos programas e filmes sobre a proteção ao ambiente. Um tema relevante, empolgante, mas que se contrapõe à curta duração dos produtos. Porque, bem, cá entre nós e que ninguém nos ouça, com produtos fabricados para estragar e assistência técnica que faz gambiarras, sai mais em conta comprar um novo. Chegamos, então, à triste situação de descartar, após um ano ou dois, equipamentos que antes duravam dez ou mais anos. Todos feitos com muito plástico, que deforma, enguiça, quebra e não dura. A natureza, já tão ameaçada por nosso descaso e desrespeito milenares, sofre com montanhas de baterias, carcaças de celulares, de máquinas de lavar e fontes de microcomputadores. Lixo, muito lixo, que decorre da cupidez de quem fabrica porcaria para vender novamente em prazo recorde. Maria Inês Dolci, Folha de S. Paulo, 31/05/2010. Adaptado.   Destes pares de palavras, entendidos no contexto, o único em que ocorrem contrastes entre linguagem formal e informal e entre denotação e conotação é:

  19. 319

    UNAMA 2008

    O Ver-o-Peso   “[...] Viva maré de março visitando o Mercado de Ferro, lojas e botequins, refletindo junto ao balcão os violões desencordoados nas prateleiras. Os bondes, ao fazer a curva no trecho inundado, navegavam. As canoas no porto veleiro, em cima da enchente, ao nível da rua de velas içadas, pareciam prontas a velejar cidade adentro, amarrando os seus cabos nas torres do Carmo, da Sé, de Santo Alexandre e nas sumaumeiras do arraial de Nazaré.[...]   Voltava-se (Libânia) agora para os cestos, fogareiros de barro, bichos, cachimbos, ah, esteum, aqui, eu fumava. O gosto de provar todas as farinhas ali expostas nos paneiros em plena calçada não atingida inda pela maré.[...] Cada melancia, aquele ananás, uns muçuãs que deviam estar gordinhos, a tracajá virada.[...]”   Dalcídio Jurandir possibilita, ao longo de Belém do Grão-Pará, como mostra esse excerto, que o seu leitor conheça a variedade linguística típica do arquipélago do Marajó. Essa variedade está exemplificada em:

  20. 320

    UNICENTRO 2004

    As pazes fizeram-se como a guerra, depressa. Buscasse eu neste livro a minha glória, e diria que as negociações partiram de mim; mas não, foi ela que as iniciou. Alguns instantes depois, como eu estivesse cabisbaixo, ela abaixou também a cabeça, mas voltando os olhos para cima a fim de ver os meus. Fiz-me de rogado; depois quis levantar-me para ir embora, mas nem me levantei, nem sei se iria. Capitu fitou-me uns olhos tão ternos, e a posição os fazia tão súplices, que me deixei ficar, passei-lhe o braço pela cintura, ela pegou-me na ponta dos dedos, e... Outra vez D. Fortunata apareceu à porta da casa; não sei para quê, se nem me deixou tempo de puxar o braço; desapareceu logo. Podia ser um simples descargo de consciência, uma cerimônia, como as rezas de obrigação, sem devoção, que se dizem de tropel; a não ser que fosse para certificar aos próprios olhos a realidade que o coração lhe dizia... Fosse o que fosse, o meu braço continuou a apertar a cintura da filha, e foi assim que nos pacificamos. O bonito é que cada um de nós queria agora as culpas para si, e pedíamos reciprocamente perdão. Capitu alegava a insônia, a dor de cabeça, o abatimento do espírito, e finalmente “os seus calundus”. Eu, que era muito chorão por esse tempo, sentia os olhos molhados... Era amor puro, era efeito dos padecimentos da amiguinha, era a ternura da reconciliação. ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. 27. ed. São Paulo: Ática, 1994. p. 75. (Série Bom Livro)   “As pazes fizeram-se como a guerra, depressa. Buscasse eu neste livro a minha glória, e diria que as negociações partiram de mim; mas não, foi ela que as iniciou.”   Nesse fragmento   (01) “depressa” é um termo qualificador de “pazes” e “guerra”. (02) “Buscasse eu neste livro a minha glória” expressa uma hipótese. (04) “que as negociações partiram de mim” é um termo de valor substantivo. (08) “e” e “mas” expressam idéias similares nos seus respectivos contextos. (16) “a minha glória” e “as”, em “as iniciou”, completam o sentido de um verbo.

  21. 321

    UNEMAT 2006

    A gramática do bom humor Millôr Fernandes Quando os eruditos descobriram a língua, ela já estava completamente pronta pelo povo. Os eruditos tiveram apenas que proibir o povo de falar errado. (...) As palavras nascem saudáveis e livres, crescem vagabundas e elásticas, vivem informes, e dinâmicas. Morrem quando contraem o câncer do significado definitivo e são recolhidas ao CTI dos dicionários. Devemos ser gratos aos portugueses. Se não fossem eles estaríamos até hoje falando tupi-guarani, uma língua que não entendemos. Que língua a nossa! A palavra oxítona é proparoxítona. (A Bíblia do Caos, In. Revista Língua Portuguesa - Ano I, n°01, 2005, p. 15) Com base nos enunciados destacados, assinale a alternativa CORRETA

  22. 322

    UFPR 2012

    Leia como o dicionário Aurélio explica o significado e o uso dos seguintes verbos. Atender. V. t. i. 1. Dar, prestar atenção: Não atendeu à observação que lhe fizeram. 2. Tomar em consideração; levar em conta; ter em vista; considerar: Não atende a súplicas. 3. Atentar, observar, notar: Atendia, de longe, aos acontecimentos. T. d. 4. Acolher, receber com atenção ou cortesia: Sempre atende aqueles que o procuram. Dar ou prestar atenção a. Tomar em consideração; considerar: Atende antes de tudo as suas conveniências. Desfrutar. V. t. d. 1. V. usufruir (2): Agora desfruta benefícios prestados; 2. Deliciar-se com; apreciar: Sádico, desfrutou as cenas brutais do filme. 3. Viver à custa de. 4. Zombar de; troçar, chacotear. T. i. 5. Fruir (3): Desfruta de bom conceito no meio científico. Precisar. V. t. d. 1. Indicar com exatidão; particularizar, distinguir, especializar: Não sabe precisar a época de sua viagem. 2. Ter precisão ou necessidade de; necessitar: (...) precisa espairecer. 3. Citar ou mencionar  especialmente: a testemunha precisou o criminoso. T. i. 4. Ter necessidade; carecer, necessitar: Precisa de dinheiro. Int. 5. Ser pobre, necessitado. Trabalha porque precisa. Proceder. V. t. i. 1. Ter origem; originar-se, derivar(-se): O amor não procede do hábito. (...) 2. Provir por geração; descender: Segundo o cristianismo, todos os homens são irmãos porque procedem de Adão e Eva. 3. Instaurar processo: O governo procederá contra os agiotas. 4. Levar a efeito; executar, realizar: As juntas apuradoras procederam à contagem dos votos. (...) Revidar. V. t. d. 1. Responder ou compensar (uma ofensa física ou moral) com outra maior: O rapaz revidou os socos do agressor. 2. Responder, replicar, contestando: O deputado revidou o discurso que o incriminava. T. d. e i. e Int. 3. Vingar uma ofensa com outra maior: Revidou a alusão pérfida com as mais violentas injúrias. Visar. V. t. d. 1. Dirigir a vista fixamente para; mirar: visar um alvo. 2. Apontar arma de fogo contra: Visou o ladrão, imobilizando-o. 3. Pôr o sinal de visto em: visar um cheque. 4. Ter por fim ou objetivo; ter em vista: Ao escrever esta novela, visava um fim moral. T. i. 4. Ter por fim ou objetivo; ter em vista: Estas medidas visavam ao bem público.   Agora, considere os seguintes períodos: 1. O caçador, depois de visar ao lobo na floresta, parou para revidar ao chamado dos companheiros de caça.  2. Depois de precisar os detalhes do contrato, o vendedor pediu aos interessados que aguardassem, pois teria de atender o chamado do escritório. 3. Para revidar as investidas dos clientes, o gerente adiou o início da liquidação e procedeu a investigação do percentual de aumento de preços praticado pela loja, o que permitiu que os funcionários desfrutassem de algumas horas extras de descanso. 4. Os representantes do povo demoram a atender a demandas dos cidadãos, mas sabem desfrutar as benesses do poder.   Assumindo que as explicações sobre os verbos disponibilizadas acima constituem a única possibilidade de uso segundo a norma culta da língua portuguesa, que períodos estariam adequados a essa norma? 

  23. 323

    UEG 2005

    TEXTO A CUSTO DE VIDA Ressurge o dilema da inflação REDUZIR OS GASTOS DO GOVERNO É OPÇÃO ALTERNATIVA QUE A EQUIPE ECONÔMICA ESTUDA PARA SEGURAR A INFLAÇÃO SEM ELEVAR A SELIC.* O POPULAR. Goiânia, 20 set. 2004, p.7. *SELIC é a sigla referente à taxa básica de juros, administrada pelo Banco Central, que a utiliza também como mecanismo de controle da inflação.   TEXTO B Dúvida na eficácia da alta dos juros Ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas diz que o reajuste da taxa Selic é um tiro no pé. A decisão do Banco Central de aumentar, na última quarta-feira, em 0,25 ponto percentual a taxa Selic trouxe mais uma vez à tona a discussão sobre a eficácia de se elevar os juros no país com o objetivo de conter a inflação. JORNAL DO BRASIL. Rio de Janeiro, 20 de set. 2004, p. A15.   TEXTO C O leão e o porco Um sujeito desinformado perguntou-me o que eu achava pior: inflação alta ou juros altos? Ia responder que os dois são péssimos, ou tiraria “cara ou coroa” na hora, escolhendo a inflação ou os juros aleatoriamente. Esclareci que era a última pessoa do mundo a ter uma resposta, nada entendo de economia. E, embora nada entendesse de animais, respondi à pergunta dele com outra: o que é pior, ser focinho de porco ou rabo de leão? Pessoalmente, não queria ser rabo de leão nem focinho de porco. Passando para os átrios sombrios da economia, não gosto dos juros altos nem da inflação, que gerou uma bela imagem poética: “espiral”. Adoro a expressão “espiral inflacionária”. Eu nem sabia o que era espiral, mas já gostava da palavra. Voltando à pergunta que me fizeram. A inflação é um mal, mas a genialidade nativa criou um jeito de suavizá-la como gatilho salarial. Tecnicamente era uma porcaria, só aumentava a inflação, mas, no dia-a-dia que interessa, aliviava o sofrimento e o bolso. O custo de vida aumentava 60% ao mês, os salários aumentavam alguma coisa perto dos 60%. A mágica era besta, mas que besteira boa. Transferíamos a inflação zero para as gerações futuras, para os netos dos nossos netos, eles que se virassem. Os juros não têm gatilho, nada que se pareça com um quebra-galho circunstancial ou permanente. Paga-se e bufa-se. Estão embutidos no pão que se come, no sabonete que nos lava, na luz que nos ilumina. Atinge pobres e ricos. Os remediados (nome estranho: remediado parece que é quem vive cheio de remédios), os remediados, além de pagarem tudo com juros, tal como os pobres, de vez em quando enfrentam a Receita Federal, o ISS, a Cofins, o diabo, pagando os tubos se atrasam um dia. Daí que não é boa coisa ser rabo de leão ou focinho de porco. CONY, Carlos Heitor. Folha de S. Paulo. São Paulo, 12 de set. 2004.   Considerando a variedade linguística, só NÃO é CORRETO afirmar que  

  24. 324

    UFMG 2008

    Em cada alternativa, no fragmento transcrito de "O recado do morro", de Guimarães Rosa, há duas expressões ou frases destacadas. Assinale a alternativa em que NÃO há semelhança de sentido entre essas duas expressões ou frases.

  25. 325

    UFRGS 2015

    Viagens, cofres mágicos com promessas sonhadoras, não mais revelareis vossos tesouros intactos! Hoje, quando ilhas polinésias afogadas em concreto se transformam em porta-aviões ancorados nos mares do Sul, quando as favelas corroem a África, quando a aviação avilta a floresta americana antes mesmo de poder destruir-lhe a virgindade, de que modo poderia a pretensa evasão da viagem conseguir outra coisa que não confrontar-nos com as formas mais miseráveis de nossa existência histórica?   Ainda assim, compreendo a paixão, a loucura, o equívoco das narrativas de viagem. Elas criam a ilusão daquilo ........ não existe mais, mas ........ ainda deveria existir. Trariam nossos modernos Marcos Polos, das mesmas terras distantes, desta vez em forma de fotografias e relatos, as especiarias morais ........ nossa sociedade experimenta uma necessidade aguda ao se sentir soçobrar no tédio?   É assim que me identifico, viajante procurando em vão reconstituir o exotismo com o auxílio de fragmentos e de destroços. Então, insidiosamente, a ilusão começa a tecer suas armadilhas. Gostaria de ter vivido no tempo das verdadeiras viagens, quando um espetáculo ainda não estragado, contaminado e maldito se oferecia em todo o seu esplendor. Uma vez encetado, o jogo de conjecturas não tem mais fim: quando se deveria visitar a Índia, em que época o estudo dos selvagens brasileiros poderia levar a conhecê-los na forma menos alterada? Teria sido melhor chegar ao Rio no século XVIII? Cada década para trás permite salvar um costume, ganhar uma festa, partilhar uma crença suplementar.   Mas conheço bem demais os textos do passado para não saber que, me privando de um século, renuncio a perguntas dignas de enriquecer minha reflexão. E eis, diante de mim, o círculo intransponível: quanto menos as culturas tinham condições de se comunicar entre si, menos também os emissários respectivos eram capazes de perceber a riqueza e o significado da diversidade. No final das contas, sou prisioneiro de uma alternativa: ora viajante antigo, confrontado com um prodigioso espetáculo do qual quase tudo lhe escapava – ainda pior, inspirava troça ou desprezo –, ora viajante moderno, correndo atrás dos vestígios de uma realidade desaparecida. Nessas duas situações, sou perdedor, pois eu, que me lamento diante das sombras, talvez seja impermeável ao verdadeiro espetáculo que está tomando forma neste instante, mas ........ observação meu grau de humanidade ainda carece da sensibilidade necessária. Dentro de alguma centena de anos, neste mesmo lugar, outro viajante pranteará o desaparecimento do que eu poderia ter visto e que me escapou. Adaptado de: LÉVI-STRAUSS, C. Tristes trópicos . São Paulo: Cia. das Letras, 1996. p. 38-44.     Assinale a alternativa que apresenta o sinônimo adequado para a respectiva palavra do texto, considerando o contexto em que esta é empregada.

  26. 326

    UPE 2012

    Navegando rumo ao espaço escolar Com base no meu conhecimento da realidade escolar brasileira, não me resta dúvida de que o grande problema para a superação do analfabetismo digital e/ou para a aprendizagem do manejo de computadores pelas novas gerações reside num elemento-chave: o professor. Sem que o professor esteja objetivamente habilitado para o uso dos computadores, incluindo aqui o domínio dos principais programas e das principais linguagens para a produção/recepção de informações virtuais, serão mínimas as chances de uma socialização da Internet no espaço escolar ou, se quiser, será muito lento esse processo, retardando sobremaneira o usufruto dos seus benefícios pela maioria da população brasileira.   A profissionalização dos professores vem sofrendo uma corrosão crescente nestes últimos tempos. A formação básica, em decorrência de um aumento exponencial de faculdades particulares de condição duvidosa, e a formação continuada, nem sempre assumida rigorosamente pelos governos, ainda deixam muito a desejar. Some-se a isso o baixo salário e outras péssimas condições de trabalho no magistério, transformando as dificuldades dessa área em grandes desafios. Para alguns, considerando o descaso histórico e a atual indiferença em relação ao chamado “ensino de qualidade”, os problemas relacionados à formação de professores são quase que intransponíveis, descartando quaisquer iniciativas duradouras no tempo e que gerem efeitos significativos nas salas de aula.   Some-se a essa desgraça a tradição secular do chamado “ensino de giz-e-lousa”. Desde 1930, esse esclerosado paradigma e todos os ranços de uma pedagogia baseada na saliva foram recorrentemente criticados, havendo, inclusive, propostas sadias para substituição das velhas metodologias que levam a uma aprendizagem mecânica e repetitiva, conforme criticava Paulo Freire. Entretanto, sabe-se lá a teia complexa de fatores que agem sobre a educação escolarizada brasileira, o estilo “giz-e-lousa” sempre encontrou maneiras de permanecer ou, então, de ressurgir ainda mais forte no transcorrer dos tempos. Outrossim, os demais instrumentos para a produção do ensino, inclusive dos computadores, quase sempre ficam na periferia daquele estilo básico, sendo aprendidos e utilizados, em termos de manejo, muito mais fora da escola que dentro dela.   No que se refere ao espaço escolar propriamente dito, convém insistir nas carências que resultam da falta de investimentos contínuos e/ou são consequências – apenas – de entusiasmos passageiros dos governos em início de gestão, fazendo que os poucos ou parcos investimentos passem a significar absolutamente nada. Isso porque não levam em conta dois fatores fundamentais: (1) o próprio professor que, como afirmado no início dessa reflexão, é o condutor responsável pelo “bonde” do ensino; é o principal agente de facilitação da aprendizagem dos estudantes e sem ele quaisquer propostas de inovação não vingam nem se sustentam na prática; e (2) a nova estrutura da administração da escola, que deve agora contar com novos profissionais para dar conta das novas funções assimiladas em benefício da formação dos estudantes. Exemplificando: caso a escola passe a fornecer merenda, a contratação de uma nutricionista torna-se imprescindível; caso venha a ter uma biblioteca, deve possuir um bibliotecário para organizar esse espaço; caso passe a contar com um laboratório ou sala de informática, a presença de um técnico ou graduado nessa área é fundamental.   O problema é que os governos escamoteiam essas necessidades, atribuindo aos próprios professores o cumprimento das novas funções agregadas à organização – funções muito além da formação básica para o exercício do magistério (também precária, como foi visto acima). Nesses termos, morrem na praia, depois de certo tempo de operação (passado o entusiasmo do ritual de inauguração do espaço), as tentativas de enriquecer o ensino-aprendizagem com instrumentos mais sofisticados do que apenas o giz e a lousa e os exercícios de cópia a partir dos rotineiros comandos verbais dos professores. Daí, na maior parte das vezes, a aprendizagem do manejo da mídia – exatamente igual ao que ocorre com a aprendizagem da língua inglesa (sem laboratórios nas escolas e com professores fraquíssimos em termos de domínio) – ser feita fora da escola, ao sabor das escolinhas de informática que faturam quanto querem em decorrência do fracasso das escolas públicas nessa área. In: SILVA, E. T. A leitura nos oceanos da Internet. São Paulo: Cortez, 2003. p. 53-55 (com adaptações).   Ainda que o texto seja escrito no padrão normativo da língua portuguesa, há uma passagem em que o autor utiliza uma construção que se afasta desse padrão. Assinale-a.

  27. 327

    EPCAR 2013

    TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: GATES E JOBS   Quando as órbitas se cruzam   7Em astronomia, quando as órbitas de duas estrelas se entrecruzam por causa da interação gravitacional, tem-se um sistema binário. Historicamente, ocorrem situações análogas quando uma era é moldada pela relação e rivalidade de dois grandes astros orbitando: Albert Einstein e Niels Bohr na física no século XX, por exemplo, ou Thomas Jefferson e Alexander Hamilton na condução inicial do governo americano. Nos primeiros trinta anos da era do computador pessoal, a partir do final dos anos 1970, o sistema estelar binário definidor foi composto por dois indivíduos de grande energia, que largaram os estudos na universidade, ambos nascidos em 1955.   Bill Gates e Steve Jobs, apesar das ambições semelhantes no ponto de convergência da tecnologia e dos negócios, 5tinham origens bastante diferentes e personalidades radicalmente distintas.   À diferença de Jobs, Gates entendia de programação e tinha uma mente mais prática, mais disciplinada e com grande capacidade de raciocínio analítico. Jobs era mais intuitivo, romântico, e dotado de mais instinto para tornar a tecnologia usável, o design agradável e as interfaces amigáveis. Com sua mania de perfeição, era extremamente exigente, além de administrar com carisma e intensidade indiscriminada. 3Gates era mais metódico; as reuniões para exame dos produtos tinham horário rígido, e ele chegava ao cerne das questões com uma habilidade ímpar. Jobs encarava as pessoas com uma intensidade cáustica e ardente; Gates às vezes não conseguia fazer contato visual, mas era essencialmente bondoso.   4“Cada qual se achava mais inteligente do que o outro, mas Steve em geral tratava Bill como alguém levemente inferior, sobretudo em questões de gosto e estilo”, diz Andy Hertzfeld. “Bill menosprezava Steve porque ele não sabia de fato programar.” Desde o começo da relação, 6Gates ficou fascinado por Jobs e com uma ligeira inveja de seu efeito hipnótico sobre as pessoas. Mas também o considerava “essencialmente esquisito” e “estranhamente falho como ser humano”, e se sentia desconcertado com a grosseria de Jobs e sua tendência a funcionar “ora no modo de dizer que você era um merda, ora no de tentar seduzi-lo”. Jobs, por sua vez, via em Gates uma estreiteza enervante.   2Suas diferenças de temperamento e personalidade 1iriam levá-los para lados opostos da linha fundamental de divisão na era digital. Jobs era um perfeccionista que adorava estar no controle e se comprazia com sua índole intransigente de artista; ele e a Apple se tornaram exemplos de uma estratégia digital que integrava solidamente o hardware, o software e o conteúdo numa unidade indissociável. Gates era um analista inteligente, calculista e pragmático dos negócios e da tecnologia; dispunha-se a licenciar o software e o sistema operacional da Microsoft para um grande número de fabricantes.   Depois de trinta anos, Gates desenvolveu um respeito relutante por Jobs. “De fato, ele nunca entendeu muito de tecnologia, mas tinha um instinto espantoso para saber o que funciona”, disse. Mas Jobs nunca retribuiu valorizando devidamente os pontos fortes de Gates. “Basicamente Bill é pouco imaginativo e nunca inventou nada, e é por isso que acho que ele se sente mais à vontade agora na filantropia do que na tecnologia”, disse Jobs, com pouca justiça. “Ele só pilhava despudoradamente as ideias dos outros.” (ISAACSON, Walter. Steve Jobs: a biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 189-191. Adaptado)   Há palavras na língua, chamadas de homônimas, que apresentam a mesma pronúncia, ou a mesma grafia, ou ainda, a mesma pronúncia e grafia, porém possuem significados diferentes. Assinale o período abaixo em que NÃO há este tipo de vocábulo.  

  28. 328

    MACKENZIE 2014

    Distantes geograficamente, é natural que o português do Brasil e o de Portugal presentassem, desde o Período Colonial, traços linguísticos que os particularizassem e diferenciassem. Não é simples, porém, determinar em que momento isso passou a ocorrer mais fortemente. Os primeiros colonos que para cá vieram (século XVI, principalmente) passaram quase sempre por um processo de “indianização”, dada a precariedade da estrutura colonial do período. A partir, contudo, do final do século XVI ou início do século XVII, nas áreas centrais da Colônia (Bahia e Pernambuco), houve núcleos de colonização que não se indianizaram, ao menos não  intensamente. Esses novos colonos sentiam-se como “exilados”, e não como brasileiros. Procuravam manter a cultura europeia, evitando as influências tropicais. Linguisticamente, essa postura parece ter desenvolvido uma norma conservadora, que manteria o falar brasileiro relativamente infenso às inovações que se processaram em Portugal. Adaptado de Paulo Bearzoti Filho, em Formação linguística do Brasil. Pela leitura do texto, pode-se afirmar que  

  29. 329

    UEL 2015

    Leia o artigo de opinião a seguir e responda à questão.     A Lei Bernardo e o assédio moral na família   O caso do menino Bernardo Uglione Boldrini chocou o Brasil. Ainda sem julgamento, a história do homicídio do menino de apenas 11 anos de idade, que tem como principais suspeitos o pai, a madrasta e a assistente social amiga da família, trouxe à tona diversos assuntos, em especial, a convivência familiar. As versões dos acusados são diversas e contraditórias, mas a principal questão reside em torno do tratamento interpessoal dentro da entidade familiar. Nesse tocante, surge preocupação com a situação que muitas famílias vivenciam de tratamento cruel ou degradante, que a Lei Bernardo repudia.   A Lei Bernardo, antiga Lei Palmada, eterniza o nome de Bernardo Boldrini. Em vida, o menino chegou a reclamar judicialmente dos maus-tratos sofridos no ambiente familiar, demonstrando que, antes de sua morte física noticiada, Bernardo já estava sofrendo o chamado homicídio da alma, também conhecido como assédio moral. O assédio moral é conduta agressiva que gera a degradação da identidade da vítima assediada, enquanto o agressor sente prazer de hostilizar, humilhar, perseguir e tratar de forma cruel o outro. Justamente essa conduta que o Art. 18-A do ECA, trazido pela Lei Bernardo, disciplina na tentativa de proteger a criança e o adolescente de tais práticas.   O assédio moral possui várias denominações pelo mundo, como bullying,mobbing, ijime, harassment, e é caracterizado por condutas violentas, sorrateiras, constantes, que algumas vezes são entendidas como inofensivas, mas se propagam insidiosamente. A figura do assédio moral na família surge exatamente quando o afeto deixa de existir dando espaço à desconsideração da dignidade do outro no dia a dia. Demonstrando, assim, que, embora haja necessidade de afetividade para que surja uma entidade familiar, com o desaparecimento do sentimento de afeto surgem situações de violência, inclusive a psíquica.    A gravidade é majorada no âmbito da família, eis que ela é principal responsável pelo desenvolvimento da personalidade de seus membros e do afeto, elemento agregador.    A morte da alma do menino Bernardo ainda em vida, resultado de tratamento degradante, diário e sorrateiro, que culminou na morte física, faz refletir sobre a importância da família no desenvolvimento da personalidade de seus membros, de modo a valorizar a existência do afeto para que não haja na entidade familiar a figura do assédio moral.   O assédio moral na família, ou psicoterror familiar, deve ser amplamente combatido, principalmente pelo papel exercido pela família de atuar no desenvolvimento da criança e do adolescente, de modo que a integridade psíquica deve ser sempre resguardada, no afeto e no respeito à dignidade da pessoa humana, desde seu nascimento. (Adaptado de: SENGIK, K. B. Jornal de Londrina. 14 set. 2014. Ponto de vista. ano 26. n.7.855. p.2.)     Sobre os recursos linguísticos utilizados no texto, assinale a alternativa correta.

  30. 330

    UFABC 2009

    Os pronomes estão empregados de acordo com a norma padrão em:

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