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Literatura

Guimarães Rosa - Sagarana - A hora e a vez de Augusto Matraga: Resumo

Prof.ª Priscila timer 19:36

Nesta primeira videoaula sobre a obra Sagarana, de Guimarães Rosa, você verá um resumo sobre este livro que tem nove contos diferentes. Começará vendo um resumo do conto A hora e a vez de Augusto Matraga, um panorama sobre os objetivos do autor e o tipo de linguagem que ele usou para transmitir sua mensagem. Verá que a obra trata de regionalismo, fé e usa neologismos. Esta aula online é apresentada de forma bastante didática para ajudar você a entender bem este livro.

Essa é a nossa primeira aula sobre a obra Sagarana de Guimarães Rosa, como vocês sabem composta por nove contos ou novelas, como discutem alguns críticos literários e todas elas possuem, são amarradas aí as histórias, possuem uma relação de sentido aí, por mais que mude completamente os personagens as situações, mas todas levam a um mesmo sentido ali ao final, que seria o sentido da vida, nossa trajetória pela vida e tudo mais. E nós analisaremos e resumiremos aqui cada um dos contos, mas antes disso, nós vamos começar com uma análise geral sobre a obra. Então é importante destacar no caso de Guimarães Rosa o regionalismo, muito próprio também dos autores modernistas contemporâneos. O regionalismo ele está presente em Sagarana, nos contos e a maioria deles se passa em Minas Gerais ali, então é mais voltado para essa região. Além disso, uma forte característica do Guimarães Rosa também é o uso de neologismos, ou seja, inventar novas palavras. O próprio título Sagarana nasceu de uma invenção, Guimarães Rosa mesclou "saga", que seria um radical de origem europeia, significando canto heróico, com "rana" que seria aí uma palavra indígena, significando a maneira dê, da forma dê, algo nesse sentido. Então no próprio título nós já vemos a presença desse neologismo e isso acontece aí ao longo dos contos que compõem a obra também. Além do regionalismo e do neologismo, como eu comentei, os contos têm em comum falar sobre a travessia do homem pela vida e todos eles possuem uma moral da história, algo que se aproxima das fábulas em que nós temos ali os animais, que representam uma moral da história ao final que traz ao homem, ao leitor, uma reflexão, a obra em si, Sagarana, leva a essa reflexão sobre o que os personagens estão vivendo ali. E a presença da fé é algo muito notável aqui também, principalmente nesse primeiro conto que a gente vai estudar, que é "A Hora e a Vez de Augusto Matraga", que é o principal aí, o mais solicitado nos vestibulares inclusive Unicamp, Fuvest agora. E o destino também aparece aqui na obra sempre como algo que depende da forma como nós o conduzimos, então não estamos predestinados, esse destino vai depender das atitudes que nós vamos tomar. Então essas são características em comum aos nove contos de Sagarana. Começando então com "A Hora e a Vez de Augusto Matraga", propriamente dito. Esse conto, ele traz a história do Augusto Matraga que é um homem rude ali, que segue na travessia dele aí pela vida e ele possui um desejo, ele quer que chegue a sua hora, a sua vez, de ir para o céu, independente do que ele tenha que fazer para ir para o céu. Porém, o Augusto Matraga ele é um homem mau até, digamos assim, e é aí que aparece, começa essa questão do destino aí nesse conto, porque ele é um homem mau, ele é um homem perdido na vida e ele passa dessa maldade para a bondade, dessa perdição para a salvação, então há esse processo transformador aí no personagem Augusto Matraga. Então a história ela começa numa festa de santo ali né e o Augusto ele compra ali, ele ganha num leilão ali uma prostituta e ele acaba nem usando, digamos assim, essa prostituta, porque ele fala que ela é muito feia. Na verdade, ele só quis ganhar para mostrar que ele podia mais, que ele era soberano né. Então ele ganhou a moça ali e acabou não usando. Aí nós já temos uma crítica moral ali, primeiro como assim vendendo um ser humano ali, comercializando isso. E segundo que ele ainda fala não eu só, eu não vou usar, ela é muito feia eu só queria mesmo era mostrar essa soberania, então já começa aí essas duas críticas. Além disso, ele trata, ele é casado, Augusto Matraga é casado e ele trata muito mal a esposa dele, a Dionóra e a filha dele também, a Mimita. Então ele é um homem muito, muito grosseiro em casa, maltrata a mulher e maltrata a filha. E o tempo vai passando e ele agindo dessa maneira negativa, só queria saber de jogo, de bebida, de se envolver com mulheres da vida e tudo mais, esse era o resumo da existência do Augusto Matraga até então. Até o momento em que há uma reviravolta na vida dele. O que acontece? A esposa dele resolve abandoná-lo, afinal não dava para continuar sendo tratada assim, e ela vai morar com a filha e com outro rapaz, o Ovídio. Além disso, alguns capangas dele abandonam ele e vão para as bandas ali do Major Consilva, que é um da região ali do Augusto também, né. Então os capangas o traem, a mulher o abandona, então as coisas começam a mudar aí na vida dele é como se o destino aqui se virasse contra ele e mostrasse, bom, você é que conduz o destino, se as coisas continuarem, se você continuar agindo da forma como você está agindo as coisas vão ser assim. E aí você vai acordar? Você não vai? E é justamente a partir dessa reviravolta que o Augusto Matraga começa a despertar para a vida e ele se vê ali completamente perdido ele não tem mais o apoio dos capangas, ele não tem a esposa, ele está cheio de dívidas, as terras deles estão hipotecadas, então ele está ali à beira do abismo. Aí o que ele faz? Ele resolve tomar satisfação com o Major, que pegou os capangas dele ali. Porém quando ele chega nas terras do Major ele é recebido pelos capangas do Major, inclusive esses que o traíram, que o abandonaram, é recebido por eles apanha, recebe marcas com ferro, judiam muito do Matraga. E antes que judiassem ainda mais ele se atira de um barranco, um barranco muito alto, o que leva todo mundo a achar que ele morreu e daí, ele para surpresa posterior, ele não morre, ele é cuidado por algumas pessoas, consegue se recuperar. Porém nesse período de recuperação é que ele começa a refletir e isso faz com que o próprio leitor do conto também reflita, sobre as atitudes pessoais dele. Ele começa a refletir e ele fala: olha não é isso que eu quero para mim, se for pra eu viver assim eu prefiro morrer. Então aí ele começa a repensar na vida dele e começa a voltar a ter paixão pela vida, após quase morrer né. E ele faz isso voltando-se agora para o lado da fé, ele começa, ele abraça ali o cristianismo e começa a seguir nessa linha e acreditando que vai para o céu. Não agora eu sou um novo homem, eu vou para o céu de qualquer jeito, como ele mesmo fala, "nem que seja a porrete" é até engraçado é cômico essa forma rude dele desejar ir para o céu, mas ele até fala no conto "eu vou para o céu nem que seja a porrete ". E daí começa a fase dele de penitência, então ele começa a se arrepender, ele começa a pagar por algumas coisas que ele fez no passado, ele se mostra ali trabalhador, como muda de vida, mas as pessoas começam a enxergá-lo ali numa mescla de salvador, de santo, de louco. As pessoas começam a ficar em dúvida em relação a quem ele realmente é. Como ele se transformou dessa maneira. E ele vai vivendo, vai vivendo dessa forma, sempre trabalhando por sete anos. Depois disso, passando esse período, um antigo conhecido dele passa por lá e se espanta por ele estar vivo e da forma, pela forma como ele está vivendo agora, um homem de bem e tal e traz algumas desgraças ali para ele. Aí que ele começa a pagar pelo que ele fez no passado. O rapaz chega primeiro falando que a ex-mulher dele a Dionóra estava para se casar com Ovidio, porque jurava que ele estava morto, achava que ela era viúva, pensava que Matraga tinha morrido. O major, o mesmo que roubou os capangas dele ali se apodera das terras dele agora, então não só roubou os capangas como as terras também, o Quim, foi um dos capangas que restaram. Ele foi o único que se levantou ali contra o Major que tentava tomar as terras e acabou sendo morto, foi, foi invadir as terras do Major também para tomar satisfação para defender o patrão, acabou sendo morto, porque era muito inocente, digamos assim, ele era bobo, esse capanga, esse Quim. E ainda por cima a filha dele a Mimita se torna prostituta, então ele que sempre se envolvia com mulheres da vida ali, agora tinha a própria filha como prostituta. Então ele começa a se arrepender das coisas que ele fez, só que nesse momento, antes desse arrependimento, ele começa a questionar: o que será que aconteceu? Será que Deus me abandonou? Será que eu não vou pro céu? Como isso é possível? Porém ele segura aquela tentação de ir buscar vingança, porque tudo o que ele quer naquele momento é isso, é se vingar principalmente do Major. Mas ele resiste e a partir dessa resistência dele à vingança ele já começa a ser salvo ali. E prosseguindo chega o período de chuvas que aí acaba simbolizando também aí essa transformação dele é como se a chuva, a água ali, representasse o batismo dele, uma purificação, e a cada dia ele vai se tornando uma pessoa melhor, durante esse período de arrependimento. E daí um belo dia, ele está lá na região dele e aparece um homem chamado Joãozinho Bem-Bem, esse Joãozinho é mais ou menos no... ele tem mais ou menos o tipo de vida que Matraga tinha antes, um bandido assim, um homem mau. Ele chega lá onde Matraga mora ali no vilarejo, com intenções ruins, porém Matraga recebe ele muito bem e isso faz com que Joãozinho Bem-Bem mude de postura. Então aí a gente também vê a questão do reflexo das nossas atitudes, a forma como nós agimos com o outro é como outro vai agir com a gente. Então nós vemos mais essa lição aí no meio do conto e o bandido acaba se encantando, digamos assim, por Matraga, cria um carinho forte por ele, não saqueia, não faz nada ali no vilarejo, não bate em ninguém nem nada, como era seu costume e acaba indo embora, até convida Matraga para acompanhá-lo e obviamente o Matraga se sente tentado novamente, afinal ele sente saudades daquele tempo em que ele era soberano, em que ele tinha poder, em que ele era temido, mas mais uma vez ele resisti ali, da mesma forma como ele resistiu a buscar vingança, ele resiste agora a ir junto com esse Joãozinho Bem-Bem fazer maldades por aí, veja a ironia do nome dele. E daí, ele resistindo a gente percebe essa evolução dele cada vez maior, essa transformação dele para uma pessoa de bem. E Joãozinho Bem-Bem parte então, Matraga novamente fica sozinho. Alguns Dias depois, Matraga observa ali alguns passos voando, aliás alguns pássaros voando. E nesse momento ele pensa: Nossa, mas o que que me prende aqui? Vendo esses pássaros indo embora, não tem mais nada que me prenda aqui, eu não tenho família, não tenho a minha esposa, minha filha nem nada, eu vou embora também. E resolve partir. E a forma de locomoção dele ali entra aí na questão da simbologia cristã, porque ele parte ali montado num jumento, o mesmo animal que conduziu Maria e tal antes do nascimento de Cristo e aí a gente vê mais uma vez essa representação da fé aí no conto. E ele viaja vários dias aí nesse jumento até que ele chega num arraial, chamado rala coco, e a cidade ali estava à flor da pele ali, porque a gangue ali do Joãozinho Bem-Bem tinha chegado ali buscando vingança. Por quê? Porque um dos capangas do Joãozinho tinha abandonado ele, então Joãozinho acusa esse homem de traição e resolve se vingar em cima da família dele. Então ele vai até esse vilarejo que é onde mora a família tal, desse traidor, para se vingar em cima da Família e Matraga chega bem nessa hora e junto com Matraga está o filho desse traidor, do fugitivo, aliás o pai desse traidor, desse fugitivo, falando: não, por favor não faça isso com a nossa família a gente não tem nada a ver com isso e tentando convencer o Joãozinho Bem-Bem a não matar a família toda, porque ele estava realmente disposto a isso. Mas Joãozinho irredutível não, não quer, está muito nervoso, estava com um espírito de vingança muito grande por ter sido traído pelo capanga e nisso apesar da consideração que ele tem ali pelo Matraga os dois começam a discutir, porque de um lado a gente tem toda a negatividade e a vingança ali, o egoísmo do Joãozinho Bem-Bem e do outro o Matraga ali trazendo toda todo um ar de bondade, tentando convencê-lo de que aquilo não vai levar a lugar nenhum, trazendo paz. Então o inevitável acontece que é o confronto dos dois, eles iniciam uma luta e o Matraga acaba ganhando. Ele mata ali o Joãozinho Bem-Bem e é a partir daquele momento, ele sente que ele também está morrendo, afinal ele ficou muito ferido depois da luta. Então ele mata o Joãozinho e antes de morrer ele ainda pede ali para o pessoal que observou a luta para que enterre o Joãozinho decentemente, então ele mostra mais uma vez essa pureza que ele tem agora de sentimentos, essa bondade fica explícita novamente. Ele pede também pela filha, ele pede a Deus que proteja a filha que virou prostituta e tudo mais. A todo momento durante a luta e após a luta ele sempre é chamando pelo nome de Deus e tudo mais até que ele venha a falecer e aí vem o nome do conto chega finalmente a sua hora e a sua vez. E diante do bem que ele fez, ainda que já próximo do final da vida, mas a partir do momento que ele se conscientizou ele recebeu o perdão, ele foi salvo e daí ele estava salvo agora e ia para o céu, como ele realmente queria e como dito lá no início do conto nem que seja a porrete. Será que não foi mais ou menos assim? Se envolveu na luta ali, venceu, ainda assim teve compaixão pelo Joãozinho Bem-Bem, pedindo para que a sociedade ali fizesse os devidos... o enterro da forma devida tal e por fim ele consegue alcançar o céu que era algo que ele tanto almejava. Então nesse conto, esse breve resumo do conto, a gente vai partir para análise depois, para análise dos personagens, mas a gente já percebe então essas características gerais da obra todas presentes em "A Hora e a Vez de Augusto Matraga". Então tem a questão do regionalismo se passa em Minas Gerais, a questão do neologismo, no próprio título no caso da obra, essa travessia pela vida, afinal o Augusto Matraga ele passou por transformações ao longo da vida dele, sempre munido de fé, a partir do momento em que ele se arrependeu, a fé, ele carregava muita a fé o tempo todo. A questão do destino quando ele se dá conta de que ele é o responsável pelo destino dele, então ele tinha que mediar ali as suas ações e a moral da história, ao final então se você faz o bem você alcança o bem, tanto é que apesar da situação Augusto morre feliz por finalmente conseguir o que ele queria que era ir para o céu. Esse então é o resumo desse importante conto, na verdade é o mais importante da obra, o mais solicitado em vestibular que é "A Hora e a Vez de Augusto Matraga".

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