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Exercícios de Guimarães Rosa - Sagarana

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  1. 1. PUCSP 2006
    Em carta escrita a João Condé, revelando os segredos de "Sagarana", João Guimarães Rosa elenca as doze histórias que comporiam a obra. De uma delas afirma: "Peça não-profana, mas sugerida por um acontecimento real, passado em minha terra, há muitos anos: o afogamento de um grupo de vaqueiros, num córrego cheio". Tal afirmação refere-se ao conto
  2. 2. FUVEST 1991
               - Primo Argemiro!             E, com imenso trabalho, ele gira no assento, conseguindo pôr-se de-banda, meio assim.             Primo Argemiro pode mais: transporta uma perna e se escancha no cocho.             - Que é, Primo Ribeiro?             - Lhe pedir uma coisa... Você faz?             - Vai dizendo, Primo.             - Pois então, olha: quando for a minha hora você não deixe me levarem p'ra o arraial... Quero ir mais é p'ra o cemitério do povoado... Está desdeixado, mas ainda é chão de Deus... Você chama o padre, bem em-antes... E aquelas coisinhas que estão numa capanga bordada, enroladas em papel-de-venda e tudo passado com cadarço, no fundo da canastra... se rato não roeu... você enterra junto comigo... Agora eu não quero mexer lá... Depois tem tempo... Você promete?...             - Deus me livre e guarde, Primo Ribeiro... O senhor ainda vai durar mais do que eu.             - Eu só quero saber é se você promete...             - Pois então, se tiver de ser desse jeito de que Deus não há-de querer, eu prometo.             - Deus lhe ajude, Primo Argemiro.             E Primo Ribeiro desvira o corpo e curva ainda mais a cara.             Quem sabe se ele não vai morrer mesmo? Primo Argemiro tem medo do silêncio.             - Primo Ribeiro, o senhor gosta d'aqui?...             - Que pergunta!  Tanto faz... É bom p'ra se acabar mais ligeiro... O doutor deu prazo de um ano... Você lembra?             - Lembro! Doutor apessoado, engraçado... Vivia atrás dos mosquitos, conhecia as raças lá deles, de olhos fechados, só pela toada da cantiga... Disse que não era das frutas e nem da água... Que era o mosquito que punha um bichinho amaldiçoado no sangue da gente... Ninguém não acreditou... Nem o arraial.  Eu estive lá com ele...             - Primo Argemiro o que adianta...             - ... E então ele ficou bravo, pois não foi?  Comeu goiaba, comeu melancia da beira do rio, bebeu água do Pará e não teve nada...             - Primo Argemiro...             - ... Depois dormiu sem cortinado, com janela aberta... Apanhou a intermitente; mas o povo ficou acreditando...             - Escuta!  Primo Argemiro... Você está falando de-carreira, só para não me deixar falar!             - Mas, então, não fala em morte Primo Ribeiro!... Eu, por nada que não queria ver o senhor se ir primeiro do que eu...             - P'ra ver!... Esta carcaça bem que está aguentando... Mas, agora, já estou vendo o meu descanso, que está chega-não-chega, na horinha de chegar...             - Não fala isso Primo!... Olha aqui: não foi pena ele ter ido s'embora?  Eu tinha fé em que acabava com a doença...             - Melhor ter ido mesmo... Tudo tem de chegar e de ir s'embora outra vez... Agora é a minha cova que está me chamando... Aí é que eu quero ver!  Nenhumas ruindades deste mundo não têm poder de segurar a gente p'ra sempre, Primo Argemiro...             - Escuta Primo Ribeiro: se alembra de quando o doutor deu a despedida p'ra o povo do povoado?  Foi de manhã cedo, assim como agora... O pessoal estava todo sentado nas portas das casas, batendo queixo.  Ele ajuntou a gente... Estava muito triste... Falou: - 'Não adianta tomar remédio, porque o mosquito torna a picar... Todos têm de se, mudar daqui... Mas andem depressa pelo amor de Deus!' -... -Foi no tempo da eleição de seu Major Vilhena... Tiroteio com três mortes...             - Foi seis meses em-antes-de ela ir s'embora...             De branco a mais branco, olhando espantado para o outro, Primo Argemiro se perturbou.  Agora está vermelho, muito.             Desde que ela se foi, não falaram mais no seu nome.  Nem uma vez.  Era como se não tivesse existido.  E, agora... João Guimarães Rosa, Sarapalha, do livro SAGARANA. "Foi seis meses em-antes-de ela ir-s'embora..." "Desde que ela se foi, não falaram mais no seu nome.  Nem uma vez.  Era como se não tivesse existido." Estas duas passagens fazem referência explícita ao motivo central da narrativa:
  3. 3. PUC-SP 2009
    Guimarães Rosa escreveu "Sagarana" em 1946. Compõe-se esta obra de nove contos, entre os quais se destaca "Corpo Fechado", narrativa que relata episódios vividos por uma personagem que se envolve com histórias de valentia, convivência com ciganos, afrontas amorosas, trocas duvidosas com perdas e ganhos e intimidações que justificam o fechamento de corpo. Indique a alternativa que contém dados caracterizadores da personagem central que protagoniza o enredo do referido conto.
  4. 4. FUVEST 1990
    Dentre os contos de "Sagarana" existe um em que o narrador sustenta um duelo literário com outro poeta, chamado Quem Será, e no qual se fazem várias considerações sobre a natureza da poesia. Numa metáfora do condicionamento do homem, resistente à aceitação do novo e diferente, o autor leva a personagem a passar por um período de cegueira. A partir daí a personagem descobre a mutilação dos sentidos, que agora se abrem a outras vertentes da realidade. Em qual dos contos a seguir se discute essa questão?
  5. 5. PUCSP 2005
    O conto "Conversa de bois" integra a obra SAGARANA, de João Guimarães Rosa. De seu enredo como um todo, pode afirmar-se que
  6. 6. PUCPR 2001
    Na visão de mundo de Guimarães Rosa, o bem e o mal aparecem relativizados, e o maniqueísmo não prevalece na constituição de suas personagens. Identifique, nos exemplos fornecidos, aquele que é FALSO em relação à constituição das personagens de "Sagarana":
  7. 7. FUVEST 2009
    Em trecho anterior do mesmo conto, o narrador chama Sete-de-Ouros de "sábio". No excerto, a "sabedoria" do burrinho consiste, principalmente, em:
  8. 8. FUVEST 2009
    Vestindo água, só saído o cimo do pescoço, o burrinho tinha de se enqueixar para o alto, a salvar também de fora o focinho. Uma peitada. Outro tacar de patas. Chu-áa! Chu-áa... – ruge o rio, como chuva deitada no chão. Nenhuma pressa! Outra remada, vagarosa. No fim de tudo, tem o pátio, com os cochos, muito milho, na Fazenda; e depois o pasto: sombra, capim e sossego... Nenhuma pressa. Aqui, por ora, este poço doido, que barulha como um fogo, e faz medo, não é novo: tudo é ruim e uma só coisa, no caminho: como os homens e os seus modos, costumeira confusão. É só fechar os olhos. Como sempre. Outra passada, na massa fria. E ir sem afã, à voga surda, amigo da água, bem com o escuro, filho do fundo, poupando forças para o fim. Nada mais, nada de graça; nem um arranco, fora de hora. Assim. João Guimarães Rosa. “O burrinho pedrês”, Sagarana. Quando nos apresentam os homens vistos pelos olhos dos animais, as narrativas em que aparecem o burrinho pedrês, do conto homônimo (Sagarana), os bois de "Conversa de bois" (Sagarana) e a cachorra Baleia (Vidas secas) produzem um efeito de: 
  9. 9. PUCCAMP 1995
    Leia com atenção o seguinte fragmento de A hora e vez de Augusto Matraga, de João Guimarães Rosa:             Então eles trouxeram, uma noite, muito à escondida, o padre, que o confessou e conversou com ele, muito tempo, dando-lhe conselhos que o faziam chorar.             - Mas, será que Deus vai ter pena de mim, com tanta ruindade que fiz, e tendo nas costas tanto pecado mortal?             - Tem, meu filho. Deus mede a espora pela rédea, e não tira o estribo do pé de arrependido nenhum...             E por ai a fora foi, com um sermão comprido, que acabou depondo o doente num desvencido torpor.             - Eu acho boa essa ideia de se mudar para longe, meu filho. Você não deve pensar mais na mulher, nem em vinganças. Entregue para Deus, e faça penitência. Sua vida foi entortada no verde, mas não fique triste, de modo nenhum, porque a tristeza é aboio de chamar o demônio, e o Reino do Céu, que é o que vale, ninguém tira de sua algibeira, desde que você esteja com a graça de Deus, que ele não regateia a nenhum coração contrito!             - Fé eu tenho, fé eu peço, Padre...             - Você nunca trabalhou, não é? (...) Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria... Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua.   Reflita sobre as seguintes afirmações: I. Tal como ocorre nos demais contos de SAGARANA, João Guimarães Rosa centraliza neste a prática popular da fé cristã, encarnada aqui num Augusto Matraga renascido, que viverá o resto de sua vida no trabalho humilde e penitente, para além do heroísmo e da violência. II. Neste conto, como em todos de SAGARANA, a linguagem do autor promove uma autêntica fusão entre o que é abstrato e o que é concreto, tal como aqui ocorre na fala do padre, em que os valores religiosos se enraízam no cotidiano sertanejo. III. A "hora e vez" de que fala o padre vai-se concretizar, neste conto, num ato de fé e de bravura do protagonista contra um inimigo poderoso, o que lembra o clímax de dois outros contos do livro: "São Marcos" e "Corpo fechado". É correto afirmar que
  10. 10. ALBERT EINSTEIN 2017
    “De repente, na altura, a manhã gargalhou: um bando de maitacas passava, tinindo guizos, partindo vidros, estralejando de rir. E outro. Mais outro. E ainda outro, mais baixo, com as maitacas verdinhas, grulhantes, gralhantes, incapazes de acertarem as vozes na disciplina de um coro. (...) O sol ia subindo, por cima do voo verde das aves itinerantes. Do outro lado da cerca, passou uma rapariga. Bonita! Todas as mulheres eram bonitas. Todo anjo do céu devia de ser mulher.” O trecho acima integra a obra Sagarana, de Guimarães Rosa. Indique, nas alternativas abaixo, o nome do conto que contém o referido trecho.
  11. 11. UNEMAT 2010
    Relacione os excertos da primeira coluna aos títulos dos contos da segunda, do livro Sagarana, de Guimarães Rosa. Coluna I 1. José Boi caiu de um barranco de vinte metros; ficou com a cabeleira enterrada no chão e quebrou o pescoço. Mas, meio minuto antes, estava completamente bêbado e também no apogeu da carreira: era o ‘espanta-praças’, porque tinha escaramuçado, uma vez, um cabo e dois soldados, que não puderam reagir, por serem apenas três. (p. 253) 2. Que já houve um tempo em que eles conversavam, entre si e com os homens, é certo e indiscutivel, pois que bem comprovado nos livros das fadas carochas. (p. 283) 3. Naquele tempo, eu morava no Calango-Frito e não acreditava em feiticeiros. (p. 221) 4. Turíbio Todo, nascido à beira do Borrachudo, era seleiro de profissão, tinha pelos compridos nas narinas, e chorava sem fazer caretas; palavra por palavra: papudo, vagabundo, vingativo e mau. Mas no começo dessa história ele estava com a razão. (p. 139) 5. Tapera de arraial. Ali, na beira do rio Pará, deixaram largado um povoado inteiro: casas, sobradinho, capela; três vendinhas, o chalé e o cemitério; e a rua, sozinha e comprida, que agora nem mais é uma estrada, de tanto que o mato a entupiu. (p. 117)   Coluna II ( ) São Marcos ( ) Duelo ( ) Conversa de bois ( ) Sarapalha ( ) Corpo fechado   Assinale a alternativa correta.
  12. 12. FASEH 2014
    Assinale a alternativa em que se percebe uma relação INCORRETA entre o conto citado da obra Sagarana e o respectivo comentário da narrativa.
  13. 13. UNEMAT 2011
    [...] Ela veio de longe, do São Francisco. Um dia, tomou caminho, entrou na boca aberta do Pará, e pegou a subir. Cada ano ameaçava um punhado de léguas, mais perto, mais perto, pertinho, fazendo medo no povo, porque era sezão brava – “da tremedeira que não desmontava” – matando muita gente” [...]. Em que conto de Sagarana, de Guimarães Rosa, o tema da malária está presente?.
  14. 14. FASEH 2014
    Assinale a alternativa que contém informações INCORRETAS sobre a obra literária Sagarana, de Guimarães Rosa.
  15. 15. FATEC 2014
    “A cidade está alegre, cheia de sol. Os dias da Bahia parecem dias de festa, pensa Pedro Bala, que se sente invadido também pela alegria. Assovia com força, bate risonhamente no ombro de Professor. E os dois riem, e logo a risada se transforma em gargalhada. No entanto, não têm mais que uns poucos níqueis no bolso, vão vestidos de farrapos, não sabem o que comerão. Mas estão cheios da beleza do dia e da liberdade de andar pelas ruas da cidade. E vão rindo sem ter do que, Pedro Bala com o braço passado no ombro de Professor. De onde estão podem ver o Mercado e o cais dos saveiros e mesmo o velho trapiche onde dormem.” (http/www.culturabrasil.org/zip/ Acesso em: 20.03.14. Adaptado) É correto afirmar que esse fragmento foi extraído do romance
  16. 16. MILTON CAMPOS 2014
    Enumere os parênteses estabelecendo a correspondência entre o conto de Sagarana e a caracterização apresentada:   I- Mostra a desolação de um lugar que teve certo progresso, mas está em ruínas. Ali se vive do passado, de nostalgia, de lembranças. II- A escolha de um ex-militar como a personagem que imporá sua justiça particular pela violência é sintomática da ausência de instituições oficiais com autoridade para criar leis que imponham limites ao indivíduo e às ações do próprio estado. III- A saga se fecha com a luta apocalíptica de duas personagens que se revestem de entidades mitológicas: eles se matam trocando demonstrações de cordialidade e de amizade. IV- A narrativa traz outras narrativas, entre as quais casos contados por vaqueiros, que constituem explanação minuciosa sobre as relações dos seres no estado de natureza e com as forças da natureza.   (   ) “O burrinho pedrês” (   ) “A hora e vez de Augusto Matraga” (   ) “Sarapalha” (   ) “Duelo”   Assinale a opção que indica a sequência CORRETA: 
  17. 17. FASEH 2014
    Assinale a alternativa que distingue de forma CORRETA a obra literária Sagarana, de Guimarães Rosa.
  18. 18. MILTON CAMPOS 2015
    Leia o comentário do crítico Antônio Cândido.   “Como padrão de arte objetiva e elaborada, perfeito na suficiência admirável dos meios, gostaria de indicar o conto ‘Duelo’, das maiores peças de atmosfera da nossa atual novelística. Uma tensão envolvente, quase alucinante, alimentada sorrateiramente pelo autor com um ominoso vaivém cheio de detalhes geográficos e pequenos casos laterais. (...) A obra-prima do livro, ‘Augusto Matraga’, onde o autor, deixando de certo modo a objetividade da arte-pela-arte, entra em região quase épica da humanidade e cria um dos grandes tipos da nossa literatura, dentro do conto que será daqui por diante, contado entre os dez ou doze mais perfeitos da língua.” (ROSA, J. Guimarães. Coleção Fortuna Crítica. Coletânea organizada por Eduardo de Faria Coutinho. R.J.: Civilização Brasileira/ INL, 1983, p.247)   Assinale a alternativa em que apareçam passagens dos dois contos citados:
  19. 19. UNEMAT 2009
    Nos nove contos que compõem o livro Sagarana, Guimarães Rosa realiza um inventário lingüístico do sertão e da língua portuguesa, recriando a linguagem, modificando e inventando palavras. Os elementos da natureza e o tratamento da linguagem são recursos estéticos importantes por contribuírem para a formulação das personagens, de modo a adequá-las aos ambientes onde vivem.   Considerando o conto “Sarapalha”, assinale a alternativa correta a respeito da coincidência entre a descrição da natureza e a crise de febre de Primo Argemiro.
  20. 20. MILTON CAMPOS 2014
    Nos contos de Sagarana, observa-se o racismo das personagens, o que, de certo modo, reflete a discriminatória e preconceituosa sociedade brasileira. Todas as seguintes passagens evidenciam esse tipo de comportamento, EXCETO:
  21. 21. MILTON CAMPOS 2015
    O escritor Rinaldo de Fernandes organizou uma antologia de autores contemporâneos que reescreveram narrativas de Guimarães Rosa. Por exemplo, o mineiro Sérgio Fantini, em “A pele da alma”, incorpora em seu texto uma passagem da narrativa “A hora e vez de Augusto Matraga”:   “Não é maravilhoso? E assim fui seguindo. No primeiro dia li umas cinquenta páginas. No segundo dia também abri uma página ao acaso: ‘Procissão entrou, reza acabou. E o leilão andou depressa e se extinguiu, sem graça, porque a gente direita foi saindo embora, quase toda de uma vez.’” (FERNANDES, R. – Org. - Quartas histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: Garamond, 2006. p.312)   Entre as passagens dos contos recriados de Sagarana, assinale a que apresente um estilo radicalmente diferente do original:
  22. 22. UEL 2013
    Leia o texto, a seguir, extraído do conto "A hora e vez de Augusto Matraga", e responda à questão.     Já Nhô Augusto, incansável, sem querer esperdiçar detalhe, apalpava os braços do Epifânio, mulato enorme, de musculatura embatumada, de bicipitalidade maciça. E se voltava para o Juruminho, caboclo franzino, vivo no menor movimento, ágil até no manejo do garfo, que em sua mão ia e vinha como agulha de coser:   – Você, compadre, está-se vendo que deve de ser um corisco de chegador!...   E o Juruminho, gostando.   – Chego até em porco-espinho e em tatarana-rata, e em homem de vinte braços, com vinte foices para sarilhar!... Deito em ponta de chifre, durmo em ponta de faca, e amanheço em riba do meu colchão!... Está aí nosso chefe, que diga... E mais isto aqui...   E mostrou a palma da mão direita, lanhada de cicatrizes, de pegar punhais pelo pico, para desarmar gente em agressão.   Nhô Augusto se levantara, excitado:   – Opa! Oi-ai!... A gente botar você, mais você, de longe, com as clavinas... E você outro, aí, mais este compadre de cara séria, p’ra voltearem... E este companheirinho chegador, para chegar na frente, e não dizer até-logo!... E depois chover sem chuva, com o pau escrevendo e lendo, e arma-de-fogo debulhando, e homem mudo gritando, e os do-lado-de-lá correndo e pedindo perdão!...   Mas, aí, Nhô Augusto calou, com o peito cheio; tomou um ar de acanhamento; suspirou e perguntou:   – Mais galinha, um pedaço, amigo?   – ’Tou feito.   – E você, seu barra?   – Agradecido... ’Tou encalcado... ’Tou cheio até à tampa!   Enquanto isso, seu Joãozinho Bem-Bem, de cabeça entornada, não tirava os olhos de cima de Nhô Augusto.   E Nhô Augusto, depois de servir a cachaça, bebeu também, dois goles, e pediu uma daspapo-amarelo, para ver:   – Não faz conta de balas, amigo? Isto é arma que cursa longe...   – Pode gastar as óito. Experimenta naquele pássaro ali, na pitangueira...   – Deixa a criaçãozinha de Deus. Vou ver só se corto o galho... Se errar, vocês não reparem, porque faz tempo que eu não puxo dedo em gatilho...   Fez fogo.   – Mão mandona, mano velho. Errou o primeiro, mas acertou um em dois... Ferrugem em bom ferro! (ROSA, J. G.Sagarana.71.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p.394-395.)     O trecho “– Você, compadre, está-se vendo que deve de ser um corisco de chegador!...” pode ser substituído, sem prejuízo do sentido original, por
  23. 23. UEL 2013
    Leia o texto, a seguir, extraído do conto "A hora e vez de Augusto Matraga", e responda à questão.     Já Nhô Augusto, incansável, sem querer esperdiçar detalhe, apalpava os braços do Epifânio, mulato enorme, de musculatura embatumada, de bicipitalidade maciça. E se voltava para o Juruminho, caboclo franzino, vivo no menor movimento, ágil até no manejo do garfo, que em sua mão ia e vinha como agulha de coser:   – Você, compadre, está-se vendo que deve de ser um corisco de chegador!...   E o Juruminho, gostando.   – Chego até em porco-espinho e em tatarana-rata, e em homem de vinte braços, com vinte foices para sarilhar!... Deito em ponta de chifre, durmo em ponta de faca, e amanheço em riba do meu colchão!... Está aí nosso chefe, que diga... E mais isto aqui...   E mostrou a palma da mão direita, lanhada de cicatrizes, de pegar punhais pelo pico, para desarmar gente em agressão.   Nhô Augusto se levantara, excitado:   – Opa! Oi-ai!... A gente botar você, mais você, de longe, com as clavinas... E você outro, aí, mais este compadre de cara séria, p’ra voltearem... E este companheirinho chegador, para chegar na frente, e não dizer até-logo!... E depois chover sem chuva, com o pau escrevendo e lendo, e arma-de-fogo debulhando, e homem mudo gritando, e os do-lado-de-lá correndo e pedindo perdão!...   Mas, aí, Nhô Augusto calou, com o peito cheio; tomou um ar de acanhamento; suspirou e perguntou:   – Mais galinha, um pedaço, amigo?   – ’Tou feito.   – E você, seu barra?   – Agradecido... ’Tou encalcado... ’Tou cheio até à tampa!   Enquanto isso, seu Joãozinho Bem-Bem, de cabeça entornada, não tirava os olhos de cima de Nhô Augusto.   E Nhô Augusto, depois de servir a cachaça, bebeu também, dois goles, e pediu uma daspapo-amarelo, para ver:   – Não faz conta de balas, amigo? Isto é arma que cursa longe...   – Pode gastar as óito. Experimenta naquele pássaro ali, na pitangueira...   – Deixa a criaçãozinha de Deus. Vou ver só se corto o galho... Se errar, vocês não reparem, porque faz tempo que eu não puxo dedo em gatilho...   Fez fogo.   – Mão mandona, mano velho. Errou o primeiro, mas acertou um em dois... Ferrugem em bom ferro! (ROSA, J. G.Sagarana.71.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p.394-395.)     A partir da leitura do texto, considere as afirmativas a seguir.   I. A passagem registra o momento que antecede a entrada de Nhô Augusto no bando de Joãozinho Bem-Bem, a convite do próprio chefe jagunço.   II. Apegado ao lema “P’ra o céu eu vou, nem que seja a porrete!”, Nhô Augusto tem, ao lado de Joãozinho Bem-Bem e seu bando, a oportunidade de ver seu lema concretizado.   III. Os comentários de Nhô Augusto bem como sua familiaridade com “uma das papo-amarelo” caracterizam--no como um homem “bom de briga” aos olhos de Joãozinho Bem-Bem.   IV. Por um dado momento, a presença de Joãozinho Bem-Bem e seu bando reacende, em Nhô Augusto, o antigo lado jagunço, duramente combatido através da penitência.     Assinale a alternativa correta.
  24. 24. FASEH 2014
    Assinale a alternativa que apresenta uma particularidade CORRETA, considerando os contos que compõem a obra Sagarana, de Guimarães Rosa.
  25. 25. MILTON CAMPOS 2014
    Leia o comentário crítico do ensaísta Nildo Maximo Benedetti sobre o protagonista do conto “A volta do marido pródigo”, de Sagarana:   Se a personagem Lalino tem as características pessoais que a sociedade brasileira considera típicas do brasileiro médio – a começar pela hibridez racial –, sua cordialidade assume a feição de caráter genérico da nacionalidade brasileira. Lalino é personagem cordial e, por isso, é um protótipo do político brasileiro, também cordial, para o qual os limites das esferas pública e privada são mutáveis e flexíveis, portanto indefiníveis. (Benedetti, N. M. Sagarana: o Brasil de Guimarães Rosa. São Paulo: Hedra, 2010. p. 81)   Assinale a passagem que reproduz o reconhecimento por parte dos homens do governo a respeito das qualidades de Lalino:
  26. 26. MILTON CAMPOS 2014
    Assinale a opção em que se apresenta característica INCORRETA em relação às narrativas de Sagarana, de Guimarães Rosa:
  27. 27. UFU 2014
    Mas, de supetão, uma espécie de frango esquisito, meio carijó, meio marrom, pulou no chão do terreiro e correu atrás da garnisé branquinha, que, espaventada, fugiu. O galo pedrês investiu, de porrete. Empavesado e batendo o monco, o peru grugulejou. A galinha choca saltou à frente das suas treze familiazinhas. E, aí, por causa do bico adunco, da extrema elegância e do exagero das garras, notei que o tal frango era mesmo um gavião. Não fugiu: deitou-se de costas, apoiado na cauda dobrada, e estendeu as patas, em guarda, grasnando ameaças com muitos erres.   Para assustá-lo, o galo separou as penas do pescoço das do corpo, fazendo uma garbosa gola; avançou e saltou, como um combatente malaio, e lascou duas cacetadas, de sanco e esporão. Aí o gavião fez mais barulho, com o que o galo retrocedeu. E o gavião aproveitou a folga para voar para a cerca, enquanto o peru grugulejava outra vez, com vários engasgos. - Nunca pensei que um gavião pudesse ser tão covarde e idiota... - eu disse. Maria Irma riu. - Mas este não é gavião do campo! É manso. É dos meninos do Norberto... Vem aqui no galinheiro, só porque gosta de confusão e algazarra. Nem come pinto, corre de qualquer galinha... - Claro! Gavião civilizado... - U’lalá... Perdeu duas penas... O sorriso de Maria Irma era quase irônico. Não me zanguei, mas também não gostei. ROSA, Guimarães. Minha gente. In: Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p. 241-242. (fragmento)     No trecho acima, a briga entre as aves remete ao seguinte tema desenvolvido no conto Minha Gente:
  28. 28. UNEMAT 2011
    O conto “A hora e a vez de Augusto Matraga” do livro Sagarana (1984), de João Guimarães Rosa, apresenta uma transformação existencial que está associada à:
  29. 29. UNB 2011
    Texto I E assim se passaram pelo menos seis ou seis anos e meio, direitinho deste jeito, sem tirar nem pôr, sem mentira nenhuma, porque esta aqui é uma estória inventada, e não é um caso acontecido, não senhor. Guimarães Rosa. A hora e a vez de Augusto Matraga. In: Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 359.   Texto II Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração, pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. Clarice Lispector. Felicidade clandestina. In: Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 11-2.   Os dois fragmentos de texto apresentam em comum a ideia de que as palavras
  30. 30. MILTON CAMPOS 2014
    Leia a seguir trecho de “A hora e vez de Augusto Matraga”, do livro Sagarana, de Guimarães Rosa.   Seu Joãozinho Bem-Bem pigarreou, e falou: - Lhe atender não posso, e com o senhor não quero nada, velho. É a regra... Senão, até quem é mais que havia de querer obedecer a um homem que não vinga gente sua, morta de traição?... É a regra. (ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1969. p.361)   De acordo com a regra moral vigente no meio em que os contos têm lugar, é justo que haja a vingança, sendo lícito, por exemplo, que o marido traído queira vingar-se do amante, como ocorre em “Duelo”, narrativa na qual essa ideia é endossada pelo narrador na seguinte passagem:
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