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Exercícios de Guimarães Rosa - Sagarana

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  1. 1. PUCSP 2006
    Em carta escrita a João Condé, revelando os segredos de "Sagarana", João Guimarães Rosa elenca as doze histórias que comporiam a obra. De uma delas afirma: "Peça não-profana, mas sugerida por um acontecimento real, passado em minha terra, há muitos anos: o afogamento de um grupo de vaqueiros, num córrego cheio". Tal afirmação refere-se ao conto
  2. 2. FUVEST 1991
               - Primo Argemiro!             E, com imenso trabalho, ele gira no assento, conseguindo pôr-se de-banda, meio assim.             Primo Argemiro pode mais: transporta uma perna e se escancha no cocho.             - Que é, Primo Ribeiro?             - Lhe pedir uma coisa... Você faz?             - Vai dizendo, Primo.             - Pois então, olha: quando for a minha hora você não deixe me levarem p'ra o arraial... Quero ir mais é p'ra o cemitério do povoado... Está desdeixado, mas ainda é chão de Deus... Você chama o padre, bem em-antes... E aquelas coisinhas que estão numa capanga bordada, enroladas em papel-de-venda e tudo passado com cadarço, no fundo da canastra... se rato não roeu... você enterra junto comigo... Agora eu não quero mexer lá... Depois tem tempo... Você promete?...             - Deus me livre e guarde, Primo Ribeiro... O senhor ainda vai durar mais do que eu.             - Eu só quero saber é se você promete...             - Pois então, se tiver de ser desse jeito de que Deus não há-de querer, eu prometo.             - Deus lhe ajude, Primo Argemiro.             E Primo Ribeiro desvira o corpo e curva ainda mais a cara.             Quem sabe se ele não vai morrer mesmo? Primo Argemiro tem medo do silêncio.             - Primo Ribeiro, o senhor gosta d'aqui?...             - Que pergunta!  Tanto faz... É bom p'ra se acabar mais ligeiro... O doutor deu prazo de um ano... Você lembra?             - Lembro! Doutor apessoado, engraçado... Vivia atrás dos mosquitos, conhecia as raças lá deles, de olhos fechados, só pela toada da cantiga... Disse que não era das frutas e nem da água... Que era o mosquito que punha um bichinho amaldiçoado no sangue da gente... Ninguém não acreditou... Nem o arraial.  Eu estive lá com ele...             - Primo Argemiro o que adianta...             - ... E então ele ficou bravo, pois não foi?  Comeu goiaba, comeu melancia da beira do rio, bebeu água do Pará e não teve nada...             - Primo Argemiro...             - ... Depois dormiu sem cortinado, com janela aberta... Apanhou a intermitente; mas o povo ficou acreditando...             - Escuta!  Primo Argemiro... Você está falando de-carreira, só para não me deixar falar!             - Mas, então, não fala em morte Primo Ribeiro!... Eu, por nada que não queria ver o senhor se ir primeiro do que eu...             - P'ra ver!... Esta carcaça bem que está aguentando... Mas, agora, já estou vendo o meu descanso, que está chega-não-chega, na horinha de chegar...             - Não fala isso Primo!... Olha aqui: não foi pena ele ter ido s'embora?  Eu tinha fé em que acabava com a doença...             - Melhor ter ido mesmo... Tudo tem de chegar e de ir s'embora outra vez... Agora é a minha cova que está me chamando... Aí é que eu quero ver!  Nenhumas ruindades deste mundo não têm poder de segurar a gente p'ra sempre, Primo Argemiro...             - Escuta Primo Ribeiro: se alembra de quando o doutor deu a despedida p'ra o povo do povoado?  Foi de manhã cedo, assim como agora... O pessoal estava todo sentado nas portas das casas, batendo queixo.  Ele ajuntou a gente... Estava muito triste... Falou: - 'Não adianta tomar remédio, porque o mosquito torna a picar... Todos têm de se, mudar daqui... Mas andem depressa pelo amor de Deus!' -... -Foi no tempo da eleição de seu Major Vilhena... Tiroteio com três mortes...             - Foi seis meses em-antes-de ela ir s'embora...             De branco a mais branco, olhando espantado para o outro, Primo Argemiro se perturbou.  Agora está vermelho, muito.             Desde que ela se foi, não falaram mais no seu nome.  Nem uma vez.  Era como se não tivesse existido.  E, agora... João Guimarães Rosa, Sarapalha, do livro SAGARANA. "Foi seis meses em-antes-de ela ir-s'embora..." "Desde que ela se foi, não falaram mais no seu nome.  Nem uma vez.  Era como se não tivesse existido." Estas duas passagens fazem referência explícita ao motivo central da narrativa:
  3. 3. FUVEST 1990
    Dentre os contos de "Sagarana" existe um em que o narrador sustenta um duelo literário com outro poeta, chamado Quem Será, e no qual se fazem várias considerações sobre a natureza da poesia. Numa metáfora do condicionamento do homem, resistente à aceitação do novo e diferente, o autor leva a personagem a passar por um período de cegueira. A partir daí a personagem descobre a mutilação dos sentidos, que agora se abrem a outras vertentes da realidade. Em qual dos contos a seguir se discute essa questão?
  4. 4. PUCSP 2005
    O conto "Conversa de bois" integra a obra SAGARANA, de João Guimarães Rosa. De seu enredo como um todo, pode afirmar-se que
  5. 5. PUC-SP 2009
    Guimarães Rosa escreveu "Sagarana" em 1946. Compõe-se esta obra de nove contos, entre os quais se destaca "Corpo Fechado", narrativa que relata episódios vividos por uma personagem que se envolve com histórias de valentia, convivência com ciganos, afrontas amorosas, trocas duvidosas com perdas e ganhos e intimidações que justificam o fechamento de corpo. Indique a alternativa que contém dados caracterizadores da personagem central que protagoniza o enredo do referido conto.
  6. 6. PUCPR 2001
    Na visão de mundo de Guimarães Rosa, o bem e o mal aparecem relativizados, e o maniqueísmo não prevalece na constituição de suas personagens. Identifique, nos exemplos fornecidos, aquele que é FALSO em relação à constituição das personagens de "Sagarana":
  7. 7. FUVEST 2009
    Vestindo água, só saído o cimo do pescoço, o burrinho tinha de se enqueixar para o alto, a salvar também de fora o focinho. Uma peitada. Outro tacar de patas. Chu-áa! Chu-áa... – ruge o rio, como chuva deitada no chão. Nenhuma pressa! Outra remada, vagarosa. No fim de tudo, tem o pátio, com os cochos, muito milho, na Fazenda; e depois o pasto: sombra, capim e sossego... Nenhuma pressa. Aqui, por ora, este poço doido, que barulha como um fogo, e faz medo, não é novo: tudo é ruim e uma só coisa, no caminho: como os homens e os seus modos, costumeira confusão. É só fechar os olhos. Como sempre. Outra passada, na massa fria. E ir sem afã, à voga surda, amigo da água, bem com o escuro, filho do fundo, poupando forças para o fim. Nada mais, nada de graça; nem um arranco, fora de hora. Assim. João Guimarães Rosa. “O burrinho pedrês”, Sagarana. Quando nos apresentam os homens vistos pelos olhos dos animais, as narrativas em que aparecem o burrinho pedrês, do conto homônimo (Sagarana), os bois de "Conversa de bois" (Sagarana) e a cachorra Baleia (Vidas secas) produzem um efeito de: 
  8. 8. FUVEST 2009
    Em trecho anterior do mesmo conto, o narrador chama Sete-de-Ouros de "sábio". No excerto, a "sabedoria" do burrinho consiste, principalmente, em:
  9. 9. PUCCAMP 1995
    Leia com atenção o seguinte fragmento de A hora e vez de Augusto Matraga, de João Guimarães Rosa:             Então eles trouxeram, uma noite, muito à escondida, o padre, que o confessou e conversou com ele, muito tempo, dando-lhe conselhos que o faziam chorar.             - Mas, será que Deus vai ter pena de mim, com tanta ruindade que fiz, e tendo nas costas tanto pecado mortal?             - Tem, meu filho. Deus mede a espora pela rédea, e não tira o estribo do pé de arrependido nenhum...             E por ai a fora foi, com um sermão comprido, que acabou depondo o doente num desvencido torpor.             - Eu acho boa essa ideia de se mudar para longe, meu filho. Você não deve pensar mais na mulher, nem em vinganças. Entregue para Deus, e faça penitência. Sua vida foi entortada no verde, mas não fique triste, de modo nenhum, porque a tristeza é aboio de chamar o demônio, e o Reino do Céu, que é o que vale, ninguém tira de sua algibeira, desde que você esteja com a graça de Deus, que ele não regateia a nenhum coração contrito!             - Fé eu tenho, fé eu peço, Padre...             - Você nunca trabalhou, não é? (...) Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria... Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua.   Reflita sobre as seguintes afirmações: I. Tal como ocorre nos demais contos de SAGARANA, João Guimarães Rosa centraliza neste a prática popular da fé cristã, encarnada aqui num Augusto Matraga renascido, que viverá o resto de sua vida no trabalho humilde e penitente, para além do heroísmo e da violência. II. Neste conto, como em todos de SAGARANA, a linguagem do autor promove uma autêntica fusão entre o que é abstrato e o que é concreto, tal como aqui ocorre na fala do padre, em que os valores religiosos se enraízam no cotidiano sertanejo. III. A "hora e vez" de que fala o padre vai-se concretizar, neste conto, num ato de fé e de bravura do protagonista contra um inimigo poderoso, o que lembra o clímax de dois outros contos do livro: "São Marcos" e "Corpo fechado". É correto afirmar que
  10. 10. ALBERT EINSTEIN 2017
    “De repente, na altura, a manhã gargalhou: um bando de maitacas passava, tinindo guizos, partindo vidros, estralejando de rir. E outro. Mais outro. E ainda outro, mais baixo, com as maitacas verdinhas, grulhantes, gralhantes, incapazes de acertarem as vozes na disciplina de um coro. (...) O sol ia subindo, por cima do voo verde das aves itinerantes. Do outro lado da cerca, passou uma rapariga. Bonita! Todas as mulheres eram bonitas. Todo anjo do céu devia de ser mulher.” O trecho acima integra a obra Sagarana, de Guimarães Rosa. Indique, nas alternativas abaixo, o nome do conto que contém o referido trecho.
  11. 11. UNEMAT 2009
    Nos nove contos que compõem o livro Sagarana, Guimarães Rosa realiza um inventário lingüístico do sertão e da língua portuguesa, recriando a linguagem, modificando e inventando palavras. Os elementos da natureza e o tratamento da linguagem são recursos estéticos importantes por contribuírem para a formulação das personagens, de modo a adequá-las aos ambientes onde vivem.   Considerando o conto “Sarapalha”, assinale a alternativa correta a respeito da coincidência entre a descrição da natureza e a crise de febre de Primo Argemiro.
  12. 12. UNEMAT 2010
    Relacione os excertos da primeira coluna aos títulos dos contos da segunda, do livro Sagarana, de Guimarães Rosa. Coluna I 1. José Boi caiu de um barranco de vinte metros; ficou com a cabeleira enterrada no chão e quebrou o pescoço. Mas, meio minuto antes, estava completamente bêbado e também no apogeu da carreira: era o ‘espanta-praças’, porque tinha escaramuçado, uma vez, um cabo e dois soldados, que não puderam reagir, por serem apenas três. (p. 253) 2. Que já houve um tempo em que eles conversavam, entre si e com os homens, é certo e indiscutivel, pois que bem comprovado nos livros das fadas carochas. (p. 283) 3. Naquele tempo, eu morava no Calango-Frito e não acreditava em feiticeiros. (p. 221) 4. Turíbio Todo, nascido à beira do Borrachudo, era seleiro de profissão, tinha pelos compridos nas narinas, e chorava sem fazer caretas; palavra por palavra: papudo, vagabundo, vingativo e mau. Mas no começo dessa história ele estava com a razão. (p. 139) 5. Tapera de arraial. Ali, na beira do rio Pará, deixaram largado um povoado inteiro: casas, sobradinho, capela; três vendinhas, o chalé e o cemitério; e a rua, sozinha e comprida, que agora nem mais é uma estrada, de tanto que o mato a entupiu. (p. 117)   Coluna II ( ) São Marcos ( ) Duelo ( ) Conversa de bois ( ) Sarapalha ( ) Corpo fechado   Assinale a alternativa correta.
  13. 13. UNEMAT 2011
    O conto “A hora e a vez de Augusto Matraga” do livro Sagarana (1984), de João Guimarães Rosa, apresenta uma transformação existencial que está associada à:
  14. 14. UNEMAT 2011
    [...] Ela veio de longe, do São Francisco. Um dia, tomou caminho, entrou na boca aberta do Pará, e pegou a subir. Cada ano ameaçava um punhado de léguas, mais perto, mais perto, pertinho, fazendo medo no povo, porque era sezão brava – “da tremedeira que não desmontava” – matando muita gente” [...]. Em que conto de Sagarana, de Guimarães Rosa, o tema da malária está presente?.
  15. 15. MILTON CAMPOS 2014
    Assinale a opção em que se apresenta característica INCORRETA em relação às narrativas de Sagarana, de Guimarães Rosa:
  16. 16. FASEH 2014
    Assinale a alternativa que contém informações INCORRETAS sobre a obra literária Sagarana, de Guimarães Rosa.
  17. 17. FASEH 2014
    Assinale a alternativa que distingue de forma CORRETA a obra literária Sagarana, de Guimarães Rosa.
  18. 18. FASEH 2014
    Assinale a alternativa que apresenta uma particularidade CORRETA, considerando os contos que compõem a obra Sagarana, de Guimarães Rosa.
  19. 19. FASEH 2014
    Assinale a alternativa em que se percebe uma relação INCORRETA entre o conto citado da obra Sagarana e o respectivo comentário da narrativa.
  20. 20. MILTON CAMPOS 2015
    Em abril de 1946, por ocasião da publicação de Sagarana, o crítico Álvaro Lins assim se manifestou em artigo no jornal Correio da Manhã:   “Pelos assuntos e pelo material da construção ficcionista, pela abundância documental, pelo estilo de artista pela riqueza e pela ciência do vocabulário, pela capacidade descritiva e pela densidade das situações dramáticas, seria impossível classificar Sagarana como obra de principiante, e do seu autor, com efeito, ela transmite a impressão de alguém que já se encontra no completo domínio dos recursos literários e com uma requintada experiência pessoal na arte da ficção.” (ROSA, J. Guimarães. Coleção Fortuna Crítica. Coletânea organizada por Eduardo de Faria Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira/ INL, 1983. p.238)   A passagem extraída do conto NÃO corresponde ao aspecto apontado pelo crítico em:
  21. 21. MILTON CAMPOS 2015
    O escritor Rinaldo de Fernandes organizou uma antologia de autores contemporâneos que reescreveram narrativas de Guimarães Rosa. Por exemplo, o mineiro Sérgio Fantini, em “A pele da alma”, incorpora em seu texto uma passagem da narrativa “A hora e vez de Augusto Matraga”:   “Não é maravilhoso? E assim fui seguindo. No primeiro dia li umas cinquenta páginas. No segundo dia também abri uma página ao acaso: ‘Procissão entrou, reza acabou. E o leilão andou depressa e se extinguiu, sem graça, porque a gente direita foi saindo embora, quase toda de uma vez.’” (FERNANDES, R. – Org. - Quartas histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: Garamond, 2006. p.312)   Entre as passagens dos contos recriados de Sagarana, assinale a que apresente um estilo radicalmente diferente do original:
  22. 22. MILTON CAMPOS 2015
    Leia o comentário do crítico Antônio Cândido.   “Como padrão de arte objetiva e elaborada, perfeito na suficiência admirável dos meios, gostaria de indicar o conto ‘Duelo’, das maiores peças de atmosfera da nossa atual novelística. Uma tensão envolvente, quase alucinante, alimentada sorrateiramente pelo autor com um ominoso vaivém cheio de detalhes geográficos e pequenos casos laterais. (...) A obra-prima do livro, ‘Augusto Matraga’, onde o autor, deixando de certo modo a objetividade da arte-pela-arte, entra em região quase épica da humanidade e cria um dos grandes tipos da nossa literatura, dentro do conto que será daqui por diante, contado entre os dez ou doze mais perfeitos da língua.” (ROSA, J. Guimarães. Coleção Fortuna Crítica. Coletânea organizada por Eduardo de Faria Coutinho. R.J.: Civilização Brasileira/ INL, 1983, p.247)   Assinale a alternativa em que apareçam passagens dos dois contos citados:
  23. 23. MILTON CAMPOS 2015
    Leia comentário do ensaísta Nildo Maximo Benedetti sobre o protagonista do conto “Corpo fechado”.   “Em um meio que privilegia a força, em detrimento da lei, o valentão pode passar a ser objeto de temor ou admiração, dependendo da forma como emprega e pratica sua valentia. Como esta acaba por se tornar um valor, o pusilânime Manuel Fulô procura mostrar-se corajoso aos olhos do narrador em vários momentos.” (Benedetti, N.M. Sagarana: o Brasil de Guimarães Rosa. S.P. Hedra, 2010, p.254)   Assinale a passagem em que se exemplifica a pretensa valentia de Manuel Fulô:
  24. 24. MILTON CAMPOS 2014
    Leia a seguir trecho de “A hora e vez de Augusto Matraga”, do livro Sagarana, de Guimarães Rosa.   Seu Joãozinho Bem-Bem pigarreou, e falou: - Lhe atender não posso, e com o senhor não quero nada, velho. É a regra... Senão, até quem é mais que havia de querer obedecer a um homem que não vinga gente sua, morta de traição?... É a regra. (ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1969. p.361)   De acordo com a regra moral vigente no meio em que os contos têm lugar, é justo que haja a vingança, sendo lícito, por exemplo, que o marido traído queira vingar-se do amante, como ocorre em “Duelo”, narrativa na qual essa ideia é endossada pelo narrador na seguinte passagem:
  25. 25. MILTON CAMPOS 2014
    Nos contos de Sagarana, observa-se o racismo das personagens, o que, de certo modo, reflete a discriminatória e preconceituosa sociedade brasileira. Todas as seguintes passagens evidenciam esse tipo de comportamento, EXCETO:
  26. 26. MILTON CAMPOS 2014
    Leia o comentário crítico do ensaísta Nildo Maximo Benedetti sobre o protagonista do conto “A volta do marido pródigo”, de Sagarana:   Se a personagem Lalino tem as características pessoais que a sociedade brasileira considera típicas do brasileiro médio – a começar pela hibridez racial –, sua cordialidade assume a feição de caráter genérico da nacionalidade brasileira. Lalino é personagem cordial e, por isso, é um protótipo do político brasileiro, também cordial, para o qual os limites das esferas pública e privada são mutáveis e flexíveis, portanto indefiníveis. (Benedetti, N. M. Sagarana: o Brasil de Guimarães Rosa. São Paulo: Hedra, 2010. p. 81)   Assinale a passagem que reproduz o reconhecimento por parte dos homens do governo a respeito das qualidades de Lalino:
  27. 27. MILTON CAMPOS 2014
    Atente para o seguinte diálogo, presente na narrativa “Minha gente”, do livro Sagarana, de Guimarães Rosa.   – “Vamos! Partamos! Já Circe, a venerável, me advertiu!...” Mas Santana, que é criatura do Caraça, retrucou: – “Vinde, amigos, perguntai ao estrangeiro se sabe ou se aprendeu, algum dia, qualquer jogo...” (ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1969. p.170)   Com base na passagem transcrita e na leitura do respectivo conto, é CORRETO afirmar:
  28. 28. MILTON CAMPOS 2014
    Para o crítico Franklin de Oliveira, as epígrafes de Sagarana “descobrem ou indicam o ideário do autor astuciosamente oculto na trama da narrativa”. (OLIVEIRA, F. A dança das letras. Rio de Janeiro: Topbooks, 1991. p.56)   Identifique, nas alternativas a seguir, a relação INCORRETA entre a epígrafe e o respectivo conto, entre parênteses:
  29. 29. MILTON CAMPOS 2014
    Enumere os parênteses estabelecendo a correspondência entre o conto de Sagarana e a caracterização apresentada:   I- Mostra a desolação de um lugar que teve certo progresso, mas está em ruínas. Ali se vive do passado, de nostalgia, de lembranças. II- A escolha de um ex-militar como a personagem que imporá sua justiça particular pela violência é sintomática da ausência de instituições oficiais com autoridade para criar leis que imponham limites ao indivíduo e às ações do próprio estado. III- A saga se fecha com a luta apocalíptica de duas personagens que se revestem de entidades mitológicas: eles se matam trocando demonstrações de cordialidade e de amizade. IV- A narrativa traz outras narrativas, entre as quais casos contados por vaqueiros, que constituem explanação minuciosa sobre as relações dos seres no estado de natureza e com as forças da natureza.   (   ) “O burrinho pedrês” (   ) “A hora e vez de Augusto Matraga” (   ) “Sarapalha” (   ) “Duelo”   Assinale a opção que indica a sequência CORRETA: 
  30. 30. FATEC 2014
    “A cidade está alegre, cheia de sol. Os dias da Bahia parecem dias de festa, pensa Pedro Bala, que se sente invadido também pela alegria. Assovia com força, bate risonhamente no ombro de Professor. E os dois riem, e logo a risada se transforma em gargalhada. No entanto, não têm mais que uns poucos níqueis no bolso, vão vestidos de farrapos, não sabem o que comerão. Mas estão cheios da beleza do dia e da liberdade de andar pelas ruas da cidade. E vão rindo sem ter do que, Pedro Bala com o braço passado no ombro de Professor. De onde estão podem ver o Mercado e o cais dos saveiros e mesmo o velho trapiche onde dormem.” (http/www.culturabrasil.org/zip/ Acesso em: 20.03.14. Adaptado) É correto afirmar que esse fragmento foi extraído do romance
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