Exercícios de Figuras de Linguagem

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Quer colocar o estudo em prática? O Stoodi tem exercícios de Figuras de Linguagem dos maiores vestibulares do Brasil.

Estude Literatura com esses e mais de 12000 que caíram no ENEM, Fuvest, Unicamp, UFRJ, UNESP e muitos outros vestibulares!

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  1. 1. MACKENZIE 2012
    Vença a guerra contra a obesidade Enxugar as medidas deixou de ser há algum tempo uma questão puramente estética. Desde que a ciência passou a relacionar obesidade à hipertensão, colesterol alto e diabete, entre outros problemas, afinar a cintura virou o alvo de todos aqueles que buscam uma vida saudável. E esse desafio se apresenta com força total ao Brasil. Nos últimos 35 anos, o número de homens com mais de 20 anos acima do peso subiu de 18,5 para 50%, e o de mulheres cresceu de 28,7 para 48%. Se nada for feito, em menos de dez anos alcançaremos as mesmas estatísticas de obesidade dos Estados Unidos, um dos primeiros colocados no ranking mundial do problema, mas dá para reverter esse quadro. Exercitar-se 150 minutos por semana, dormir bem e até levar o cachorro para passear são pequenos passos para a grande vitória contra a síndrome do excesso de peso no país. www.emagrecebrasil.com.br   Considere as seguintes afirmações:   I. Em "afinar a cintura", há uso de metonímia, considerando que a expressão se relaciona com o excesso de peso em determinado indivíduo. II. Em "mas dá para reverter esse quadro" , a conjunção atribui sentido de oposição à estrutura sintática. III. É opcional a presença da partícula se na forma verbal "exercitar-se", já que sua ausência mantém inalterada a semântica do verbo.   Assinale:
  2. 2. MACKENZIE 2011
    É a vaidade, Fábio, nesta vida, Rosa, que da manhã lisonjeada, Púrpuras mil, com ambição dourada, Airosa rompe, arrasta presumida. (Gregório de Matos)   Observação: 1. lisonjeada: envaidecida 2. airosa: elegante 3. presumida: convencida   Na estrofe, o poeta
  3. 3. MACKENZIE 2011
    01. Na cabeceira da mesa, a toalha manchada de coca-cola, o bolo 02. desabado, ela era a mãe. A aniversariante piscou. 03. Eles se mexiam agitados, rindo, a sua família. E ela era a mãe 04. de todos. E se de repente não se ergueu, como um morto se levanta 05. devagar e obriga mudez e terror aos vivos, a aniversariante ficou 06. mais dura na cadeira, e mais alta. Ela era a mãe de todos. E como a 07. presilha a sufocasse, ela era a mãe de todos e, impotente à cadeira, 08. desprezava-os. Todos aqueles seus filhos e netos e bisnetos que 09. não passavam de carne de seu joelho, pensou de repente como se 10. cuspisse. Rodrigo, o neto de sete anos, era o único a ser a carne de 11. seu coração, Rodrigo, com aquela carinha dura, viril e despenteada. 12. Cadê Rodrigo? Rodrigo com olhar sonolento e intumescido naquela 13. cabecinha ardente, confusa. Aquele seria um homem. Mas, piscando, 14. ela olhava os outros, a aniversariante. Oh o desprezo pela vida que 15. falhava. Clarice Lispector, “Feliz aniversário”. In: Laços de família   Considere as seguintes afirmações:   I. No excerto transcrito, a descrição inicial (linhas 01 e 02) não só caracteriza o ambiente da narrativa como também aponta, conotativamente, para a ideia de desconstrução de um modelo familiar. II. A frase "E como a presilha a sufocasse" (linhas 06 e 07), no contexto em que está inserida aponta, denotativamente, para o incômodo provocado pelo traje de festa e, conotativamente, para a angústia existencial da personagem. III. É índice da contemporaneidade de Clarice Lispector a visão idealizada das relações familiares, inscrita, por exemplo, no sentido do título do conto (“Feliz aniversário”) e da coletânea (Laços de família).   Pode-se inferir que
  4. 4. MACKENZIE 2011
    Ter amigos só traz benefícios. Quanto mais, melhor; mas há um limite. Um estudo feito na Universidade de Oxford chegou a uma conclusão reveladora: 150 é o máximo de amigos que uma pessoa consegue ter ao mesmo tempo. Para que você mantenha uma amizade com alguém, precisa memorizar informações sobre aquela pessoa, que serão acionadas quando vocês interagirem. Por algum motivo, o cérebro não comporta dados sobre mais de 150 pessoas. Os relacionamentos que extrapolam esse número são inevitavelmente mais casuais. Não amizades. Outros pesquisadores foram além e constataram que, dentro desse grupo de 150, há uma série de círculos concêntricos de amizade: 5 (amigos do peito), 15 (pessoas importantes para você), 50 (número típico de amizades mantidas pela maioria das pessoas) e 150 (o máximo, são pessoas cujos nomes, rostos e características você consegue memorizar e acionar caso seja necessário).  Adaptado de Camilla Costa e Bruno Garattoni, Revista Superinteressante, fev. 2011   Considere as seguintes afirmações sobre o texto:   I. A expressão "amigos do peito" está empregada em sentido conotativo. II. A palavra "cujos" estabelece relação de posse entre os elementos que lhe são imediatamente próximos. III. O modo empregado na forma verbal "seja" denota sentido hipotético.   É(São) coerente(s) com o texto a(s) afirmativa(s)
  5. 5. MACKENZIE 2011
    A falta de recato com a própria intimidade, revelada sem pejo em algumas páginas da internet, nas telas do “Big Brother” e nas traseiras de automóveis, onde se veem grudadas figurinhas representativas da composição da família proprietária, constitui, em um primeiro olhar, exercício de direito à autoexposição. Pondero, para a reflexão do leitor, que o abuso desse direito à imagem escancarada poderá levar à supressão do direito fundamental à privacidade, abrindo espaço para a ditadura do monitoramento oficial ilimitado.   É, contudo, no exagerado exercício individual do direito de abrir mão da privacidade que mora o problema. Se considero normal informar ao estranho que vai à traseira do meu carro que somos cinco em casa, como poderei exigir da loja da esquina a manutenção em segredo do cadastro que lá preenchi? Por que o fiscal do Imposto de Renda deveria se privar de vasculhar minha conta corrente se tuíto a todos os que me “seguem” o quanto gastei no final de ano em determinado shopping? Adaptado de Roberto Soares Garcia, Folha de S.Paulo, 27/02/2011.    Considerando o texto, é possível inferir que:
  6. 6. PUC-GO 2015
    Palhaço, grande voz — Auto da Compadecida! O julgamento de alguns canalhas, entre os quais um sacristão, um padre e um bispo, para exercício da moralidade. Toque de clarim. Palhaço — A intervenção de Nossa Senhora no momento propício, para triunfo da misericórdia. Auto da Compadecida! Toque de clarim. A Compadecida — A mulher que vai desempenhar o papel desta excelsa Senhora, declara-se indigna de tão alto mister. Toque de clarim Palhaço — Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, praga de sua igreja, o autor quis ser representado por um palhaço, para indicar que sabe, mais do que ninguém, que sua alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia. Ele não tinha o direito de tocar nesse tema, mas ousou fazê-lo, baseado no espírito popular de sua gente, porque acredita que esse povo sofre, é um povo salvo e tem direito a certas intimidades. Toque de clarim. Palhaço — Auto da Compadecida! O ator que vai representar Manuel, isto é, Nosso Senhor Jesus Cristo, declara-se também indigno de tão alto papel, mas não vem agora, porque sua aparição constituirá um grande efeito teatral e o público seria privado desse elemento de surpresa.  Toque de clarim. Palhaço — Auto da Compadecida! Uma história altamente moral e um apelo à misericórdia. [...] SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 34. ed., 3a reimpr. São Paulo: Agir, 2006, p. 22-24. Considerando-se o texto, é correto afirmar que, nas falas do Palhaço e da Compadecida, predomina a função:
  7. 7. FUVEST 2011
    A ROSA DE HIROXIMA Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroxima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A antirrosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada. Vinicius de Moraes, Antologia poética.   Dentre os recursos expressivos presentes no poema, podem-se apontar a sinestesia e a aliteração, respectivamente, nos versos  
  8. 8. ENEM 1998
    Amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; é solitário andar por entre a gente; é nunca contentar-se de contente; é cuidar que se ganha em se perder;   É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata lealdade.   Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor? Luís de Camões   O poema tem, como característica, a figura de linguagem denominada antítese. Ela se faz claramente presente em  
  9. 9. ENEM 2000
    Ferreira Gullar, um dos grandes poetas brasileiros da atualidade, é autor de “Bicho urbano”, poema sobre a sua relação com as pequenas e grandes cidades. Bicho urbano Se disser que prefiro morar em Pirapemas ou em outra qualquer pequena cidade do país estou mentindo ainda que lá se possa de manhã lavar o rosto no orvalho e o pão preserve aquele branco sabor de alvorada. ..................................................................... A natureza me assusta. Com seus matos sombrios suas águas suas aves que são como aparições me assusta quase tanto quanto esse abismo de gases e de estrelas aberto sob minha cabeça. (GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1991)   Embora não opte por viver numa pequena cidade, o poeta reconhece elementos de valor no  cotidiano das pequenas comunidades. Para expressar a relação do homem com alguns desses elementos, ele recorre à sinestesia. Esse recurso pode ser observado em:
  10. 10. ENEM 2004
    Cidade grande Que beleza, Montes Claros. Como cresceu Montes Claros. Quanta indústria em Montes Claros. Montes Claros cresceu tanto, ficou urbe tão notória, prima-rica do Rio de Janeiro, que já tem cinco favelas por enquanto, e mais promete. Carlos Drummond de Andrade   Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a 
  11. 11. FGV-SP 2012
    Sua excelência   [O ministro] vinha absorvido e tangido por uma chusma de sentimentos atinentes a si mesmo que quase lhe falavam a um tempo na consciência: orgulho, força, valor, satisfação própria etc. etc.   Não havia um negativo, não havia nele uma dúvida; todo ele estava embriagado de certeza de  seu valor intrínseco, das  suas qualidades extraordinárias e excepcionais de condutor dos povos.   A respeitosa atitude de todos e a deferência universal que o cercavam, reafirmadas tão eloquentemente naquele banquete, eram nada mais, nada menos que o sinal da convicção dos povos de ser ele o resumo do país, vendo nele o solucionador das suas dificuldades presentes e o agente eficaz do seu futuro e constante progresso. (...)   (Lima Barreto. Os bruzundangas. Porto Alegre: L&PM, 1998, pp. 15-6),   Tomando-se em sentido denotativo a descrição do ministro, é coerente dizer que se trata de uma pessoa
  12. 12. ENEM 2011
    É água que não acaba mais Dados preliminares divulgados por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) apontaram o Aquífero Alter do Chão como o maior depósito de água potável do planeta. Com volume estimado em 86 000 km3 de água doce, a reserva subterrânea está localizada sob os estados do Amazonas, Pará e Amapá. “Essa quantidade de água seria suficiente para abastecer a população mundial durante 500 anos”, diz Milton Matta, geólogo da UFPA. Em termos comparativos, Alter do Chão tem quase o dobro do volume de água do Aquífero Guarani (com 45 000 km3). Até então, Guarani era a maior reserva subterrânea do mundo, distribuída por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Época. N.º 623, 26 abr. 2010.   Essa notícia, publicada em uma revista de grande circulação, apresenta resultados de uma pesquisa científica realizada por uma universidade brasileira. Nessa situação específica de comunicação, a função referencial da linguagem predomina, porque o autor do texto prioriza  
  13. 13. ENEM 2011
    Pequeno concerto que virou canção Não, não há por que mentir ou esconder A dor que foi maior do que é capaz meu coração Não, nem há por que seguir cantando só para explicar Não vai nunca entender de amor quem nunca soube amar Ah, eu vou voltar pra mim Seguir sozinho assim Até me consumir ou consumir toda essa dor Até sentir de novo o coração capaz de amor VANDRÉ, G. Disponível em: http://www.letras.terra.com.br Acesso em: 29 jun. 2011. Na canção de Geraldo Vandré, tem-se a manifestação da função poética da linguagem, que é percebida na elaboração artística e criativa da mensagem, por meio de combinações sonoras e rítmicas. Pela análise do texto, entretanto, percebe-se, também, a presença marcante da função emotiva ou expressiva, por meio da qual o emissor 
  14. 14. ENEM 2010
    Testes Dia desses resolvi fazer um teste proposto por um site da internet. O nome do teste era tentador: “O que Freud diria de você”. Uau. Respondi a todas as perguntas e o resultado foi o seguinte: “Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os doze anos, depois disso você buscou conhecimento intelectual para seu amadurecimento”. Perfeito! Foi exatamente o que aconteceu comigo. Fiquei radiante: eu havia realizado uma consulta paranormal com o pai da psicanálise, e ele acertou na mosca. Estava com tempo sobrando, e curiosidade é algo que não me falta, então resolvi voltar ao teste e responder tudo diferente do que havia respondido antes. Marquei umas alternativas esdrúxulas, que nada tinham a ver com minha personalidade. E fui conferir o resultado, que dizia o seguinte: “Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os 12 anos, depois disso você buscou conhecimento intelectual para seu amadurecimento”. MEDEIROS, M. Doidas e santas. Porto Alegre, 2008 (adaptado). Quanto às influências que a internet pode exercer sobre os usuários, a autora expressa uma reação irônica no trecho:
  15. 15. UFABC 2007
    A linguagem figurada ou conotativa está amplamente presente na literatura mundial, não sendo diferente com a brasileira. Ela é identificada no seguinte trecho de Vidas Secas, de Graciliano Ramos:
  16. 16. UFABC 2007
    Rosa de Hiroxima Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas, oh, não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroxima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada (Vinícius de Moraes)   A respeito do poema de Vinícius de Moraes, é possível afirmar que  
  17. 17. UFABC 2006
    CARTA ABERTA SOBRE MOVIMENTO GREVISTA NO ABC PAULISTA São Paulo, 2 de abril de 1980   Mãe, Tudo errado nesta greve dos metalúrgicos.   Ninguém ouviu as instruções do ministro do Trabalho? Alguém entendeu que, para ser legal, é preciso que não haja incitamento, isto é, que a greve seja espontânea? Então aprendam rapidamente as regras do jogo. Vamos dizer que você acorde de manhã e, vendo que não tem café nem pão, resolve parar de trabalhar até ter o que comer. Se calhar de os 150 mil metalúrgicos terem a mesma idéia, ao mesmo tempo, na mesma hora, ficará caracterizada a greve espontânea. Mas, se o tom de voz usado for acima de 0,2 decibéis ou for acompanhado por um cruzar de braços, ficará evidenciado o incitamento. Comunicar tal decisão através de folhetos, circulares, reuniões, concentrações, utilizar megafones, apitos (...) é incitamento dos baitas. Sim! Desmaiar por fome ou mostrar dedos amputados por tornos é incitamento justificável, mas que, devido ao seu grande apelo, será o mais vigiado. (...) (Henfil)   Associada ao desenvolvimento do texto, a afirmação inicial Tudo errado nesta greve dos metalúrgicos mostra que o emissor adota, em relação ao assunto de que trata, postura
  18. 18. FGV-SP 2011
    Rubião não esquecia que muitas vezes tentara enriquecer com empresas que morreram em flor. Supôs-se naquele tempo um desgraçado, um caipora, quando a verdade era que “mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga”. Tanto não era impossível enriquecer, que estava rico.   — Impossível, o quê? exclamou em voz alta. Impossível é a Deus pecar. Deus não falta a quem promete. (Machado de Assis, Quincas Borba)   No trecho sublinhado em “mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga”, ocorre um tipo de desvio semântico que tem finalidade expressiva. Trata-se de
  19. 19. FGV-SP 2011
    Achado Aqui, talvez, o tesouro enterrado há cem anos pelo guarda-mor. Se tanto o guardou, foi para os trinetos, principalmente este: o menor. Cavo com faca de cozinha, cavo até, no outro extremo, o Japão e não encontro o saco de ouro de que tenho a mor precisão   para galopar no lombo dos longes fugindo a esta vidinha choca. Mas só encontro, e rabeia, e foge uma indignada minhoca.   (Carlos Drummond de Andrade) Considere as seguintes afirmações: I. A repetição do verbo no verso 5 tem a finalidade de indicar que a ação foi praticada repetidas vezes.  II. Entre as figuras de linguagem usadas no poema, destaca-se a hipérbole no verso 6. III. Há, no verso 9, um recurso expressivo de natureza sonora.   Está correto o que se afirma em  
  20. 20. FGV-SP 2012
    A última nota solta A habilidade dos governantes da Bruzundanga é tal, e com tanto e acendrado carinho velam pelos interesses da população, que lhes foram confiados, (I) que os produtos mais normais à Bruzundanga, mais de acordo com a sua natureza, são comprados pelos estrangeiros por menos da metade do preço (II) pelo qual os seus nacionais os adquirem. (Lima Barreto. Os bruzundangas. Porto Alegre: L&PM, 1998, p. 213.)   Para compor a descrição dos governantes da Bruzundanga, o autor se vale de uma figura de linguagem, que é  
  21. 21. FGV-SP 2011
    10ª Festa a Fantasia Advogados viram gângsteres. Empresários viram vampiros. Médicas viram feiticeiras. Professoras viram bruxas. Deixa o preconceito de lado e escolha quem você quer ser. Uma noite onde ninguém é o que parece ser. Texto adaptado de um folheto de propaganda. Tomadas as sugestões de fantasias como não aleatórias, isto é, como não resultantes do acaso, pode-se entender a frase “deixa o preconceito de lado” como uma
  22. 22. FGV-SP 2009
    .............................................. Ó almas presas, mudas e fechadas Nas prisões colossais e abandonadas, Da Dor no calabouço, atroz, funéreo! Nesses silêncios solitários, graves, que chaveiro do Céu possui as chaves para abrir-vos as portas do Mistério?! Cruz e Souza, Últimos sonetos.   A figura de sintaxe denominada “anástrofe” é um tipo raro de inversão, que consiste na anteposição do determinante (preposição + substantivo) ao determinado, como ocorre no seguinte trecho:  
  23. 23. FGV-SP 2009
    Todos os Nomes Passar os olhos pela relação dos jogadores inscritos por nossos clubes profissionais para a atual temporada profissional pode ser uma experiência reveladora. O que primeiro salta à vista é a quantidade de nomes estrangeiros – em geral de origem inglesa, ainda que existam alguns Jeans, Michels e Pierres de sabor francês e um ou outro Juan de sonoridade castelhana. O grosso mesmo é de nomes anglo-saxões.   Só de Wellingtons eu contei seis. Se bobear, tem mais Wellington que José no nosso futebol. Nem vamos perder tempo falando da profusão de Williams, de Christians, de Rogers e de Andersons. Até aqui, parece que eu, um mero Zé, estou me queixando dessa invasão onomástica estrangeira e engrossando o coro dos que, como o deputado Aldo Rebelo, querem defender a “pureza” da língua pátria a golpes de multas e proibições.   Longe de mim tal insensatez. Uma língua se enriquece no contato e na troca com todas as outras.   Os nomes predominantes em uma geração refletem o imaginário de sua época, não o determinam. Mais significativo do que a assimilação pura e simples dos nomes estrangeiros – é o processo de canibalização que eles sofrem aqui. Abaixo do Equador, Alain vira Allan, Michael vira Maicon (ou Maycon), David vira Deivid e Hollywood vira Oliúde.   lsso sem falar nas criações genuinamente brasileiras, como o espantoso Maicosuel (jogador do Cruzeiro). É a contribuição milionária de todos os erros, como queria......................................................................... José  G. Couto. Folha de S. Paulo, 02/02/2008. Adaptado.   Ao colocar entre aspas a palavra “pureza” o enunciador expressou:    
  24. 24. FGV-SP 2010
    Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. (...) Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara.  (...) Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do guará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste. (...) Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo. Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.   Este texto exemplifica uma característica estilística marcante na obra, ou seja, a forte presença de comparações e metáforas naturais. Associados ao elemento humano retratado pelo autor, tais recursos se justificam, principalmente, como  
  25. 25. UNIFESP 2012
    1 Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas leituras não era a beleza das frases, mas a doença delas. 2 Respeito as oralidades. Eu escrevo o rumor das palavras. Não sou sandeu* de gramáticas. Só sei o nada aumentado. (Versos extraídos de O Livro das Ignorãças.)   *tolo   Os versos transcritos em 1 e 2 assinalam que o eu lírico
  26. 26. UNIFESP 2010
    Manuel Bandeira, passeando pelo interior de Pernambuco, pediu água numa casa e ouviu a mãe gritar para o filho: “Anacoluto, traz água pro moço, Anacoluto!” O menino obedeceu, Bandeira bebeu a água e saiu dando pulo: não é todo dia que alguém tem a fortuna de dar com um nome desses. Anacoluto é um senhor nome e descobri-lo é quase como descobrir a América. Feliz Manuel Bandeira. Leia os textos. I. Mas esse astro que fulgente Das águias brilhara à frente, Do Capitólio baixou. (Soares de Passos)   II. Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o. (Mário Quintana)   III. No berço, pendente dos ramos floridos, Em que eu pequenino feliz dormitava: Quem é que esse berço com todo o cuidado Cantando cantigas alegre embalava? (Casimiro de Abreu)   Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, o anacoluto é a mudança de construção sintática no meio do enunciado, geralmente depois de uma pausa sensível, o que faz uma expressão ficar desligada e solta no período. Com base nesses dados, o nome do menino faz uma alusão a uma figura de sintaxe que está exemplificada apenas em  
  27. 27. UNIFESP 2009
    Esquecimento (Florbela Espanca) Esse de quem eu era e era meu, Que foi um sonho e foi realidade, Que me vestiu a alma de saudade, Para sempre de mim desapareceu.   Tudo em redor então escureceu, E foi longínqua toda a claridade! Ceguei... tateio sombras... que ansiedade! Apalpo cinzas porque tudo ardeu!   Descem em mim poentes de Novembro... A sombra dos meus olhos, a escurecer... Veste de roxo e negro os crisântemos...   E desse que era meu já me não lembro... Ah! a doce agonia de esquecer A lembrar doidamente o que esquecemos...!   Na última estrofe, o eu lírico expressa, por meio de
  28. 28. UNIFESP 2006
    Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados, Um garbo senhoril, nevada alvura, Metal de voz que enleva de doçura, Dentes de aljôfar, em rubi cravados. Fios de ouro, que enredam meus cuidados, Alvo peito, que cega de candura, Mil prendas; e (o que é mais que formosura) Uma graça, que rouba mil agrados. Mil extremos de preço mais subido Encerra a linda Márcia, a quem of’reço Um culto, que nem dela inda é sabido. Tão pouco de mim julgo que a mereço, Que enojá-la não quero de atrevido Co’as penas que por ela em vão padeço (Flinto Elisio) Este inferno de amar Este inferno de amar – como eu amo! Quem mo pôs aqui n’alma... quem foi? Esta chama que alenta e consome, Que é a vida – e que a vida destrói – Como é que se veio a atear, Quando – ai quando se há-de ela apagar? (Almeida Garrett) Assinale a alternativa correta
  29. 29. PUC-RS 2009
    1. Darwin mostrou que a cooperação pode também 2. evoluir,  ou  seja,  uma  espécie  que  é  solitária  hoje 3. poderá ser social amanhã. É o caso da nossa espécie: 4. podemos ser cooperativos, e de fato somos, na maior 5. parte  das  vezes.  Cooperamos  quando  formamos 6. casais e temos nossos filhos – às vezes, infelizmente, 7. isso termina. Cooperamos quando resolvemos entrar 8. na política e trabalhar para a coletividade – às vezes, 9. infelizmente, o fazemos de modo desvirtuado. 10. Esta é outra parte da revolução de Darwin: nossa 11. cultura  –  costumes,  tradições,  crenças,  vida  social, 12. ciência – se modificou ao longo do tempo, constituindo 13. um subproduto da evolução biológica. É o que veio a 14. ser conhecido como revolução cultural. À medida que 15. nos tornamos mais e mais inteligentes, fomos criando 16. sistemas  culturais.  Como  estamos  distribuídos  em 17. vários  continentes  e  em  grandes  espaços,  nossas 18. culturas diferem.     INSTRUÇÃO: Para resolver a questão, relacione as colunas de acordo com o sentido das expressões do texto, numerando os parênteses. Coluna A (   ) “e de fato somos” (linha 04) (   ) “às vezes, infelizmente, isso termina” (linhas 06 e 07) (   ) “constituindo um subproduto” (linhas 12 e 13) (   ) “fomos criando sistemas culturais” (linhas 15 e 16) (   ) “Como estamos distribuídos em vários continentes” (linhas 16 e 17) Coluna B 1.  explicação 2.  causa 3.  confirmação 4.  progressão 5.  resultado 6.  oposição   A correta numeração dos parênteses, de cima para baixo, é
  30. 30. PUC-RS 2008
    1. Estamos na sociedade da informação. Somos au- 2. tênticos informívoros, necessitamos de informação 3. para sobreviver, como necessitamos de alimento, 4. calor ou contato social. Nas ciências da comunica- 5. ção, considera-se que informação é tudo aquilo que 6. reduz  a  incerteza  de  um  sistema.  Nesse  sentido, 7. todos nós nos alimentamos de informação que nos 8. permite não apenas prever como também controlar 9. os acontecimentos de nosso meio. Previsão e con- 10. trole são duas das funções fundamentais da apren- 11. dizagem, inclusive nos organismos mais simples. Na 12. vida social, a informação é ainda mais essencial por- 13. que os fenômenos que nos rodeiam são complexos 14. e cambiantes e, portanto, ainda mais incertos do que 15. os que afetam os outros seres vivos. A incerteza é 16. ainda maior na sociedade atual, como conseqüência 17. da descentração do conhecimento e dos vertigi- 18. nosos ritmos de mudança em todos os setores da vida. 19. Um traço característico de nossa cultura da aprendi- 20. zagem é que, em vez de ter de buscar ativamente a 21. informação  com  que  alimentar  nossa  ânsia  de 22. previsão  e  controle,  estamos  sendo  abarrotados, 23. superalimentados  de  informação,  na  maioria  das 24. vezes em formato  fast food. Sofremos uma certa 25. obesidade informativa, conseqüência de uma dieta 26. pouco equilibrada. Para responder à questão,  preencha  os  parênteses  que  precedem  as afirmativas com V para verdadeiro e F para falso.   Sobre o modo como se relacionam as idéias no texto, é correto afirmar:     (    ) A comparação é um dos recursos empregados pelo autor no início do texto. (    ) As expressões “não apenas ... como também” (linha  08)  relacionam  argumentos  contrários entre si. (    ) Na frase das linhas 11 a 15, as palavras “porque” e “portanto” introduzem, respectivamente, uma causa e uma conclusão. (    ) A expressão “em vez de” (linha 20) pode ser substituída por “não obstante”, sem que se modifique o sentido do texto.
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