Exercícios de Figuras de Linguagem

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  1. 1. UEPB 2013
    Da imagem, que foi capa da Revista Veja em 20 de agosto de 2008, pode-se compreender:
  2. 2. IFCE 2014
    A linguagem pode ser empregada no sentido literal, real, chamado de denotativo ou no sentido figurativo, não estritamente real, chamado de conotativo. Dentre as figuras de linguagem conotativas, tem-se a hipérbole, que consiste no exagero, na exacerbação de um pensamento a ponto de tornar a imagem criada impossível, improvável de ser factual, portanto, uma figuração conotativa. Dentre as sentenças abaixo, não corresponde a uma hipérbole:
  3. 3. UERJ 2015
    SEPARAÇÃO Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediavel. 1No íntimo, preferia não té-Io feito; mas ao chegar à porta 2sentiu que 14nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contada na história do amor, que é a história do mundo. 10Ela o olhava com um olhar intenso, onde existia uma incompreensão e um anelo , 15como a pedir-lhe, ao mesmo tempo, que não fosse e que não deixasse de ir, por isso que era tudo impossível entre eles. (...) Seus olhares 4fulguraram por um instante um contra o outro, depois se 5acariciaram temamente e, finalmente, se disseram que não havia nada a fazer. 6Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si mesmo numa tentativa de secionar aqueles dois mundos que eram ele e ela. Mas 16o brusco movimento de fechar prendera-Ihe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida, e ele ficou retido, sem se poder mover do lugar, 11sentindo o pranto formar-se muito longe em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce. 17Fechou os olhos, tentando adiantar-se a agonia do momento, mas o fato de sabê-Ia ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, 12não lhe dava forças para desprender-se dela. 8Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, 9distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. 18E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele 7abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou 3imaginá-Ia em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas. 13De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde... MORAIS, Vinícius de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1986. A hipérbole é uma figura empregada na crônica de Vinicius de Morais para caracterizar o estado de ânimo do personagem. Essa figura esta exemplificada em:
  4. 4. UNESP 2015
    Agente Honório Cota     Quando o coronel João Capistrano Honório Cota mandou erguer o sobrado, tinha pouco mais de trinta anos. Mas já era homem sério de velho, reservado, cumpridor. Cuidava muito dos trajes, da sua aparência medida. O jaquetão de casimira inglesa, o colete de linho atravessado pela grossa corrente de ouro do relógio; a calça é que era como a de todos na cidade — de brim, a não ser em certas ocasiões (batizado, morte, casamento — então era parelho mesmo, por igual), mas sempre muito bem passada, o vinco perfeito. Dava gosto ver:     O passo vagaroso de quem não tem pressa — o mundo podia esperar por ele, o peito magro estufado, os gestos lentos, a voz pausada e grave, descia a rua da Igreja cumprimentando cerimoniosamente, nobremente, os que por ele passavam ou os que chegavam na janela muitas vezes só para vê-lo passar.     Desde longe a gente adivinhava ele vindo: alto, magro, descarnado, como uma ave pernalta de grande porte. Sendo assim tão descomunal, podia ser desajeitado: não era, dava sempre a impressão de uma grande e ponderada figura. Não jogava as pernas para os lados nem as trazia abertas, esticava-as feito medisse os passos, quebrando os joelhos em reto.     Quando montado, indo para a sua Fazenda da Pedra Menina, no cavalo branco ajaezado de couro trabalhado e prata, aí então sim era a grande, imponente figura, que enchia as vistas. Parecia um daqueles cavaleiros antigos, fugidos do Amadis de Gaula ou do Palmeirim, quando iam para a guerra armados cavaleiros. Ópera dos mortos, 1970. No terceiro parágrafo, a comparação do coronel com uma ave pernalta representa
  5. 5. UCS 2012
    O texto literário caracteriza-se por uma multiplicidade de sentidos, originada do trabalho artístico realizado com a linguagem. Entre os recursos que a literatura utiliza, na produção dos textos, estão as figuras de linguagem. Leia os fragmentos de poemas, apresentados na COLUNA A, e relacione-os às figuras de linguagem neles predominantes, elencadas na COLUNA B. Assinale a alternativa que preenche corretamente os parênteses, de cima para baixo.
  6. 6. ENEM 2017
    Acho que educar é como catar piolho na cabeça de criança. Épreciso ter confiança, perseverança e um certo despojamento. É preciso, também, conquistar a confiança de quem se quer educar, para fazê-lo deitar no colo e ouvir histórias. MUNDURUKU, D. Disponível em: http://caravanamekukradja.blogspot.com.br. Acesso em: 5 dez. 2012.   Concorrem para a estruturação e para a progressão das ideias no texto os seguintes recursos:
  7. 7. UERJ 2015
    BEM NO FUNDO 1no fundo, no fundo, bem lá no fundo, 2a gente gostaria de ver 3nossos problemas resolvidos por decreto a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela - silêncio perpétuo extinto por lei todo o remorso, maldito seja quem olhar pra trás, lá pra trás não há nada, e nada mais mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2013. no fundo, no fundo, bem lá no fundo, (ref. 1) Nesses versos iniciais do poema, a repetição de palavras e o emprego do vocábulo "bem" produzem um efeito de:
  8. 8. UECE 2014
    PORTÃO O portão fica bocejando, aberto para os alunos retardatários. Não há pressa em viver nem nas ladeiras duras de subir, 1quanto mais para estudar a insípida cartilha. Mas se o pai do menino é da oposição, à 2ilustríssima autoridade municipal, prima por sua vez da 3sacratíssima autoridade nacional, 4ah, isso não: o vagabundo ficará mofando lá fora e leva no boletim uma galáxia de zeros. A gente aprende muito no portão fechado. ANDRADE. Carlos Drummond de. In: Canos Drummond de Andrade: Poesia e Prosa. Editora Nova Aguilan 1988. p. 506-507. Os dois superlativos (ref. 2 e 3) emprestam ao poema um tom de
  9. 9. UERJ 2016
    A EDUCAÇÃO PELA SEDA Vestidos muito justos são vulgares. Revelar formas é vulgar. Toda revelação é de uma vulgaridade abominável. Os conceitos a vestiram como uma segunda pele, e pode-se adivinhar a norma que lhe rege a vida ao primeiro olhar. Rosa Amanda Strausz Mínimo múltiplo comum: contos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990. Os conceitos a vestiram como uma segunda pele, O vocábulo a é comumente utilizado para substituir termos já enunciados. No texto, entretanto, ele tem um uso incomum, já que permite subentender um termo não enunciado. Esse uso indica um recurso assim denominado:
  10. 10. UERJ 2015
    Medo e vergonha 3O medo é um evento poderoso que toma o nosso corpo, nos põe em xeque, paralisa alguns e atiça a criatividade de outros. Uma pessoa em estado de pavor é dona de uma energia extra paz de feitos incríveis. Um amigo nosso, quando era adolescente, aproveitou a viagem dos pais da namorada para ficar na casa dela. Os pais voltaram mais cedo e, pego em flagrante, nosso Romeu teve a brilhante ideia de pular, pelado, do segundo andar. Está vivo. Tem hoje essa incrível história pra contar, mas deve se lembrar muito bem da vergonha. 4Me lembrei dessa história por conta de outra completamente diferente, mas na qual também vi meu medo me deixar em maus lençóis. Estava caminhando pelo bairro quando resolvi explorar umas ruas mais desertas. 5De repente, vejo um menino encostado num muro. Parecia um menino de ma, tinha seus 15, 16 anos e, quando me viu, fixou o olhar e apertou o passo na minha direção. Não pestanejei. Saí correndo. Correndo mesmo, na mais alta performance de minhas pernas. No meio da corrida, comecei a pensar se ele iria mesmo me assaltar. Uma onda de vergonha foi me invadindo. O rapaz estava me vendo correr. E se eu tivesse me enganado? E se ele não fosse fazer nada? Mesmo que fosse. Ter sido flagrada no meu medo e preconceito daquela forma já me deixava numa desvantagem fulminante. Não sou uma pessoa medrosa por excelência, mas, naquele dia, o olhar, o gesto, alguma coisa no rapaz acionou imediatamente o motor de minhas pernas e, quando me dei conta, já estava em disparada. Fui chegando ofegante a uma esquina, os motoristas de um ponto de táxi me perguntaram o que tinha acontecido e eu, um tanto constrangida, disse que tinha ficado com medo. Me contaram que ele vivia por ali, tomando conta dos carros. Fervi de vergonha. O menino passou do outro lado da rua e, percebendo que eu olhava, imitou minha corridinha, fazendo um gesto de desprezo. Tive vontade de sentar na 1guia e chorar. Ele só tinha me olhado, e o resto tinha sido produto legítimo do meu preconceito. Fui atrás dele. Não consegui carregar tamanha 2bigorna pra casa. 'Ei!' Ele demorou a virar. Se eu pensava que ele assaltava, 6ele também não podia imaginar que eu pedisse desculpas. Insisti: "Desculpa!" Ele virou. 7Seu olhar agora não era mais de ladrão, e sim de professor. Me perdoou com um sinal de positivo ainda cheio de desprezo. Fui pra casa pelada, igual ao Romeu suicida. Denise Fraga folha.uol.com.br, 08/01/2013 1 guia - meio-fio da calçada 2 bigorna - bloco de ferro para confecção de instrumentos Na última frase da crônica, a autora correlaciona dois episódios. Em ambos, aparece o atributo 'pelado(a)'. No entanto, esse atributo tem significado diferente em cada um dos episódios. No texto, o significado de cada termo se caracteriza por ser, respectivamente:
  11. 11. FGV 2015
    Uma tia-avó Fico abismada de ver de quanta coisa não me lembro. Aliás, não me lembro de nada. Por exemplo, 1as férias em que eu ia para uma cidade do interior de Minas, acho que nem cidade era, era uma rua, e passava por Belo Horizonte, 2onde tinha uma tia-avó. Não poderia repetir o rosto dela, sei que muito magra, vestido até o chão, 3fantasma em cinzentos, levemente muda, deslizando por 4corredores de portas muito altas. O clima da casa era de passado 5embrulhado em papel de seda amarfanhado, e posto no canto para que não se atrevesse a voltar à tona. Nem um riso, 6um barulho de copos tinindo. Quem estava ali sabia que quanto menos se mexesse menor o perigo de sofrer. Afinal o mundo era um 7vale de lágrimas. 8A casa dava para a rua, não tinha jardim, a não ser que você se aventurasse a subir uma escada de cimento, lateral, que te levava aos 9jardins suspensos da Babilônia. Nem precisava ser sensível para sentir a secura, 10a geometria esturricada dos canteiros 11sob o céu de anil de Minas. Nada, nem uma flor, só coisas que espetavam e 12buxinhos com formatos rígidos e duras palmas e os 13urubus rodando alto, em cima, esperando… O quê? 14Segredos enterrados, medo, sentia eu 15destrambelhando escada abaixo. 16Na sala, uma cristaleira antiga com um 17cacho enorme de uvas enroladas em papel brilhante azul. Para mim, pareciam 18uvas de chocolate, recheadas de bebida, mas não tinha coragem de pedir, estavam lá ano após ano, intocadas. A avó, baixinho, permitia, “Quer, pode pegar”, com voz neutra, mas eu declinava, 19doida de desejo. Das comidas comuns da casa, não me lembro de uma couvinha que fosse, não me lembro de empregadas, cozinheiras, sala de jantar, nada. Enfim, Belo Horizonte para mim era uma terra triste, de 20mulheres desesperadas e mudas enterradas no tempo, 21chocolates sedutores e proibidos. Só valia como passagem para a 22roça brilhante de sol que me esperava. Nina Horta, Folha de S. Paulo, 17/07/2013. Adaptado. Embora tenha sido publicado em jornal, o texto contém recursos mais comuns na linguagem literária do que na jornalística. Exemplificam tais recursos a hipérbole e a metáfora, que ocorrem, respectivamente, nos seguintes trechos:
  12. 12. INSPER 2014
    Lentes da história O que aconteceu com o sonho do fim da segregação racial que, há 50 anos, Martin Luther King anunciava para 250 mil pessoas na Marcha sobre Washington? Ele está perto de materializar-se ou continua uma esperança para o futuro? A resposta depende dos óculos que vestimos. Se apanharmos a lente dos séculos e milênios, a "longue durée" de que falam os historiadores, há motivos para regozijo. A instituição da escravidão, especialmente cruel com os negros, foi abolida de todas as legislações do planeta. É verdade que, na Mauritânia, isso ocorreu apenas em 1981, mas o fato é que essa chaga que acompanhava a humanidade desde o surgimento da agricultura, 11 mil anos atrás, se tornou universalmente ilegal. Apenas 50 anos atrás, vários Estados americanos tinham leis (Jim Crow laws) que proibiam negros até de frequentar os mesmos espaços que brancos. Na África do Sul, a segregação "de jure" chegou até os anos 90. Hoje, disposições dessa natureza são não só impensáveis como despertam vívida repulsa moral. Em 2008, numa espécie de clímax, o negro Barack Obama foi eleito presidente dos EUA, o que levou alguns analistas a falar em era pós-racial. Basta, porém, apanhar a lente das décadas e passear pelos principais indicadores demográficos para verificar que eles ainda carregam as marcas do racismo. Negros continuam significativamente mais pobres e menos instruídos que a média do país. São mandados para a cadeia num ritmo seis vezes maior que o dos brancos. As Jim Crow laws foram declaradas nulas, mas alguns Estados mantêm regras que, na prática, reduzem a participação de negros em eleições. É um caso clássico de copo meio cheio e meio vazio. Do ponto de vista da "longue durée", estamos bem. Dá até para acreditar em progresso moral da humanidade. Só que não vivemos na escala dos milênios, mas na das décadas, na qual a segregação teima em continuar existindo. (Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo, 28/08/2013) Para reforçar seu ponto de vista acerca do tema abordado em seu artigo, o jornalista emprega a linguagem conotativa como estratégia persuasiva. Em “A resposta depende dos óculos que vestimos”, o autor recorre à/ao
  13. 13. UERJ 2016
    DICIONÁRIO FEITO POR CRIANÇAS REVELA UM MUNDO QUE OS ADULTOS NÃO ENXERGAM MAIS Em abril, aconteceu a Feira do Livro de Bogotá, e um dos maiores sucessos foi um livro chamado Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças. Nele, há um dicionário com mais de 500 definições para 133 palavras, de A a Z, feitas por crianças. 1O curioso deste “dicionário infantil” é como as crianças definem o mundo através daquilo que os adultos já não conseguem perceber. O autor do livro é o professor Javier Naranjo, que compilou informações ao longo de dez anos durante as aulas. Ele conta que a ideia surgiu quando ele pediu aos seus alunos para definirem a palavra “criança”, e uma das respostas que lhe chamou atenção foi: 2“uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir cedo”. Veja outros verbetes do livro e as idades das crianças que os definiram: - 3Adulto: pessoa que, em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma. (Andrés, 8 anos) - Água: transparência que se pode tomar. (Tatiana, 7 anos) - 4Branco: o branco é uma cor que não pinta. (Jonathan, 11 anos) - 5Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro, somente seus filhos. (Luis, 8 anos) - 6Céu: de onde sai o dia. (Duván, 8 anos) - Dinheiro: coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos. (Ana María, 12 anos) - 7Escuridão: é como o frescor da noite. (Ana Cristina, 8 anos) - 8Guerra: gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz. (Juan Carlos, 11 anos) - Inveja: atirar pedras nos amigos. (Alejandro, 7 anos) - 9Mãe: mãe entende e depois vai dormir. (Juan, 6 anos) - 10Paz: quando a pessoa se perdoa. (Juan Camilo, 8 anos) - Solidão: tristeza que dá na pessoa às vezes. (Iván, 10 anos) - Tempo: coisa que passa para lembrar. (Jorge, 8 anos) - 11Universo: casa das estrelas. (Carlos, 12 anos) André Fantin Adaptado de repertoriocriativo.com.br, 22/05/2013. Uma afirmação paradoxal contém alguma contradição interna. Um exemplo de afirmação paradoxal é identificado em:
  14. 14. UERJ 2014
    O tempo em que o mundo tinha a nossa idade 5Nesse entretempo, ele nos chamava para escutarmos seus imprevistos improvisos. 1As estórias dele faziam o nosso lugarzinho crescer até ficar maior que o mundo. Nenhuma narração tinha fim, o sono lhe apagava a boca antes do desfecho. 9Éramos nós que recolhíamos seu corpo dorminhoso. 6Não lhe deitávamos dentro da casa: ele sempre recusara cama feita. 10Seu conceito era que a morte nos apanha deitados sobre a moleza de uma esteira. Leito dele era o puro chão, lugar onde a chuva também gosta de deitar. Nós simplesmente lhe encostávamos na parede da casa. Ali ficava até de manhã. Lhe encontrávamos coberto de formigas. Parece que os insectos gostavam do suor docicado do velho Taímo. 7Ele nem sentia o corrupio do formigueiro em sua pele. − Chiças: transpiro mais que palmeira! Proferia tontices enquanto ia acordando. 8Nós lhe sacudíamos os infatigáveis bichos. Taímo nos sacudia a nós, incomodado por lhe dedicarmos cuidados. 2Meu pai sofria de sonhos, saía pela noite de olhos transabertos. Como dormia fora, nem dávamos conta. Minha mãe, manhã seguinte, é que nos convocava: − Venham: papá teve um sonho! 3E nos juntávamos, todos completos, para escutar as verdades que lhe tinham sido reveladas. Taímo recebia notícia do futuro por via dos antepassados. Dizia tantas previsões que nem havia tempo de provar nenhuma. Eu me perguntava sobre a verdade daquelas visões do velho, estorinhador como ele era. − Nem duvidem, avisava mamã, suspeitando-nos. E assim seguia nossa criancice, tempos afora. 4Nesses anos ainda tudo tinha sentido: a razão deste mundo estava num outro mundo inexplicável. 11Os mais velhos faziam a ponte entre esses dois mundos. (...) Mia Couto Terra sonâmbula. São Paulo, Cia das Letras, 2007. Um elemento importante na organização do texto é o uso de algumas personificações. Uma dessas personificações encontra-se em:
  15. 15. UERJ 2015
    CANÇÃO DO VER Fomos rever o poste. O mesmo poste de quando a gente brincava de pique e de esconder. 1Agora ele estava tão verdinho! O corpo recoberto de Iimo e borboletas. Eu quis filmar o abandono do poste. O seu estar parado. O seu não ter voz. O seu não ter sequer mãos para se pronunciar com as mãos. Penso que a natureza o adotara em árvore. Porque eu bem cheguei de ouvir arrulos de passarinhos que um dia teriam cantado entre as suas folhas. Tentei transcrever para flauta a ternura dos arrulos. Mas o mato era mudo. Agora o poste se inclina para o chão - como alguém que procurasse o chão para repouso. Tivemos saudades de nós. Manoel de Barros Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010. 1 arrulos - canto ou gemido de rolas e pombas No poema, o poste é associado à própria vida do eu poético. Nessa associação, a imagem do poste se constrói pelo seguinte recurso da linguagem:
  16. 16. UERJ 2016
    A PRESSA DE ACABAR Evidentemente nós sofremos agora em todo o mundo de uma dolorosa moléstia: a pressa de acabar. Os nossos avós nunca tinham pressa. Ao contrário. Adiar, aumentar, era para eles a suprema delícia. Como os relógios, nesses tempos remotos, não eram maravilhas de precisão, os 1homens mediam os dias com todo o cuidado da atenção. Sim! Em tudo, 2essa estranha pressa de acabar se ostenta como a marca do século. Não há mais livros definitivos, quadros destinados a não morrer, ideias imortais. Trabalha-se muito mais, pensa-se muito mais, ama-se mesmo muito mais, apenas sem fazer a digestão e sem ter tempo de a fazer. Antigamente as horas eram entidades que os homens conheciam imperfeitamente. Calcular a passagem das horas era tão complicado como calcular a passagem dos dias. 3Inventavam-se relógios de todos os moldes e formas. 4Hoje, nós somos escravos das horas, dessas senhoras inexoráveis* que não cedem nunca e cortam o dia da gente numa triste migalharia de minutos e segundos. Cada hora é para nós distinta, pessoal, característica, porque cada hora representa para nós o acúmulo de várias coisas que nós temos pressa de acabar. O relógio era um objeto de luxo. Hoje até os mendigos usam um marcador de horas, porque têm pressa, pressa de acabar. O homem mesmo será classificado, afirmo eu já com pressa, como o Homus cinematographicus. 5Nós somos uma delirante sucessão de fitas cinematográficas. Em meia hora de sessão tem-se um espetáculo multiforme e assustador cujo título geral é: Precisamos acabar depressa. 6O homem de agora é como a multidão: ativo e imediato. Não pensa, faz; não pergunta, obra; não reflete, julga. 7O homem cinematográfico resolveu a suprema insanidade: encher o tempo, atopetar o tempo, abarrotar o tempo, paralisar o tempo para chegar antes dele. Todos os dias (dias em que ele não vê a beleza do sol ou do céu e a doçura das árvores porque não tem tempo, diariamente, nesse número de horas retalhadas em minutos e segundos que uma população de relógios marca, registra e desfia), o pobre diabo 8sua, labuta, desespera com os olhos fitos nesse hipotético poste de chegada que é a miragem da ilusão. Uns acabam pensando que encheram o tempo, que o mataram de vez. Outros desesperados vão para o hospício ou para os cemitérios. A corrida continua. E o Tempo também, o Tempo insensível e incomensurável, o Tempo infinito para o qual todo o esforço é inútil, o Tempo que não acaba nunca! É satanicamente doloroso. Mas que fazer? RIO, João do. Adaptado de Cinematógrafo: crônicas cariocas. Rio de Janeiro: ABL, 2009. * inexoráveis − que não cedem, implacáveis Hoje, nós somos escravos das horas, dessas senhoras inexoráveis que não cedem nunca (ref. 4) Neste fragmento, o autor emprega uma figura de linguagem para expressar o embate entre o homem e o tempo. Essa figura de linguagem é conhecida como:
  17. 17. UNESP 2014
    São Paulo, 10 de março de 1867. Estamos em plena quaresma. A população paulista azafama-se a preparar-se para a lavagem geral das consciências nas águas lustrais do confessionário e do jejum. A cambuquira* e o bacalhau afidalgam-se no mercado. A carne, mísera condenada pelos santos concílios, fica reduzida aos pouquíssimos dentes acatólicos da população, e desce quase a zero na pauta dos preços. O que não sobe nem desce na escala dos fatos normais é a vilania, a usura, o egoísmo, a estatística dos crimes e o montão de fatos vergonhosos, perversos, ruins e feios que precedem todas as contrições oficiais do confessionário, e que depois delas continuam com imperturbável regularidade. É o caso de desejar-se mais obras e menos palavras. E se não, de que é que serve o jejum, as macerações, o arrependimento, a contrição e quejandas religiosidades? O que é a religião sem o aperfeiçoamento moral da consciência? O que vale a perturbação das funções gastronômicas do estômago sem consciência livre, ilustrada, honesta e virtuosa? Seja como for, o fato é que a quaresma toma as rédeas do governo social, e tudo entristece, e tudo esfria com o exercício de seus místicos preceitos de silêncio e meditação. De que é que vale a meditação por ofício, a meditação hipócrita e obrigada, que consiste unicamente na aparência? Pois o que é que constitui a virtude? É a forma ou é o fundo? É a intenção do ato, ou sua feição ostensiva? Neste sentido, aconselhamos aos bons leitores que comutem sem o menor escrúpulo os jejuns, as confissões e rezas em boas e santas ações, em esmolas aos pobres. (Ângelo Agostini, Américo de Campos e Antônio Manoel dos Reis. Cabrião, 10.03.1867. Adaptado.) * Iguaria constituída de brotos de abóbora guisados, geralmente servida como acompanhamento de assados. [...] fica reduzida aos pouquíssimos dentes acatólicos da população. Na expressão dentes acatólicos, a palavra “dentes” é empregada em lugar de “pessoas”, segundo uma relação semântica de
  18. 18. ESPM 2014
    Será porventura o estilo que hoje se usa nos púlpitos? Um estilo tão empeçado¹, um estilo tão dificultoso, um estilo tão afeta­do, um estilo tão encontrado toda a arte e a toda a natureza? Boa razão é também essa. O estilo há de ser muito fácil e muito natu­ral. Por isso Cristo comparou o pregar ao semear, porque o semear é uma arte que tem mais de natureza que de arte (...) Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se uma parte está branco, da outra há de estar negro (...) Como hão de ser as palavras? Como as estrelas. As estre­las são muito distintas e muito claras. Assim há de ser o estilo da pregação, muito distin­to e muito claro. (Sermão da Sexagésima, Pe. Antonio Vieira) ¹empeçado: com obstáculo, com empecilho.   A repetição da expressão “um estilo tão” e o uso da expressão “xadrez de palavras” com­põem respectivamente as figuras de lingua­gem:
  19. 19. INSPER 2013
    O "gilete" dos tablets Num mundo capitalista como este em que vivemos, onde as empresas concorrem para posicionar suas marcas e fixar logotipos e slogans na cabeça dos consumidores, a síndrome do "Gillette" pode ser decisiva para a perpetuação de um produto. É isso que preocupa a concorrência do iPad, tablet da Apple. Assim como a marca de lâminas de barbear tornou-se sinônimo de toda a categoria de barbeadores, eclipsando o nome das marcas que ofereciam produtos similares, o mesmo pode estar acontecendo com o tablet lançado por Steve Jobs. O maior temor do mercado é que as pessoas passem a se referir aos tablets como "iPad" em geral, dizendo "iPad da Samsumg" ou "iPad da Motorola", e assim por diante. (http://revistalingua.uol.com.br/textos/blog-edgard/o-gilete-dos-tablets-260395-1.asp) No campo da estilística, a figura de linguagem abordada na matéria acima recebe o nome de
  20. 20. UERJ 2015
    O ARRASTÃO Estarrecedor, nefando, inominavel, infame. Gasto logo os adjetivos porque eles fracassam em dizer o sentimento que os fatos impõem. Uma trabalhadora brasileira, descendente de escravos, como tantos, que cuida de quatro filhos e quatro sobrinhos, que parte para o trabalho às quatro e meia das manhãs de todas as semanas, que administra com o marido um ganho de mil e seiscentos reais, que paga pontualmente seus carnês, como milhões de trabalhadores brasileiros, é baleada em circunstâncias não esclarecidas no Morro da Congonha e, levada como carga no porta-malas de um carro policial a pretexto de ser atendida, é arrastada à morte, a céu aberto, pelo asfalto do Rio. Não vou me deter nas versões apresentadas pelos advogados dos policiais.7Todas as vozes terão que ser ouvidas, e com muita atenção à voz daqueles que nunca são ouvidos. Mas, antes das versões, o fato é que esse porta-malas, ao se abrir fora do script, escancarou um real que esta acostumado a existir na sombra. O marido de Cláudia Silva Ferreira disse que, se o porta-malas não se abrisse como abriu (por obra do acaso, dos deuses, do diabo), esse seria apenas "mais um caso". 8Ele está dizendo: seria uma morte anônima, 1aplainada pela surdez da 2praxe, pela invisibilidade, uma morte não questionada, como tantas outras. 9É uma imagem verdadeiramente surreal, não porque esteja fora da realidade, mas porque destampa, por um "acaso objetivo" (a expressão era usada pelos 3surrealistas), uma cena 4recalcada da consciência nacional, com tudo o que tem de violência naturalizada e oorriqueira, tratamento degradante dado aos pobres, estupidez elevada ao cúmulo, ignorância bruta transformada em trapalhada 5transcendental, além de um índice grotesco de métodos de camuflagem e desaparição de pessoas. 10Pois assim como 6Amarildo é aquele que desapareceu das vistas, e não faz muito tempo, Cláudia é aquela que subitamente salta à vista, e ambos soam, queira-se ou não, como o verso e o reverso do mesmo. O acaso da queda de Cláudia dá a ver algo do que não pudemos ver no caso do desaparecimento de Amarildo. A sua passagem meteórica pela tela é um desfile do carnaval de horror que escondemos. 11Aquele carro é o carro alegórico de um Brasil, de um certo Brasil que temos que lutar para que não se transforme no carro alegórico do Brasil. José Miguel Wisnik Adaptado de oglobo.globo.com, 22/03/ 2014. 1 aplainada - nivelada 2 praxe - prática, hábito 3 surrealistas - participantes de movimento artístico do século 20 que enfatiza o papel do inconsciente 4 recalcada - fortemente reprimida 5 transcendental - que supera todos os limites 6 Amarildo - pedreiro desaparecido na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, em 2013, depois de ser detido por policiais Pois assim como Amarildo é aquele que desapareceu das vistas, e não faz muito tempo, Cláudia é aquela que subitamente salta a vista, e ambos soam, queira-se ou não, como o verso e o reverso do mesmo (ref. 10) Neste trecho, para aproximar dois casos recentemente noticiados na imprensa, o autor emprega um recurso de linguagem denominado:
  21. 21. INSPER 2012
    Recentemente, diversos jornais divulgaram a notícia de que o Ministério Público Federal entrou com uma ação judicial para retirar de circulação o dicionário Houaiss, alegando que a obra contém "referências preconceituosas" e "racistas" contra ciganos. Sobre essa medida, o jornalista Sérgio Rodrigues escreveu no Blog da revista Veja: Supor que dicionários inventem os sentidos das palavras, em vez de simplesmente registrar com o maior rigor possível os usos decididos coletivamente por uma comunidade de falantes ao longo de sua história, é uma crença obscurantista e autoritária. Sua origem deve ser buscada no cruzamento entre a velha ignorância e uma doença intelectual mais recente: a ilusão politicamente correta de que, para consertar as injustiças do mundo, basta submeter a linguagem à censura prévia. A ação partiu de Uberlândia, no Triângulo Mineiro (...) Não deve ficar nisso. O Brasil é um país vasto, e, como se sabe, tem poucos problemas verdadeiros, o que deixa ao MPF tempo de sobra para garimpar outros verbetes insultuosos no melhor, mais completo e mais rigoroso dicionário da língua portuguesa. Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/curiosidades-etimologicas/ciganos-x-houaiss-depois-virao-judeus-baianos-japoneses/ Quanto ao processo judicial envolvendo o verbete “cigano” no dicionário, o blogueiro expressa uma reação irônica no trecho
  22. 22. Espcex (Aman) 2014
    Assinale a única alternativa que contém a figura de linguagem presente no trecho sublinhado: As armas e os barões assinalados, Que da ocidental praia lusitana Por mares nunca dantes navegados, Passaram ainda além da Taprobana,
  23. 23. ENEM 2015
    Exmº Sr. Governador: Trago a V. Exa. um resumo dos trabalhos realizados pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928. […] ADMINISTRAÇÃO Relativamente à quantia orçada, os telegramas custaram pouco. De ordinário vai para eles dinheiro considerável. Não há vereda aberta pelos matutos que prefeitura do interior não ponha no arame. proclamando que a coisa foi feita por ela; comunicam-se as datas históricas ao Governo do Estado, que não precisa disso; todos os acontecimentos políticos são badalados. Porque se derrubou a Bastilha – um telegrama; porque se deitou pedra na rua – um telegrama; porque o deputado F. esticou a canela – um telegrama. Palmeira dos Índios, 10 de janeiro de 1929. GRACILlANO RAMOS RAMOS, G. Viventes das Alagoas . São Paulo: Martins Fontes, 1962.   O relatório traz a assinatura de Graciliano Ramos, na época, prefeito de Palmeira dos Índios, e é destinado ao governo do estado de Alagoas. De natureza oficial, o texto chama a atenção por contrariar a norma prevista para esse gênero, pois o autor
  24. 24. UEPA 2014
    Assinale a alternativa que contém o trecho em que Machado de Assis utiliza, como recurso literário de comunicação, a prosopopeia.
  25. 25. ENEM 2013
    Capítulo LIV — A pêndula Saí dali a saborear o beijo. Não pude dormir; estireime na cama, é certo, mas foi o mesmo que nada. Ouvi as horas todas da noite. Usualmente, quando eu perdia o sono, o bater da pêndula fazia-me muito mal; esse tiquetaque soturno, vagaroso e seco parecia dizer a cada golpe que eu ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho diabo, sentado entre dois sacos, o da vida e o da morte, e a contá-las assim: — Outra de menos... — Outra de menos... — Outra de menos... — Outra de menos... O mais singular é que, se o relógio parava, eu davalhe corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu pudesse contar todos os meus instantes perdidos. Invenções há, que se transformam ou acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio é definitivo e perpétuo. O derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre. Naquela noite não padeci essa triste sensação de enfado, mas outra, e deleitosa. As fantasias tumultuavam-me cá dentro, vinham umas sobre outras, à semelhança de devotas que se abalroam para ver o anjo-cantor das procissões. Não ouvia os instantes perdidos, mas os minutos ganhados. ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992 (fragmento). O capítulo apresenta o instante em que Brás Cubas revive a sensação do beijo trocado com Virgília, casada com Lobo Neves. Nesse contexto, a metáfora do relógio desconstrói certos paradigmas românticos, porque
  26. 26. FUVEST 2014
    Leia o seguinte texto, que faz parte de um anúncio de um produto alimentício: EM RESPEITO A SUA NATUREZA, SÓ TRABALHAMOS COM O MELHOR DA NATUREZA Selecionamos só o que a natureza tem de melhor para levar até a sua casa. Porque faz parte da natureza dos nossos consumidores querer produtos saborosos, nutritivos e, acima de tudo, confiáveis. www.destakjornal.com.br, 13/05/ 201 3. Adaptado. Procurando dar maior expressividade ao texto, seu autor
  27. 27. ENEM 2012
    Labaredas nas trevas Fragmentos do diário secreto de Teodor Konrad Nalecz Korzeniowski 20 DE JULHO [1912] Peter Sumerville pede-me que escreva um artigo sobre Crane. Envio-lhe uma carta: “Acredite-me, prezado senhor, nenhum jornal ou revista se interessaria por qualquer coisa que eu, ou outra pessoa, escrevesse sobre Stephen Crane. Ririam da sugestão. [...] Dificilmente encontro alguém, agora, que saiba quem é Stephen Crane ou lembre-se de algo dele. Para os jovens escritores que estão surgindo ele simplesmente não existe.” 20 DE DEZEMBRO [1919] Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal. Sou reconhecido como o maior escritor vivo da língua inglesa. Já se passaram dezenove anos desde que Crane morreu, mas eu não o esqueço. E parece que outros também não. The London Mercury resolveu celebrar os vinte e cinco anos de publicação de um livro que, segundo eles, foi “um fenômeno hoje esquecido” e me pediram um artigo. FONSECA, R. Romance negro e outras histórias. São Paulo: Companhia das Letras, 1992 (fragmento). Na construção de textos literários, os autores recorrem com frequência a expressões metafóricas. Ao empregar o enunciado metafórico “Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal”, pretendeu-se estabelecer, entre os dois fragmentos do texto em questão, uma relação semântica de
  28. 28. ENEM 2013
    Gripado, penso entre espirros em como a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas. Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe que disseminou pela Europa, além do vírus propriamente dito, dois vocábulos virais: o italiano influenza e o francês grippe. O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava “influência dos astros sobre os homens”. O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper, isto é, “agarrar”. Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado. RODRIGUES, S. Sobre palavras.Veja, São Paulo, 30 nov. 2011. Para se entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. Nesse texto, a coesão é construída predominantemente pela retomada de um termo por outro e pelo uso da elipse. O fragmento do texto em que há coesão por elipse do sujeito é:
  29. 29. ENEM 2013
    A tirinha denota a postura assumida por seu produtor frente ao uso social da tecnologia para fins de interação e de informação. Tal posicionamento é expresso, de forma argumentativa, por meio de uma atitude
  30. 30. UECE 2014
    O texto a seguir é um excerto retirado do primeiro parágrafo do artigo de opinião “Com um braço só”, escrito por J. R. Guzzo, que trata da corrupção na política. 1Um dos aspectos menos atraentes da personalidade humana é a tendência de muitas pessoas de só condenar os vícios que não praticam, ou pelos quais não se sentem atraídas. Um caloteiro que não fuma, não bebe e não joga, por exemplo, é frequentemente a voz que mais grita contra o cigarro, a bebida e os cassinos, mas fecha a boca, os ouvidos e os olhos, como 6os três prudentes macaquinhos orientais, quando o assunto é honestidade no pagamento de dívidas pessoais. É a velha história: 2o mal está 4sempre na alma dos outros. Pode até ser verdade, 5infelizmente, quando se trata da política brasileira, em que continua valendo, mais do que nunca, a máxima popular do 3“pega um, pega geral”. Extraído do artigo ”Com um braço só”, de J.R. Guzzo. VEJA. 21/08/2013. O articulista inicia o texto com a expressão: “Um dos aspectos menos atraentes da personalidade humana”. Assinale a opção que expressa uma afirmação correta sobre esse começo de texto.
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