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  1. 31

    UNEMAT 2006

    Leia os fragmentos abaixo, do poeta Manoel de Barros, e assinale a alternativa que NÃO condiz com os versos: “Choveu de noite até encostar em mim. O rio deve estar mais gordo. Escutei um perfume de sol nas águas” (p. 32). “O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo” (p. 68).

  2. 32

    UNEMAT 2006

    No “Pretexto” da obra Livro sobre Nada, de Manoel de Barros, o poeta ensaia, ao lado do escritor francês Gustave Flaubert, o sentido do “nada”. Para o poeta, o “nada” poderia ser:

  3. 33

    PUC-RS 2016

    Leia o trecho extraído de “Maria-Fumaça”, de autoria de Mario Quintana, e analise as afirmativas que seguem. “As lentas, poeirentas, deliciosas viagens nos trens antigos. As famílias (viajavam famílias inteiras) levavam galinhas com farofa em cestas de vime, que ofereciam, pois não, aos viajantes solitários. E os viajantes solitários (e os meninos) ainda desciam nas estaçõezinhas pobres... Para os pastéis, os sonhos, as laranjas... (...) O mal dos aviões é que não se pode descer a toda hora para comprar laranjas Nesses aviões, vamos todos imóveis e empacotados como encomendas. Às vezes encomendas para a Eternidade... Cruzes, poeta! Deixa-te de ideias funéreas e pensa nas aeromoças, arejadas e amáveis como anjos. E “anjos”, aplicado a elas, não é exagero nenhum. (...) Entre a monotonia irreparável das nuvens, nada vemos da viagem. Isto é, não viajamos: chegamos. Pobres turistas de aeroportos, damos a volta ao mundo sem nada ver do mundo.   I. Nesse texto, Mario Quintana retira a matéria para sua criação literária do tema da viagem, comparando diferentes modalidades de transporte e hábitos dos viajantes. II. Valendo-se de uma linguagem simples, com frases irônicas e com humor, Mario Quintana reflete sobre a função da viagem e o seu significado para o viajante. III. Para o poeta, viajar de avião não concretiza o verdadeiro prazer da viagem, que estaria mais no ato de ver, experimentar, conhecer, do que no percurso partida-chegada. A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:

  4. 34

    UNEMAT 2010

    Assinale a alternativa em que as palavras completam corretamente as lacunas.  Era um burrinho__________, miúdo e resignado, vindo de Passa-Tempo, Conceição do Serro, ou não sei onde no sertão. (p. 3) É aqui, perto do vau da _________: tem uma fazenda, denegrida e desmantelada; uma cerca de pedra-seca, do tempo de escravos. (p. 118) Cassiano escolhera mal o lugar onde se derrear: no ________ era tudo gente miúda, amarelenta ou amaleitada, esmolambada, escabreada, que não conhecia o trem-de-ferro, mui pacata e sem ação. (p. 158) Uma barbaridade! Até os meninos faziam feitiço, no ___________. O mestre dava muito coque, e batia de régua, também. (p. 225) E começou o caso, na encruzilhada da _______, logo após a cava do Mata-quatro, onde com a palhada do milho e o algodoal de pompons frouxos, se truncam as derradeiras roças da Fazenda dos Caetanos e o mato de terra ruim começa dos dois lados. (p. 283)

  5. 35

    UNEMAT 2012

    Leia o fragmento do poema VI retirado da obra Menino do Mato, de Manoel de Barros. Desde o começo do mundo água e chão se amam e se entram amorosamente e se fecundam [...]. Penso com humildade que fui convidado para o banquete dessas águas. Porque sou de bugre. Porque sou de brejo. Acho agora que estas águas que bem conhecem a inocência de seus pássaros e de suas árvores. Que elas pertencem também de nossas origens. (p. 455-6). Com relação à construção poética de Manoel de Barros, assinale a alternativa incorreta.

  6. 36

    UNEMAT 2011

     Leia o poema extraído do livro Menino do Mato (2010), de Manoel de Barros. “Eu queria usar palavras de ave para escrever Onde a gente morava era um lugar  imensamente e sem nomeação Ali a gente brincava de brincar com as palavras Tipo assim: hoje eu vi uma formiga ajoelhada  na pedra! Já vem você com as sua visões! Porque formigas não tem joelhos ajoelháveis E nem há pedras de sacristia por aqui Isto é traquinagem de sua imaginação”. Assinale a alternativa correta.

  7. 37

    UFU 2012

    Eu queria usar palavras de ave para escrever. Onde a gente morava era um lugar imensamente e sem nomeação. Ali a gente brincava de brincar com palavras tipo assim: Hoje eu vi uma formiga ajoelhada na pedra! [...] O menino tinha no olhar um silêncio de chão e na sua voz uma candura de Fontes. BARROS, Manoel de. Menino do mato. In: Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010. p. 449. Em relação ao trecho do poema acima e ao livro Menino do mato, assinale a alternativa correta.

  8. 38

    UFRGS 2012

    O personagem narrador de O Filho Eterno, de Cristovão Tezza,

  9. 39

    FEI 2016

    Leia os primeiros parágrafos do livro Terra sonâmbula, do escritor moçambicano Mia Couto: “Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada. Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte. A estrada que agora se abre a nossos olhos não se entrecruza com outra nenhuma. Está mais deitada que os séculos, suportando sozinha toda a distância. Pelas bermas apodrecem carros incendiados, restos de pilhagens. Na savana em volta, apenas os embondeiros contemplam o mundo a desflorir. Um velho e um miúdo vão seguindo pela estrada. Andam bambolentos como se caminhar fosse seu único serviço desde que nasceram. Vão para lá de nenhuma parte, dando o vindo por não ido, à espera do adiante. Fogem da guerra, dessa guerra que contaminara toda a sua terra. Vão na ilusão de, mais além, haver um refúgio tranquilo. Avançam descalços, suas vestes têm a mesma cor do caminho. O velho se chama Tuahir. É magro, parece ter perdido toda a substância. O jovem se chama Muidinga. Caminha à frente desde que saíra do campo de refugiados. Se nota nele um leve coxear, uma perna demorando mais que o passo. Vestígio da doença que, ainda há pouco, o arrastara quase até à morte. Quem o recolhera fora o velho Tuahir, quando todos outros o haviam abandonado. O menino estava já sem estado, os ranhos lhe saíam não do nariz mas de toda a cabeça. O velho teve que lhe ensinar todos os inícios: andar, falar, pensar. Muidinga se meninou outra vez. Esta segunda infância, porém, fora apressada pelos ditados da sobrevivência. Quando iniciaram a viagem já ele se acostumava de cantar, dando vaga a distraídas brincriações. No convívio com a solidão, porém, o canto acabou por migrar de si. Os dois caminheiros condiziam com a estrada, murchos e desesperançados” (COUTO, M. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 09). Pelas características estilísticas observadas nesse fragmento, é possível entender por que Mia Couto é comparado frequentemente ao escritor brasileiro:

  10. 40

    CEFET-MG 2010

    “[...] E a mesma dança na sala No Canecão na TV  E quem não dança não fala  Assiste a tudo e se cala Não vê no meio da sala As relíquias do Brasil:   Doce mulata malvada Um elepê de Sinatra Maracujá mês de abril Santo barroco baiano Superpoder de paisano Formiplac e céu de anil Três destaques da Portela Carne-seca na janela Alguém que chora por mim Um carnaval de verdade Hospitaleira amizade Brutalidade jardim   Ê bumba iê, iê, boi Ano que vem mês que foi Ê bumba iê, iê, i É a mesma dança, meu boi [...]” NETO, Torquato. Geleia Geral (1968). In Destino: poesia, p. 109.   No fragmento do poema acima, observam-se as seguintes características do Tropicalismo, EXCETO:

  11. 41

    UEPG 2016

    Sobre o fragmento a seguir, do romance O Filho Eterno, assinale o que for correto.  "[...] O pai começa a perceber que todas as crianças especiais são diferentes umas das outras de um modo mais radical do que no mundo do padrão da normalidade. Os estímulos sobrecarregados que recebem (elas ouvem a palavra "não" milhares de vezes a mais do que qualquer pessoa normal), o nível sempre diferente do aparato neurológico de recepção e a falta de referências ao longo da vida cotidiana, tudo isso vai criando essa solidão especial, a um tempo derramada, afetiva e inexpugnável, que às vezes explode em agressividade surda. No caso dele, é como se o desespero de normalidade que assombrava o pai passasse também ao filho, cujas únicas balizas eram as do pai, não as dele mesmo, em nenhum momento. Como se o filho não tivesse nenhuma medida própria; como se ele não tivesse cabeça para desenvolvê-la, o que é absurdo. [...]”.   1) Este fragmento demonstra que o personagem pai começa a aceitar a diferença de seu filho ante sua própria diferença. As crianças especiais são diferentes umas das outras. Este dado difere de outros momentos iniciais da narrativa em que o filho era visto, pelo pai, como um "mongoloide" típico. 2) Este fragmento demonstra que o mundo das referências de uma criança dita especial e de uma criança dita normal é exatamente o mesmo. Se uma criança especial como Felipe explode em agressividade surda, é apenas pelo desespero de normalidade que assombra seus pais que não creem em sua superação em grupo, o que é apenas uma questão simbólica da subjetividade familiar e não uma questão fisiológica. 3) Este fragmento aponta que uma criança especial sofre mais interdições ao longo de sua vida. 4) Este fragmento mostra que a criança especial sente-se e reconhece-se – ao lado de outras crianças como ela – uma criança passiva e sem diferenças, sobretudo quando passa a partilhar de uma escola especializada. 5) Este fragmento ilustra, ao falar de uma "solidão especial" das crianças anormais, uma situação emotiva diferenciada advinda, igualmente, como constructo familiar em uma sociedade em que o padrão da normalidade é vigente.   A sequência correta é:

  12. 42

    UFRGS 2011

    Assinale a alternativa correta, sobre o romance O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza.

  13. 43

    ACAFE 2015

    Sobre a obra Agosto, de Rubem Fonseca, é correto o que se afirma em:

  14. 44

    UNIFESP 2008

    Que se chama solidão Chão da infância. Algumas lembranças me parecem fixadas nesse chão movediço, as minhas pajens. Minha mãe fazendo seus cálculos na ponta do lápis ou mexendo o tacho de goiabada ou ao piano; tocando suas valsas. E tia Laura, a viúva eterna que foi morar na nossa casa e que repetia que meu pai era um homem instável. Eu não sabia o que queria dizer instável mas sabia que ele gostava de fumar charutos e gostava de jogar. A tia um dia explicou, esse tipo de homem não consegue parar muito tempo no mesmo lugar e por isso estava sempre sendo removido de uma cidade para outra como promotor. Ou delegado. Então minha mãe fazia os tais cálculos de futuro, dava aquele suspiro e ia tocar piano. E depois, arrumar as malas. — Escutei que a gente vai se mudar outra vez, vai mesmo? perguntou minha pajem Maricota. Estávamos no quintal chupando os gomos de cana que ela ia descascando. Não respondi e ela fez outra pergunta: Sua tia vive falando que agora é tarde porque a Inês é morta, quem é essa tal de Inês? Sacudi a cabeça, não sabia. Você é burra, Maricota resmungou cuspinhando o bagaço. (...) — Corta mais cana, pedi e ela levantou-se enfurecida: Pensa que sou sua escrava, pensa? A escravidão já acabou!, ficou resmungando enquanto começou a procurar em redor, estava sempre procurando alguma coisa e eu saía atrás procurando também, a diferença é que ela sabia o que estava procurando, uma manga madura? Jabuticaba? Eu já tinha perguntado ao meu pai o que era isso, escravidão. Mas ele soprou a fumaça para o céu (dessa vez fumava um cigarro de palha) e começou a recitar uma poesia que falava num navio cheio de negros presos em correntes e que ficavam chamando por Deus. Deus, eu repeti quando ele parou de recitar. Fiz que sim com a cabeça e fui saindo, Agora já sei. (Lygia Fagundes Telles, Invenção e Memória.) O texto de Lygia Fagundes Telles apresenta marcas características do projeto literário da autora, ligado à ficção  

  15. 45

    PUC-MG 2012

    TEXTO 1 LÍNGUA Caetano Veloso Gosto de sentir a minha língua roçar A língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar A criar confusões de prosódia E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade E quem há de negar que esta lhe é superior? E deixe os Portugais morrerem à míngua "Minha pátria é minha língua" Fala Mangueira! Fala! Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer O que pode Esta língua? [...] A língua é minha pátria E eu não tenho pátria, tenho mátria E quero frátria [...] TEXTO 2 Aula de português Carlos Drummond de Andrade A linguagem na ponta da língua, tão fácil de falar e de entender. A linguagem na superfície estrelada de letras, sabe lá o que ela quer dizer? Professor Carlos Góis, ele é quem sabe, e vai desmatando o amazonas de minha ignorância. Figuras de gramática, esquipáticas, atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me. Já esqueci a língua em que comia, em que pedia para ir lá fora, em que levava e dava pontapé, a língua, breve língua entrecortada do namoro com a prima. O português são dois; o outro, mistério.   Leia as considerações acerca do emprego da palavra língua nos trechos sublinhados. É INCORRETO afirmar que

  16. 46

    FCMMG 2008

    FALÊNCIA MÚLTIPLA - Alô? - E aí, Guilhermão, beleza? - Tamo aí. - Ué, que voz é essa, meu? - Farinstringovocalite oculta superior. - Que que é isso? - Um agrupamento sintomático das cordas vocais... - Ih, eu heim? Tá arrumando o quê? - Tô aqui lendo umas bulas... - Bulas? Larga disso, meu. Squash, cinco horas? - Dá não. - Cinco e meia, então? - Não, não rola, não. - Ué, por quê? Que que houve? - Lembra daquele inchaçozinho na lateral do meu tornozelo? - Sim, e daí? - Sabe o que é, na verdade? Espondiloartropatia soronegativa. - Como é que é? - É isso mesmo, espondiloartropatia. - Que droga é essa, ô Guilhermão? - Uma degeneração da coluna vertebral. Complicadíssimo! Ramifica até no tornozelo! - Que é isso? Mas, então, um tenizinho dá, né? Duplinha no saibrozinho relax, seis horas? Joguinho light... - Ih, rapaz, no way. Sabe aquelas manchas no meu couro cabeludo? - Pô, Guilhermão, e eu vou lá ficar reparando na sua careca, pô? - Então, artrite psoriática crônica irremissível. - Como é? Artrite o quê? - Psoriática crônica irremissível. Provocou uns inchaços nas articulações dos meus dedos do pé. - Mas o que tem a ver a mancha na careca com o inchaço nos dedos? Não tô entendendo... - Também não. Diz o médico que é a mesma doença, psoríase nas articulações. - Porra, que droga, hein? - Uh! - Mas então, pedalar dá, né? Não tem impacto! Cinco horas? Se quiser, te pego aí. Tô de Van hoje... - Quem dera! - O que foi agora? - Austarotrombose servofrontal menisquiana. - Mas, que merda, Guilhermão! Essa droga pega, é? - É uma descamação da cartilagem protetora do menisco. Tá doendo sem parar... - Que saco, pô! Então sobrou piscina, né? Vamos lá no Minas. À tardinha, lá fica vazio. Crowzinho básico e peito? - Otite. - O quê? - Estou absolutamente proibido de nadar. Tô com otite externa acentuada e micose nos dois ouvidos. Água, nem pensar. - Pô, é só tapar os ouvidos com silicone. - Sou alérgico a silicone. Coça até sangrar! - Porra, que saco, hein? Vou te falar, viu? Então vamos fazer o seguinte: vamos esquecer esse papo de esporte e vamos logo pra birita; que tal um scottish no Pizzarela? - Impossível. Tô com colienlite imunocéptica centrífuga no duodeno. - Como é que é essa droga aí? - Isso mesmo. Oito antibióticos por dia. Nada de drinques por seis meses. - Mas que merda! Escuta aqui, já pensou na possibilidade de você ser de outro planeta? Só pode! Que saco, hein? Porra! - Se fosse, eu tava perdido. Quem ia me tratar? - Sei lá, alguém lá da Nasa, alguma merda de arqueólogo... - Taí, por que você não vem aqui pra casa, pra gente jogar dama? - O quê? Jogar dama? Na sua casa? Não dá. Não dá mesmo! No way! - Ué, não dá por quê? - Falência múltipla do meu saco! (KAVERA. Bazófias peristálticas - crônicas de botequim. São Paulo: Marco Zero, 2005. pp.43-45)   O texto NÃO se caracteriza por conter:

  17. 47

    FCMMG 2007

    PARAÍSOS ARTIFICIAIS   Combalido por terrível gripe, arrastei entre gemidos e lamúrias quatro dias de calvário – uma eternidade. Preso à cama com a fraqueza de famélicas crianças africanas, senti no meu frágil corpo as mesmas dores dos trucidados pela Inquisição e ardi com a febre que queima os pecadores no inferno – fácil ver que não tem limites a minha teatral autopiedade diante do mais trivial desconforto. Nenhuma mulher deixaria de ir à praia com a mesma gripe e, no seu peculiar estoicismo, ainda debocharia do meu queixume de condenado à morte. Tanto sofrimento contaminou tudo o que disse, pensei e escrevi naqueles dias, e expôs vergonhosa nódoa na resistência e bravura que se atribui aos homens. Admito, com o cinismo dos covardes, que resisto com rara galhardia à dor moral, mas, à dor física, me torno um verme – eu e os bravos da terra. A dor me faz paciente obediente, leitor atento de bulas, pontual usuário da medicação, além de anotar sugestões de amigos que ligam para saber do meu estado – “Muito mal; não pode ser só gripe, é muito mais grave, temo até que a minha hora esteja chegando” – e nunca deixam de sugerir a última novidade suíça, americana ou amezinha da tia Filó, de Cachoeira de Macacu. De tão ligado em remédio percebi o óbvio, mas que ainda não notara: a insana voracidade com que se usa remédio. O que se guardava no armário de banheiro, para uso eventual, agora está à mão em bolsos e bolsas, como cigarros e chicletes. Dor de cabeça ou muscular, resfriado, azia, má digestão, a pílula vai do bolso à boca sem interromper o papo. Droga virou dropes. A doença se banalizou – por isso não dão a mínima para a minha gripe! Ninguém mais fica cansado, mas estressado; não se tem medo, tem-se fobia. Alguém fica triste? Nunca, fica deprimido. Estados e emoções, antes normais aos seres humanos, ficaram démode. Agora, se fica logo doente: a patologia tomou o lugar da saúde. A clássica cólica mensal, nascida com Eva, hoje TPM – mal grave, de repercussões emocionais, aceito como atenuante criminal, requer Buscopan na bolsa. Se o incômodo for inoportuno, pode-se antecipar, adiar e até erradicar a menstruação. Executivo que não perde oportunidade de negócio leva no bolso camisinha, lenço de papel e Viagra – que, aliás, está bombando! Angustiado? – sua paz cabe no bolso de moeda. Insônia? Há pílulas cronometradas: dorme-se quanto se queira. Sonolento de manhã? Pílulas para reanimar. Acima do peso? Além de spas e zilhões de dietas, o Xenical está bombando – a gordura se esvai em horas e costuma arrastar até a alma. Para prova na faculdade, entrevista profissional, exame de motorista, intimação da Receita Federal, conhecer a pessoa desejada e até medo de avião – há dezenas de bolinhas para cada caso. Há festa à vista e rola um desânimo, os xaropes estimulantes – drogas ilegais são caras! – estão na farmácia! Se o olhar está nublado, colírios fazem deles estrelas cintilantes. Se rolar desgosto, tristeza ou apatia, aos antidepressivos já! – o Prozac está bombando – e você será a própria euforia. Se for o caso, comprimidos abreviam a dor do luto. Se pretender beber na festa, engula um antes de ir; se bebeu demais, outro antes de voltar; e outro se comeu demais – sem se esquecer daquele que evita a ressaca! Se cogita uma esticada, pílula anticoncepcional na barriga e camisinha à mão. Para os satisfeitos e os gulosos, Viagra na carteira! Mas se o interesse for outro esporte, excitantes e anabolizantes garantem recordista em tempo recorde. O remédio pode maquiar tudo: o corpo, a aparência, a personalidade e o humor! Com Prozac, Xenical e Viagra bombando – sem falar nos prodígios que vêm por aí -, não é feliz quem não quer. Acabaram-se os problemas psicológicos, crises do espírito, dramas de consciência, dúvidas da alma: a medicina resolveu tudo! E não só da vida, da morte também: onde admitem a eutanásia, remédios asseguram morte sem dor, aflição nem medo. Realizamos, enfim, o sonho inatingível: a certeza da vida feliz e o conforto extremo da morte também feliz. Após milhões de anos na Terra, o homem, que hesita se é um corpo ou tem um corpo, respondeu a milenar indagação sobre o mistério da felicidade humana: para ter saúde e ser feliz, não podemos viver sem remédios! Com essa revelação voltei para a cama. Bendisse a minha febre, o meu corpo dolorido e a minha gripe – mesmo que ela ameace meus dias de vida. Voltei a gemer e lamuriar como um covarde diante da dor. Mas acho que entendi o que Baudelaire, falando sobre o delírio provocado pelas drogas, chamou de paraísos artificiais.   (Alcione Araújo , Estado de Minas , 15-5-2006)     Assinale a opção em que haja INCORREÇÃO entre o tópico e a exemplificação.

  18. 48

    FCMMG 2007

    Zzzzzzzzzzzzz Os britânicos adoram conselhos. Não desses que as campanhas institucionais divulgam pela televisão (“Cuidado, não beba”), ou os amigos dão no botequim (“Vai, pede mais um chope, rapaz!”), mas aqueles em que vários indivíduos se reúnem, em caráter oficial, ou por aí, a fim de executar ou estudar determinado assunto.   Por aqui, tem conselho de tudo. O Conselho do Sono é um bom exemplo. As regras do cronista medíocre ditam que, a esta altura das ponderações, estando eu na Grã-Bretanha, deveria abrir um parágrafo e citar o Cisne de Avon, o Bardo Imortal e outros lugares-comuns, mais conhecido como Shakespeare: “Dormir, sonhar talvez”. Sem etcéteras.   Tento a originalidade e me agarro a Cervantes: “Bendito aquele que inventou o sono, o manto que cobre todos os pensamentos humanos”.    No que então, finalmente, acordado e aceso, vou ao assunto. O Conselho do Sono (Sleep Council) em pesquisa recente revelou que, entre a população destas ilhas, há profundas diferenças, e dorme-se de acordo com a profissão praticada.   No alto da lista, estão esses magníficos dorminhocos que são os advogados. Dormem uma média de sete horas e quarenta minutos por noite. Vinte por cento deles chegam às dez horas de sono. Deve ser bom, embora cansativo, ser advogado.   No penúltimo lugar da lista, estão – vejam vocês – os ilustres parlamentares. Não vão além das cinco horas e vinte minutos por noite. Quem foi que disse que política não é profissão de sacrifício? O Conselho do Sono, no entanto, não conta as cochiladas tiradas por eles no decorrer de chatíssimos papos ou discussões nas câmaras, tanto a dos Comuns quanto a dos Lordes.   Em último lugar da lista dos que se entregam aos braços de Morfeu (resolvi não poupar lugar-comum ou frase-feita), estão os médicos, cuja vida profissional exige a decantada (olha outro lugar-comum) eterna vigilância na espera da ambulância (só para – quase – rimar).   O Conselho do Sono, de posse desses dados fascinantes, chega à conclusão de que todo mundo, não importa a profissão, precisa de uma boa noite de sono, embora não mencione se com ou sem sonho, já que isso é com outro conselho.   E por falar em conselho, olha a marmelada aí, digo eu, indo agora de gíria antiga. O Conselho do Sono é subsidiado pela Federação Nacional de Camas. Como todos sabem, uma boa noite de sono tem de se passar em cama com colchão, lençol e travesseiro.   Menos no caso excepcional de nossos nordestinos, esses fortes, que preferem uma boa rede. Que, entre outras coisas, tem a vantagem de só ser montada com imensa dificuldade no plenário de uma câmara. (LESSA, Ivan . O luar e a rainha São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p.285)     É CORRETO afirmar que, entre os recursos empregados no desenvolvimento do texto, NÃO se inclui:

  19. 49

    PUC-SP 2017

    “Virou-se para Teoria. Este ainda não dormia. Sem Medo segredou-lhe: — O que conta é a ação. Os problemas do Movimento resolvem-se, fazendo a ação armada. A mobilização do povo de Cabinda faz-se desenvolvendo a ação. Os problemas pessoais resolvem-se na ação. Não uma ação à toa, uma ação por si. Mas a ação revolucionária. O que interessa é fazer a Revolução, mesmo que ela venha a ser traída.” Pepetela. Mayombe. São Paulo: Leya, 2013, p. 237. O trecho, extraído de um romance angolano, refere-se à luta do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), na década de 1970, pela independência de Angola. Nessa obra de ficção, aparecem diversos temas presentes nesse conflito. Entre eles,

  20. 50

    PUC-MG 2014

    “Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa. Como seria o coração? Teria mesmo aquela forma bonita dos postais coloridos? Seriam todos os corações do mesmo formato? Será que as dores deformam os corações? [...] Aos vinte e três anos disseram-lhe que tinha o útero descaído. Bom seria que caísse de vez! Estava farta daquele bocado de si que ano após ano, enchia, inchava, desenchia e lhe atirava para os braços e para os cuidados mais um pedacinho de gente. Não. Não voltaria para casa.” (SALÚSTIO, Dina. “Liberdade adiada”. Mornas eram as noites. Praia: ICDL, 1994. p. 5). O trecho acima foi escrito pela escritora cabo-verdiana Dina Salústio. Em relação ao universo feminino representado na narrativa, destaca-se: 

  21. 51

    PUC-MG 2015

    A explosão até acordou os pássaros adormecidos nas árvores e os peixes devagarosos do mar — aconteceram cores de um carnaval nunca visto, amarelo misturado com vermelho a fingir que é laranja num verdeazulado, brilhos a imitar a força das estrelas deitadas no céu e barulho tipo guerra dos aviões Mig. Era afinal uma explosão bonita de ser demorada nos ruídos das cores lindas que os nossos olhos olharam para nunca mais esquecer. Nós, as crianças, ficamos a olhar o céu se encher de umas maravilhas acesas como se todos os arco-íris do mundo tivessem vindo a correr fazer um brinde no teto de nossa cidade escura de Luanda. Uma explosão podia ser tão bonita, e as nossas bocas abertas testemunhavam um silêncio de pessoas perto de um barulho desenhado nas alturas dos pássaros todos que nessa noite aprenderam que o mundo era um lugar muito estranho, com pessoas de tantas nacionalidades e que em Luanda tudo podia mesmo acontecer de repentemente. ONDJAKI. AvóDezanove e o segredo do soviético. Lisboa: Editorial Caminho, 2008 A figura de estilo utilizada está CORRETAMENTE identificada nos parênteses em

  22. 52

    PUC-MG 2015

    Chão palavras para Manoel de Barros apetece-me des-ser-me; reatribuir-me a átomo. cuspir castanhos grãos mas gargantadentro; isto seja: engolir-me para mim poucochinho a cada vez. um por mais um: areios. assim esculpir-me a barro e re-ser chão. muito chão. apetece-me chãonhe-ser-me. (ONDJAKI. Há prendisajens com o xão. Lisboa: Editorial Caminho, p. 11).   No poema, logo abaixo do título, há uma dedicatória ao poeta brasileiro Manoel de Barros, conhecido por sua escrita peculiar, que, dentre outros fatores, mescla falares e expressões regionais a elementos do universo onírico e infantil. Considerando a presença de tais fatores no poema de Ondjaki, essa referência intertextual caracteriza uma:

  23. 53

    UEMG 2016

    Os princípios da conversa   José Luiz Fiorin   As condições gerais de linguagem que permitem fazer inferências na troca verbal     Uma anedota conhecida conta que um agente alfandegário pergunta a um passageiro que desembarcara de um voo internacional e passava pela aduana:   – Licor, conhaque, grapa...?   O passageiro responde:   – Para mim, só um cafezinho.   A graça da piada reside no fato de que o passageiro fez, propositadamente ou não, uma inferência errada nessa situação de comunicação. Inferiu que o fiscal aduaneiro lhe oferecia um digestivo, como no final de uma refeição num restaurante, quando, na realidade, a inferência correta é se ele trazia alguma bebida alcoólica na bagagem. Ele violou o princípio de pertinência que rege o uso da linguagem.   Chama-se inferência pragmática aquela que resulta do uso dos princípios que governam a utilização da linguagem na troca verbal. Paul Grice (1975) postula que um princípio de cooperação preside à comunicação. Ele enuncia-se assim: sua contribuição à comunicação deve, no momento em que ocorre, estar de acordo com o objetivo e a direção em que você está engajado.   Categorias   Esse princípio é explicitado por quatro categorias gerais – a da quantidade das informações dadas, a de sua verdade, a de sua pertinência e a da maneira como são formuladas, que constituem as máximas conversacionais. (...)   Não são regras   Pode-se infringir uma máxima para não transgredir outra, cujo respeito é considerado mais importante.   No exemplo que segue, a resposta do interlocutor viola a máxima da quantidade para não desobedecer à da qualidade:   – Onde João trabalha? Ele saiu daquela firma?   – No Rio de Janeiro.   Com efeito, quem pergunta quer de fato saber é a firma onde João presta serviços. A resposta mais vaga permite inferir que o interlocutor não sabe exatamente onde João trabalha.   Pode-se explorar a infringência de uma máxima com vistas a criar um dado efeito de sentido. Por exemplo, a ironia é a exploração de uma transgressão da máxima da qualidade. O que o texto irônico está dizendo não é verdade. Deve-se entendê-lo pelo avesso. No exemplo que segue, “modesto” quer dizer o oposto:   “‘Tenho uma voz conhecida, então não é qualquer narrador, é o Falabella contando a história’, diz o modesto autor-locutor” (+ Miguel Falabella) (Veja, 11/1/2012, p. 109)   MÁXIMAS CONVERSACIONAIS   Máximas da quantidade   a) Que sua contribuição contenha o tanto de informação exigida;   b) Que sua contribuição não contenha mais informação do que é exigido.   Máximas da qualidade (da verdade)   a) Que sua contribuição seja verídica;   b) Não diga o que pensa que é falso;   c) Não afirme coisa de que não tem provas.   Máxima da relação (da pertinência)   Fale o que é concernente ao assunto tratado (seja pertinente).   Máximas de maneira   Seja claro.   a) Evite exprimir-se de modo obscuro;   b) Evite ser ambíguo;   c) Seja breve (evite a prolixidade inútil);   d) Fale de maneira ordenada. http://revistalingua.com.br/textos/100/artigo304577-1.asp. (Adaptado).     Em conformidade com a explicação dada pelo texto, é correto afirmar que os diálogos citados no texto I contêm exemplos de desobediência à máxima da

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    UNICENTRO 2009

    MEU IDEAL SERIA ESCREVER Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse – “ai meu Deus, que história mais engraçada!” E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria – “mas essa história é mesmo muito engraçada!” Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má- vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos. Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera, a minha história chegasse – e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria, que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse – “por favor, se comportem, que diabo! eu não gosto de prender ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história. E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago – mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente, e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la: essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem: foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto: sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento: é divina.” E quando todos me perguntassem – “mas de onde é que você tirou essa história?” – eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi, por acaso, na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história...” E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro. (Rubem Braga. 200 Crônicas Escolhidas 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1978, p. 287-8).   Marque a afirmativa FALSA.

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    UEMS 2006

    Livro   1- Tropeçavas nos astros desastrada Quase não tínhamos livros em casa E a cidade não tinha livraria Mas os livros que em nossa vida entraram 5-  São como a radiação de um corpo negro Apontando para a expansão do Universo Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso (E, sem dúvida, sobretudo o verso) É o que pode lançar mundos no mundo. 10-Tropeçavas nos astros desastrada Sem saber que a ventura e a desventura Dessa estrada que vai do nada ao nada São livros e o luar contra a cultura.   Os livros são objetos transcendentes 15- Mas podemos amá-los do amor táctil Que votamos aos maços de cigarro Domá-los, cultivá-los em aquários, Em estantes, gaiolas, em fogueiras Ou lançá-los pra fora das janelas 20- (Talvez isso nos livre de lançarmo-nos) Ou, o que é muito pior, por odiarmo-los Podemos simplesmente escrever um:     Encher de vãs palavras muitas páginas E de mais confusão as prateleiras. 25- Tropeçavas nos astros desastrada Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.     Na segunda estrofe, ao aproximar a expressão “nos astros desastrada” da expressão “a ventura e a desventura”, Caetano Veloso acrescenta ao vocábulo “desastrada”, além dos sentidos “deselegante, desajeitado, inábil”, as seguintes acepções: “sem astro, desafortunada”, ou seja, “des-astrada”. Ao terminar o poema com os versos: “Tropeçavas nos astros desastrada / Mas para mim foste a estrela entre as estrelas.”, o autor observa que sua interlocutora transformou-se, de uma menina desajeitada e desafortunada, na maior de todas as estrelas. Para conseguir esses efeitos de sentido, o autor considerou os seguintes aspectos lingüísticos:  

  26. 56

    UEMS 2010

    TEXTO 1: Trem do Pantanal Enquanto este velho trem atravessa o pantanal As estrelas do cruzeiro fazem um sinal De que este é o melhor caminho Pra quem é como eu, mais um fugitivo da guerra   Enquanto este velho trem atravessa o pantanal O povo lá em casa espera que eu mande um postal Dizendo que eu estou muito bem vivo Rumo à Santa Cruz de La Sierra   Enquanto este velho trem atravessa o pantanal Só meu coração está batendo desigual Ele agora sabe que o medo viaja também Sobre todos os trilhos da Terra Rumo à Santa Cruz de La Sierra     TEXTO 2:   Lá vem um trem. correndo vem. fazendo curva, jogando apito, cheio de trem.       Em referência aos dois textos, pode-se afirmar que ambos I. aproximam-se da estética modernista pela simplicidade da linguagem, valorização do cotidiano e de temas prosaicos, incorporação do presente, do progresso e da máquina. II. buscam extrair da linguagem efeitos sonoros, o que se verifica no emprego de assonâncias, aliterações, rimas e na repetição de palavras. III. apresentam duas tendências que se manifestam no modernismo brasileiro: uma de caráter introspectivo, de afirmaçãode valores espirituais e, outra, social.   É verdadeiro o que se afirma em

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    UNIR 2011

    A raça humana A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus A raça humana é ferida acesa Uma beleza, uma podridão O fogo eterno e a morte A morte e a ressurreição A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus A raça humana é o cristal de lágrima Da lavra da solidão Da mina, cujo mapa Traz na palma da mão A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus A raça humana risca, rabisca, pinta A tinta, a lápis, a carvão, a giz O rosto da saudade Que traz do Gênesis Dessa semana santa Entre parênteses Desse divino oásis Da grande apoteose Da perfeição divina Na Grande Síntese A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus (GIL, Gilberto. CD Raça Humana.)   Nessa letra, a reflexão se faz sobre um tema que desde sempre inquieta o ser humano. Assinale a alternativa que apresenta tal tema.

  28. 58

    UNIR 2011

    A raça humana A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus A raça humana é ferida acesa Uma beleza, uma podridão O fogo eterno e a morte A morte e a ressurreição A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus A raça humana é o cristal de lágrima Da lavra da solidão Da mina, cujo mapa Traz na palma da mão A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus A raça humana risca, rabisca, pinta A tinta, a lápis, a carvão, a giz O rosto da saudade Que traz do Gênesis Dessa semana santa Entre parênteses Desse divino oásis Da grande apoteose Da perfeição divina Na Grande Síntese A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus (GIL, Gilberto. CD Raça Humana.) Sobre os sentidos do texto, analise as afirmativas. I - A expressão Grande Síntese, na sétima estrofe, significa raça humana. II - Na sexta estrofe, a expressão Dessa semana santa refere-se à semana da criação do mundo. III - A metáfora em A raça humana é ferida acesa remete à morte. IV - As expressões trabalho de Deus e traz do Gênesis comprovam a abordagem mítica do tema. Estão corretas as afirmativas

  29. 59

    MILTON CAMPOS 2012

    Eu me sinto um dinossauro. Surpreso, mas fascinado com este mundo em turbilhão. Vou fazer 60 anos em dezembro. Quase tudo que me cerca era inimaginável quando eu era criança. O mundo foi reinventado diante de mim, estes anos todos. Na minha infância, em Marília, no interior de São Paulo, não havia televisão. Telefone só para a elite. Era preciso se inscrever e aguardar cinco, seis anos para a instalação de uma linha. Ou comprá-la a peso de ouro, de alguém que a transferisse, manobra impensável para minha família de orçamento limitadíssimo. Hoje o mundo é dos celulares. Recentemente, meu aparelho caiu no chão e quebrou. Entrei em surto até conseguir outro, novinho, em que coloquei o mesmo chip. Aposto que já tem psicólogo tratando crise de abstinência de celular. A primeira televisão de minha família, quando me mudei para São Paulo, aos 15 anos, era em preto e branco. O tempo voou. E com ele as invenções se insinuaram na minha vida: TV colorida, CD, videocassete, DVD e Blu-ray. Quando dou palestras em escolas, tento explicar como era a vida sem e-mail e videogame. Crianças e adolescentes me encaram desconfiados. Devem achar que sou maluco. Estão certos que não havia civilização antes do Google e da Apple. Já pensei em criar um conto de fadas para explicar. Algo assim:  – Há muitos e muitos anos, em um tempo em que não existiam email, Twitter ou Facebook, vivia uma linda princesa...  Decidi ser escritor aos 12 anos, quando descobri os livros de Monteiro Lobato, emprestados por uma vizinha. Sonhava com uma máquina de escrever. Ainda lembro da tarde, aos 13 anos, em que meu pai subiu as escadas de nosso sobradinho e anunciou o presente: uma Olivetti portátil, comprada à prestação. Papai era ferroviário, e a máquina pesou nas contas. Mas eu queria ser escritor, o que fazer? Em seguida me inscreveu num curso de datilografia, em que aprendi a batucar o teclado com todos os dedos. (Os cursos de datilografia também sumiram, junto com as máquinas de escrever, é claro.)  Agradeço papai para sempre. Hoje sou autor da Rede Globo. Escrevo os capítulos das novelas com muita velocidade. Sorte minha ser datilógrafo formado.  Comprei meu primeiro computador pessoal com pouco mais de 30 anos. O protecionismo nacional na área de informática era absurdo. O tal computador parecia movido a lenha. Mas adorei. Principalmente porque acabou a guerra com os vizinhos do prédio que não suportavam o plec, plec, plec da máquina, pois sempre escrevi de madrugada. Na ocasião, eu trabalhava como editor em uma grande revista. Um colega torceu o nariz. Achava o computador algo muito esquisito. Mostrei a enorme redação repleta de máquinas de escrever. Banquei o futurólogo:  – Um dia todas serão trocadas por computadores.  – Duvido!  Não demorou cinco anos. Assisti à informatização do jornalismo. Foi cruel, como em outras áreas. Muitos ganharam estágios para absorver a nova tecnologia. Outros não. E acabaram expelidos do mercado de trabalho. Cheguei a ajudar um ex-diretor de arte a arrumar vaga de zelador de prédio. Há uma necessidade constante de me manter atualizado. Sempre existe um novo programa, aparelho, invenção à espera. Sou autor de livros, novelas de televisão, peças de teatro, crônicas e inumeráveis artigos. Ganhei prêmios. Mas acabo derrotado por qualquer garoto de 8 anos, capaz de, diante de um modelo novo de celular, desvendar no ato programas que incineram meus neurônios.  Cursei alguns anos de faculdade de história, na Universidade de São Paulo. Tento me distanciar e entender o que se passa. Creio que, daqui a 100, 200 anos, um historiador vai olhar para a minha, a sua vida e teorizar que vivemos no bojo de uma mudança de Era. Tão profunda quanto a da Antiga para a Média e desta para a Moderna e a Contemporânea. Qual será o fato que determinou a passagem? A invenção do iPad? Steve Jobs terá a mesma importância de Colombo? Seremos, eu e você, objetos de estudo. Até neurológico.  – Como os cérebros se adaptaram a tantas mudanças?  As invenções são o aspecto mais visível de roupas, restaurantes, livros, viagens, teorias, jeitos de ser e de amar. Vou escrever sobre a realidade em contínuo movimento. Sobre nossa época, desafiadora e fascinante. E contar como meus miolos fervem ao descobrir que alguma coisa inexistente até ontem se tornou absolutamente essencial, e já não posso viver sem ela. Nos anos 1960, os hippies anunciavam o advento da Era de Aquário. Pois é. Seja qual for o nome, a Nova Era já chegou. (Walcir Carrasco – http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2011/09 - acessado em fevereiro de 2012)     Em todas as passagens, podem ser evidenciadas críticas realizadas pelo autor com humor e/ou ironia, EXCETO em:

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    UFJF 2012

    O texto a seguir é a letra de uma canção de autoria do compositor Caetano Veloso, gravada pela cantora Gal Costa, num CD lançado em 2011. Leia-o atentamente e responda.     Sexo e Dinheiro   Sexo e dinheiro são Metros do nosso egoísmo Embora os dois tenham Bem pouco mais em comum Veja os que dizem ser Guias espirituais Usam nosso temor Para ter um ou outro ou os dois Dinheiro e sexo são Mera ilusão para tais Cães   Dinheiro e sexo são Espíritos desiguais Mas desempenham funções Nos limites finais No meio a vida se dá Entre as coisas reais Dinheiro e sexo não Podem cruzar-se jamais Sexo e dinheiro são Formas de libertação Mas...   Dinheiro é uma abstração Sexo é uma concreção: luz Instância díspar sem Denominador comum Mas ambos fazem-nos ser Seres de base igual Um no começo E outro no fim: ninguém é normal Cantemos seus nomes E nos livremos do seu Mal   (VELOSO, Caetano. In: COSTA, Gal. Recanto . CD . Universal Music , 2011)     Releia a segunda estrofe e indique qual é a antítese que melhor apresenta o sentido da expressão “limites finais”:

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