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  1. 61

    UFJF 2012

    Texto I Uma noite em 67 Era 21 de outubro de 1967. No Teatro Paramount, centro de São Paulo, acontecia a final do III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Diante de uma plateia fervorosa - disposta a aplaudir ou vaiar com igual intensidade -, alguns dos artistas hoje considerados de importância fundamental para a MPB se revezavam no palco para competir entre si. As canções se tornariam emblemáticas, mas até aquele momento permaneciam inéditas. Entre os 12 finalistas, Chico Buarque e o MPB 4 vinham com “Roda Viva”; Caetano Veloso, com “Alegria, Alegria”’; Gilberto Gil e os Mutantes, com “Domingo no Parque”; Edu Lobo,  com “Ponteio”; Roberto Carlos, com o samba “Maria, Carnaval e Cinzas”; e Sérgio Ricardo, com “Beto Bom de  Bola”. A briga tinha tudo para ser boa. E foi. Entrou para a história dos festivais, da música popular e da cultura do País. “É naquele momento que o Tropicalismo explode, a MPB racha, Caetano e Gil se tornam ídolos instantâneos, e se confrontam as diversas correntes musicais e políticas da época”, resume o produtor musical, escritor e compositor Nelson Motta. O Festival de 1967 teve o seu ápice naquela noite. Uma noite que se notabilizou não só pelas revoluções artísticas, mas também por alguns dramas bem peculiares, em um período de grandes tensões e expectativas. Foi naquele dia, por exemplo, que Sérgio Ricardo selou seu destino artístico ao  quebrar o violão e atirá-lo à plateia depois de ser duramente vaiado pela canção “Beto Bom de Bola”. O documentário Uma Noite em 67, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, mostra os elementos que transformaram aquela final de festival no clímax da produção musical dos anos 60 no Brasil. Para tanto, o filme resgata imagens históricas e traz depoimentos inéditos dos principais personagens: Chico, Caetano, Roberto, Gil, Edu e Sérgio Ricardo. Além deles, algumas testemunhas privilegiadas da festa/batalha, como o jornalista Sérgio Cabral (um dos jurados) e o produtor Solano Ribeiro, partilham suas memórias de uma noite inesquecível.   Notas da imprensa "Para quem viveu aqueles anos, trata-se de um passeio pela memória; para quem, daquelas canções, conhece apenas as lendas (...), o filme é um passeio pelo Brasil que fez manifestação contra a guitarra elétrica e, calado pela ditadura, parecia disposto a vaiar quem quer que fosse, de Roberto Carlos a Caetano Veloso" (Ana Paula Sousa – Folha de S. Paulo) "Contra a azia e a má digestão causadas pelas recentes falas de dois generais, existe um antiácido. Trata-se do documentário "Uma Noite em 67", de Renato Terra e Ricardo Calil (...). É uma deliciosa viagem" (Zuenir Ventura – O Globo) . "O filme faz uma excepcional prospecção de imagens da época e acerta ao preservar as apresentações completas dos concorrentes" (Luiz Zanin – O Estado de S. Paulo)inesquecível. "O filme é mais do que ‘musical’. É político, ideológico. Foi, para mim, uma experiência visceral." (Luiz Carlos Merten – O Estado de S. Paulo) "Um programa de TV? Um ringue de luta? Uma festinha doméstica de fim de ano? Ou um microcosmo da cultura em transformação? O festival foi tudo isso e muito mais. O filme o rememora mediante reflexões reveladoras, contradições expostas e informações inéditas de bastidores. Não precisa mais que isso para se ter um bom documentário." (Carlos Alberto Mattos) "'Uma Noite em 67' é um documentário sobre seis canções. Simples assim. O complexo, na história do filme e do Brasil, é que em torno dessas apresentações giraram e ainda giram as questões mais essenciais da nossa cultura popular." (Carlos Nader, documentarista - Trip) "Nos divertimos muito vendo o documentário “Uma Noite em 67”. O formato é simples, alternando imagens da época com depoimentos recentes dos cantores, mas generoso em detalhes." (Daniel Piza, O Estado de S. Paulo) (...)   Contexto histórico Entre 1965 e 1972, o Brasil viveu o auge do que ficou conhecido como a Era dos Festivais. Organizados pelas TVs Record, Excelsior, Globo e Rio em forma de programas de auditório, os festivais eram grandes competições da música brasileira que se mostraram capazes de mobilizar a população tanto quanto uma disputa de clássicos no futebol. Nesses programas, novos compositores e intérpretes ganhavam  espaço para mostrar seu talento. Nomes como Elis Regina, Jair Rodrigues, Edu Lobo, Nara Leão, Chico Buarque, Caetano Veloso, Jorge Ben e Raul Seixas emocionaram multidões em apresentações históricas, sedimentaram suas carreiras e ajudaram a fazer a transição do intimismo da bossa nova e do samba-canção para a encruzilhada de possibilidades da MPB. Tradição e modernidade se desentenderam e fizeram as pazes nos festivais – especialmente no da TV Record, de 1967, no qual as tensões políticas do País ajudaram a esquentar uma já quente briga. O saldo da edição foi um violão quebrado, uma MPB inaugurada e algumas canções imortalizadas. http://www.sampaonline.com.br/colunas/elmo/coluna2001set14.htm http://www.umanoiteem67.com.br/o-filme-2.html     Texto II "Uma Noite em 67" é o tipo do filme que levanta o público e Terra e Calil já se acostumaram a ver espectadores exaltados - e eufóricos com o que para muitos ainda é uma novidade. "Uma Noite em 67" dirige seu foco para a noite de encerramento do Festival da Record de 1967, talvez o mais emblemático dos festivais de música ocorridos no País. Algo decisivo ocorreu naquela noite. O Brasil vivia sob uma ditadura e o palco virou cenário de uma disputa ideológica. A guerra da canção de protesto com a guitarra elétrica, símbolo da dominação imperialista, que Gilberto Gil usou em "Domingo no Parque". Colocar guitarra elétrica na MPB era considerado de direita. Os artistas de raiz, contrários à guitarra, eram de esquerda. Houve um clima de radicalismo - um Fla-Flu musical, como define Calil. "Não quisemos fazer um filme didático, mas trabalhar o emocional, entregando ao público um documentário que as pessoas precisam completar." E elas completam - e como! Quatro músicas dominavam a competição - "Ponteio", "Domingo no Parque", "Roda Viva" e "Alegria, Alegria". "Até hoje elas polarizam as opiniões. Tem gente que reclama por que Alegria, Alegria não ganhou, ou Roda Viva". O público que viveu a época agradece aos diretores por trazê-la de volta. Os jovens, porque o filme os projeta num mundo que não conheceram. http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,uma-noite-em-67-revive-festival-de-musica-da-record,588109,0.htm   No texto I, fala-se da “guerra” contra a guitarra elétrica. No texto II, justifica-se essa manifestação do público, falando-se de “disputa ideológica”. Nesse momento da música no Brasil, a guitarra

  2. 62

    PUC-GO 2015

    I Corre em mim (devastado) um rio de revolta e cicio. Por nada deste mundo há de saber-se afogado, senão por sua sede e seu desvio!   II Tudo que edifico na origem milenar da espera é poder do que não pode e se revela   ad mensuram. (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 23-24.)     A fala da lírica de Delermando Vieira, na sua maneira enigmática e obscura, exprime as perspectivas da lírica contemporânea, que não pode ser colocada em dúvida quanto à sua significação. Nesse sentido, sua obra poética tem como prioridade a polissemia da linguagem com seus mistérios e matizes, mesmo que esse poeta seja acusado muitas vezes de enigmático. No entanto, a poesia é mesmo um enigma e um ouriço não muito acessível. Considerando a poesia de Delermando Vieira e tendo como exemplo o texto selecionado, marque a alternativa verdadeira:

  3. 63

    UNIR 2010

    Na obra Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum, a discórdia entre pai e filho – Amando e Arminto – inicia-se com a morte da mãe do menino no parto e intensifica-se porque

  4. 64

    UFRR 2016

    Eu não sabia nada de mim, como vim ao mundo, de onde tinha vindo. A origem: as origens. Meu passado, de alguma forma palpitando na vida dos meus antepassados, nada disso eu sabia. Minha infância, sem nenhum sinal da origem. É como esquecer uma criança dentro de um barco num rio deserto, até que uma das margens a acolhe. Anos depois, desconfiei: um dos gêmeos era meu pai. Domingas disfarçava quando eu tocava no assunto; deixava-me cheio de dúvida, talvez pensando que um dia eu pudesse descobrir a verdade. Eu sofria com o silêncio dela; nos nossos passeios, quando me acompanhava até o aviário da Matriz ou a beira do rio, começava uma frase mas logo interrompia e me olhava, aflita, vencida por uma fraqueza que coíbe a sinceridade. Muitas vezes ela ensaiou, mas titubeava, hesitava e acabava não dizendo. Quando eu fazia a pergunta, seu olhar logo me silenciava, e eram olhos tristes. (...)     A área que contorna o porto estava silenciosa. Na calçada da rua dos Barés dormiam famílias do interior. Vi a loja fechada e apontei o depósito, onde Halim, encostado à janelinha, contara trechos de sua vida. Minha mãe quis sentar na mureta que dá para o rio escuro. Ficou calada por uns minutos, até a claridade sumir de vez. "Quando tu nasceste", ela disse, "seu Halim me ajudou, não quis me tirar da casa... Me prometeu que ias estudar. Tu eras neto dele, não ia te deixar na rua. Ele foi ao teu batismo, só ele me acompanhou. E ainda me pediu para escolher teu nome. Nael, ele me disse, o nome do pai dele. Eu achava um nome estranho, mas ele queria muito, eu deixei... Seu Halim. Parece que a vida se entortou também para ele... Eu sentia que o velho gostava muito de ti. Acho que gostava até dos filhos. Mas reclamava do Omar, dizia que o filho tinha sufocado a Zana." Senti suas mãos no meu braço; estavam suadas, frias. Ela me enlaçou, beijou meu rosto e abaixou a cabeça. Murmurou que gostava tanto de Yaqub... Desde o tempo em que brincavam, passeavam. Omar ficava enciumado quando via os dois juntos, no quarto, logo que o irmão voltou do Líbano." Com o Omar eu não queria... Uma noite ele entrou no meu quarto, fazendo aquela algazarra, bêbado, abrutalhado... Ele me agarrou com força de homem. Nunca me pediu perdão". HATOUM, Milton. Dois Irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 54, 183-184.     Observando-se o texto no contexto do romance de Hatoum, pode-se afirmar que: 

  5. 65

    UNESPAR 2011

    Principal best-seller da Flip, Isabel Allende defende qualidade de sua obra Fabio Victor, SP – Ilustrada, 31/07/2010 (Excerto adaptado)   Em entrevista à Folha, Isabel Allende, 56 milhões de livros vendidos pelo mundo, rejeita a humildade quando provocada a comentar a motivação do convite a Flip, na próxima quinta, em Paraty, um evento que não costuma mirar autores best-sellers, mas mais aqueles com boa reputação na crítica.   “Perdoe-me a falta de modéstia, mas devo mencionar que tenho mais de 50 prêmios em mais de 16 países e 13 doutorados honoris causa pela qualidade dos meus livros, não pelo número de exemplares vendidos”, afirma a autora, que faz 68 anos na segunda-feira.   “Há uma tendência de considerar que, quando um livro tem êxito de vendas, necessariamente a qualidade é inferior. Isso é subestimar os leitores, não acha?”   Na entrevista, por e-mail, Allende – que não conhece a obra do homenageado da Flip, Gilberto Freyre – aborda os efeitos positivos da escravidão, fala do marido escritor e comenta o esgotamento do realismo mágico.   O realismo mágico que se desenvolveu fortemente nas décadas de 60 e 70 como produto de duas visões que conviviam na América hispânica e também no Brasil: a cultura da tecnologia e a cultura da superstição, surgiu também como forma de reagir, através das palavras, contra as ditaduras da região. Ele pode ser definido como a preocupação estilística e o interesse de mostrar o irreal ou estranho como algo cotidiano e comum. Apesar de aparentemente desatento à realidade, o realismo mágico tem a pretensão de dar verossimilhança interna ao fantástico e ao irreal, diferenciando-se assim da atitude niilista assumida originalmente pelas vanguardas do início do século XX, como o surrealismo. O realismo mágico está morto? Ainda há espaço para este estilo na literatura contemporânea? Por quê?   Talvez tenha se abusado do realismo mágico nos anos 1980. Os escritores e os leitores se cansaram de algo que se tornou um truque literário sem sentido. No entanto, acredito que na vida e na literatura há muito espaço para o mistério, o inexplicável. Eu não tenho medo de usar o realismo mágico quando enriquece uma história.   Uma das obras representativas deste estilo literário na Literatura Brasileira é:

  6. 66

    UNAMA 2007

    “[...] Foste e ainda és tudo no Brasil, Mãe Preta!   Gostosa, contando a história do Saci, ninando murucutu-tu-tu para os teus bisnetos de hoje...   Continuas a ser a mesma virgem de Luanda, cantando e sapateando no batuque, correndo o frasco na macumba, quando chega Ogum, no seu cavalo de vento, varando pelos quilombos. [...]” (Mãe Preta, Bruno de Menezes. Batuque)   Avalie as seguintes afirmações sobre os recursos morfo-sintático-semânticos presentes nos versos do poeta paraense:   I. As expressões “virgem de Luanda” e “cavalo de vento” exemplificam a presença da linguagem conotativa. II. O termo registrado em “Continuas a ser...” corresponde morfo-semanticamente à série gerundiva “cantando”, “sapateando”, “correndo”, “varando”. III. O sintagma “a mesma virgem de Luanda” é o predicado do sujeito desinencial do verbo ser, cujo referente é “Mãe Preta”.   São corretas:

  7. 67

    UFJF 2016

    TEXTO 1 Terça-feira gorda Para Luiz Carlos Góes   De repente ele começou a sambar bonito e veio vindo para mim. Me olhava nos olhos quase sorrindo, uma ruga tensa entre as sobrancelhas, pedindo confirmação. Confirmei, quase sorrindo também, a boca gosmenta de tanta cerveja morna, vodca com coca-cola, uísque nacional, gostos que eu nem identificava mais, passando de mão em mão dentro dos copos de plástico. Usava uma tanga vermelha e branca, Xangô, pensei, Iansã com purpurina na cara, Oxaguiã segurando a espada no braço levantado, Ogum Beira-Mar sambando bonito e bandido. Um movimento que descia feito onda dos quadris pelas coxas, até os pés, ondulado, então olhava para baixo e o movimento subia outra vez, onda ao contrário, voltando pela cintura até os ombros. Era então que sacudia a cabeça olhando para mim, cada vez mais perto.   Eu estava todo suado. Todos estavam suados, mas eu não via mais ninguém além dele. Eu já o tinha visto antes, não ali. Fazia tempo, não sabia onde. Eu tinha andado por muitos lugares. Ele tinha um jeito de quem também tinha andado por muitos lugares. Num desses lugares, quem sabe. Aqui, ali. Mas não lembraríamos antes de falar, talvez também nem depois. Só que não havia palavras. Havia o movimento, a dança, o suor, os corpos meu e dele se aproximando mornos, sem querer mais nada além daquele chegar cada vez mais perto.   Na minha frente, ficamos nos olhando. Eu também dançava agora, acompanhando o movimento dele. Assim: quadris, coxas, pés, onda que desce, olhar para baixo, voltando pela cintura até os ombros, onda que sobe, então sacudir os cabelos molhados, levantar a cabeça e encarar sorrindo. Ele encostou o peito suado no meu. Tínhamos pêlos, os dois. Os pêlos molhados se misturavam. Ele estendeu a mão aberta, passou no meu rosto, falou qualquer coisa. O que, perguntei. Você é gostoso, ele disse. [...]   Entreaberta, a boca dele veio se aproximando da minha. Parecia um figo maduro quando a gente faz com a ponta da faca uma cruz na extremidade mais redonda e rasga devagar a polpa, revelando o interior rosado cheio de grãos. Você sabia, eu falei, que o figo não é uma fruta, mas uma flor que abre para dentro. O que, ele gritou. O figo, repeti, o figo é uma flor. Mas não tinha importância. [...]   Veados, a gente ainda ouviu, recebendo na cara o vento frio do mar. A música era só um tumtumtum de pés e tambores batendo. Eu olhei para cima e mostrei olha lá as Plêiades, só o que eu sabia ver, que nem raquete de tênis suspensa no céu. Você vai pegar um resfriado, ele falou com a mão no meu ombro. Foi então que percebi que não usávamos máscara. Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a única emoção que não usa máscara. Não sentíamos dor, mas aquela emoção daquela hora ali sobre nós, e eu nem sei se era alegria, também não usava máscara. Então pensei devagar que era proibido ou perigoso não usar máscara, ainda mais no Carnaval. [...]   Mas vieram vindo, então, e eram muitos. Foge, gritei, estendendo o braço. Minha mão agarrou um espaço vazio. O pontapé nas costas fez com que me levantasse. Ele ficou no chão. Estavam todos em volta. Ai-ai, gritavam, olha as loucas. Olhando para baixo, vi os olhos dele muito abertos e sem nenhuma culpa entre as outras caras dos homens. A boca molhada afundando no meio duma massa escura, o brilho de um dente caído na areia. Quis tomá-lo pela mão, protegê-lo com meu corpo, mas sem querer estava sozinho e nu correndo pela areia molhada, os outros todos em volta, muito próximos.   Fechando os olhos então, como um filme contra as pálpebras, eu conseguia ver três imagens se sobrepondo. Primeiro o corpo suado dele, sambando, vindo em minha direção. Depois as Plêiades, feito uma raquete de tênis suspensa no céu lá em cima. E finalmente a queda lenta de um figo muito maduro, até esborrachar-se contra o chão em mil pedaços sangrentos. (ABREU, Caio Fernando. Morangos Mofados. 12 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015. p. 73-78.)     No conto de Caio Fernando Abreu (texto I), os personagens centrais são

  8. 68

    UFJF 2016

    Texto 2 Beijo sem Eu não sou mais quem Você deixou, amor Vou à Lapa Decotada Viro todas Beijo bem Madrugada Sou da lira Manhãzinha De ninguém Noite alta é meu dia E a orgia é meu bem Eu não sou mais quem Você deixou de ver Vou à Lapa Perfumada Viro outras Beijo sem Madrugada Sou da lira Manhãzinha De ninguém Noite alta é meu dia E a orgia é meu bem [...] (CALCANHOTO, Adriana. Beijo sem. In: O micróbio do samba. Sony Music, 2011.)   No poema de Adriana Calcanhoto (texto II), a personagem em primeira pessoa se compraz em relações

  9. 69

    UFJF 2016

    Texto III: Eu só peço a Deus Deixa eu te falar, vim te confessar Acho que eu também sou poeta e não aprendi a amar Cruzes que eu já carreguei, cada um com a sua é a lei Ontem mesmo eu perguntei: "Por que que eu nunca parei? Ein? " Quer saber o que me move? Quer saber o que me prende? São correntes sanguíneas, não contas correntes Não conta com a gente pra assinar seu jornal Vocês descobriram o Brasil, né? Conta outra Cabral É um país cordial, carnaval, tudo igual Preconceito racial mais profundo que o Pré-Sal Tira os pobre do centro, faz um cartão postal É o governo trampando, Photoshop social Bandeirantes, Anhanguera, Raposo, Castelo São heróis ou algoz? Vai ver o que eles fizeram Botar o nome desses cara nas estrada é cruel É o mesmo que Rodovia Hitler em Israel Também quero a revolução, mas não sou imbecil Quem não sabe usar um lápis, não vai saber usar um fuzil (...) Nosso esporte predileto ainda é lotar os bares Esvaziar os lares, mano, nós somos milhares Miseráveis na arquibancada se matando E os 22 milionários se divertindo em campo (Haha...) Violência vicia soldado e eu sei bem (Bem!) A guerra não é santa nem aqui e nem em Jerusalém É o Brasil da mistura, miscigenação Quem não tem sangue de preto na veia deve ter na mão (INQUÉRITO. “Eu só peço a Deus”, in: CD Corpo e alma, faixa 5, 2014. Disponível em http://www.grupoinquerito.com.br, acessado em 08/10/2015.)    O uso da expressão “photoshop social” indica que a ação do governo é:

  10. 70

    UFAM 2010

    Aproximando Fogo Morto e A cidade ilhada 

  11. 71

    UFAM 2009

    Assinale a opção que NÃO apresenta de modo correto a relação entre a obra e seu autor:

  12. 72

    UFAM 2009

    As afirmativas abaixo, feitas a propósito de acontecimentos e personagens do romance Lealdade, de Márcio Souza, estão corretas, EXCETO:

  13. 73

    UFAM 2009

    Ainda sobre Lealdade, assinale a afirmativa que NÃO se refere de modo correto ao enredo ou aos personagens:

  14. 74

    UEL 2012

    Imagine uma cidade sem cinema, biblioteca ou livraria. Não é difícil, esta é mais ou menos a regra. Bem, se tal cidade existe, também não terá um teatro e, muito menos, um museu. Talvez nem mesmo um jornal, semanal que seja. Muitas não têm nada disso e, apesar de todo o prestígio da música popular, também não contam com uma casa de shows – loja de discos, nem pensar.   Donde essas cidades são habitadas por pessoas que nunca assistiram a um filme ou peça de teatro. Espetáculo de dança, esqueça. Nunca ouviram um concerto, nunca viram um quadro ou escultura importante e, bem provável, nunca leram um livro que não fosse o da lição. Da mesma forma, nunca recitaram ou ouviram um poema, não sabem o que é ópera e os cantores que conhecem é por ouvir falar.   Há muitas cidades assim no Brasil. E não pense que sejam burgos perdidos no sertão ou no meio da selva amazônica. Algumas são bem conhecidas pelo nome e ficam em estados prósperos e orgulhosos, mais perto de nós do que imaginamos. São dados do IBGE, colhidos no último recenseamento, não muito difíceis de consultar.   O que não falta nessas cidades é televisão – porque 95% dos lares brasileiros têm pelo menos um aparelho. Mas não é bom para ninguém, nem para a televisão, que ela seja o único contato das pessoas com o mundo. Claro que, não demora muito, todas terão internet e, quando isso acontecer, dar-se-á o fenômeno de cidades que passaram da cultura zero para o universo digital, onde supostamente cabe tudo, sem o estágio intermediário, milenar da cultura analógica.   Essas cidades podem ser zero em cultura, mas têm Prefeitura e Câmara Municipal. E, em época de eleição, candidatos a deputado, senador, governador, talvez até presidente, devem aparecer por lá, com grande cara de pau. Interessante país, este que estamos formando. CASTRO, Ruy. Cultura Zero. Folha de São Paulo. São Paulo, 29 jun. 2011. Caderno Opinião, p.2   A última frase do texto – “Interessante país, este que estamos formando” – mostra que

  15. 75

    UEL 2009

    NÃO HÁ VAGAS O preço do feijão não cabe no poema. O preço do arroz não cabe no poema. Não cabem no poema o gás a luz o telefone a sonegação do leite da carne do açúcar do pão O funcionário público não cabe no poema com seu salário de fome sua vida fechada em arquivos. Como não cabe no poema o operário que esmerila seu dia de aço e carvão nas oficinas escuras – porque o poema, senhores, está fechado: “não há vagas” Só cabe no poema o homem sem estômago a mulher de nuvens a fruta sem preço   O poema, senhores, não fede nem cheira   Ao se analisar a evolução poética de Ferreira Gullar presente no livro Toda poesia, é correto afirmar.  

  16. 76

    UFMG 2008

    Assinale a alternativa em que, no fragmento transcrito de Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, se identifica uma atitude típica e caracterizadora da personagem Ponciá.

  17. 77

    UNEMAT 2008

    Os poemas da obra Livro sobre nada, de Manoel de Barros, podem causar estranhamento porque:

  18. 78

    UNESP 2013

    A questão toma por base um fragmento de uma peça do teatrólogo Guilherme Figueiredo (1915-1997).     A raposa e as uvas   (Casa de Xantós, em Samos. Entradas à D., E., e F. Um gongo. Uma mesa. Cadeiras. Um “clismos*”. Pelo pórtico, ao fundo, vê-se o jardim. Estão em cena Cleia, esposa de Xantós, e Melita, escrava. Melita penteia os cabelos de Cleia.)   MELITA: — (Penteando os cabelos de Cleia.) Então Rodópis contou que Crisipo reuniu os discípulos na praça, apontou para o teu marido e exclamou: “Tens o que não perdeste”. Xantós respondeu: “É certo”. Crisipo continuou: “Não perdeste chifres”. Xantós concordou: “Sim”. Crisipo finalizou: “Tens o que não perdeste; não perdeste chifres, logo os tens”. (Cleia ri.) Todos riram a valer.   CLEIA: — É engenhoso. É o que eles chamam sofisma. Meu marido vai à praça para ser insultado pelos outros filó- sofos?   MELITA: — Não; Xantós é extraordinariamente inteligente... No meio do riso geral, disse a Crisipo: “Crisipo, tua mulher te engana, e no entanto não tens chifres: o que perdeste foi a vergonha!” E aí os discípulos de Crisipo e os de Xantós atiraram-se uns contra os outros...   CLEIA: — Brigaram? (Assentimento de Melita.) Como é que Rodópis soube disto?   MELITA: — Ela estava na praça. CLEIA: — Vocês, escravas, sabem mais do que se passa em Samos do que nós, mulheres livres...   MELITA: — As mulheres livres ficam em casa. De certo modo são mais escravas do que nós.   CLEIA: — É verdade. Gostarias de ser livre?   MELITA: — Não, Cleia. Tenho conforto aqui, e todos me consideram. É bom ser escrava de um homem ilustre como teu marido. Eu poderia ter sido comprada por algum mercador, ou algum soldado, e no entanto tive a sorte de vir a pertencer a Xantós.   CLEIA: — Achas isto um consolo?   MELITA: — Uma honra. Um filósofo, Cleia!   CLEIA: — Eu preferia que ele fosse menos filósofo e mais marido. Para mim os filósofos são pessoas que se encarregam de aumentar o número dos substantivos abstratos.   MELITA: — Xantós inventa muitos?   CLEIA: — Nem ao menos isto. E aí é que está o trágico: é um filósofo que não aumenta o vocabulário das controvérsias. Já terminaste?   MELITA: — Quase. É bom pentear teus cabelos: meus dedos adquirem o som e a luz que eles têm. Xantós beija os teus cabelos? (Muxoxo de Cleia.) Eu admiro teu marido.   CLEIA: — Por que não dizes logo que o amas? Gostarias bastante se ele me repudiasse, te tornasse livre e se casasse contigo...   MELITA: — Não digas isto... Além do mais, Xantós te ama...   CLEIA: — À sua maneira. Faço parte dos bens dele, como tu, as outras escravas, esta casa...   MELITA: — Sempre que viaja te traz presentes.   CLEIA: — Não é o amor que leva os homens a dar presentes às esposas: é a vaidade; ou o remorso.   MELITA: — Xantós é um homem ilustre.   CLEIA: — É o filósofo da propriedade: “Os homens são desiguais: a cada um toca uma dádiva ou um castigo”. É isto democracia grega... É o direito que o povo tem de escolher o seu tirano: é o direito que o tirano tem de determinar: deixo-te pobre; faço-te rico; deixo-te livre; faço-te escravo. É o direito que todos têm de ouvir Xantós dizer que a injustiça é justa, que o sofrimento é alegria, e que este mundo foi organizado de modo a que ele possa beber bom vinho, ter uma bela casa, amar uma bela mulher. Já terminaste?   MELITA: — Um pouco mais, e ainda estarás mais bela para o teu filósofo.   CLEIA: — O meu filósofo... Os filósofos são sempre criaturas cheias demais de palavras... (*) Espécie de cama para recostar-se. (Guilherme Figueiredo. Um deus dormiu lá em casa, 1964.)     Entre as frases extraídas do texto, aponte a que consiste num raciocínio fundamentado na percepção de uma contradição:

  19. 79

    ENEM - 3 APLICACAO 2014

    A literatura de cordel é ainda considerada, por muitos, uma literatura menor. A alma do homem não é mensurável e — desde que o cordel possa exprimir a  história, a ideologia e os sentimentos de qualquer homem —  vai ser sempre o gênero literário preferido de quem procura apreender o espírito nordestino. Os costumes, a língua, os sonhos, os medos e as alegrias do povo estão no cordel. Na nossa época, apesar dos jornais e da TV —  que poderiam ter feito diminuir o interesse neste tipo de literatura — e da falta de apoio econômico, o cordel continua vivo no interior e em cenáculos acadêmicos.  A literatura de cordel, as xilogravuras e o repente não foram apenas um divertimento do povo. Cordéis e  cantorias foram o professor que ensinava as primeiras letras e o médico que falava para inculcar comportamentos  sanitários. O cordel e o repente fazem, muitas vezes, de um candidato o ganhador da banca de deputado. E assim, lendo e ouvindo, foi-se formando a memória coletiva desse povo alegre e trabalhador, que embora calmo, enfrenta o mar e o sertão com a mesma valentia. BRICKMANN, L. B. E  de repente foi o cordel. Disponível em:  http://pt.scribd.com. Acesso em: 29 fev. 2012 (fragmento). O gênero textual cordel, também conhecido como folheto,  tem origem em relatos orais e constitui uma forma literária popular no Brasil. A leitura do texto sobre a literatura de cordel permite 

  20. 80

    ENEM 2007

    O açúcar O branco açúcar que adoçará meu café nesta manhã de Ipanema não foi produzido por mim nem surgiu dentro do açucareiro por milagre. Vejo-o puro e afável ao paladar como beijo de moça, água na pele, flor que se dissolve na boca. Mas este açúcar não foi feito por mim. Este açúcar veio da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, [dono da mercearia. Este açúcar veio de uma usina de açúcar em Pernambuco ou no Estado do Rio e tampouco o fez o dono da usina. Este açúcar era cana e veio dos canaviais extensos que não nascem por acaso no regaço do vale. […] Em usinas escuras, homens de vida amarga e dura produziram este açúcar branco e puro com que adoço meu café esta manhã em Ipanema. GULLAR, Ferreira. Toda Poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980, p. 227-8. A antítese que configura uma imagem da divisão social do trabalho na sociedade brasileira é expressa poeticamente na oposição entre a doçura do branco açúcar e

  21. 81

    ENEM 2010

    Testes Dia desses resolvi fazer um teste proposto por um site da internet. O nome do teste era tentador: “O que Freud diria de você”. Uau. Respondi a todas as perguntas e o resultado foi o seguinte: “Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os doze anos, depois disso você buscou conhecimento intelectual para seu amadurecimento”. Perfeito! Foi exatamente o que aconteceu comigo. Fiquei radiante: eu havia realizado uma consulta paranormal com o pai da psicanálise, e ele acertou na mosca. Estava com tempo sobrando, e curiosidade é algo que não me falta, então resolvi voltar ao teste e responder tudo diferente do que havia respondido antes. Marquei umas alternativas esdrúxulas, que nada tinham a ver com minha personalidade. E fui conferir o resultado, que dizia o seguinte: “Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os 12 anos, depois disso você buscou conhecimento intelectual para seu amadurecimento”. MEDEIROS, M. Doidas e santas. Porto Alegre, 2008 (adaptado). Quanto às influências que a internet pode exercer sobre os usuários, a autora expressa uma reação irônica no trecho:

  22. 82

    ACAFE 2015

    Assinale a alternativa correta sobre as diferentes fases e escolas da literatura brasileira.

  23. 83

    ENEM PPL 2013

    Logo todos na cidade souberam: Halim se embeiçara por Zana. As cristãs maronitas de Manaus, velhas e moças, não aceitavam a ideia de ver Zana casar-se com um muçulmano. Ficavam de vigília na calçada do Biblos, encomendavam novenas para que ela não se casasse com Halim. Diziam a Deus e ao mundo fuxicos assim: que ele era um mascate, um teque-teque qualquer, um rude, um maometano das montanhas do sul do Líbano que se vestia como um pé rapado e matraqueava nas ruas e praças de Manaus. Galib reagiu, enxotou as beatas: que deixassem sua filha em paz, aquela ladainha prejudicava o movimento do Biblos. Zana se recolheu ao quarto. Os clientes queriam vê-la, e o assunto do almoço era só este: a reclusão da moça, o amor louco do “maometano”. HATOUM, M. Dois irmãos. São Paulo: Companhia. das Letras, 2006 (fragmento).   Dois irmãos narra a história da família que Halim e Zana formaram na segunda metade do século XX. Considerando o perfil sociocultural das personagens e os valores sociais da época, a oposição ao casamento dos dois evidencia

  24. 84

    PUC-PR 2001

    A história da poesia brasileira no século XX pode ser dividida em cinco momentos:   I- A coexistência do Parnasianismo e do Simbolismo. II- O Modernismo, iniciado oficialmente com a Semana de Arte Moderna. III- A Geração de 45. IV- O Concretismo. V- A poesia contemporânea.   Numere as características abaixo de acordo com essa divisão e assinale a alternativa que contém a sequência encontrada:   (    ) Incorporação do espaço gráfico. (    ) Ruptura com o formalismo da estética anterior. (    ) O culto da forma, seja na técnica de composição, seja na expressividade sonora. (    ) Misticismo e retomada da tradição formal. (    ) Metapoética e experimentalismo.

  25. 85

    UERJ 2009

    Ideologia   Meu partido É um coração partido E as ilusões estão todas perdidas Os meus sonhos foram todos vendidos Tão barato que eu nem acredito Eu nem acredito Que aquele garoto que ia mudar o mundo (Mudar o mundo) Freqüenta agora as festas do “Grand Monde”   Meus heróis morreram de overdose Meus inimigos estão no poder Ideologia Eu quero uma pra viver Ideologia Eu quero uma pra viver   O meu prazer Agora é risco de vida Meu sex and drugs não tem nenhum rock ‘n’ roll Eu vou pagar a conta do analista Pra nunca mais ter que saber quem eu sou Pois aquele garoto que ia mudar o mundo (Mudar o mundo) Agora assiste a tudo em cima do muro   Meus heróis morreram de overdose Meus inimigos estão no poder Ideologia Eu quero uma pra viver Ideologia Eu quero uma pra viver CAZUZA e ROBERTO FREJAT - 1988 www.cazuza.com.br   E as ilusões estão todas perdidas   Este verso pode ser lido como uma alusão a um livro intitulado Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac.   Tal procedimento constitui o que se chama de:

  26. 86

    ENEM 1999

    Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. Leia os seguintes textos: I. Quando nasci, um anjo torto Desses que vivem na sombra Disse: Vai Carlos! Ser “gauche” na vida (ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964)   II. Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim. (BUARQUE, Chico. Letra e Música. São Paulo: Cia das Letras, 1989)   III. Quando nasci um anjo esbelto Desses que tocam trombeta, anunciou: Vai carregar bandeira. Carga muito pesada pra mulher Esta espécie ainda envergonhada. (PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986)   Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de Andrade, por  

  27. 87

    ENEM - 3 APLICACAO 2014

    Em todas as datas cívicas a máquina é agora uma parte importante das festividades. Você se lembra que antigamente os feriados eram comemorados no coreto ou no campo de futebol, mas hoje tudo se passa ao pé da máquina. Em tempo de eleição todos os candidatos querem fazer seus comícios à sombra dela, e como isso não é possível, alguém tem de sobrar, nem todos se conformam e sempre surgem conflitos. Felizmente a máquina ainda não foi danificada nesses esparramos, e espero que não seja. A única pessoa que ainda não rendeu homenagem à máquina é o vigário, mas você sabe como ele é ranzinza, e hoje mais ainda, com a idade. Em todo caso, ainda não tentou nada contra ela, e ai dele. Enquanto ficar nas censuras veladas, vamos tolerando; é um direito que ele tem. VEIGA, J. J. A máquina extraviada. In: MORICONI, I. Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000 (fragmento).  A presença do inusitado ou do fantástico na vida cotidiana é frequente na obra de José J. Veiga. No fragmento, a situação de singularidade experimentada pelas personagens constrói-se a partir do 

  28. 88

    UEFS 2015

    TEXTO: A Grécia clássica, a que deu certo e ficou como berço da civilização ocidental, foi feita por povos? Ou foi feita por grandes homens? Os veios subterrâneos da sociedade se expressam por meio dos heróis, tanto nas 5 artes como na política. Ninguém mais alheio à República do que o Marechal Deodoro (1827-1892). Mas o instinto nacional precisou de um alienado metido a herói que invadisse o quartel-general, sustentáculo do Império, ordenando: “Abram isso! Abram 10 isso!”, e depusesse o amigo e imperador. O verdadeiro herói, o herói de Carlyle (1795-1881), é um Frankenstein, feito de pedaços. É preciso juntar vários cadáveres do pensamento e do ideal humano para formar um Frankenstein 15 articulado. Mas é ele que na hora exata amedronta a força contrária, aparece no quartel-general e grita: “Abram isso!”. Frankenstein colado com pedaços de Benjamim Constant (1837-1891), de Quintino Bocaiúva (1836-1912), Joaquim Nabuco (1849-1910) e outros republicanos. 20 Estou citando Ezra Pound (1885-1972), quando fala em “punti luminosi”, pontos luminosos. Na massa amorfa, inerte, de repente alguma coisa brilha, cintila. É comum na obra de arte, numa sinfonia, num romance, num quadro, cheio de pontos mortos, de 25 clichês, surgir inesperadamente aquele brilho que salta, que se destaca, que interfere na obra inteira e a marca. O herói é um ponto luminoso que se destaca, é o jogador que fica parado em campo e, em meio minuto, arma ou finaliza uma jogada de gênio e decide a partida. 30 No plano da história, o herói é também inesperado. Veja o caso da Inconfidência Mineira. Os Inconfidentes eram intelectuais, padres, poetas, mas o herói foi mesmo Tiradentes (1746-1792), que aguentou a barra até o fim. E terminou na forca. CONNY, Carlos Heitor. Heróis. Folha de S. Paulo. Disponível em: 074-herois.shtml>. Acesso em: 5 nov. 2014.   O fragmento que evidencia um conceito metafórico de herói, na perspectiva de Carlos Heitor Cony, está presente em

  29. 89

    ENEM PPL 2010

    Açúcar O branco açúcar que adoçará meu café Nesta manhã de Ipanema Não foi produzido por mim Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre. [...] Em lugares distantes, Onde não há hospital, Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome Aos 27 anos Plantaram e colheram a cana Que viraria açúcar. Em usinas escuras, homens de vida amarga E dura Produziram este açúcar Branco e puro Com que adoço meu café esta manhã Em Ipanema. GULLAR, F. Toda Poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,1980 (fragmento).    A Literatura Brasileira desempenha papel importante ao suscitar reflexão sobre desigualdades sociais. No fragmento, essa reflexão ocorre porque o eu lírico

  30. 90

    UEG 2005

    Leia o poema:   enxaqueca só ais e não aaess me ofereces mais      juntando aos meus corais de uis somem os meus azuis        ácidos súbitos      sal e sílica           e cetins        sedas           a dor insone           da minha fome MAGALHÃES, C. F. F. de. Perau. Goiânia: Vieira, 2003. p.189.   Marque a alternativa CORRETA:

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