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Pessoa com tinta no rosto e com a palavra 'aprovadx' na testa sorrindo

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  1. 91

    PUC-GO 2015

    Palhaço, grande voz — Auto da Compadecida! O julgamento de alguns canalhas, entre os quais um sacristão, um padre e um bispo, para exercício da moralidade. Toque de clarim. Palhaço — A intervenção de Nossa Senhora no momento propício, para triunfo da misericórdia. Auto da Compadecida! Toque de clarim. A Compadecida — A mulher que vai desempenhar o papel desta excelsa Senhora, declara-se indigna de tão alto mister. Toque de clarim Palhaço — Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, praga de sua igreja, o autor quis ser representado por um palhaço, para indicar que sabe, mais do que ninguém, que sua alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia. Ele não tinha o direito de tocar nesse tema, mas ousou fazê-lo, baseado no espírito popular de sua gente, porque acredita que esse povo sofre, é um povo salvo e tem direito a certas intimidades. Toque de clarim. Palhaço — Auto da Compadecida! O ator que vai representar Manuel, isto é, Nosso Senhor Jesus Cristo, declara-se também indigno de tão alto papel, mas não vem agora, porque sua aparição constituirá um grande efeito teatral e o público seria privado desse elemento de surpresa.  Toque de clarim. Palhaço — Auto da Compadecida! Uma história altamente moral e um apelo à misericórdia. [...] SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 34. ed., 3a reimpr. São Paulo: Agir, 2006, p. 22-24. Considerando-se o texto, é correto afirmar que, nas falas do Palhaço e da Compadecida, predomina a função:

  2. 92

    UNEMAT 2015

    [...] Grave, grave, o caso. Premia-nos a multidão, e estava-se na área de baixa pressão do ciclone. – “Disse que era são, mas que, vendo a humanidade já enlouquecida, e em véspera de mais tresloucar-se, inventara a decisão de se internar, voluntário: assim, quando a coisa se varresse de infernal a pior, estaria já garantido ali, com lugar, tratamento e defesa, que, à maioria, cá fora, viriam a fazer falta...” – e o Adalgiso, a seguir, nem se culpava de venial descuido, quando no ir querer preencher-lhe a ficha. – “Você se espanta?” – esquivei-me. De fato, o homem exagerara somente uma teoria antiga: a do professor Dartanhã, que, mesmo a nós, seus alunos, declarava-nos em quarentapor-cento casos típicos, larvados; e, ainda, dos restantes, outra boa parte, apenas de mais puxado diagnóstico. [...] Reaparecendo o humano e o estranho. O homem. Vejo que ele se vê, tive de notá-lo. E algo de terrível de repente se passava. Ele queria falar, mas a voz esmorecida; e embrulhou-se-lhe a fala. Estava em equilíbrio de razão: isto é, lúcido, nu, pendurado. Pior que lúcido, relucidado; com a cabeça comportada. Acordava! Seu acesso, pois, tivera termo, e, da ideia delirante, via-se dessonambulizado. Desintuído, desinfluído – se não se quando – soprado. Em doente consciência, apenas, detumescera-se, recuando ao real e autônomo, a seu mau pedaço de espaço e tempo, ao sem-fim do comedido. Aquele pobre homem descoroçoava. E tinha medo e tinha horror – de tão novamente humano. [...] Desprojetava-se, coitado, e tentava agarrar-se, inapto, à Razão Absoluta? Adivinhava isso o desvairar da multidão espaventosa – enlouquecida. Contra ele, que, de algum modo, de alguma maravilhosa continuação, de repente nos frustrava. Portanto, em baixo, alto bramiam. Feros, ferozes. Ele estava são. Versânicos, queriam linchá-lo.[...] (ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001) O conto Darandina, de João Guimarães Rosa, narra o episódio de um homem que, após escapar de um instituto onde havia se internado e tentar alguns pequenos furtos, sobe em uma palmeira no meio de uma praça para escapar à perseguição das pessoas, tirando a própria roupa e provocando aglomeração e desordem. A partir dos trechos acima, que se situam próximos ao início e ao fim do conto, respectivamente, percebe-se que:

  3. 93

    MILTON CAMPOS 2013

    Recordações do escrivão Isaías Caminha, de 1909, exibe, em seu núcleo crítico e temático, um espaço que é também abordado numa narrativa da modernidade. Assinale a passagem que faça referência à problemática tratada por Lima Barreto:

  4. 94

    UNICENTRO 2014

    Leia o trecho do poema, do livro Muitas Vozes, de Ferreira Gullar, a seguir. No princípio era o verso alheio Disperso em meio às vozes e às coisas o poeta dorme sem se saber Ignora o poema não tem nada a dizer (GULLAR, F. Obras Completas. 13.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004, p.422.)   A partir da leitura do poema e dos conhecimentos prévios sobre esse livro, considere as afirmativas a seguir. I. O poema traz uma das características da obra do autor presente em Muitas Vozes: a metalinguagem, que, na poesia, ocorre quando o poema volta-se para si próprio. II. O sentido polissêmico do termo “alheio”, no terceiro verso, é ampliado pela ausência de pontuação. Desse modo, pode significar tanto “de outro” quanto “distraído” ou “desinteressado”. III. No verso “sem se saber”, há a presença do recurso da aliteração, que consiste na repetição de consoantes para produzir efeitos sonoros. IV. O poema segue uma métrica rígida, com versos variando de seis a sete sílabas poéticas. Também rígido é o sistema de rimas ABBA. Assinale a alternativa correta.

  5. 95

    UNB 2015

    Oração dos Desesperados   Que a pele escura Não seja escudo para os covardes, Que habitam na senzala do silêncio, Porque nascer negro é consequência Ser É consciência   Dói no povo a dor do universo Chibata, faca e corte Miséria, morte Sob o olhar irônico De um Deus inverso Uma dor que tem cor Escorre na pele e na boca se cala Uma gente livre para o amor Mas os pés fincados na senzala. Dói na gente a dor que mata Chaga que paralisa o mundo E sob o olhar de um Deus de gravata... Doença, fome, esgoto, inferno profundo. Dor que humilha, alimenta cegueira Trevas, violência, tiro no escuro Pedaço de pau, lar sem muro Paraíso do mal Castelo de madeira Oh! Senhores Deuses das máquinas, Das teclas, das perdidas almas Do destino e do coração! Escuta o homem que nasce das lágrimas Da dor, do sangue e do pranto, Escuta esse pranto (Que lindo esse povo) (Quilombo esse povo) Que vem a galope com voz de trovão Pois ele se apega nas armas Quando se cansa das páginas Do livro de oração! (Sérgio Vaz)     A memória da escravização dos povos africanos e afrobrasileiros é parte da matéria poética com a qual o texto de Sérgio Vaz lida. Essa memória surge, entre outros trechos, no verso

  6. 96

    UFRGS 2016

    Leia o soneto de Luís de Camões e Soneto do amor total, de Vinícius de Moraes, abaixo.   Luís de Camões   Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer;   É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder;   É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade.   Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor?     Vinícius de Moraes   Amo-te tanto, meu amor… não cante O humano coração com mais verdade… Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade.   Amo-te afim, de um calmo amor prestante, E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante.   Amo-te como um bicho, simplesmente, De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente.   E de te amar assim muito e amiúde, É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude.     Considere as seguintes afirmações sobre os dois poemas.   I - Os dois poemas apresentam a temática amorosa: no soneto de Camões, o sujeito lírico define o amor; no soneto de Moraes, o sujeito lírico diz como ama. II - O soneto de Camões apresenta uma estrutura antitética nas três primeiras estrofes, como a exprimir o caráter contraditório do sentimento amoroso. III- O soneto de Vinícius de Moraes apresenta o sujeito lírico que ama de corpo e alma, ampliando o sentimento amoroso à dimensão física.   Quais estão corretas?

  7. 97

    ENEM 2000

    Ferreira Gullar, um dos grandes poetas brasileiros da atualidade, é autor de “Bicho urbano”, poema sobre a sua relação com as pequenas e grandes cidades. Bicho urbano Se disser que prefiro morar em Pirapemas ou em outra qualquer pequena cidade do país estou mentindo ainda que lá se possa de manhã lavar o rosto no orvalho e o pão preserve aquele branco sabor de alvorada. ..................................................................... A natureza me assusta. Com seus matos sombrios suas águas suas aves que são como aparições me assusta quase tanto quanto esse abismo de gases e de estrelas aberto sob minha cabeça. (GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1991)   Embora não opte por viver numa pequena cidade, o poeta reconhece elementos de valor no  cotidiano das pequenas comunidades. Para expressar a relação do homem com alguns desses elementos, ele recorre à sinestesia. Esse recurso pode ser observado em:

  8. 98

    ENEM - 3 APLICACAO 2016

    Um cachorro cor de carvão dorme no azul etéreo de uma rede de pesca enrolada sobre a grama da Praça Vinte e Um de Abril. O sol bate na frente nos degraus cinzentos da escadaria que sobe a encosta do morro até a Igreja da Matriz. A ladeira de paralelepípedos curta e íngreme ao lado da igreja passa por um galpão de barcos e por uma casa de madeira pré-moldada. Acena para a velhinha marrom que toma sol na varanda sentada numa cadeira de praia colorida. O vento nordeste salgado tumultua as árvores e as ondas. Nuvens esparramadas avançam em formação do mar para o continente como um exército em transe. A ladeira faz uma curva à esquerda passando em frente a um predinho do século dezoito com paredes brancas descascadas e janelas recém-pintadas de azul-cobalto. GALERA, D. Barba ensopada de sangue. São Paulo: Cia. das Letras, 2012. A descrição, subjetiva ou objetiva, permite ao leitor visualizar o cenário onde uma ação se desenvolve e os personagens que dela participam. O fragmento do romance caracteriza-se como uma descrição subjetiva porque

  9. 99

    UEL 2015

    Momento   Enquanto eu fiquei alegre, permaneceram um bule azul com um descascado no bico, uma garrafa de pimenta pelo meio, um latido e um céu limpidíssimo com recém-feitas estrelas. Resistiram nos seus lugares, em seus ofícios, constituindo o mundo pra mim, anteparo para o que foi um acometimento: súbito é bom ter um corpo pra rir e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo alegre do que triste. Melhor é ser. (PRADO, A. Bagagem. 31.ed. Rio de Janeiro: Record, 2011. p.46.)     Em relação ao livro Bagagem, o poema “Momento”

  10. 100

    UNEMAT 2015

    TEXTO I A menina de lá Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – “Ninguém entende muita coisa que ela fala...” – dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só raro ela perguntava, por exemplo: - “Ele xurugou?” – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da abelha que se voou para uma nuvem; de uma porção de meninas e meninos sentados a uma mesa de doces, comprida, comprida, por tempo que nem se acabava; ou da precisão de se fazer lista das coisas todas que no dia por dia a gente vem perdendo. Só a pura vida. [...] Dizia que o ar estava com cheiro de lembrança. – “A gente não vê quando o vento se acaba...” Estava no quintal, vestidinha de amarelo. O que falava, às vezes era comum, a gente é que ouvia exagerado: - “Alturas de urubuir...” Não, dissera só: - “altura de urubu não ir”. O Dedinho chegava quase no céu. Lembrouse de: - “Jabuticaba de vem-me-ver...” Suspirava, depois: - “Eu quero ir pra lá”. – Aonde? – “Não sei”. Aí observou: - “O passarinho desapareceu de cantar...” (ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001)   TEXTO II [...] A gente não gostava de explicar as imagens porque explicar afasta as falas da imaginação. A gente gostava dos sentidos desarticulados como a conversa dos passarinhos no chão a comer pedaços de mosca. Certas visões não significavam nada, mas eram passeios verbais. A gente sempre queria dar brazão às borboletas. A gente gostava bem das vadiações com as palavras do que das prisões gramaticais. Quando o menino disse que queria passar para as palavras suas peraltagens até os caracóis apoiaram. A gente se encostava na tarde como se a tarde fosse um poste. A gente gostava das palavras quando elas perturbavam os sentidos normais da fala. Esses meninos faziam parte do arrebol como os passarinhos. (BARROS, Manoel de. Menino do mato. Leya: São Paulo, 2010) Observando-se os textos, percebe-se o uso diferenciado da linguagem verbal, que se deve ao fato de que:    

  11. 101

    FCMMG 2006

    Assinale o texto de Patativa do Assaré: uma voz do Nordeste que melhor revela o seu caráter engajado:

  12. 102

    UNEMAT 2008

    “O que não sei fazer desmancho em frases. Eu fiz o nada aparecer. (Represente que o homem é um poço escuro. Aqui de cima não se vê nada. Mas quando se chega ao fundo do poço já se pode ver o nada.) Perder o nada é um empobrecimento.” (Livro sobre nada, Manoel de Barros) Assinale a alternativa CORRETA com relação ao poema acima. 

  13. 103

    UEMA 2015

    Na obra Quarto de despejo: diário de uma favelada, Carolina Maria de Jesus retrata, em uma dimensão sociológica e literária, suas impressões sobre o cotidiano dos moradores de uma favela. Para responder à questão, leia a seguir dois excertos, transcritos integralmente, da referida obra.   Texto I 20 DE MAIO (...) Quando cheguei do palacio que é a cidade os meus filhos vieram dizer-me que havia encontrado macarrão no lixo. E a comida era pouca, eu fiz um pouco do macarrão com feijão. E o meu filho João José disse-me: – Pois é. A senhora disse-me que não ia mais comer as coisas do lixo. Foi a primeira vez que vi a minha palavra falhar. (...)   Texto II 30 DE MAIO (...) Chegaram novas pessoas para a favela. Estão esfarrapadas, andar curvado e os olhos fitos no solo como se pensasse na sua desdita por residir num lugar sem atração. Um lugar que não se pode plantar uma flor para aspirar o seu perfume, para ouvir o zumbido das abelhas ou o colibri acariciando-a com seu frágil biquinho. O unico perfume que exala na favela é a lama podre, os excrementos e a pinga. (...) Fonte: JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: Diário de uma favelada. 9. ed. São Paulo: Ática, 2007.   A noção de contexto e de repertório social sugerida pela narradora-personagem revela o(a)

  14. 104

    ENEM PPL 2010

    Reclame   Se o mundo não vai bem a seus olhos, use lentes ... ou transforme o mundo ótica olho vivo agradece a preferência CHACAL et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006. Chacal é um dos representantes da geração poética de 1970. A produção literária dessa geração, considerada marginal e engajada, de que é representativo o poema apresentado, valoriza 

  15. 105

    UNICENTRO 2012

    Poeta   O poeta nasce no poema, Inventa-se em palavras. KOLODY, Helena. Viagem no espelho e vinte e um poemas inéditos. Curitiba: Criar Edições. p. 77.   Esses versos sugerem que

  16. 106

    UNEMAT 2010

    “O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de uma raça?” (p.86). Essa reflexão, sob a forma de pergunta, o autor______________ faz a si mesmo (com toda propriedade, e por motivos que podemos interpretar como pessoais), ao finalizar o romance_____________. Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas:

  17. 107

    FCMMG 2006

    VOCAÇÕES Todos diziam que a Leninha, quando crescesse, ia ser médica. Passava horas brincando de médico com as bonecas. Só que, ao contrário de outras crianças, quando largou as bonecas não perdeu a mania. A primeira vez que tocou no rosto do namorado foi para ver se estava com febre. Só na segunda é que foi carinho. Ia porque ia ser médica. Só tinha uma coisa. Não podia ver sangue. − Mas, Leninha, como é que... − Deixa que eu me arranjo. Não é que ela tivesse nojo de sangue. Desmaiava. Não podia ver carne mal passada. Ou ketchup. Um arranhãozinho era o bastante para derrubá-la. Se o arranhão fosse em outra pessoa ela corria para socorrê-la − era o instinto médico −, mas botava o curativo com o rosto virado. − Acertei? Acertei? − Acertou o joelho. Só que é na outra perna. Mas fez o vestibular para medicina, passou e preparou-se para começar o curso. − E as aulas de anatomia, Leninha? Os cadáveres? − Deixa que eu me arranjo. Fez um trato com a Olga, colega desde o secundário. Quando abrissem um cadáver, fecharia os olhos. A Olga descreveria tudo para ela. − Agora estão tirando o fígado. Tem uma cor meio... − Por favor, sem detalhes. Conseguiu fazer todo o curso de medicina sem ver uma gota de sangue. Houve momentos em que precisou explicar os olhos fechados. − É concentração, professor. Mas se formou. Hoje é médica, de sucesso. Não na cirurgia, claro. Se bem que chegou a pensar em convidar a Olga para fazerem uma dupla cirúrgica, ela operando com o rosto virado e a Olga dando as coordenadas. − Mais para a esquerda...Aí. Agora corta! Está feliz. Inclusive se casou, pois encontrou uma alma gêmea. Foi num aeroporto. No bar onde foi tomar um cafezinho enquanto esperava a chamada para o embarque puxou conversa com um homem que parecia muito nervoso. − Algum problema? − perguntou, pronta para medicá-lo. − Não − tentou sorrir o homem. − É o avião... − Você tem medo de voar? − Pavor. Sempre tive. − Então por que voa? − Na minha profissão, é preciso. − Qual é a sua profissão? − Piloto. Casaram-se uma semana depois. (VERISSIMO, Luis Fernando. A mãe de Freud. São Paulo: Círculo do Livro, 1985)   O texto apresenta os expedientes abaixo, EXCETO:

  18. 108

    ACAFE 2015

    Correlacione a primeira coluna com a segunda coluna, considerando os fragmentos de texto retirados das obras relacionadas para o Concurso Vestibular ACAFE 2015 e os respectivos autores. COLUNA 1 ( 1 ) “O feio apaixonado não pensava em outra coisa a não ser na Maria. No trabalho, nas refeições, no sono, enfim estava preso na gaiola de cana da Maria. Pensou em remeter-lhe uma carta, depois um bilhete, em ir na casa dela e apresentar-se como namorado. E assim pensando, veio-lhe a ideia de mandar o coração de Pãopor-Deus para ela.” ( 2 ) “– Seu José, mestre carpina, / que habita este lamaçal, / sabe me dizer se o rio / a esta altura dá vau? / Sabe me dizer se é funda / esta água grossa e carnal?” ( 3 ) “Sobre a cama estava um exemplar de Última Hora, o único jornal importante que defendia o presidente. Na primeira página, uma caricatura de Carlos Lacerda. O artista, acentuando os óculos de aros escuros e o nariz aquilino do jornalista, desenhara um corvo sinistro trepado num poleiro.” ( 4 ) “Era assim, com essa melodia do velho drama de Judá, que procuravam um ao outro na cabeça do Cônego Matias um substantivo e um adjetivo... Não me interrompas, leitor precipitado; sei que não acreditas em nada do que vou dizer. Di-lo-ei, contudo, a despeito da tua pouca fé, porque o dia da conversão pública há de chegar.” COLUNA 2 ( ) João Cabral de Melo Neto ( ) Machado de Assis ( ) Franklin Cascaes. ( ) Rubem Fonseca A sequência correta, de cima para baixo, é: 

  19. 109

    ITA 2016

    O poema abaixo é de Ivan Junqueira.   Flor amarela   Atrás daquela montanha tem uma flor amarela; dentro da flor amarela, o menino que você era. Porém, se atrás daquela montanha não houver a tal flor amarela, o importante é acreditar que atrás de outra montanha tenha uma flor amarela com o menino que você era guardado dentro dela. (Em: Poemas reunidos. Rio de Janeiro: Record, 1999.)   O texto,   I. na 1ª estrofe, trata da infância por meio de metáforas construídas com elementos naturais (“montanha” e “flor amarela”). II. na 2ª estrofe, por meio da conjunção “porém”, rompe com a representação metafórica presente na 1ª estrofe. III. na sequência da 1ª para a 2ª estrofe, faz com que as metáforas apontem mais para a interioridade do sujeito que para a exterioridade da natureza.   Está(ão) correta(s) apenas

  20. 110

    UEG 2004

    O Enterrado Vivo   É sempre no passado aquele orgasmo, é sempre no presente aquele duplo, é sempre no futuro aquele pânico.     É sempre no meu peito aquela garra. É sempre no meu tédio aquele aceno. É sempre no meu sono aquela guerra.     É sempre no meu trato o amplo distrato. Sempre na minha firma a antiga fúria. Sempre no mesmo engano o outro retrato.     É sempre nos meus pulos o limite. É sempre nos meus lábios a estampilha. É sempre no meu não aquele trauma.   Sempre no meu amor a noite rompe. Sempre dentro de mim meu inimigo. E sempre no meu sempre a mesma ausência.   ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética. 48 ed. Rio de Janeiro: Record. 2001. p. 59.     Assinale a alternativa INCORRETA:    

  21. 111

    UEL 2014

    – Sou playboy! – dizia Pardalzinho a todos que comentavam sua nova indumentária. Tatuou no braço um enorme dragão soltando labaredas amarelas e vermelhas pelo focinho, o cabelo ligeiramente crespo foi encaracolado por Mosca. Sentia-se agora definitivamente rico, pois se vestia como eles. O cocota pediu a Mosca que comprasse uma bicicleta Caloi 10 para que pudesse ir à praia todas as manhãs. Rico também anda de bicicleta. Iria frequentar a praia do Pepino assim que aprendesse o palavreado deles. Na moral, na moral, na vida tudo é uma questão de linguagem. Alguns bandidos tentaram fazer chacota do seu novo visual. O traficante meteu a mão no revólver dizendo que não tinha cara de palhaço. Até mesmo Miúdo prendeu o riso quando o viu dentro daquela roupa de garotão da Zona Sul. (LINS, P.Cidade de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.261.)     A partir da leitura desse trecho, considere as afirmativas a seguir.   I. Pardalzinho, apesar de ter dinheiro e roupas de ricos e sentir-se como rico, ainda precisava adequar sua linguagem ao padrão desejado.   II. Roupas, dinheiro, tatuagem e cabelo encaracolado eram suficientes para Pardalzinho sentir-se incluído no “mundo dos ricos”.   III. Pardalzinho sentia-se como palhaço, mas não admitia que rissem dele.   IV. Pardalzinho tatuou o dragão soltando labaredas amarelas e vermelhas pelo focinho e encaracolou os cabelos porque achou que, assim, ficaria parecido com os ricos.   Assinale a alternativa correta.

  22. 112

    ENEM PPL 2015

    Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo.  Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento. Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo: "Coitado, até essa hora no serviço pesado". Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente. Não me falou em amor. Essa palavra de luxo. PRADO, A. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1991.     Um dos procedimentos consagrados pelo Modernismo foi a percepção de um lirismo presente nas cenas e fatos do cotidiano. No poema de Adélia Prado, o eu lírico resgata a poesia desses elementos a partir do(a)

  23. 113

    UEG 2004

    A respeito da obra Contos, de Machado de Assis, é possível dizer que ela

  24. 114

    UFES 2000

    Texto I Destes penhascos fez a natureza O berço, em que nasci! oh queima cuidara, Que entre penhas tão duras se criara Uma alma terna, um peito sem dureza!   Amor , que vence os tigres, por empresa Tomou logo render-me; ele declara Contra o meu coração guerra tão rara, Que não me foi bastante a fortaleza.   Pois mais que eu mesmo conhecesse o dano, A que dava ocasião minha brandura, Nunca pude fugir ao cego engano:   Vós, que ostentais a condição mais dura, Temei, penhas, temei; que Amor tirano, Onde há mais resistência, mas se apura.             (Cláudio Manuel da Costa) Texto II ruaruaruasol ruaruasolrua ruasolruarua solruaruarua ruaruaruas             (Ronaldo Azeredo)   Considerando as obras supracitadas como ilustrativas da poesia árcade e da poesia concreta, assinale a opção cuja ordem preenche CORRETAMENTE  as afirmativas seguintes:   1 - "O __________ é, pois, consciência de integração: de ajustamento a uma ordem natural, social e literária, decorrendo disso a estética da imitação, por meio da qual o espírito reproduz as formas naturais, não apenas como elas aparecem à razão, mas como as conceberam e recriaram os bons autores da Antiguidade."   2 - "Os elementos de composição característicos da poesia _________ são a organização geométrica do espaço e o jogo de semelhanças de significantes."   3 - "Os ___________ se recusavam a uma exploração mais completa da psicologia humana, assim como se tinham negado a uma concepção mais imaginativa da linguagem."   4 - "Talvez se pudesse concluir que um poema __________ seja definido mais ou menos assim: um tipo de composição poética centrada na utilização de poucos elementos dispostos no papel de modo a valorizar a distribuição espacial, o tamanho e a forma dos caracteres tipográficos e as semelhanças fônicas entre as palavras."   5 - A poesia __________ significou o reconhecimento do poema como objeto também espacial, e da necessidade de procedimentos composicionais compatíveis com essa realidade."

  25. 115

    UERJ 2009

    Ideologia   Meu partido É um coração partido E as ilusões estão todas perdidas Os meus sonhos foram todos vendidos Tão barato que eu nem acredito Eu nem acredito Que aquele garoto que ia mudar o mundo (Mudar o mundo) Freqüenta agora as festas do “Grand Monde”   Meus heróis morreram de overdose Meus inimigos estão no poder Ideologia Eu quero uma pra viver   Ideologia Eu quero uma pra viver O meu prazer Agora é risco de vida Meu sex and drugs não tem nenhum rock ‘n’ roll Eu vou pagar a conta do analista Pra nunca mais ter que saber quem eu sou Pois aquele garoto que ia mudar o mundo (Mudar o mundo) Agora assiste a tudo em cima do muro   Meus heróis morreram de overdose Meus inimigos estão no poder Ideologia Eu quero uma pra viver Ideologia Eu quero uma pra viver CAZUZA e ROBERTO FREJAT - 1988 www.cazuza.com.br   Nos dois primeiros versos, a palavra partido é empregada com significados diferentes.   Esta repetição produz, no texto, o seguinte sentido:

  26. 116

    UEL 2015

    Momento   Enquanto eu fiquei alegre, permaneceram um bule azul com um descascado no bico, uma garrafa de pimenta pelo meio, um latido e um céu limpidíssimo com recém-feitas estrelas. Resistiram nos seus lugares, em seus ofícios, constituindo o mundo pra mim, anteparo para o que foi um acometimento: súbito é bom ter um corpo pra rir e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo alegre do que triste. Melhor é ser. (PRADO, A. Bagagem. 31.ed. Rio de Janeiro: Record, 2011. p.46.)     Sobre os versos “Resistiram nos seus lugares, em seus ofícios, / constituindo o mundo pra mim, anteparo / para o que foi um acometimento:”, considere as afirmativas a seguir.   I. O trecho “Resistiram nos seus lugares” tem como referentes “bule”, “garrafa”, “latido” e “céu”.   II. Em “o mundo pra mim”, o eu lírico expressa a sua confiança na sensação de conforto que lhe dão as coisas simples.   III. O trecho “para o que foi um acometimento” se refere à tristeza como coisa passageira.   IV. A palavra “anteparo” é metáfora para a vida parada e sem graça experimentada pelo eu lírico todo o tempo.   Assinale a alternativa correta.

  27. 117

    UEG 2003

    Sobre o pano de fundo político-ideológico que orienta o romance Pessach: a travessia, de Carlos Heitor Cony, é CORRETO afirmar:

  28. 118

    UEL 2016

    estupor   esse súbito não ter esse estúpido querer que me leva a duvidar quando eu devia crer   esse sentir-se cair quando não existe lugar aonde se possa ir   esse pegar ou largar essa poesia vulgar que não me deixa mentir (LEMINSKI, P. Toda Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p.249.)     Considerando o poema no conjunto da obra Toda Poesia, de Paulo Leminski, é correto afirmar que

  29. 119

    UFU 2016

    Texto I Logo descobriu que não podia absolutamente mais se mexer. Não se admirou com esse fato, pareceu-lhe antes um pouco natural que até agora tivesse conseguido se movimentar com aquelas perninhas finas. No restante sentia-se relativamente confortável. Na realidade tinha dores no corpo, mas para ele era como se elas fossem ficar cada vez mais fracas e finalmente desaparecer por completo. A maçã apodrecida nas suas costas e a região inflamada em volta, inteiramente cobertas por uma poeira mole, quase não o incomodavam. Recordava-se da família com emoção e amor. Sua opinião de que precisava desaparecer era, se possível, ainda mais decidida que a da irmã. Permaneceu nesse estado de meditação vazia e pacífica até que o relógio da torre bateu a terceira hora da manhã. Ele vivenciou o início do clarear geral do dia lá do lado de fora da janela. Depois, sem intervenção da sua vontade, a cabeça afundou completamente e das suas ventas fluiu fraco o último fôlego. KAFKA, Franz. A metamorfose. Trad. Modesto Carone. São Paulo: Cia das Letras, 1997. p. 78. Texto II  Saciada, espantada, continuou a passear com os olhos mais abertos, em atenção às voltas violentas que a água pesada dava no estômago, acordando pequenos reflexos pelo resto do corpo como luzes. A estrada subia muito. A estrada era mais bonita que o Rio de Janeiro, e subia muito. Mocinha sentou-se numa pedra que havia junto de uma árvore, para poder apreciar. O céu estava altíssimo, sem nenhuma nuvem. E tinha muito passarinho que voava do abismo para a estrada. A estrada branca de sol estendia sobre um abismo verde. Então, como estava cansada, a velha encostou a cabeça no tronco da árvore e morreu. LISPECTOR, Clarice. O grande passeio. In: Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 37-38 Embora de épocas e nacionalidades distintas, os protagonistas de A metamorfose e do conto “O grande passeio” têm em comum a 

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    UEG 2003

    ― “Mãe, que é que fizeram com o resto da roupinha do Dito?” ― agora ele queria saber. ― “Está guardada, Miguilim. Depois ela ainda vai servir para Tomezinho.” “― Mãe, e as alpercatinhas do Dito?” “― Também, Miguilim. Agora descansa.” Miguilim tinha mesmo que descansar, perdera a força de aluir com um dedo. Suava. Suava. ROSA, Guimarães. Manuelzão e Miguilim: (Corpo de baile). 11 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p. 143.    A respeito da prosa de Guimarães Rosa, na obra Manuelzão e Miguilim, exemplificada pelo trecho citado de “Campo geral”, assinale a alternativa INCORRETA:

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