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Literatura

Pré-modernismo - Contexto Histórico

Prof.ª Priscila timer 07:20

Nesta primeira videoaula sobre simbolismo você verá um contexto histórico da época para entender em que ambiente essa escola literária surgiu. Entenderá que o pré-modernismo foi um vão entre o simbolismo e o modernismo que surgiu posteriormente. Verá que o pré-modernismo surgiu em uma época de mentalidade liberal, com urbanização e imigração. Verá também que havia um crescimento industrial em andamento e insatisfação por parte do proletariado e trabalhadores rurais.

Nessa aula nós entenderemos como teve início o pré-modernismo aqui no Brasil. Lembrando que o pré-modernismo não foi uma escola literária que sucedeu o simbolismo. Na verdade, o pré-modernismo foi um vão entre o simbolismo e o modernismo que chegaria aí mais ou menos em 1915, no começo do século 20. Então, lembrando sempre que pré-modernismo não é escola literária, é apenas um vão que une duas escolas. O que acontecia no mundo nessa época? Então, vamos relembrar um pouquinho... Nós estávamos ali na fase realista, onde deixa-se o romantismo de lado e passa-se a retratar as questões sociais, fazer crítica social. À margem disso, nascem os poetas simbolistas, que começam, que retomam um pouco dessa questão universal que era o romantismo, desse sentimentalismo que os românticos tinham. Então, passa-se a ver uma espécie de duas escolas que caminham lado a lado aí: o realismo, que é a grande escola que domina aqui o Brasil na época e o simbolismo, um pouco marginalizado por não ter tanto espaço quanto o realismo que retratava as questões sociais. Nesse vão nasce o pré-modernismo, que foi uma escola que passa a fazer essas críticas também, porém de uma forma um pouco diferente. No realismo nós tínhamos aí o realismo fotográfico, então observava-se e retratava-se a realidade. Era uma escola imparcial. Não havia tanta denúncia. A denúncia consistia na retratação, na exposição, que até então não existia. O pré-modernismo começa a modificar isso, a denúncia social fica mais aberta, a crítica mesmo. São levantados temas polêmicos ali pra época. Então há essa diferença entre retratar de forma imparcial e retratar de uma maneira realmente crítica, em tom de denúncia. A mentalidade aqui destes primeiros anos do século 20 era uma mentalidade completamente liberal, tanto na forma de pensar, quanto na forma de escrever, e isso também vai distanciando cada vez mais o público do simbolismo, já que o simbolismo era uma escola presa à forma, como nós vimos. Havia aquela preocupação formal em escrever tudo certinho, a escolha de palavras, a preferência pelo soneto, assim como tinham os parnasianos. O pré-modernismo já quebra isso, agora nós somos livres para escrever, então não importa se vou escrever uma palavra em cada linha, se eu vou escrever um texto sem pontuação... Nós estamos numa época moderna, não devemos nos apegar a essas coisas, esses detalhes. O que nós devemos é passar a nossa mensagem da melhor forma possível, então aqui há uma forte ruptura com a estética, com a questão estética, e sim uma valorização do tema. No mundo, mais precisamente aqui no nosso país, havia um avanço. O mundo estava em progresso ali no começo do século 20 e aqui no Brasil estava havendo um grande processo de urbanização e de imigração. Por que? Porque a indústria estava crescendo cada vez mais e, à medida que a indústria crescia, necessitava-se de mais trabalhadores. Então vinham esses imigrantes para ocuparem esses cargos e, assim, o país estava progredindo nessa questão industrial. Porém, isso gerou insatisfação. Os trabalhadores, o proletariado, se sentia insatisfeito, não sentia que estava sendo remunerado de acordo, então começa-se ali nas cidades algumas revoltas em torno disso, greves, mais ou menos o que nós temos hoje, porém aqui de uma forma um pouquinho diferente afinal havia muita repressão também e essa repressão também era retratada nas obras dessa época. Então começa aqui um descontentamento desse proletariado. E na área rural também acontece a mesma coisa. Os trabalhadores rurais também se sentem insatisfeitos e isso aqui gerou uma das obras mais conhecidas dessa fase que é o 'Os Sertões' de Euclides da Cunha que nós vamos estudar na aula sobre os autores pré-modernistas que trata da Guerra de Canudos, que foi a principal revolta que ocorreu no sertão da Bahia, na área rural nessa época pré-modernista justamente porque nós estávamos vivendo ali uma divisão do nosso país, era como se tivéssemos dois Brasis, um deles agrário e conservador, entrando em choque com um país industrial e moderno. Então esse choque entre o tradicional e o moderno gerou muitas revoltas na época e muitas dessas revoltas resultaram em inúmeras mortes e a obra 'Os Sertões' de Euclides da Cunha é uma dessas obras que retratam essas mortes, afinal, a Guerra de Canudos ela pode ser traduzida na verdade como um massacre de Canudos, justamente por ter havido um choque entre uma população completamente equipada para uma batalha, que eram os soldados ali com armas e tudo mais, e um povo agrário ali, um povo do sertão, um povo até sem instrução, sem estudo, que se defendia com pedaços de madeira, com pedras... Então houve esse choque que vai ser retratado mais a fundo nessa obra de Euclides da Cunha. Então é isso que estava acontecendo no Brasil quando nós saímos ali de vez do simbolismo e entramos nessa fase moderna ou pré-moderna nesse caso. Foi uma época muito conturbada, uma época de divisão, uma época de muita insatisfação e que foi ali aos poucos tomando toda a arte. Então todas as expressões artísticas passaram a retratar isso, não só na literatura, mas também nos quadros, na música, tudo isso ficou muito evidente, essas questões sociais ganharam grande evidência à partir do pré-modernismo.

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