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Exercícios de Realismo e Naturalismo

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  1. 1. Espcex (Aman) 2011
    "Cultivado no Brasil por Machado de Assis, é uma narrativa voltada para a análise psicológica e crítica da sociedade a partir do comportamento de determinados personagens". O texto acima refere-se ao romance
  2. 2. FUVEST 2010
    - (...) É uma bela moça, mas uma bruta... Não há ali mais poesia, nem mais sensibilidade, nem mesmo mais beleza do que numa linda vaca turina. Merece o seu nome de Ana Vaqueira. Trabalha bem, digere bem, concebe bem. Para isso a fez a Natureza, assim sã e rija; e ela cumpre. O marido todavia não parece contente, porque a desanca. Também é um belo bruto... Não, meu filho, a serra é maravilhosa e muito grato lhe estou... Mas temos aqui a fêmea em toda a sua animalidade e o macho em todo o seu egoísmo... Eça de Queirós, A cidade e as serras. Neste excerto, o julgamento expresso por Jacinto, ao falar de um casal que o serve em sua quinta de Tormes, manifesta um ponto de Vista semelhante ao do
  3. 3. IFSP 2011
    Considere os textos. Tinham uma perspectiva biológica do mundo reduzindo, muitas vezes, o homem à condição animal, colocando o instinto sobre a razão. Os aspectos desagradáveis e repulsivos da condição humana são valorizados, como uma forma de reação ao idealismo romântico. (OLIVEIRA, CIenir Bellezi de. Arte literária: Portugal / Brasil. São Paulo: Moderna, 1999.) A sociedade é um grande laboratório onde o ser humano é observado agindo por instinto e, portanto desprovido de livre-arbítrio. Assinale a alternativa que informa o periodo literário a que o texto se refere, um autor do mesmo período e sua respectiva obra.
  4. 4. ENEM 2017
    — Recusei a mão de minha filha, porque o senhor é...filho de uma escrava. — Eu? — O senhor é um homem de cor!... Infelizmente esta é a verdade... Raimundo tornou-se lívido. Manoel prosseguiu, no fim de um silêncio: — Já vê o amigo que não é por mim que lhe recusei Ana Rosa, mas é por tudo! A família de minha mulher sempre foi muito escrupulosa a esse respeito, e como ela é toda a sociedade do Maranhão! Concordo que seja uma asneira; concordo que seja um prejuízo tolo! O senhor porém não imagina o que é por cá a prevenção contra os mulatos!... Nunca me perdoariam um tal casamento; além do que, para realizá-lo, teria que quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de não dar a neta senão um branco de lei, português ou descendente direto de portugueses! AZEVEDO, A. O mulato. São Paulo: Escala, 2008.   Infuenciada pelo ideário cientifista do Naturalismo, a obra destaca o modo como o mulato era visto pela sociedade de fins do século XIX. Nesse trecho, Manoel traduz uma concepção em que a
  5. 5. PUC-PR 2009
    Sobre "Dom Casmurro", de Machado de Assis, leia as afirmações a seguir e depois assinale a alternativa CORRETA: I. A obra mais conhecida de Machado de Assis tem como temática o adultério feminino, a exemplo de outras narrativas suas contemporâneas. II. O ciúme foi a causa da separação de Bentinho e Capitu, pois o fato de que Ezequiel é filho de Bentinho fica comprovado na narrativa. III. Ao criticar a sociedade de seu tempo, Machado de Assis desnuda as relações interpessoais, sempre egoístas, como acontece com Bentinho e Capitu. IV. Capitu, a mulher dissimulada, de olhos de cigana oblíqua, não consegue dissimular sua dor, por ocasião da morte de Escobar. V. Dom Casmurro é o marco inicial do Realismo brasileiro, de que Machado de Assis é o maior representante.
  6. 6. ITA 2012
    O texto abaixo é o início da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis. Uma noite dessas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso. [...] No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. [...] Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor titulo para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. Considere as afirmações abaixo referentes ao trecho, articuladas ao romance: I. O narrador já apresenta seu estilo irônico de narrar. II. O narrador assume uma alcunha que o caracteriza ao longo do enredo. III. Os eventos narrados no trecho inicial desencadeiam o conflito central da obra. IV. O titulo Dom Casmurro não caracteriza adequadamente o personagem Bentinho. Estão corretas apenas
  7. 7. ENEM 2011
    Abatidos pelo fadinho harmonioso e nostállgico dos desterrados, iam todos, até mesmo os brasileiros, se concentrando e caindo em tristeza; mas, de repente, o cavaquinho de Porfiro, acompanhado pelo violão do Firmo, romperam vibrantemente com um chorado baiano. Nada mais que os primeiros acordes da música crioula para que o sangue de toda aquela gente despertasse logo, como se alguém lhe fustigasse o corpo com urtigas bravas. E seguiram-se outras notas, e outras, cada vez mas ardentes e mais delirantes. Já não eram dois instrumentos que soavam, eram lúbricos gemidos e suspiros soltos em torrente, a correrem serpenteando, como cobras numa floresta incendiada; eram ais convuisos, chorados em frenesi de amor música feita de beijos e soluços gostosos; caricia de fera, caricia de doer, fazendo estala de gozo. AZEVEDO. A. O cortiço. São Paulo: Ática. 1983 (fragmento). No romance O Cortiço (1890), de Aluizio Azevedo, as personagens são observadas como elementos coletivos caracterizados por condicionantes de origem social, sexo e etnia. Na passagem transcrita, o confronto entre brasileiros e portugueses revela prevalência do elemento brasileiro, pois
  8. 8. UECE 2008
    Sobre o Realismo, assinale o INCORRETO.
  9. 9. ENEM 2013
    Capítulo LIV — A pêndula Saí dali a saborear o beijo. Não pude dormir; estireime na cama, é certo, mas foi o mesmo que nada. Ouvi as horas todas da noite. Usualmente, quando eu perdia o sono, o bater da pêndula fazia-me muito mal; esse tiquetaque soturno, vagaroso e seco parecia dizer a cada golpe que eu ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho diabo, sentado entre dois sacos, o da vida e o da morte, e a contá-las assim: — Outra de menos... — Outra de menos... — Outra de menos... — Outra de menos... O mais singular é que, se o relógio parava, eu davalhe corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu pudesse contar todos os meus instantes perdidos. Invenções há, que se transformam ou acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio é definitivo e perpétuo. O derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre. Naquela noite não padeci essa triste sensação de enfado, mas outra, e deleitosa. As fantasias tumultuavam-me cá dentro, vinham umas sobre outras, à semelhança de devotas que se abalroam para ver o anjo-cantor das procissões. Não ouvia os instantes perdidos, mas os minutos ganhados. ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992 (fragmento). O capítulo apresenta o instante em que Brás Cubas revive a sensação do beijo trocado com Virgília, casada com Lobo Neves. Nesse contexto, a metáfora do relógio desconstrói certos paradigmas românticos, porque
  10. 10. ENEM 2010
    Capítulo lll Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que aqui está na sala: um Meflstófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja, - primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria linguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria por na sala, como um pedaço da província, nem o pode deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços. ASSIS, M. Ouincas Borba. In: Obra completa. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993 (fragmento). Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universaIização de sua abordagem reside
  11. 11. FUVEST 2012
    Tendo em vista o conjunto de proposições e teses desenvolvidas em A cidade e as serras, pode-se concluir que é coerente com o universo ideológico dessa obra o que se afirma em:
  12. 12. ITA 2011
    A figura da prostituta aparece em diversos romances do século XIX. Por exemplo: I. Em Lucíola, a protagonista Lúcia deixa a prostituição depois que se apaixona por Paulo, o que significa que o amor verdadeiro pode regenerar a mulher. II. Em Memórias póstumas de Brás Cubas, Marcela consegue seduzir o jovem Brás Cubas, que lhe dá dinheiro e bens materiais, mas ela morre pobre. III. Ao final de O cortiço, Pombinha rompe com o casamento e opta pela prostituição, e faz isso, em boa medida, por vontade própria. Está(ão) correta(s)
  13. 13. MILTON CAMPOS 2014
    Assinale o trecho de O alienista em que melhor se verifica a instabilidade dos movimentos políticos:
  14. 14. MILTON CAMPOS 2014
    Em O alienista, além da sátira à ciência e à política, encontra-se também uma caricatura da própria linguagem retórica, como se vê na seguinte passagem:
  15. 15. MILTON CAMPOS 2015
    Leia o comentário a seguir, sobre a presença do grotesco em Machado de Assis.   “Elemento constante da configuração do grotesco literário é o motivo da ‘ideia fixa’. (...) Dominado pela ideia fixa, o personagem afasta-se de ligações de ordem material e realiza o distanciamento do mundo. A noção do distanciamento do mundo surge, portanto, como traço essencial na configuração do grotesco, funcionando como elemento catalizador dos outros traços estruturantes.” (FREITAS, Maria Eurides P. de. O grotesco na criação de Machado de Assis e Gregório de Matos. Rio de Janeiro: Presença, 1981. p.17)   Assinale o excerto que melhor exemplifica a ideia fixa sob a perspectiva do grotesco:
  16. 16. MILTON CAMPOS 2015
    Assinale o comentário equivocado em relação ao conto O alienista, de Machado de Assis:
  17. 17. MILTON CAMPOS 2015
    Leia o trecho que inicia o conto O alienista.   “As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo el-rei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia. - A Ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo.” (ASSIS, Machado de. O alienista. São Paulo: Ática, 2004. p.9)   O discurso direto presente no trecho sugere que
  18. 18. MILTON CAMPOS 2014
    Em relação à narrativa O alienista, de Machado de Assis, é CORRETO afirmar:
  19. 19. FASEH 2014
    Assinale a alternativa que caracteriza de forma INCORRETA a obra literária O alienista, de Machado de Assis.
  20. 20. FASEH 2014
    Assinale a alternativa em que se percebe uma relação CORRETA entre o personagem da obra O alienista e a respectiva passagem.
  21. 21. FASEH 2014
    Assinale a alternativa que apresenta um traço característico INCORRETO da obra O alienista, de Machado de Assis.
  22. 22. FASEH 2014
    Assinale a alternativa que contém informações CORRETAS sobre a obra literária de Machado de Assis O alienista.
  23. 23. PUC-GO 2015
    CAPÍTULO XVIII   Rubião e o cachorro, entrando em casa, sentiram, ouviram a pessoa e as vozes do finado amigo. Enquanto o cachorro farejava por toda a parte, Rubião foi sentar-se na cadeira, onde estivera quando Quincas Borba referiu a morte da avó com explicações científicas. A memória dele recompôs, ainda que de embrulho e esgarçadamente, os argumentos do filósofo. Pela primeira vez, atentou bem na alegoria das tribos famintas e compreendeu a conclusão: “Ao vencedor, as batatas!”. Ouviu distintamente a voz roufenha do finado expor a situação das tribos, a luta e a razão da luta, o extermínio de uma e a vitória da outra, e murmurou baixinho:   — Ao vencedor, as batatas!   Tão simples! tão claro! Olhou para as calças de brim surrado e o rodaque cerzido, e notou que até há pouco fora, por assim dizer, um exterminado, uma bolha; mas que ora não, era um vencedor. Não havia dúvida; as batatas fizeram-se para a tribo que elimina a outra a fim de transpor a montanha e ir às batatas do outro lado. Justamente o seu caso. Ia descer de Barbacena para arrancar e comer as batatas da capital. Cumpria-lhe ser duro e implacável, era poderoso e forte. E levantando-se de golpe, alvoroçado, ergueu os braços exclamando:    — Ao vencedor, as batatas!   Gostava da fórmula, achava-a engenhosa, compendiosa e eloquente, além de verdadeira e profunda. Ideou as batatas em suas várias formas, classificou-as pelo sabor, pelo aspecto, pelo poder nutritivo, fartou- -se antemão do banquete da vida. Era tempo de acabar com as raízes pobres e secas, que apenas enganavam o estômago, triste comida de longos anos; agora o farto, o sólido, o perpétuo, comer até morrer, e morrer em colchas de seda, que é melhor que trapos. E voltava à afirmação de ser duro e implacável, e à fórmula da alegoria. Chegou a compor de cabeça um sinete para seu uso, com este lema: AO VENCEDOR AS BATATAS.    Esqueceu o projeto do sinete; mas a fórmula viveu no espírito de Rubião, por alguns dias: — Ao vencedor as batatas! Não a compreenderia antes do testamento; ao contrário, vimos que a achou obscura e sem explicação. Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão. (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 38-39.)     Machado de Assis possui uma obscuridade que fascina o leitor, na medida em que o desconcerta. A magia de suas palavras e seus sentidos de mistério agem profundamente, embora a compreensão permaneça desorientada. No entanto, deve-se ressaltar que a linguagem literária não expressa tipos, conceitos ou emoções; é um leque de interpretações. O que faz a literatura ser literatura é a literariedade. Literariedade é a elevação da língua à sua função máxima, sua plurissignificação, sua polissemia, seu poder de sugestão, estranheza e sua linguagem solitária, mas solidária. Com relação à literatura de Machado de Assis, considerando o texto escolhido, analise as afirmativas a seguir:   I-O escritor buscou, por meio de personagens, transfigurar o embate entre a essência e a aparência, o caráter relativo da moral humana, as convenções sociais e os impulsos piores, a normalidade, a loucura e a precariedade da condição humana.   II-Machado, em Quincas Borba, exprimiu uma visão pessimista em relação à vida e ao ser humano. Mais do que pessimista ou negativista, a postura do escritor é niilista.   III-A “teoria do Humanitismo”, elaborada no romance Quincas Borba pelo “louco filósofo” Quincas Borba, pretende demonstrar que, na luta pela vida, vence sempre o mais forte, o mais esperto.   IV-Em Machado de Assis, a preocupação fundamental é a análise dos fatos; as personagens ficam em segundo plano e são apresentadas à medida que afloram à consciência ou à memória do narrador. Por essa razão, a narrativa não segue uma ordem cronológica, mas sim obedece a um ordenamento interior.   Em relação às proposições analisadas, marque a única alternativa cujos itens estão todos corretos:
  24. 24. UNIR 2010
    Machado de Assis desenvolve questões recorrentes em contos e romances. Marque a alternativa que apresenta aspectos também presentes no conto A Cartomante.
  25. 25. UNAMA 2007
    A leitura atenta de O Alienista, de Machado de Assis, possibilita que o leitor identifique o significado da expressão “Casa de Orates”, no texto, e a quem deseja servir Simão Bacamarte quando constrói a “Casa Verde”em Itaguaí.   A resposta correta às duas questões está em:
  26. 26. UNAMA 2007
    No conto “O Alienista”, Machado de Assis analisa a medicina que mais tarde seria chamada de psiquiátrica e concretiza a tese da impossibilidade de estabelecer limites entre a loucura e a razão.    Assinale a alternativa em que o fragmento poético repercute a tese machadiana sobre a loucura.
  27. 27. UNAMA 2009
    Leia os fragmentos a seguir:   A revolução triunfante não perdeu um só minuto; guiou para a Câmara Povo e davam vivas ao “ilustre Porfírio”. Este ia na frente, empunhando tão destramente a espada, como se ela fosse apenas uma navalha um pouco mais comprida. A vitória cingia-lhe a fronte de um nimbo misterioso. A dignidade de governo começava a eurijar-lhe os quadris. O barbeiro, acompanhado de alguns de seus tenentes, entrava na sala da vereança intimava à Câmara a sua queda. A Câmara não resistiu, entregou-se e foi dali para a cadeia. (O Alienista, Machado de Assis)   Os cabelos do capitão Ferreira puseram-se de pé e duro como estacas. Ele bem sabia o que aquilo era. Aquela voz era a voz de cobra grande, da colossal sucuriju, que reside no fundo dos rios e lagos. Eram os lamentos do monstro em laborioso parto (...). Mas a voz, a terrível voz aumentava de volume. Cresceu mais, cresceu tanto afinal, que os ouvidos do capitão zumbiram, tremeram-lhe as pernas e caiu no limiar de uma porta. Com a queda, espantou um grande pássaro escuro que ali parecia pousado, e que voou cantando. – Acauã, acauã! (Acauã, Inglês de Souza)   De repente, chega ao Mutum, um senhor de óculos (Dr. Lourenço) e a amizade se estabelece (...). Era isto mesmo: Miguilim era piticego, tinha vista curta, e não sabia. E então o senhor (que era doutor) tirou os óculos e deu-os a Miguilim: “Olha, agora!” Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. O Mutum era bonito! - agora Miguilim via claramente. E então veio o convite: - O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois aprendia ofício. E, assim, Miguilim teria uma nova perspectiva na vida: a criança de calça curta ia penetrar, agora, em um novo mundo. (Manuelzão e Miguilim, Campo Geral – Guimarães Rosa)   A leitura das narrativas de O Alienista, de Machado de Assis, Acauã, de Inglês de Souza, e Manuelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa, permitem avaliar as cinco afirmativas a seguir, a respeito dos fragmentos dados à leitura.   I. As três narrativas constroem-se em espaço natural, aberto, embora com paisagens totalmente diversas, onde se pode ter contato íntimo com a natureza e ainda se povoam tradições e valores deixados pelos antepassados. II. Nos contos de Inglês de Souza e de Guimarães Rosa há, respectivamente, presença de palavras que nomeiam aves noturnas e de mau agouro: Acauã e Mutum. Essas palavras, em ambas as narrativas citadas, dão nomes carregados de significação aos lugares onde acontecem as histórias contadas por esses autores. III. O fragmento de O Alienista expõe a visão pessimista machadiana sobre a conduta humana: o Boticário, que se pronunciava “amigo” do Alienista, muda de lado de modo egoísta, para salvar-se da perseguição do novo governo, mostrando a instabilidade ideológica do homem. IV. O trecho do conto de Guimarães Rosa se encerra com uma cena simbólica: a descoberta de que Miguilim era míope, e a possibilidade de uma nova vida em outro lugar. V. Em Acauã, a aparição do pássaro é tida como prenúncio de episódio sobrenatural e o trecho desse conto de Inglês de Souza exemplifica a presença da ave sombria, pelo canto agourento.   O correto está em
  28. 28. UNB 2011
    Olhos de ressaca   Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada.” Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...   Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-me definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe — para dizer alguma coisa — que era capaz de os pentear, se quisesse.  — Você? — Eu mesmo. — Vai embaraçar-me o cabelo todo, isso sim. — Se embaraçar, você desembaraça depois. — Vamos ver. Machado de Assis. Dom Casmurro. In: Obras completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008, p.965.   A caracterização dos olhos no trecho “com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles” revela
  29. 29. UPE 2013
    Fragmento do romance Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida I Origem, Nascimento e Batismo.   Era no tempo do rei.   Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando‐se mutuamente, chamava‐se nesse tempo  ‐  O canto dos meirinhos ‐; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando‐se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo. Daí sua influência moral.   Mas tinham ainda outra influência, que é justamente a que falta aos de hoje: era a influência que derivava de suas condições físicas. Os meirinhos de hoje são homens como quaisquer outros; nada têm de imponentes, nem no seu semblante nem no seu trajar, confundem‐se com qualquer procurador, escrevente de cartório ou contínuo de repartição. Os meirinhos desse belo tempo não, não se confundiam com ninguém; eram originais, eram tipos, nos seus semblantes transluzia um certo ar de majestade forense, seus olhares calculados e sagazes significavam chicana. Trajavam sisuda casaca preta, calção e meias da mesma cor, sapato afivelado, ao lado esquerdo aristocrático espadim, e na ilharga direita penduravam um círculo branco, cuja significação ignoramos, e coroavam tudo isto por um grave chapéu armado.     Colocado sob a importância vantajosa destas condições, o meirinho usava e abusava de sua posição. Era terrível quando, ao voltar uma esquina ou ao sair de manhã de sua casa, o cidadão esbarrava com uma daquelas solenes figuras que, desdobrando junto dele uma folha de papel, começava a lê‐la em tom confidencial! Por mais que se fizesse não havia remédio em tais circunstâncias senão deixar escapar dos lábios o terrível ‐ Dou‐me por citado.  ‐ Ninguém sabe que significação fatalíssima e cruel tinham estas poucas palavras! Eram uma sentença de peregrinação eterna que se pronunciava contra si mesmo; queriam dizer que se começava uma longa e afadigosa viagem, cujo termo bem distante era a caixa da Relação, e durante a qual se tinha de pagar importe de passagem em um sem‐número de pontos; o advogado, o procurador, o inquiridor, o escrivão, o juiz, inexoráveis    Carontes, estavam à porta de mão estendida, e ninguém passava sem que lhes tivesse deixado, não um óbolo, porém todo o conteúdo de suas algibeiras, e até a última parcela de sua paciência. Disponível em: http://stat.correioweb.com.br/arquivos/educacao/arquivos/ManuelAntniodeAlmeida-emriasdeumSargentodeMilcias0.pdf. Acesso em: 18/09/2013   Sobre o texto, analise as afirmativas a seguir:   I. O livro Memórias de um Sargento de Milícias (1852), de Manuel Antônio de Almeida, distanciando‐se dos textos produzidos por autores mais identificados com a estética romântica, possui nuances que lhe configuram uma novela categorizada como realista. II. Pelo que se lê no fragmento do livro de Manuel Antônio de Almeida, a palavra “meirinhos”, utilizada repetidas vezes, evidencia, de forma contundente, as principais características da época de transição na qual o livro se encaixa. III. O tema abordado em Memórias de um Sargento de Milícias (1852), de alguma maneira, anuncia temas, direta ou indiretamente, os quais virão a ser tratados em obras que se coadunam mais com a estética literária realista. IV. No fragmento analisado, o narrador comenta sobre as demais personagens com um certo “tom” irônico, atitude ficcional pouco comum, por exemplo, no romance A moreninha (1844), de vez em quando. V. Segundo o que lemos no fragmento analisado, o “cidadão” que, porventura, durante o seu trajeto, encontrasse um “meirinho” teria de arcar com problemas relacionados a despesas, envolvendo figuras oficiais.   Estão CORRETAS
  30. 30. UPE 2012
    Sobre a escola literária Realista, analise as afirmativas a seguir.   I. Fundamentada numa linha de pensamento racionalista e ao mesmo tempo não racionalista, a escola literária realista brasileira tem como premissa central criar uma arte tomada pelos ideários que definiram o pensamento de importantes autores brasileiros, tanto na poesia quanto na prosa. II. Um dos princípios da estética realista é a busca pela relação biunívoca entre realidade e fantasia. Isso implica uma tentativa de conseguir a produção de textos literários, identificados com propostas positivistas, cuja base de pensamento é a racionalidade como a faculdade humana única e legítima para conceber a verdade. III. No Brasil, a chamada estética naturalista tem em livros, como O cortiço, de Aluísio Azevedo, e A carne, de Júlio Ribeiro, expressiva manifestação. A estética realista se diferencia da estética naturalista em vários pontos, porém o que mais se destaca é que a primeira busca a realidade, e a segunda almeja lampejos do fantasmagórico. IV. No conto “Antes da Missa”, Machado de Assis critica o comportamento da sociedade brasileira no que diz respeito à moralidade. O referido autor pode ser considerado, no Brasil, um dos mais importantes autores da estética realista, e o conto citado, um exemplo dessa estética em sua obra. V. Há uma expressiva diferença entre a estética romântica e a realista. No entanto, em ambas, a linguagem, por ser de natureza literária, encontra-se sempre figurada. Segundo a crítica especializada, Machado de Assis perpassa essas estéticas, sendo de ambas um exímio representante.   Estão CORRETAS, apenas,
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