Resumo de Eça de Queirós - A Relíquia - Literatura

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AULA 1

Análise da Obra

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Introdução

Eça de Queirós é o principal representante do Realismo português. Suas obras costumam abordar temas simples e do cotidiano, permeados de ironia, humor, pessimismo e crítica social.  Em seu tempo foi duramente criticado por suas críticas ao clero e à própria pátria, como ocorre  em “O Crime do Padre Amaro”, “O Primo Basílio” e "A Relíquia".

 

Resumo

A Relíquia é uma obra realista de Eça de Queirós publicada em 1887, em Portugal. Possui fortes características da escola literária a qual pertence, como críticas e tom sarcástico em relação à sociedade da época, permeada por valores católicos.

A história é narrada em primeira pessoa pelo protagonista, Teodorico Raposo, cujas memórias vão aparecendo progressivamente, conforme ele relembra sua infância; sua adolescência, quando perde seu pai e passa a ser criado pela tia; sua juventude em Lisboa, na Universidade de Coimbra e, por fim, sua longa viagem à Terra Santa, ambientação da maior parte de suas aventuras.

A história apresenta duas personagens bem opostas: de um lado, Dona Maria do Patrocínio, a tia Patrocínio, ou Titi; rica e religiosa, torna-s­­­­­­e uma caricatura das devotas católicas da época. Do outro lado, seu sobrinho Teodorico Raposo, entregue aos valores mundanos.

Teodorico é enviado a um colégio interno e depois para Coimbra, para continuar seus estudos. Quando volta para a casa de sua tia, em Lisboa, conhece Adélia e se torna seu amante. Mas, ele acaba sendo traído e abandonado por ela, e então tenta convencer sua tia a enviá-lo a Paris, para seguir sua vida. Entretanto, para a devota Titi, a cidade era um ambiente devasso, que poderia corrompe-lo facilmente. Oferece ao sobrinho, então, uma peregrinação a Jerusalém, para que colocasse as ideias em ordem e se aproximasse de sua fé. Ela, ainda, lhe encomenda uma relíquia, algo original com a qual ele pudesse lhe presenteá-la. A princípio Teodorico fica contrariado, mas aceita a viagem, imaginando que teria a oportunidade de conhecer diversas mulheres ao longo dos locais pelos quais se hospedasse.

Ele parte, e logo no início da viagem faz amizade com Topsius, que passa a ser seu companheiro de empreitada. Em Alexandria conhece Miss Mary, de quem se torna amante pelo período que passa no local. Como lembrança dos momentos íntimos vividos por eles, Miss Mary lhe dá um embrulho com uma camisola sua dentro, para que ele carregue ao longo da viagem e não se esqueça dela. Teodorico segue seu rumo, com o amigo.

Ao chegarem à Palestina, Teodorico se interessa por uma vizinha de quarto, casada. Como não é correspondido, vai com o amigo se divertir numa boate, mas as mulheres de lá não o agradam e os amigos seguem para Jerusalém.

Em seguida ele passa a descrever detalhadamente sua participação nas sagradas cenas que envolvem a morte e a ressurreição de Jesus, mas acaba revelando que se tratava apenas de um sonho.

Na sequência ele narra a descoberta de uma suposta árvore de espinhos, de onde teria saído o galho que forjara a verdadeira coroa de espinhos de Jesus. Havia acabado de encontrar a relíquia encomendada por sua tia, que poderia fazer dele seu herdeiro e lhe garantir vida boa para sempre.

Teodorico a embrulhou e guardou juntamente com o embrulho que havia ganhado de Miss Mary. Como tinha de se livrar deste antes de retornar à casa da tia, entregou-o a um pedinte na rua, quando já faziam o caminho de volta. O problema é que ele se confundiu com os embrulhos iguais, e o que foi entregue ao pedinte foi a camisola. Para completar o desastre, o embrulho da amante foi entregue à tia.

Como já era de se esperar, Teodorico é expulso de casa e passa a viver da venda de relíquias que ele mesmo fabricava. O negócio, apesar de próspero, fracassa com o passar do tempo. A tia falece e lhe deixa em testamento apenas seu “óculo”.

Teodorico, por fim, se casa com a irmã de um colega dos tempos do colégio interno, e passa a viver uma vida comum. Arruma emprego, torna-se pai, possui uma carruagem, mas não consegue deixar de pensar que quando entregou a encomenda à tia, podia ter afirmado que pertencera a “Santa Maria Madalena”, já que o nome da santa coincidia com as iniciais de Miss Mary no embrulho de papel...

 

Análise

Esta obra denuncia um Portugal extremamente conservador, e Titi é uma boa representação disso. Eça expõe e critica uma sociedade falsamente religiosa, que ainda vive de aparências. Ainda utilizando a personagem Titi para exemplificar, ela, tão devota e piedosa, não hesita em deserdar seu sobrinho pelo fato de ele possuir uma forma de vida diferente da sua, e ir contra as coisas em que ela acredita, colocando-o para fora de casa sem se preocupar em como ele iria sobreviver. Ela também se posiciona contra os relacionamentos amorosos e as crianças, contradizendo os ensinamentos de sua religião, o que a torna uma personagem hipócrita e preocupada apenas em manter as aparências (e seu dinheiro).

Em Portugal no século XIX, contexto desta obra, o catolicismo já estava em decadência, mas a sociedade em geral buscava viver de aparências. Eça de Queirós busca, portanto, demonstrar o atraso de seu país, além de se demonstrar cético em relação à religiosidade, através do protagonista Teodorico Raposo, que se finge de religioso para ganhar a confiança e a herança da tia.

Tudo era aparência. Ele só amava o dinheiro, igual à sua tia. Não há caridade ou verdade nos personagens. Tudo é falso. Assim como Eça enxergava a própria religião em si.

Teodorico é, na realidade, um personagem voluptuoso, que sonha em viajar para Paris, cidade que simboliza a vida de riquezas, belezas e luxúria que ele almeja, além de representar a revolução, tão odiada pelos conservadores católicos.

Tudo nele é mentira e dissimulação. Tanto que seu lamento final é o de não ter sido esperto o bastante para dizer à tia que a camisola na verdade pertencera a Maria Madalena, já que o nome condizia com as iniciais Miss Mary. Ou seja, ele não só não se arrepende se suas mentiras, como lamenta não ter mentido mais.

A obra, portanto, tem o objetivo de ironizar e criticar a sociedade portuguesa da época.

 

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