Resumo de Helena Morley - Minha Vida de Menina - Literatura

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AULA 1

Análise da obra

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A obra Minha Vida de Menina, de Helena Morley, é formada por passagens do diário da própria autora durante sua adolescência, entre 1893 e 1895, mas só foi publicado em 1942, com o intuito de mostrar às adolescentes da década de 40 as diferenças entre a vida levada por elas e a simplicidade do cotidiano das garotas do final do século XIX, na cidade de Diamantina, em Minas Gerais.

Por se tratar de um diário, predomina o tom coloquial e o registro do dia a dia de Helena, desde os menores acontecimentos até os mais grandiosos, retratando fielmente a sociedade da época, numa reprodução de seu mundo e de seus valores.

O livro possui, ademais, grande valor histórico, por narrar um período tão importante da história brasileira, quando a Lei Áurea (1888) e a República (1889) haviam sido recém-instauradas. Através do cotidiano da garota temos contato com problemáticas como a permanência do negro na condição de escravo mesmo após a abolição, o coronelismo, a crise econômica em que se encontravam os mineradores de Diamantina agora que a extração de diamantes estava escassa, dentre outras.
O livro possui, ainda, forte carga humorística, ao passo que Helena, curiosa e pragmática, questiona tudo o que vê e ouve, justificando que para algo ter valor, tem de ser muito bem explicado e provado.

Sobre a história narrada por ela vale ressaltar que, por se tratar de um diário, todas as vivências são importantes para construirmos a imagem da garota, mas algumas podem ser destacadas para melhor compreensão de seu universo.

Helena era de família inglesa, e por isso convivia com alguns parentes, como sua tia Madge, que traziam bem enraizados os costumes britânicos. Assim, em alguns momentos, presenciamos certo choque cultural entre ingleses e a vida humilde dos mineiros, que era a levada por Helena e seus pais. Além disso, o livro possui diversas polaridades, nos mostrando, por exemplo, os papéis dos homens e das mulheres dentro da sociedade da época, no qual o chefe da família saía para trabalhar, por vezes passando dias fora, e a função da mulher era o cuidado da casa e dos filhos; a oposição entre protestantismo e catolicismo; religião versus ciência, ao passo que a protagonista, apesar da religiosidade da família, frequentemente questionava o que ouvia de sua mãe e avó sobre a Igreja; contraste entre a cultura erudita, representada pelos ingleses, e a cultura popular; crise versus prosperidade, através da ascensão e decadência da cidade de Diamantina; dentre outras.

Assim, vemos em Minha Vida de Menina uma adolescente contando sobre seu dia a dia simples, mas feliz, nos aproximando, inclusive, de temas árcades como o bucolismo e o carpe diem. Trata-se, portanto, de uma obra leve, de fácil leitura, mas que traz consigo importantíssimos registros culturais e históricos sobre nosso país.

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