Entenda como esse recurso pode fazer com que textos diversos sejam relacionados

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A intertextualidade é um recurso de texto que permite ao escritor mesclar elementos de outros textos com o material que ele está desenvolvendo. Isso pode ser feito de forma explícita ou implícita. E também há vários tipos diferentes de intertextualidade que podem ser usadas para criar esse dinamismo.

Tipos de intertextualidade

A intertextualidade pode ser expressa no texto ou em qualquer outro tipo de linguagem das mais variadas formas. Entre as inúmeras opções, as principais são:

Citação

Recurso textual muito utilizado em material jornalístico, trata-se de um trecho de fala ou escrita de outra pessoa, apresentada entre aspas e, geralmente, com a identificação do autor.

Paródia

O autor do texto se apodera de uma fala ou escrita e, de forma irônica ou crítica, ele apresenta uma versão contrária, podendo ser feito de forma discreta ou explícita.

Paráfrase

A ideia central é preservar a concepção inicial do texto que será utilizado na paráfrase. Em linhas gerais, acontece quando o escritor utiliza outras palavras para descrever a mesma ideia já transmitida em outro texto.

Pastiche 

Esse tipo de intertextualidade acontece quando inúmeros discursos são reunidos em um único texto, criando uma mistura de ideias e conceitos apresentados em conteúdo único.

Referência e alusão 

De maneira sútil e utilizando características secundárias do texto, o escritor não transcreve explicitamente o texto que está sendo referenciado, mas faz uma alusão ao conteúdo.

Tradução 

Esse recurso intertextual é utilizado quando um conteúdo em língua estrangeira é adaptado ao idioma local. Por exemplo, acontece quando um texto em inglês é traduzido e adaptado para o português.

Epígrafe 

Texto de abertura de uma narrativa, utilizado para expressar ideias e opiniões do autor. Uma introdução para o conteúdo que será apresentado a seguir.

Exemplos de intertextualidade

Um dos exemplos de intertextualidade mais conhecidos talvez seja a música Monte Castelo, da Legião Urbana. Nela, é possível encontrar trechos dos versículos bíblicos 1 e 4, do capítulo 13 de Coríntios. Ainda há citação de trechos da obra “Sonetos”, de Luís Vaz de Camões (1524-1580).

As frases de inspiração, literalmente, são: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine” e “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece”.

Canção “Monte Castelo” – Legião Urbana

“Amor é um fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói, e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;

É um andar solitário entre a gente;

É nunca contentar-se e contente;

É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”

Também é possível encontrar a intertextualidade na música “Bom Conselho”, do cantor e compositor brasileiro Chico Buarque. Ele utiliza famosos ditados populares em sua criação, mas, ao invés de usá-los conforme foram escritos, ele fez um jogo de palavras e inverte a ordem do que é escrito.

Provérbios populares

“Uma boa noite de sono combate os males”

“Quem espera sempre alcança”

“Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”

“Pense, antes de agir” “Devagar se vai longe”

“Quem semeia vento, colhe tempestade”

Canção “Bom Conselho” – Chico Buarque, 1972

Ouça um bom conselho

Que eu lhe dou de graça

Inútil dormir que a dor não passa

Espere sentado

Ou você se cansa

Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo

Deixe esse espaço

Brinque com meu fogo

Venha se queimar

Faça como eu digo

Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo

Vim de não sei onde

Devagar é que não se vai longe

Eu semeio vento na minha cidade

Vou pra rua e bebo a tempestade

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Luiz Serpa

Jornalista, corredor, amante de futebol americano e integrante do time de Marketing e Conteúdo do Stoodi. Prefere ser chamado de “Serpa” e é apaixonado por cachorros.

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