Apropriação cultural: o que é, exemplos e mais!

Você já ouviu falar em apropriação cultural? Esse debate vem ganhando proporções cada vez maiores na atualidade, embora seja objeto de estudo das ciências humanas desde seus primórdios. Por conta do aumento das discussões e pertinência social, é provável que ele seja tema da redação do Enem e vestibulares nos próximos anos.

A apropriação cultural trata-se de uma questão delicada e até mesmo polêmica, mas não devemos deixar de refletir e promover discussões produtivas acerca do tema.

Assim sendo, elaboramos um conteúdo para que você fique por dentro desse assunto!

O que é apropriação cultural?

A questão da apropriação cultural é mais profunda do que pode parecer, tendo implicações na maneira como nós pensamos enquanto indivíduos e nossa relação com o mundo. De um ponto de vista superficial, ela diz respeito a um processo natural de trocas entre culturas e indivíduos, algo que faz parte de qualquer sociedade.

Entretanto, o termo apropriação chama a atenção para um aspecto que muitas vezes é negligenciado na construção individual e social: as culturas são valorizadas de maneiras diferentes em cada contexto e época.

Quando falamos de cultura, referimos aos elementos individuais que absorvemos a partir do convívio social. Diz a respeito a tudo que compõe nossa identidade, como idioma, forma de expressão, vestuário, acesso a recursos, entre outros. O vestuário é um tema interessante para entender apropriação cultural, como por exemplo o uso de turbantes.

O turbante é um símbolo da ancestralidade africana e, quando passa a ser comercializado e usado apenas por ser algo bonito e legal, torna-se alvo de críticas e insatisfação da população negra. Tal insatisfação trata-se de uma discussão que envolve, principalmente, a apropriação cultural, o capitalismo e o preconceito religioso.

Apropriação cultural no Brasil

O Brasil, principalmente por sua história e extensão territorial, se constituiu enquanto um país com ampla diversidade cultural e trocas entre as identidades que o formaram.

Agora, vamos ver alguns exemplos dessas culturas relacionadas a apropriação cultural.

O exemplo do funk brasileiro

Um bom exemplo disso é a questão do funk no Brasil. É um gênero musical criado nas favelas, que era considerado como música de menor qualidade. Com o passar do tempo, houve um reconhecimento crescente desse valor, que alcançou até mesmo escalas globais de audiência.

Ainda assim, ele também continua sendo um estilo musical marginalizado. Trata-se de um tipo de música que em nossa cultura está associada a criminalidade, imoralidade e com pouco valor estético.

Jovens de periferia que consomem esse estilo – com vestuário, gírias e expressões – são consequentemente associados aos preceitos negativos descritos anteriormente. Ainda que esse adolescente não seja um criminoso, é possível que ele seja discriminado por agentes da lei ou desconhecidos, unicamente por portar esses traços individuais.

Contudo, existe hoje uma explosão do funk em todas as camadas sociais. É possível escutá-lo em festas luxuosas e grandes eventos, algo impensável há um tempo atrás.

Entretanto, é problemático que ele seja aclamado em determinados espaços, mas continue sendo discriminado justamente no contexto de seu surgimento. A própria história do surgimento do funk e muitas de suas letras diz respeito a esse cenário de violência que ainda se perpetua nas favelas.

Exemplos de apropriação cultural

Levando em conta a complexidade da temática, vamos exemplificar outras situações que a ilustram para ajudar a compreensão em outros contextos. Vamos lá?

índios apropriação cultural

Dia do índio como apropriação cultural

É provável que você já tenha se vestido de índio em seu colégio, como forma de conhecer e valorizar essa cultura. Normalmente os professores pintam os alunos com temas tribais, são confeccionados adereços indígenas, rituais podem ser encenados com a turma, etc.

A questão é que isso acontece de uma maneira superficial. Índios são tratados como esse grande povo homogêneo que compartilha da mesma identidade. Entretanto, as sociedades indígenas são radicalmente diferentes entre si, em seus costumes, organização social, forma de enxergar o mundo.

Além disso, os povos nativos do Brasil passam por todo tipo de violência e exclusão há séculos. Essa parte da história, que ainda é um problema real para eles, não costuma aparecer nessas retratações escolares.

É importante compreender que, o ato propriamente dito de crianças se vestirem como índios não caracteriza uma violência direta contra esses povos. Entretanto, uma data como essa certamente poderia ser mais elaborada.

Ao invés de um distanciamento, onde tratamos o índio como algo exótico e primitivo, seria possível estabelecer uma aproximação mais respeitosa dessa outra cultura que dialogasse com os saberes indígenas de maneira consciente sobre a experiência desses grupos.

Fantasias de carnaval e estereótipos raciais

Outro exemplo frequente sobre a questão da apropriação cultural diz respeito às fantasias de carnaval e outros eventos similares. Um exemplo bastante concreto é a fantasia de “nega maluca”.

Muito embora tenha sido encarada em nossa sociedade como uma brincadeira sem intenção de causar mal, hoje, já entendemos que ela perpetua uma visão, no mínimo, de mau gosto sobre mulheres negras.

O próprio termo “nega maluca” já explica bem o problema da imagem que a fantasia evoca. São usados adereços como perucas e pintura corporal que retratam uma imagem preconceituosa dessas mulheres.

Também está presente um preconceito tipicamente brasileiro, da hiperssexualização de mulheres, especialmente de negras e pardas. O estereótipo da “mulata tipo exportação” é outro exemplo disso, algo que esconde e explica muitas das práticas de assédio sofridas diariamente por essas mulheres.

Apropriação cultural: redação

Por se tratar de um assunto importante e que está em pauta no momento, as chances de que ele venha a ser cobrado em temas de redação são grandes. É um assunto muito extenso, que pode ser apresentado por diversas abordagens.

Argumentos como o de que “não existe apropriação cultural” são desencorajados, pois anulam a discussão e falham em reconhecer o ponto principal desse debate. Sua escrita, portanto, deve ser capaz de contemplar ambos os lados dessa discussão e ainda, propor uma proposta de intervenção para a problemática exposta.

Agora que você entende melhor o que é apropriação cultural, que tipo de solução consegue pensar para ela? Obviamente, não se trata de uma resposta simples, mas o convite a pensar já nos ajuda a formular questionamentos e hipóteses que te ajudam a trabalhar, não só esse tema, como também outros pontos polêmicos da atualidade.

Para mandar muito na redação do Enem você pode acessar nossos temas de redação e começar a treinar! É uma função exclusiva do Stoodi, que devolve seu texto com opiniões reais de nossa equipe sobre seu estilo de escrita e o que pode ser melhorado.

Experimente, também, o nosso plano de estudos e comece a se preparar para o Enem e conquistar a tão sonhada vaga!

Tenha acesso GRATUITO a mais de 6 mil videoaulas, 30 mil exercícios, resumos teóricos e materiais complementares pra download!