Se existe algo importante no ano letivo de qualquer estudante é a realização do Enem. Só que para ser melhor compreendida, essa prova precisa ser vista em suas disciplinas, como na abordagem que faremos aqui, especificando sobre a Sociologia no Enem.

De fato, tradicionalmente a prova do Exame Nacional do Ensino Médio é dividida em quatro áreas do conhecimento, baseadas num cabedal de saberes e práticas que foram abordados durante todo o Ensino Básico.

Essas áreas estruturais são as seguintes:

  1. As Ciências Humanas e suas Tecnologias;
  2. As Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
  3. A Matemática e suas Tecnologias;
  4. As Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.

É justamente na primeira delas, de Ciências Humanas, que encontramos não apenas a Sociologia de que vamos tratar aqui, como também a História, a Geografia e a Filosofia. Ao contrário do que muitos pensam, o peso delas na prova é grande.

Ou seja, não adianta estudar apenas Português e Matemática. A razão para isso é muito simples: além da pontuação que essas questões de Ciências Humanas têm em si mesmas, elas podem contribuir e muito para a redação, que tem um peso enorme no conjunto.

Adiante vai ficar claro como os temas da Sociologia já dão a entender a interseção que eles fazem com temas típicos da redação, somente pelos títulos. Seja como for, é importante compreender, no decorrer deste artigo, a importância do próprio Enem.

Criado no ano de 1998, sua finalidade é avaliar o desempenho dos estudantes que cursaram o período do Ensino Médio em escolas de todos os tipos, desde uma escola de ensino integral até outras municipais que praticam o mínimo do currículo.

Hoje, que já faz mais de duas décadas desde sua criação, esse exame é uma bela porta de entrada para o próprio Ensino Superior no Brasil. Daí sua importância.

Lembrando que já não é apenas o ensino público que considera a nota final do Enem para a colocação de um aluno. Também as universidades particulares podem levar isso em conta, sobretudo para considerar bolsas de estudo e abatimento na matrícula.

Ademais, lembre-se sempre de que o estudo exige um esforço contínuo e disciplinado, pois o famoso “deixar para a última hora” é sempre ruim.

Ao passo que estudar um pouco por dia, respeitando um ambiente de estudo adequado e uma boa alimentação, pode ajudar e muito. Então, vamos lá!

1.     Questões em torno da cultura

Há várias concepções possíveis acerca de cultura, cujo debate acontece desde a antiguidade, na época dos filósofos gregos, cerca de 2500 anos atrás.

No seu sentido dicionarizado, o termo envolve tanto o conjunto dos hábitos sociais de um povo (costumes religiosos, de manifestações artísticas, intelectuais, etc.), até o conjunto dos conhecimentos que um indivíduo adquire durante sua vida.

Na prática, tudo é cultura, desde um carpete para sala que determinado povo utilize, até questões metafísicas e filosóficas.

Mas é possível traçar, mesmo assim, alguns pontos em comum que costumam cair no Enem. O primeiro deles é o da “falsa noção de contemporaneidade”.

A ilusão que esse conceito cria faz as pessoas se verem no momento central da história, julgando tudo o mais como algo ou ultrapassado, ou mesmo errado.

Portanto, o aluno precisa ser capaz de problematizar essa questão, e mostrar a universalidade da condição humana. Essa visão mais crítica pode passar por vários tópicos, entre eles a questão etnocêntrica.

O etnocentrismo é, justamente, a tendência natural no homem de julgar tudo e todos a partir de sua própria ótica, ou melhor, da ótica do grupo étnico de que faz parte. Ramificações deste assunto incluem, direta ou indiretamente:

  • O multiculturalismo;
  • A contracultura;
  • A identidade cultural;
  • O relativismo cultural;
  • A cultura de massas;
  • A cultura erudita;
  • Entre outros tópicos.

Por fim, a questão da “indústria cultural” também faz parte desse assunto. Hoje a academia reconhece o conceito de “capital cultural”, desenvolvido por Pierre Bourdieu (1930-2002), que diz respeito ao conjunto de saberes de uma pessoa.

O interessante é compreender como os problemas de transmissão de conhecimento da educação podem desencadear uma situação de baixo capital cultural, que vai resultar em uma vivência e realização sociológica limitada.

2.     As evoluções da noção de trabalho

No Brasil e em países de terceiro mundo (ou considerados “emergentes”, como é nosso caso), é muito comum a questão do trabalho ganhar uma importância maior, justamente por conta das abordagens que lidam com relações conflituosas.

É o exemplo do assunto em torno da exploração de classes, que é uma abordagem eminentemente marxista, baseada em Karl Marx (1818-1883).

Ela pode questionar, por exemplo, a qualidade de vida de um empresário da área dos fornecedores de refeições para empresas em relação aos seus colaboradores. O resultado da crítica não precisa ser, necessariamente, negativo.

O importante é o aluno ser capaz de ponderar a complexidade das relações sociais. Uma dica valiosa é considerar outras teorias, como outro nome de peso, que é o de Émile Durkheim (1858-1917).

Um dos pontos fundamentais nele, que costuma cair no Enem, é o da divisão do trabalho social, que envolve temas que hoje já são clássicos, como em torno da solidariedade orgânica e da solidariedade mecânica.

Sobretudo no que diz respeito ao período da Revolução Francesa e da posterior organização científica do trabalho, que desencadeou o que ficou conhecido como fordismo ou taylorismo.

estudante curso de sociologia

3.     Papel da cidadania e do poder

Esse tema tem sido importante desde os primeiros anos de aplicação do Enem. Essa pauta faz diálogo com as questões anteriores de cultura e trabalho, mas vai além, incluindo movimentos sociais.

Ao contrário do que muita gente imagina, cidadania não é apenas um respeito que as pessoas devem ter para com as outras, como respeito no trânsito, na circulação em locais públicos e afins. Ela envolve isso, mas vai muito além.

A maneira como uma empresa lida com coleta de resíduos industriais pode impactar a comunidade inteira do entorno, não é mesmo? Portanto, isso tem a ver com cidadania, tanto quanto leis de trânsito ou respeito ao próximo.

Ela também envolve questões mais polêmicas, ao lidar com política. Claro que não se trata de política partidária, nem de fazer propaganda para este ou criticar aquele, mas de compreender o panorama e o fenômeno do poder.

O aluno precisa ser capaz de debater os sistemas de governo, os processos eleitorais e, mais ainda, questões como centralização ou compartilhamento de poder. 

No caso do Brasil, por exemplo, o poder estaria concentrado ou compartilhado com a população?

4.     O que é Desigualdade Social?

Você já recebeu um cartão de visita pessoal para um acontecimento especial alguma vez na vida? Certamente se isso aconteceu você se sentiu importante. Porém, nem todas as pessoas podem se sentir parte de algo, infelizmente.

O tema que problematiza a questão da exclusão social de pessoas é, dentro da Sociologia, o da Desigualdade Social. Lembrando que a desigualdade não é apenas financeira, mas também racial e de gênero, conforme debates mais recentes trazidos à tona.

Temas fundamentais que fazem interseção com este são:

  • Estratificação social;
  • Distribuição de renda;
  • Monocultura artística;
  • Serviços públicos;
  • Pobreza e violência;
  • Déficit educacional;
  • Entre tantos outros.

Assim, o aluno precisa fazer um esforço tremendo de compreensão da sociedade brasileira, bem como de sua própria condição ou classe social, de modo a conseguir se colocar no lugar de outros, de maneira altruísta.

Como isso extrapola a Sociologia, vamos dar abaixo algumas dicas que podem ajudar e dar um reforço para a disciplina sociológica.

5.     De olho em História e Filosofia

Como vimos, é um erro pensar que a Sociologia seja uma disciplina fechada em si mesma, pois ela faz interseção com outras áreas do saber, sem as quais ficaria incompleta.

Por isso mesmo, não é incomum as provas do Enem trazerem as famosas “pegadinhas”, que nada mais são do que questões inesperadas, que extrapolam aquele formalismo que se espera das provas escolares.

Por exemplo, eles podem muito bem expor a foto de uma mala antiga de viagem com a finalidade de abordar questões de História, como modo de mensurar a capacidade de abstração e personalização do saber de cada participante.

Por isso, é importante reforçar o conhecimento em História, com a ótica da Sociologia, como nos temas colocados acima, que podem exigir saberes sobre:

  • História clássica;
  • História Nacional;
  • História universal;
  • Histórica política;
  • História artística;
  • Entre outras.

Já a Filosofia entra como elemento do saber crítico. Assim, não se trata de estudar este ou aquele ponto em específico, pois no que tange à Sociologia essa disciplina não pode ser “conteudista”, mas criativa.

Trata-se da visão crítica e de pensar melhor, coisa que os filósofos de todos os tempos fizeram muito bem. Por fim, vale lembrar que além da alimentação e do ambiente ideal para estudo, é preciso pensar nas ferramentas.

Cada aluno tem melhor aproveitamento de um modo diferente. Considere apoio de recursos que podem ir desde multimídias e internet até um caderno ou um talão personalizado que você adapte para fazer anotações de termos-chave.

Com isso, certamente sua prova ocorrerá de maneira tranquila, não apenas no campo da Sociologia, como de todas as demais disciplinas envolvidas. Boa sorte!

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

STOODI-TIM
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