Veja como os “rolezinhos” podem cair no vestibular

Relembre o que foram os rolezinhos e responda as questões:

 

No cartum, há uma alusão aos “rolezinhos”, manifestações em que jovens, em geral oriundos de periferias, formam grandes grupos para circular dentro de shoppings.

Com base no diálogo entre os guardas e nos elementos visuais que compõem o cartum, é possível inferir uma crítica do cartunista baseada no seguinte fato:

(A) os jovens se descontrolam em grupos muito numerosos
(B) os guardas pertencem à mesma classe social dos jovens
(C) os guardas hesitam no cumprimento de medida repressiva
(D) os jovens ameaçam as atividades comerciais dos shoppings

 

Considere a seguinte situação: você foi escolhido para apresentar resumidamente para sua classe os argumentos pró e contra os rolezinhos. Redija, portanto, um resumo, em até 15 linhas, que exponha os argumentos utilizados pelos autores de cada texto para justificar o posicionamento deles em relação ao tema: prática do rolezinho em shopping-centers.

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Uma amiga me diz que ela passeia pelos shoppings para ter a impressão de estar fora do Brasil, ou seja, num espaço público que não seja ansiógeno1 e violento. Claro, é uma ilusão fugaz; basta olhar para as vitrines para constatar que tudo é brutalmente mais caro do que no exterior – pelos impostos, pela produtividade medíocre ou pela corrupção endêmica, tanto faz. Mesmo assim, insiste minha amiga, a ilusão de civilidade é um alívio.

Hoje, à brutalidade de impostos, corrupção e mediocridade produtiva acrescentam-se os “rolezinhos” dos jovens da periferia. O que eles querem, afinal? Talvez eles gostem de apavorar. Não seria de se estranhar. É um axioma2: para quem vive na incerteza (de seu status, do reconhecimento dos outros, de seu lugar no mundo), apavorar é um jeito de encontrar no medo dos outros uma confirmação de sua própria relevância. Apavoro, logo existo: espelho-me na preocupação dos seguranças e na cara fechada dos clientes que voltam correndo para o estacionamento.

Mas apavorar é um efeito colateral. Os jovens dos «rolezinhos» pedem sobretudo uma bola branca: a admissão ao clube. A prova, a roupa que eles preferem e que grita para ser reconhecida como luxo.Tudo bem, alguém perguntará, eles pedem acesso a quê? À classe privilegiada? Ao consumo de quem tem grana? Não acredito em nada disso, aposto que eles pedem acesso ao próprio lugar para o qual eles vão: eles pedem acesso ao shopping. O que esse lugar tem de mágico? De desejável? Qual é seu valor simbólico?

Na nossa cultura (justamente pela quase inexistência de espaços públicos minimamente frequentáveis, ou seja, pelo horror que a rua é para todos, ricos e pobres), os shoppings integram a lista histórica dos refúgios.

(Contardo Calligaris, Folha de S.Paulo, 06.02.2014, adaptado)

¹ansiógeno: que gera ansiedade
²axioma: premissa admitida universalmente como verdadeira, sem exigência de demonstração; máxima; sentença

Questão 1. Segundo o texto, o autor:

a) concorda com a amiga, ao ver o shopping como um espaço público que passa a ilusão de um lugar sem violência.
b) olha para as vitrines dos shoppings e também tem a sensação de estar fora do país.
c) responsabiliza impostos, produtividade medíocre e corrupção endêmica por desfazerem a imagem de civilidade de um shopping.
d) reconhece ser uma ilusão achar que os preços dos produtos no Brasil seriam menores do que os do exterior.
e) aponta o preço dos produtos daqui como um dos fatores para se perceber a ilusão efêmera que é um shopping.

 

Questão 2. Ainda segundo o texto, o autor entende que:

a) os “rolezinhos” dos jovens da periferia também são um fator contribuinte para a desilusão representada por um shopping.
b) aterrorizar os outros seria uma forma ineficaz de os jovens da periferia obterem a dimensão da própria existência.
c) instaurar medo nos clientes é um modo de enfatizar uma importância já reconhecida pela sociedade.
d) torna-se uma verdade universal o fato de os jovens da periferia não terem status, reconhecimento e lugar no mundo.
e) os “rolezinhos” dos jovens da periferia são protestos injustos por parte daqueles que não são excluídos da sociedade consumidora.

 

Questão 3. O autor acredita que o shopping:

a) torna-se uma opção mais atraente do que as ruas horrorosas sem espaço para pobres.
b) representa historicamente um lugar público frequentável apenas pelos mais ricos.
c) simboliza um espaço reivindicado pelos jovens que desejam ascender à classe alta.
d) passa a ser um refúgio para os jovens da periferia, espaço do qual eles ainda não se sentem detentores.
e) possui um aspecto quase mágico que passa a ser um espaço público desejável por todos.

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