Entre as doenças infecciosas mais antigas da história, a tuberculose é uma das maiores causadoras de mortes no mundo. Mais de um milhão de pessoas morre, por ano, por causa dessa doença.

No post de hoje vamos falar tudo sobre essa enfermidade: o que é, como prevenir, sintomas, diagnóstico, transmissão, tratamento e os diversos tipos de tuberculose existentes. Confira!

O que é tuberculose?

A tuberculose é uma doença infecciosa causada, geralmente, pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (ou MTB). É, a priori, uma doença pulmonar, embora possa também afetar outros órgãos do corpo, como rins, ossos e meninges.

Por conta do grande leque de sintomas, a tuberculose não era reconhecida como uma doença unificada até a década de 1820, sendo comumente confundida com várias outras mazelas.

Em 1839, J. L. Schoenlein batizou, finalmente, a doença como tuberculose. Algumas de suas formas já eram provavelmente conhecidas desde os tempos da Grécia Antiga. Especula-se que ela tenha sido originada das primeiras domesticações de gado, fator que levou também ao desenvolvimento da varíola humana.

Apenas no século XX, mais precisamente no ano de 1906, os franceses Albert Calmette e Camille Guérin conseguiram desenvolver a primeira vacina, a BCG (Bacilo de Calmette e Guerin). Quinze anos depois, foi usada pela primeira vez em pacientes humanos, apesar de ainda não serem popularizadas.

Considerada uma doença endêmica das classes mais pobres e muito contagiosa, uma a cada seis mortes estava relacionada à tuberculose no começo do século XX, na França.

A Inglaterra, por exemplo, chegou a construir sanatórios, que lembravam prisões, para onde os doentes iam de maneira quase forçada. Mais de 70% dos pacientes que chegavam a essas instituições morriam em menos de 5 anos.

A antiga prática do escarro foi bastante combatida na época, principalmente nos Estados Unidos, que passou a proibir que qualquer pessoa escarrasse em público. Essas medidas de educação com relação à disseminação da tuberculose causaram efeito. Em um século (1850 a 1950) as mortes pela doença passaram de 500 a cada 100.000 pessoas para 50 a cada 100.000 habitantes na Europa.

Entretanto, somente após o final da Segunda Guerra Mundial, no ano de 1946, o antibiótico estreptomicina foi desenvolvido como maneira de tratamento e prevenção à doença. Antes do medicamento, apenas intervenções cirúrgicas, como o pneumotórax, eram utilizadas como forma de tratar os pacientes.

Apesar do cenário positivo, os anos 1980 trouxeram uma triste notícia: o surgimento de raízes da bactéria resistentes aos antibióticos existentes até então. Em 2001, o Reino Unido já registrava mais de 7.000 casos confirmados, um dado preocupante quando comparado aos 5.500 casos de 1987.

Em 1993, com o ressurgimento da doença, a Organização Mundial da Saúde (OMS) precisou emitir uma declaração de emergência médica global. Outro fator que levou a esse aumento dos casos foi a epidemia de AIDS que se iniciou nos anos 1980.

A doença provocada pelo vírus do HIV cria o cenário perfeito de enfraquecimento do sistema imunológico para o ataque da tuberculose que é, hoje, a doença que mais mata soropositivos nas últimas décadas.

Tuberculose: prevenção

Atualmente uma das maneiras de se prevenir contra a tuberculose é vacinar crianças com a BCG (Bacillus Calmette-Guérin) que, no Brasil, é ofertada de maneira gratuita por meio do Sistema Único de Saúde, o SUS.

É importante salientar que a BCG não é eficaz na forma tradicional da doença, a tuberculose pulmonar. Entretanto, ajuda a diminuir as chances de infecção pelas outras formas da doença, mais graves e agressivas. A melhor maneira de prevenir contra a tuberculose é, na verdade, tratar as pessoas doentes para evitar uma epidemia e o surgimento de novos casos.

Para pessoas que convivem com infectados por tuberculose é recomendado identificar a infecção latente. Nesse caso, é fundamental procurar uma unidade de saúde para que se possa iniciar o tratamento antes mesmo do adoecimento.

Sintomas de tuberculose

O início da infecção por tuberculose é assintomático, principalmente nos estágios de latência da doença. Algumas pessoas não apresentam indícios de infecção, o que aumenta os riscos de transmissão. Já outros doentes apresentam alguns sintomas considerados simples e que podem ser ignorados por anos.

Entretanto, a maioria dos doentes apresenta alguns sintomas mais frequentes, que são:

  • tosse seca e contínua em um primeiro momento e presença de catarro mais tarde, sem cessar mesmo após quatro semanas — pode desenvolver para tosse com pus ou sangue;
  • excesso de cansaço;
  • quadro febril leve no período da tarde;
  • sudorese, principalmente à noite;
  • pouco apetite;
  • palidez;
  • emagrecimento severo;
  • rouquidão;
  • fraqueza e prostração.

Para casos mais graves da doença, é possível encontrar alguns sintomas mais complexos, como:

  • respiração bastante dificultada;
  • grande eliminação de sangue na tosse;
  • pulmão colapsado;
  • acúmulo de pus na pleura, a membrana que faz o revestimento pulmonar — em caso de dando à pleura, ocorre dor torácica.

Tuberculose: diagnóstico

O diagnóstico de tuberculose é feito por meio de alguns exames, entre eles a baciloscopia (cultura de bactérias) e a investigação por exames de imagem, como o raio-X. Um diagnóstico clínico pode ser levado em consideração, caso seja impossível comprovar as suspeitas de infecção por meio dos testes laboratoriais.

Nesse tipo de caso, é essencial associar os sinais e sintomas com exames complementares, de modo que seja possível ter certeza do diagnóstico.

Tuberculose: transmissão

A principal forma de transmissão da tuberculose é pelo ar, com a inalação de aerossóis. Pessoas infectadas e com a doença ativa (portanto, fora do estado de latência) lançam no ar partículas com microrganismos (bacilos) infectados quando falam, espirram e, principalmente, tossem.

O cálculo de transmissão da tuberculose indica que, em um período de um ano, uma pessoa infectada com a bactéria ativa possa transmitir a doença para uma média de 10 a 15 pessoas.

No caso dos bacilos que ficam depositados em objetos como lençóis, copos e roupas, esses dificilmente são dispersados no ar, portanto não desempenham um papel significativo na transmissão da tuberculose.

Embora o adoecimento do paciente seja mais provável em seus primeiros dois anos infectado, a pessoa pode adoecer em qualquer altura de sua vida, o que faz com que a transmissão seja plena a todo o tempo em que o doente esteja eliminando os bacilos.

Com o início do tratamento, o fator de transmissão tende a diminuir de maneira gradual, sendo que em até 15 dias se torna insignificante. Daí vem a importância de identificar os doentes e tratá-los o mais cedo possível, diminuindo as chances de transmissão para outras pessoas.

Tuberculose: tratamento

remédios tuberculose

A boa notícia quando falamos em tuberculose é que hoje ela tem cura. O tratamento, entretanto, é demorado e dura no mínimo seis meses. Felizmente, no Brasil essa terapia é gratuita e disponibilizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

É muito importante que sejam respeitados todos os passos necessários para o cumprimento correto do tratamento, principalmente da terapia medicamentosa. Além disso, acontece em paralelo o Tratamento Diretamente Observado (TDO), que consiste na ingestão da carga diária de medicamentos para tuberculose sob a observação de um profissional de saúde capacitado.

Estabelecer o vínculo entre o doente e o profissional de saúde é fundamental para que ocorra a adesão completa ao tratamento, diminuindo drasticamente as chances de abandono da terapia. Sem o devido esclarecimento sobre a doença e os seus riscos, muitos pacientes não dão continuidade ao tratamento. Portanto, esse acompanhamento é essencial para a cura.

No início do tratamento é comum que o paciente fique algum tempo internado, preferencialmente até a erradicação dos riscos de dispersão de bacilos. Assim, os índices de transmissão são controlados e diminuídos. Após esse período, o paciente é liberado para realizar o restante do tratamento em casa, sempre sob a devida supervisão.

Casos mais graves podem demandar um período maior de internação, principalmente se ocorrer algum tipo de dano à pleura (membrana que reveste a parte interna do tórax e a externa dos pulmões) ou se os sintomas mais agudos não se extinguirem.

Tipos de tuberculose

Como mencionamos, a tuberculose pode se manifestar de diversas maneiras em diferentes partes do corpo do doente. Algumas delas são descritas abaixo.

Tuberculose pulmonar

A tuberculose pulmonar é a forma clássica da doença, acometendo os pulmões. Leva a todos os sintomas citados neste artigo e é, também, a variação mais comum da doença.

Tuberculose ganglionar

Muito comum entre os soropositivos de HIV, a tuberculose ganglionar afeta, entre outras áreas do organismo, os gânglios (linfonodos) que estão localizados próximos ao pescoço. O bacilo de Koch, bactéria causadora dessa variação da doença, é responsável pelo aumento dos gânglios que, apesar de não resultar em dor, pode gerar o surgimento de fístulas (feridas) na pele do paciente.

Tuberculose óssea

A tuberculose óssea atinge, principalmente, a região da coluna vertebral, sendo responsável por sintomas de dores nas costas. Com a tendência de piora ao longo do tempo, essa variação da doença é perigosa e, quando não tratada corretamente, pode resultar em graves alterações no sistema nervoso do paciente.

Tuberculose pleural

A tuberculose pleural é uma variação da doença que infecta a pleura, camada fina de revestimento dos pulmões. Não-contagiosa, causa dor torácica, tosse, febre e falta de ar. É proveniente da tuberculose pulmonar comum, podendo ser desenvolvida ou transmitida já nessa variação mais grave.

Causa, com certa frequência, o derrame pleural, que consiste em uma acumulação em excesso do fluido entre a pleura e outras membranas. Pode descompensar a ventilação e a respiração do paciente, pois causa uma limitação da expansão pulmonar, natural durante a inspiração, conhecida como atelectasia.

Tuberculose cutânea

A tuberculose cutânea ou “de pele” acontece com grande recorrência nos países tropicais com clima muito úmido. Muito comum nas parcelas mais pobres da sociedade e também naqueles pacientes com imunidade reduzida.

Assim como em outras variações da doença, a tuberculose cutânea atinge, primeiramente, o pulmão do indivíduo, se dissipando para a pele e até mesmo outras partes do corpo.

Tuberculose intestinal

A variação intestinal da tuberculose é uma evolução da doença que consiste na infecção do intestino pelo bacilo, podendo ser transmitido por meio de saliva ou até mesmo pela ingestão de carne ou leite contaminados.

Os sintomas se manifestam no abdômen e intestino, podendo piorar com o tempo. É comum um quadro de diarreia, dores persistentes de barriga, sangramento nas fezes, febre, perda de peso, falta de apetite, entre outros. Sem um tratamento adequado, pode causar obstrução do intestino e hemorragia, levando ao óbito.

Tuberculose urinária

A tuberculose urinária é, muitas vezes, confundida com uma infecção urinária, principalmente quando se comparam os sintomas. É essencial que, na hora do diagnóstico, o médico indique a realização de exames de urocultura e prescreva antibióticos específicos para a tuberculose.

Se não tratada com rapidez, agilidade e eficiência, a tuberculose urinária pode ser agravada e causar um quadro de insuficiência renal.

Tuberculose cerebral

Uma das variações mais graves e perigosas da doença, a tuberculose cerebral atinge a meninge, membrana que reveste o sistema nervoso, afetando tanto o cérebro quanto a medula espinhal.

Muito difícil de ser diagnosticada, a doença é mais comum em países em desenvolvimento, o que faz com que seja igualmente difícil tratá-la. Esse quadro leva a uma alta taxa de mortalidade. A tuberculose cerebral pode, ainda, evoluir para um quadro grave de meningite, formando tumores no sistema nervoso central do paciente.

Tuberculose ocular

Assim como as outras formas da doença, a manifestação ocular ocorre, primeiramente, nos pulmões, afetando depois o globo ocular. Muito raro, essa variação da tuberculose é mais comum em homens e indivíduos negros. Além disso, o grupo de risco das pessoas com baixa imunidade também está à mercê da tuberculose ocular.

Tuberculose do coração

Essa manifestação da tuberculose, também conhecida como pericardite, atinge o pericárdio, espécie de “saco” responsável por revestir o coração. Por esse fator, afeta gravemente a saúde do doente, podendo causar variadas complicações em muitos outros órgãos do corpo.

A tuberculose é, sem dúvidas, uma das doenças mais persistentes na história da humanidade, ainda responsável por muitas mortes nos dias de hoje. Além da prevenção, é fundamental que haja a adesão ao tratamento, que deve ser feito nos primeiros momentos após o diagnóstico, evitando assim o risco de morte e maior transmissão.

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