A configuração e a organização da sociedade capitalista, desde que ela teve início, designam e estratificam as pessoas em classes sociais, principalmente de acordo com seu poder aquisitivo e sua influência política.

Uma das classes mais importantes e com história mais significativa e ativa em todos os tempos é a chamada burguesia. Com papel relevante nos movimentos que ajudaram a fazer com que o capitalismo prosperasse, a burguesia já foi peça central na consolidação do mundo como o conhecemos hoje.

Quer saber mais sobre o surgimento, a história e a trajetória da burguesia? Então continue lendo este artigo!

O que é burguesia?

Na História, entendemos como burguesia a classe social que abrangia banqueiros e grandes comerciantes e, também, donos de pequenos comércios e até mesmo jornalistas, principalmente no início da Era Moderna. Sendo parte do terceiro estado — a terceira e mais extensa camada social — até os períodos finais da Idade Média, os burgueses não tinham acesso ao poder político, independentemente de sua condição financeira. Esse poder era única e exclusivamente reservado para o clero e a nobreza.

Após as Revoluções Francesa e Industrial no século XVIII, a influência econômica da burguesia atingiu patamares nunca antes alcançados, fazendo com que a mesma acessasse as camadas de poder político no mundo moderno.

Atualmente, entendemos como burguesia a classe social detentora dos meios de produção e, consequentemente, do poder político. Para alguns pensadores, os burgueses são aqueles que, além de deterem o capital, valorizam a preservação da propriedade privada, visando garantir sua supremacia econômica na sociedade, em detrimento às camadas proletárias e mais pobres.

Surgimento da burguesia

A decadência da Idade Média e o consequente surgimento do capitalismo fizeram com que o mundo e, principalmente, a Europa, passasse por diversas modificações em sua política, economia e no meio sociocultural. Declínio do feudalismo, sistemas absolutistas, Reforma Protestante, monarquias nacionais, entre outros, foram alguns dos acontecimentos que ajudaram a organizar a visão do novo mundo.

Chamado de Era Moderna, esse novo período coincide com o aparecimento da própria burguesia, sendo essa representada por valores protocapitalistas, como a liberdade individual, o livre comércio e os direitos civis e de religião.

Suprimido durante a Idade Média, o comércio ressurge, principalmente com a expansão das próprias trocas comerciais e da expansão marítima para o continente americano e a abertura de rotas pelo Mar Mediterrâneo.

Essa ampliação das relações comerciais impulsionou e expandiu a nova classe social da burguesia, de modo que o surgimento das grandes cidades foi fundamental para sua ascensão inicial. O próprio nome vem dos burgos, onde viviam mercadores e camponeses nessa época.

Reunindo-se nas associações comerciais conhecidas como guildas e desenvolvendo a interação entre vários profissionais nas Corporações de Ofício, os burgueses foram fundamentais nas articulações que desencadearam, algum tempo depois, na quebra da pirâmide social estratificada que se conhecia na época.

Para saber quem foi a burguesia na idade média, é preciso lembrar que ela fazia parte do povo, como qualquer outro cidadão que não fosse nobre ou integrante do clero. Se essas duas classes da elite eram possuidoras de grandes propriedades e estavam isentas de impostos, aos poucos foram perdendo poderes e influência para a burguesia.

Se antes as aspirações de vida do povo giravam em torno de postos de trabalho servil mais próximos da nobreza, agora as pessoas enxergavam no comércio uma possibilidade ascensão social, política e financeira.

Ao longo do tempo, o Renascimento Cultural também contribuiu para trazer à sociedade novas perspectivas de organização e mesmo de pensamento. As próprias filosofias antropocentristas, tirando a religião do centro do universo, fizeram com que os ideais de liberdade se fortalecessem na sociedade, ajudando a quebrar o status quo da nobreza.

Revoluções burguesas

revolução burguesia

As revoluções burguesas foram acontecimentos históricos fundamentais para a ascensão dessa classe social. Foram processos importantes que auxiliaram na quebra do regime absolutista e, consequentemente, na consolidação da burguesia como detentora do poder,

São consideradas revoluções burguesas a Revolução Francesa, de 1789, e as revoluções Puritana e Gloriosa, na Inglaterra do século XVII. No Reino Unido, foram essenciais para moldar os aspectos políticos que vigoram até hoje. Durante essas revoluções, a Inglaterra transitou de um regime monárquico absolutista para a república de Oliver Cromwell, chegando, finalmente, à monarquia constitucional que vigora até os dias de hoje.

Já a Revolução Francesa é um dos movimentos sociais que trouxeram mudanças mais radicais para o mundo moderno até então. Acontecendo cerca de cem anos após as revoluções inglesas, teve que lidar com um absolutismo francês muito mais forte e consolidado na sociedade e no governo.

Luís XIV era retratado como um símbolo perfeito de monarca absolutista, e isso fez com que a camada mais humilde do povo se sentisse ainda mais oprimida, principalmente pela organização do estado francês e das péssimas condições de vida às quais era submetida.

A derrocada do regime absolutista francês inspirou e ainda hoje inspira vários movimentos e revoluções ao longo da História.

Burguesia e proletariado

De acordo com as teorias do Marxismo e do Socialismo, desenvolvidas no século XIX por Karl Marx e Friedrich Engels, burguesia e proletariado são, na verdade, pertencentes a dois estratos distintos.

Se, anteriormente, ambas faziam parte do terceiro estado — o povo —, hoje o burguês representa a classe dominante. É ele quem detém o poder político e econômico, a partir do momento em que é dono dos meios de produção do capitalismo.

E, no lado oposto à burguesia, encontra-se o proletariado, representando a classe dominada, os operários que trabalham e produzem para o lucro dos patrões burgueses.

O contexto histórico mundial, principalmente no que diz respeito à organização da sociedade e às relações comerciais e produtivas que vemos nos dias de hoje devem muito à ascensão da burguesia e suas conquistas ao longo do tempo. Ao sobreviver e, mais do que isso, fazer parte das mudanças sociopolíticas do mundo, a burguesia galgou seu espaço como a atual classe dominante, principalmente em uma sociedade onde os aspectos financeiro e de propriedade são ainda muito valorizados.

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Beatriz Abrantes

Cursando jornalismo, é apaixonada pela profissão e por inventar receitas em sua cozinha. Faz parte do time de Marketing e Conteúdo do Stoodi, focada em SEO. A Bia adora dançar, participa de ONG’S de proteção aos animais e ama passar tempo vendo filmes. Conheça mais os seus textos!

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