Quem estuda para o vestibular sabe o desafio que é estudar a política e a história brasileira. Com altos e baixos, a trajetória que o Brasil seguiu — e ainda segue — gera diversas dúvidas para os vestibulandos, dificultando ainda mais o seu planejamento para as grandes provas.

Um dos temas que mais aparece nessas provas é o coronelismo. Você sabe como funciona esse poder político e como foi aplicado na história política e econômica no país? Neste artigo, separamos as principais informações sobre o tema para você. Continue lendo para saber mais!

O que foi o coronelismo?

Como comentamos, o coronelismo fez parte da História do Brasil e caracterizou o período latifundiário, isto é, as relações de poder sobre a posse de terras. Em outras palavras, existiam muitos confrontos entre fazendeiros, latifundiários e governantes para definir o uso e os limites dos territórios.

Isso se estendia não só para a relação interpessoal entre a população, como também afetava a política e a economia brasileira. Vamos pensar juntos: era muito mais interessante para os governantes tornar os donos das terras como coronéis, tendo em vista o retorno financeiro alinhado à garantia de voto que essa ação gerava.

Nesse sentido, os latifundiários com seus novos títulos poderiam comandar e exercer decisões e programas políticos sobre determinado território, retirando, por exemplo, o fazendeiro que trabalhava naquele local. Em troca, eles deveriam apoiar os governantes nas eleições e sustentar suas campanhas.

Indo um pouco mais além, os governantes não só exigiam os votos dos coronéis, como também dos fazendeiros que ocupavam as terras. Nesse sentido, era uma estratégia política bastante eficiente para manter-se no poder e, de quebra, elevar o lucro do estado e do latifundiário.

Coronelismo: resumo

Você percebe como o coronelismo inovou as relações sociais entre diferentes camadas da população? A partir da titulação dos latifundiários e do poder que eles ganharam, houve uma consolidação nas relações de poder entre fazendeiros, moradores, governantes e donos das terras.

Acontece que, ainda que isso não aconteça mais hoje em dia, podemos perceber claramente seus efeitos na nossa sociedade. Por exemplo, quando pensamos nas eleições, constantemente vemos governantes alinhando-se a pessoas bem reconhecidas socialmente para garantir diversos votos nas eleições.

Na época, os fazendeiros eram obrigados a votar nos governantes que disponibilizaram as terras e o título de coronel para os latifundiários. É claro que isso não acontece mais atualmente, tendo em vista que essa atitude é ilegal no Brasil, mas muitas vezes a população associa essa aliança política como forma de manipulação de votos.

Origem do coronelismo

Diante de todas essas informações, qual é a origem do coronelismo e por que ele se tornou um marco na nossa História? Bom, suas raízes vieram da tradição patriarcal e da estrutura fundamental da agropecuária arcaica: as oligarquias. A partir da criação da Guarda Nacional, em 1831, os grandes latifundiários perceberam uma excelente oportunidade para expandir seu poder para a política.

Isso porque a sua influência, na época, era somente econômica. Ao compreender que a Guarda Nacional tinha a responsabilidade de defender a integridade da constituição e, por consequência, do império brasileiro, os latifundiários e oligarcas passaram a fazer acordos políticos com a Guarda no intuito de ganhar o poder de comando.

Acontece que esse interesse não era somente unilateral, isto é, da oligarquia com a Guarda Nacional. Os dirigentes também buscavam formas de controlar as rebeliões que estavam acontecendo nos territórios e manter a ordem e a organização política em dia.

Características

Uma das perguntas que mais aparecem nos vestibulares se refere às características do coronelismo. Além das relações já apresentadas, existem outros pilares que estruturam a consolidação desse modelo político que vão além dos acordos econômicos. Para facilitar a compreensão, listamos os principais abaixo:

  • a elite política composta por comerciantes, oligarcas e latifundiários obtinha o título de coronel e, portanto, eram autoridades incontestáveis;
  • eles tinham autonomia para recrutar pessoas para constituir a força militar brasileira;
  • os coronéis tinham o direito de empregar as milícias com o intuito de manter a ordem social por meio da repressão e promoção de espaços culturais, gerando uma relação de dependência e temor;
  • os territórios concebidos pelos governantes para os coronéis eram chamados de currais eleitorais, tendo em vista que a população que ali habitava e trabalhava deveria votar nos políticos que ofereceram a posse da terra.

Vale lembrar que essa estratégia de controle de voto ficou conhecido na história como voto de cabresto. No caso, os fazendeiros precisavam votar em governantes específicos ou perdiam seus empregos, além de serem privados de comida e condições básicas de saúde e moradia.

Política do Café com Leite

Outra característica muito presente no coronelismo foi a política do Café com Leite. Além de os votos serem controlados pelos oligarcas, o governo fez acordo com o estado de São Paulo e Minas Gerais para alternar a origem dos presidentes da República.

Nesse sentido, ora o presidente era de São Paulo, ora era de Minas Gerais, tendo em vista o grande lucro que as duas regiões apresentavam ao Estado. Em troca, o governo fortalecia o poder das oligarquias locais e aumentava seus benefícios, não só financeiros como também políticos.

Política dos Governadores

Ainda com a lógica da manutenção do poder político e suas estratégias eficientes de controle sobre a população, a política dos governadores caracterizou o período da República Velha no Brasil. Ela originou os acordos realizados entre os governadores, presidente do país e, é claro, os latifundiários.

Nesse sentido, foi ela que deu origem ao movimento do coronelismo e estruturou as relações de poder que perduram na nossa sociedade. Afinal, ainda existem diversas ações governamentais que buscam garantir os interesses — políticos, econômicos e sociais — tanto do presidente quanto de cada estado com o intuito de evitar oposições.

Fim do coronelismo

Não é nenhum mistério que o coronelismo foi um período hegemônico durante a República Velha. Acontece que, com o advento da modernização dos centros urbanos e a consolidação dos novos grupos sociais, ele foi perdendo espaço na sociedade e começou a ser deixado de lado por não apresentar efetividade no controle popular, caracterizando a Crise da República Oligárquica.

Alinhado a isso, a Revolução de 1930, desenvolvida por Getúlio Vargas, também trouxe novas estratégias de poder que originaram o fim do coronelismo e alteraram as relações entre os estados, bem como seus governantes e oligarcas locais.

Curiosidades

Para finalizar o nosso conteúdo, não podíamos deixar de lado algumas curiosidades que podem aparecer nas suas provas por meio de contextualizações históricas. Como você já deve imaginar, existem diversos livros e filmes que ilustram bem o coronelismo no Brasil, tendo em vista a importância que ele teve na nossa História.

Um dos mais famosos foi a peça Odorico, o bem-amado, escrita por Dias Gomes em 1969, retratando a realidade dos coronéis na República Velha. Além disso, Chico Anysio também criou o personagem Coronel Limoeiro, que ficou famoso na dramaturgia brasileira.

Você já sabe o que é coronelismo e percebe como estudar sobre o tema é importante para manter o seu conhecimento em dia e garantir uma excelente nota no vestibular? Afinal, é um tema muito recorrente nas grandes provas e precisa de dedicação para compreender a fundo como que as relações políticas e econômicas eram estabelecidas na época.

E aí, o nosso conteúdo foi útil para você? Então aproveite para conhecer o nosso plano de estudos e comece a organizar seus estudos com eficiência!

Beatriz Abrantes

Cursando jornalismo, é apaixonada pela profissão e por inventar receitas em sua cozinha. Faz parte do time de Marketing e Conteúdo do Stoodi, focada em SEO. A Bia adora dançar, participa de ONG’S de proteção aos animais e ama passar tempo vendo filmes. Conheça mais os seus textos!

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