Apesar de não ter atingido em cheio o Brasil em um primeiro momento, a crise de 2008 abalou o mercado financeiro mundial, trazendo sérias consequências tanto aos Estados Unidos quanto à Europa. Os setores mais prejudicados foram os financeiros, em um golpe que abalou a estrutura do capitalismo.

Como o tema é corriqueiro nos vestibulares e no Enem, vamos ajudá-lo a entender todas as nuances desse período, que trouxe inúmeras consequências negativas tanto aos países desenvolvidos quanto às economias subdesenvolvidas ou emergentes. Confira!

O que foi a crise de 2008?

A crise de 2008 começou em razão da especulação imobiliária nos Estados Unidos. Foi a chamada bolha, causada por um aumento abusivo nos valores dos imóveis.

Ao atingir preços bem acima do mercado, o setor acabou entrando em colapso, pois a supervalorização não foi acompanhada pela capacidade financeira dos cidadãos de arcar com os custos.

Assim, as hipotecas acabaram não tendo a liquidez esperada, ou seja, houve uma quebra econômica em razão do aumento dos juros e da inflação.

Tudo isso por conta dos ativos financeiros, isto é meios pelos quais as empresas credoras negociam as dívidas com bancos, empresários e instituições financeiras. Entretanto, no caso dos Estados Unidos, a falta de liquidez trouxe riscos de calote, o chamado subprime. Eram os financiamentos de segunda linha.

Para piorar a situação, o governo adotou medidas para combater a inflação, como redução dos créditos, ou seja, a compra e venda de imóveis tão atraente no passado acabou entrando em colapso, com uma considerável desvalorização.

Com uma situação bem delicada, o mercado financeiro mundial ficou totalmente desconfiado, tendo em vista que os Estados Unidos são referência no empréstimo de dinheiro a outros países. Dessa maneira, os bancos criaram barreiras e limitaram o crédito, reduzindo o poder de investimento das empresas.

Foi um verdadeiro efeito “bola de neve”, resultando em queda do consumo, diminuição dos lucros e demissões em massa. A quebra do banco Lehman Brothers levou a crise ao auge. Ações despencaram, títulos foram desvalorizados e a população ficou à mercê dos esforços governamentais para mudar a situação.

Dois anos depois, a crise financeira atingiu a União Europeia, com impactos na desvalorização do euro e aumento das dívidas de alguns países, como Grécia, Portugal, Espanha e Itália.

Crise de 2008: resumo

Conhecida como a crise financeira do capitalismo, a problemática foi disseminada ao mundo no dia que ficou batizado como segunda-feira negra. Era 15 de setembro de 2008 quando o banco Lehman Brothers (fundado em 1850) quebrou, um dos mais tradicionais dos Estados Unidos.

Consequentemente, as bolsas de valores despencaram, fazendo com que os governos de vários países anunciassem planos de socorro à economia, aplicando bilhões de dólares nos bancos.

A causa de toda a problemática se iniciou dez anos antes, em 1998, quando houve uma liberação de créditos desenfreada nos EUA, mesmo para pessoas que não tinham condições de arcar com as parcelas dos empréstimos.

Com um volume muito alto de hipotecas, os bancos uniram os contratos de alto risco aos de baixo, utilizando as garantias (imóveis) como uma forma de investimentos em pacotes vendidos com a promessa de ganhos promissores.

No entanto, os devedores não arcaram com os seus compromissos, causando um efeito dominó que abalou a economia, com desemprego e afastamento dos investimentos.

Nasdaq crise de 2008

Causas e consequências

As causas da crise de 2008 foram:

  • liberação de crédito sem grandes exigências;
  • queda na produtividade;
  • falta de liquidez;
  • aumento dos juros.

Junto a isso, podemos citar ainda a má avaliação das agências de classificação de riscos, que deram notas elevadas para o investimento de compra dos conhecidos CDO (obrigações de dívida com garantia) vendidos pelos bancos norte-americanos.

Para você ter uma ideia do tamanho do rombo, as dívidas hipotecárias chegaram a atingir US$ 12 trilhões. De olho no montante, inúmeros investidores sonharam em lucrar com a compra dos títulos.

Além disso, a construção civil norte-americana teve um boom em razão da facilidade na conquista de créditos. O problema é que a bolha estourou e ninguém conseguiu administrar a inadimplência.

Assim, os papéis da dívida comprados pelos investidores (títulos) já não tinham grandes garantias, ou seja, as promessas de altos ganhos endossadas pelas agências de classificação de riscos foram nocauteadas.

A consequência desse desastre econômico que colocou em xeque o capitalismo foi desemprego em massa, retração financeira internacional, principalmente na Europa. Com isso, houve o aumento da dívida pública externa por conta da necessidade de empréstimos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Somado a isso, outro fato que prejudicou a produtividade foi a queda no valor e nas demandas por commodities (matérias-primas que podem ser estocadas sem perda da qualidade). Uma delas é o petróleo.

Crise de 2008 EUA

Sendo o causador da crise financeira de 2008, os Estados Unidos foram palco da segunda maior quebra da história, ficando atrás somente da vivenciada em 1929, conhecida como a Grande Depressão.

Além da bolha imobiliária e dos índices elevadíssimos de inadimplência, o governo norte-americano estava desarmado financeiramente em razão dos gastos com as Guerras do Afeganistão, em 2001, e do Iraque, em 2003.

Antes de chegar a uma situação insustentável, o governo até tentou segurar a onda. Primeiramente, o governo de George W. Bush liberou ajuda financeira às instituições do setor hipotecário, bancos e seguradoras. No entanto, pressões políticas rejeitaram garantias para ajudar na compra do Lehman Brothers pelo banco inglês Barclays.

Com a falência, as ações entraram em queda livre nas bolsas de valores de todo o mundo. Houve pânico generalizado, desemprego, perdas de imóveis e uma freada brusca na produtividade da maior economia mundial.

Como a crise de 2008 afetou o Brasil?

Nos primeiros dias após a segunda-feira negra, as principais influências da crise de 2008 na economia brasileira foram na queda no valor das ações e aumento no preço do dólar.

Em seguida, houve uma diminuição do crédito e redução dos investimentos internacionais. As expectativas de crescimento econômico também diminuíram, com previsões menos otimistas para o PIB, a soma de todas as riquezas do país.

No entanto, os abalos foram bem menores em comparação aos países europeus, onde a população chegou a realizar protestos violentos, como na Grécia.

Filmes sobre a crise de 2008

Para você ficar bem informado sobre a crise financeira de 2008, seguem alguns filmes bem críticos e interessantes:

Devido à sua importância, a crise de 2008 é um assunto que merece a sua atenção, pois suas nuances podem integrar tanto questões de Atualidades quanto temas da Redação. Por isso, vale a pena se aprofundar nos estudos e se organizar com o nosso Plano!

Renata Celi

Cursando relações internacionais, ama viajar e tomar sol. A Renata faz parte do time de Marketing e Conteúdo do Stoodi e faz trabalho voluntário com crianças nas horas vagas. A Rê adora comida, conhecer gente nova, mas, principalmente, ver filmes repetidos. Conheça mais os textos da Renata!

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